Uma escola serve para “dar aulas”, mas não é só “dar aulas”. E para se “dar aulas” outras coisas são essenciais.
Há, entre alguns professores, um preconceito contra a “burocracia”, que muitos confundem, com uma coisa diferente que é o “excesso de burocracia”.
Dificilmente haverá quem seja mais que eu contra o excesso, mas sou muito weberiano e acho que a ironia é que muitos problemas burocráticos resultam mais da má qualidade da burocracia que sempre tem de haver.
Porque tem de haver uma forma de fazer as coisas e é isso que é a burocracia no sentido correto: os processos organizacionais e suas regras.
O governo vem, por exemplo, dizer que vai “diminuir a burocracia dos DT”. Se for um novo E360, mal pensado, mal sustentado em tecnologia frágil e estruturado em processos não testados com os utilizadores, corremos o risco de ficar pior.
Há, por aí, muito “especialista” a falar disto, que estudou pouco a teoria que daria uma boa prática. E o que mais se vê é amadores a mexer em sistemas complexos, a não perceber que lutar contra a burocracia, por vezes é contra intuitivo: não insistir na questão da quantidade mas realmente dar um impulso qualitativo aos processos.
E aí a qualidade e capacidade dos Assistentes Técnicos e suas chefias é essencial. Por muito que custe a aceitar a alguns são tão essenciais ao funcionamento como quem dá aulas.
Os professores recém colocados que no dia 23 de setembro ou agora a 23 de outubro vão receber o seu salário religiosamente não fazem ideia do custo funcional e stress de produzir esse resultado que acham “natural”.
Pessoas que trabalham muito, têm salários baixos, sujeitos a injustiças de carreira que demoram imenso a descrever e que pela complexidade custam muito a abordar e são incompreendidos.
Muitos deles, com tanta ou mais formação que professores.
Um coordenador técnico tem responsabilidades sobre milhões de euros, mas ganha pouco mais de mil euros. E pelos vistos, em alguns casos, nem lhes reconhecem direitos básicos.
Imaginem uma companhia aérea só com pilotos. Acham que os aviões voavam com conforto para os passageiros, só com pilotos?
Luís Sottomaior Braga



