A minha escolha foi certa ao tempo.
Foi desrespeitada nas condições em que foi feita.
A escolha que deve ser lamentada não é a minha de ser professor, é a dos políticos de não respeitar a escolha. Que me exclui caminhos mas fazia sentido se as condições de partida fossem respeitadas. Pacta sunt servanda. Mas os políticos das últimas décadas nem sabem o que isso quer dizer.
Antes de ser professor trabalhei em rádio, no comércio livreiro, em produção de espetáculos. E como professor já fiz outras coisas: formação profissional, estive requisitado num serviço do MAI, gestão escolar e até organizei um campeonato do mundo desportivo.
Além de voluntariado em IPSS e ONG.
Já dei aulas em colégios, centros de formação, escolas TEIP, 15 escolas públicas, uma prisão.
Diversidade de experiências e não apenas “experiência” e não me arrependo das minhas escolas.
Gosto muito de dar aulas. Ainda não me arrependi do dia em que com uma perna partida concorri ao mini concurso (só concorri porque a perna partida me permitia não ter de estar na fila para os papeis).
Durante estes 26 anos fiz muita coisa e evitei a ideia redutora do “professor que só dá aulas porque não sabe fazer mais nada.
Queixo-me do salário, da má organização do trabalho e da falta de respeito. Mas não da minha escolha. A escolha foi sensata e adequada em 1995. Só passou a ser problemática porque foi desrespeitada.




15 comentários
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E então… o que é que o homem quer?
O que é que nós podemos agora fazer para o desafafo?
Se o que o Braga quer é iniciar uma acção nos tribunais internacionais contra o Estado português por ter defraudado milhares de professores eu estou com ele!
Os políticos não podem ficar impunes quando enganam cidadãos que pagam os seus impostos e trabalham na construção de uma sociedade de bem!
Quando abracei a profissão:
1. o horário de trabalho tinha só componente letiva,
2. as reduções por cargos eram todas na única componente que existia.
3. aos 36 anos de serviço, a reforma seria uma realidade.
4. a ADSE era significativamente mais barata
5. os professores tinham autonomia no que respeita à organização e desenvolvimento do currículo.
6. os professores participavam democraticamente na gestão das escolas.
7. os professores tinham a perspectiva de chegar ao topo da carreira.
Todas estas condições foram unilateralmente cessadas por parte do Estado que usou o meu trabalho e não cumpriu as condições de partida. Eu cumpri!
Fui enganado!
Houve abuso de confiança!
Houve má fé do empregador!
Houve quebra de condições contratuais!
Houve assédio laboral!
Fui defraudado, quero repor justiça!
Sou cidadão europeu, vamos lá dar uma lição de cidadania a quem as está a pedir!
alguém tem um euro?
pertence aos arrependidos de 1995?
o Braga é uma vitima da sociedade imperialista americana 🙂
😥😥😥😥
Eu não levaria este desabafo para o lado do gozo e das graçolas. Este desabafo corresponde inteiramente ao sentir de muitos milhares de professores, nos quais me incluo. Revejo-me e subscrevo este desabafo e testemunho. Eu comecei mais cedo, ainda nos anos 80, na altura o topo da carreira não era uma miragem, o horário de trabalho não tinha a componente não letiva, as reduções por cargos eram todas na única componente que existia (a letiva) e aos 36 anos de serviço, a reforma seria uma realidade, a ADSE era muito mais barata, a alegria na sala de professores era uma constante, os professores tinham tempo para respirar e para pensar a sua profissão com uma margem de autonomia total no que respeita à organização e desenvolvimento curricular (ODC era mesmo uma cadeira nos anos das pedagógicas) e ninguém nos queria enfiar pela goela o “aprender a aprender” e os “Maias” desta vida.
A verdade é que olhar para esses tempos, só pode deixar qualquer professor a pensar exatamente no brutal desrespeito de quem tem sido vítima por parte das sucessivas tutelas e muitos outros cidadãos que apoiam essas políticas e ainda querem mais sangue, se possível! Só quem é cego e surdo, é que não percebe que este estado de espírito de tantos e tantos professores não é positivo, não é motivador, não é nada animador para o futuro do ensino nas escolas públicas.
Quem achar que os professores que fazem estes desabafos, apenas estão a fazer um drama e são uns chorões e uns coitadinhos, e que se não estão satisfeitos devem simplesmente ir à vida deles e procurar um emprego melhor, não estão a perceber nada, mas mesmo nada, deste filme! O que se passa no íntimo de muitos milhares de professores deveria fazer arrepiar todos os que têm poder de decisão neste país. Já se começam a sentir os efeitos da ação corrosiva dos(des)governos que temos tido, e o futuro só irá demonstrar que estamos apenas a ver a ponta do icebergue! A mim já “só” me faltam cerca de 10 anos (deveriam ser bem menos), e agora terão de me roer os ossos, porque a carne que resta é para preservar o melhor possível! É só sala de aula, nada mais! PAA? Que é isso? Tenham juízo!
“Eu comecei mais cedo, ainda nos anos 80, na altura o topo da carreira não era uma miragem, o horário de trabalho não tinha a componente não letiva, as reduções por cargos eram todas na única componente que existia (a letiva) e aos 36 anos de serviço, a reforma seria uma realidade, a ADSE era muito mais barata, a alegria na sala de professores era uma constante, os professores tinham tempo para respirar e para pensar a sua profissão com uma margem de autonomia total no que respeita à organização e desenvolvimento curricular (ODC era mesmo uma cadeira nos anos das pedagógicas) e ninguém nos queria enfiar pela goela o “aprender a aprender” e os “Maias” desta vida.”
EXACTAMENTE!! Também eu!
Trabalhava-se mais, com gosto. Havia verdadeira entrega à escola e os alunos apendiam muito mais! Agora? É a parvalheira total!
Digo “aprendiam”
Obrigado, colega, pelo seu testemunho !
Esta gentinha não se enxerga mesmo! Dizem que a escolha passou a ser problemática, como se estivessem obrigados a viver com o que designam por problema! Se não estão satisfeitos, pois bem que se mudem para outro trabalho, como milhares de portugueses o fazem anualmente, dentro e fora de Portugal. Se os portugueses se reinventam profissionalmente aos milhares todos os anos, porque motivo os sitôres e sitôras não o fazem? Será porque a alternativa a continuarem a bater tacão nas salas de sitôras é irem ser serventes de trolhas (os sitôres da tanga) e empregadas da limpeza (as sitôras da tanga), por nada de útil saberem fazer fora das paredes das latrinas públicas onde diariamente urinam e defecam em conjunto sobre milhares de pseudo alunos?
O Bruno de Carvalho devia ter estudado um bocadinho mais, desse modo já podia ir para o emprego que tanto inveja ter e nunca conseguiu! Uns têm o que outros invejam e mesmo assim não andam satisfeitos. Realmente esta vida é muito injusta. Com um bocado de sorte talvez ainda te safes, daqui a 10 anos, no máximo, qualquer palerma como tu pode ser professor!
O comentário deste Bruno de Carvalho é tão deprimente como será ele próprio !!! Triste….
Maria, ao comentares o comentário do “travestido” estás a dar-lhe importância. Ignora-o .
Subscrevo cada palavra. Excelente reflexão.