“Libertem as crianças” é uma expressão forte, uma expressão que nos leva a pensar que as crianças de hoje vivem oprimidas, bloqueadas, sem espaço e tempo! Será?
O Prof Carlos Neto, no seu mais recente livro (2020) “Libertem as crianças – a urgência de brincar e ser ativo”, faz uma chamada de atenção à sociedade em geral para os perigos de estarmos a criar “crianças totós, de uma imaturidade inacreditável”. Numa escola, onde as crianças passam a maior parte do tempo fechadas, com intervalos, ou períodos de recreio cada vez mais curtos e sem possibilidade de explorar a brincadeira, mais o trajeto casa-escola-casa feito no conforto do automóvel, retiram atividade física, que a longo prazo terá o seu impacto na saúde pública.
A pandemia e os últimos tempos que temos vivido, em que as palavras confinamento e isolamento se tornaram “virais” no nosso dia a dia, vieram exponenciar a visão do Prof José Neto, porque os intervalos são menores e desencontrados, o que em termos sociais tem os seus efeitos negativos, não podendo brincar com uma grande maioria de colegas da escola, a utilização de material para a prática informal desportiva no recreio está proibida, pelo simples contexto de partilha, e as atividades que os pais suportam em horário extraescola, como a música, desporto, dança, vivem rodeados de um cem número de obrigações que, por si só, desmotivam muitas crianças à sua não adesão. Ou seja, A CRIANÇA ESTÁ A PAGAR UM PREÇO MUITO ALTO, NÃO BRINCA, NÃO IMAGINA, NÃO SE DESENVOLVE!
A falta de atividade física desencadeia problemas de saúde, como o ganho de peso, aumento da tensão arterial e aumento de risco das doenças cardiovasculares, que no seu todo resultam na maior pandemia a ser travada nos próximos anos, a obesidade, que diminui a imunidade humana. Estar parado é uma pandemia.
Num estudo recente, Gonzaga, Y. et al. (2020) apresentaram os dados de uma pesquisa bibliográfica com base de dados da Scielo, no ano de 2020, que constata que o confinamento reduziu drasticamente a atividade física levando ao surgimento de comorbidades associadas à obesidade, intolerância à glicose e também transtornos psicossociais como ansiedade e depressão.
A ACSM (colégio americano de medicina e desporto) divulgou um guia que sugere a atividade física de intensidade moderada, de extrema importância nesse período em função da Covid-19, e uma observação importante, e que de acordo com as recomendações da OMS (organização mundial de saúde) para indivíduos saudáveis assintomáticos são de 150 minutos de atividade física por semana para adultos e 300 minutos por semana para crianças e adolescentes. De uma forma geral realça a importância da realização de atividades físicas durante o período de pandemia, mas com intensidade moderada, preferencialmente em lugares abertos ou então dentro de casa e diminuir o período sentado ou deitado.
Cordeiro, J. (2021) realizou um estudo sobre crianças com problemas na coordenação motora e o impacto da Covid-19 nas crianças portuguesas, onde verificou que a inatividade física em crianças tem aumentado, não atingindo os valores recomendados, podendo prejudicar o seu desenvolvimento cognitivo e motor, principalmente nas crianças com perturbação no desenvolvimento da coordenação motora. Esta perturbação pode resultar em problemas no desenvolvimento motor, físico e social. É provável que nas situações de confinamento físico a inatividade física se acentue. As conclusões do estudo constatam que as crianças com perturbação no desenvolvimento da coordenação motora são menos ativas que as crianças típicas, o que reforça a necessidade de procurar estratégias que quebrem esta tendência e promovam uma vida mais ativa e saudável.
Numa perspetiva de que a atividade física pode proporcionar uma melhor qualidade de vida, Aragão, A. et al. (2020), realizaram uma reflexão sobre os efeitos que a atividade física pode proporcionar para uma melhor qualidade de vida, averiguando a importância da atividade física para jovens e adolescentes, na medida em que diminui o risco de doenças como obesidade, asma, hipertensão, diabetes, bulimia e até Covid-19. Neste estudo, foi realizada uma revisão bibliográfica de cinco estudo distintos, Piola et al. (2018), Crochemore-Silva et al. (2020), Fantineli et al. (2019), Barbalho et al. (2019) e Santos et al. (2019) em que se constata que a atividade física é muito importante, não só para o público-alvo, a criança ativa, mas também para a sociedade em geral. O estudo revela que a prática de atividades físicas ajuda na promoção ou mesmo extinção de doenças psicológicas, crónicas e físicas. Reforça o estudo que a prática de atividade física ajuda a tornar o ser humano são, pois além dos benefícios físicos, a componente lazer traduz-se numa sensação de bem-estar e melhor autoestima, ou seja, verifica-se que a atividade física tem um efeito positivo para uma melhor qualidade de vida.
A ciência é, nos dias de hoje, mãe das nossas preces, e ficará um marco histórico sobre a avassaladora capacidade que a raça humana teve em responder a uma pandemia com uma vacina, que embora necessite de se reformular ao ritmo das mutações do “bicho”, mas que nos dá confiança para o futuro.
A ciência, como vemos, também nos diz que parado não é solução, e se aqui e ali é necessário ajustar, reformular, reforçar cuidados,…, parar é que já não é solução. A doença perdurará e continuará a desequilibrar a nossa normalidade, mas isolar, confinar, parar são palavras completamente em extinção, o que a sociedade, e em especial as crianças precisam é de sair de casa, tornarem-se proativos na prevenção/contenção da Covid-19, estudar, brincar, socializar, no fundo serem FELIZES.
Mexam-se.
Professor Luís Marques




16 comentários
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Quando cheguei do meu país (Perú) e comecei a dar aulas aqui, senti que os jovens nas minhas aulas ao inicio estavam muito presas e que só quando se apercebiam que eu lhes dava liberdade de expressão e comportamento, se soltavam. Na minha aula há espaço para tudo. No intervalo da bitola ensino/aprendizagem, falamos/conversamos/dialogamos sobre qualquer assunto da vida, sorrimos e rimos. Passo muito tempo com eles até no recreio. Passo poquísimo tempo na sala de professores, prefiro estar com eles no recreio. Como na cantina da escola no meio deles (antes da pandemia). Muitas vezes desabafam comigo seus problemas que nem os seus pais estão a par. Ao contrário das aulas dos meus colegas que são super silenciosas e muito bem ordenaditas, as minhas aulas são agitadas e barulhentas. Raro a vez que mando um aluno para a sala de castigo com tarefa. Nos últimos 5/6 anos, não mandei nem 1 (UM) só aluno. O aproveitamento na minha disciplina (español) tem sido na ordem dos 95 – 96 – 97%. Então nestes 2/3 anos de pandemia tem sido 100%, como em todas as outras disciplinas que as médias também subiram.
Sinto que em relação ao Perú, as crianças estão demasiado tempo ocupadas em espaços fechados e que vai contra a natureza de uma crianças, de um jovem e até mesmo dos adultos. Os humanos estão cada vez mais tempo encurralados. Tornamos o mundo dos jovens parecido aos dos adultos, demasiado tempo encurralados ao abrigo de tantas convenientes desculpas antipedagógicas, antissociais.
Os “crânios” do sistema de ensino acham que assim é melhor, as escolas, os professores se calam e obedecem e por vezes para agradar ao suprior hierárquico ainda tornam as regras mais rígidas, à moda da vossa tradicional subserviência para agradar, estilo lambe-botas.
Esta deve estar a pensar no Peru do natal….
é só dor de cotovelo… típico dos portuguesitos
Meu marido que é professor de matemática também faz igual na sua escola, nas suas aulas. Está farto de ouvir d@s colegas a seguinte frase: Ah… não fazia ideia que estes alunos tinham tanto aproveitamento em matemáticas! Num clima de boa disposição, diálogo, aproximação, aprendesse.
Pelo que eu percebo, você não é um ou uma professora…é uma ama!
Mais grave ainda intromete-se em assuntos familiares alheios sem ter qualquer motivo que possa justificar essa atitude.
Eu não ia querer que você fosse docente dos meus filhos.
é só dor de cotovelo… típico dos portuguesitos
aprendesse ???
Eheheheh…
é só dor de cotovelo… típico dos portuguesitos
O aproveitamento muitas vezes é inversamente proporcional do grau de exigência. Quando o professor não exige nada, passam todos! Parece que ainda há muito professor com a mania de que as suas aulas é que são as boas. 🙂 A criança precisa de brincar, mas é nos recreios, que quase não existem, realmente.
E depois levam na cara dos profesores e se admiram!!!
https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2021-12-24-Escolas-de-acolhimento-abertas-nas-semanas-de-contencao-e26b5c6c
https://duilios.wordpress.com/2021/12/24/nem-todas-as-escolas-encerram-ate-10-de-janeiro/
Realmente Portugal é mesmo dos pequenitos
Portugal dos Pequeninhos
Por isso essas e muitísimas cosas Portugalinho não passa da cauda da europa… nunca teve futuro, nem nunca terá!!! Vcs merecem o que têm!!! Fazem por isso mesmo…. Pequenitos de mente, pequenitos em tudo
Minha Senhora,
Apesar de lecionar Espanhol, enquanto professora a exercer, em Portugal, devia aprender a escrever português. E esta observação nada tem a ver com o sermos pequeninos ou grandes, antes com o brio profissional de cada um. Quanto às observações que faz sobre as nossas crianças, sobre as aulas dos colegas e sobre o “Potugalinho”, não as vou comentar, uma vez que elas, por si sós, revelam muito da caráter de quem as escreveu.