O actual Ministério da Educação precisou de mais de seis anos de governação para constactar e assumir a falta de professores que, na verdade, já se adivinhava há muito tempo… Ao longo desses anos, incapaz de percepcionar as evidências dessa crescente insuficiência, preferiu escamotear o problema, atirando-o “para baixo do tapete”, numa atitude displicente, bem ilustrada pela expressão espanhola: “no pasa nada”…
Não sendo já possível continuar a ignorar o problema, dada a proporção que o mesmo entretanto atingiu, o Ministério da Educação assumiu agora essa incontornável carência, parecendo estar disposto a tudo para a remendar ou remediar…
No momento presente, estar disposto a tudo, parece significar mesmo tudo, inclusive ignorar a legislação que regulamenta o Estatuto da Carreira Docente que, segundo consta, não foi revogada, ou a interpretá-la de forma muito “criativa”…
Sobretudo quando as coisas não correm bem, eis que vem ao de cima aquela atitude déspota e sobranceira, tão “pequenina”, e tão típica de quem recusa reconhecer qualquer erro e que, em vez disso, aproveita para impor a sua autoridade e fazer uso da arrogância e da prepotência…
Não restarão grandes dúvidas de que os erros cometidos por uns serão pagos por outros, com a maior das desfaçatezes…
Durante seis anos, que medidas foram tomadas no sentido de contrariar a expectável insuficiência de professores?
Nenhuma. E, mais uma vez, se verificou a monumental dificuldade deste Ministério da Educação em lidar com a realidade, ignorando-a ou negando-a sistemática e obstinadamente, preferindo quase sempre enveredar pelo caminho da fantasia e do dogmatismo…
Mas, agora, e de repente, parece que acabou a fantasia e que outros terão que pagar pela incompetência e pela inépcia de quem não foi capaz de prever e de assumir o óbvio e que estava à vista de todos… Só não o via quem não queria…
No passado dia 17 de Novembro foi anunciada, pelo Governo, a criação de uma “task-force” na área da Educação, tendo como principal objectivo o combate à falta de professores: “o grupo de trabalho, que será constituído por elementos da Direção-Geral de Estabelecimentos de Ensino e da Direção-Geral da Administração Escolar, vai colaborar diretamente com as escolas para avaliar as situações de carência em concreto” (Diário de Notícias/Lusa)…
Em linhas gerais, uma “task-force” corresponderá a uma força de intervenção temporária, escolhida e designada para uma função específica e especial, sob um determinado comando.
No caso da Educação, não resta outra alternativa que não seja a de qualificar como absurda e extemporânea a criação da “task-force” anteriormente mencionada, sobretudo por essa equipa ser constituída por Direcções-Gerais que já existem há vários anos e que tiveram ao seu dispor as oportunidades, os meios e os instrumentos de gestão e de administração necessários para, em tempo útil, se terem oposto ao problema, combatendo-o de forma célere e eficaz…
Houve tempo e, previsivelmente, também houve meios, só não terá havido vontade política para resolver o problema…
Compreende-se, no entanto, a estratégia subliminar, subjacente à criação da referida “força de intervenção”: “ir à boleia” da “task-force” da Vacinação, que obteve resultados muito positivos, e beneficiar dessa imagem de sucesso, aproveitando para fazer passar a ilusão de que o desenlace na Educação será semelhante…
Por certo que não será… O Ministério da Educação já demonstrou que não está disposto a melhorar as condições existentes na Carreira Docente, nem a torná-las mais atractivas, parecendo, antes, mover-se por um certo prazer sádico, ao enveredar repetidamente pelas “soluções” mais tortuosas e desleais…
Por esse motivo, e pelo que já se conhece acerca da acção da “task-force” da Educação, “pressentem-se” algumas medidas que poderão estar nos pensamentos mais recônditos e abstrusos e nas intenções mais inconfessáveis de alguns “bem iluminados”:
– Abolir a Componente Não Lectiva do horário de trabalho dos professores, transformando as 35 horas de horário semanal em Componente Lectiva, independentemente da idade, do tempo de serviço e das respectivas reduções, com a justificação de que é preciso fazer sacrifícios e ser muito resiliente…
A diferenciação pedagógica ou a qualidade da prática pedagógica deixariam de ter qualquer relevância, “que outro valor maior se alevanta” (Luís Vaz de Camões)…
– Em cada escola, e sem possibilidade de renúncia, atribuir a cada professor o número de horas semanais de trabalho extraordinário que for necessário para eliminar os horários sem provimento e, sempre que se justifique, prescindir de determinadas habilitações para a leccionação de algumas Disciplinas… Procurar todas as potenciais escapatórias para pagar o menor número possível de horas extraordinárias, recorrendo, quando necessário, a estratégias ardilosas, também poderá estar na imaginação de algumas mentes mais perversas …
– Aumentar o número de alunos por Turma até onde for necessário, de forma a diminuir drasticamente o número de Turmas… “Todos à molhada” (José Esteves, personagem de Herman José), que o importante é mascarar o número de Turmas sem professor(es) atribuído(s)…
Sem qualquer pejo em poder “decretar o absurdo”, se não se confrontar com uma contestação significativa, parece que o Ministério da Educação, não hesitará em tomar todas as medidas que estiverem ao seu alcance no sentido de eliminar artificialmente a falta de professores, com custos inequívocos para terceiros…
Por outras palavras, a incúria do Ministério da Educação criou um problema e, na iminência de milhares de alunos ficarem privados de aulas em algumas Disciplinas até ao final do Ano Lectivo, obrigam-se outros a resolver o imbróglio, assacando-lhes, de forma aleivosa e desleal, responsabilidades acrescidas e imprevistas no horário de trabalho inicialmente estabelecido…
Mudar as regras de um jogo, unilateralmente, a meio do mesmo, não é justo nem “limpo”, como muito bem saberá o Ministro da Educação, que também é Ministro do Desporto…
Sabendo que na Classe Docente é comum e frequente a atitude de “aceitar primeiro e reclamar depois”, quem estará disposto a “pagar a factura” da incompetência alheia?
Num Estado de Direito, a aplicação da Lei não pode ser usada de forma transitória, a bel-prazer dos Governantes e de acordo com os seus interesses momentâneos e intempestivos…
Cada vez mais, parece que o Estado está a ficar sem Direito… E, cada vez mais, parece que os piores exemplos vêm do próprio Estado…
(Alerta-se para a presença de alguns “pressentimentos” que, a bem de todos, ninguém quer ver concretizados… Mas como afirmam, mais uma vez, os espanhóis: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay”…).
(Matilde)




14 comentários
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Esta Matilde, de vez em quando, tem alucinações.
Se a carga de trabalho dos docentes já é bastante devido ao excesso de trabalho, se aumentarem ainda mais o nº de horas… as baixas médicas, diz-se que no momento serão 10.000, passarão para quanto? Seria caso para dizer: foi pior a emenda que o soneto.
35 horas letivas? Campanha eleitoral, talvez.
Por mim, até seria bom trabalhar 35 h na escola e ir para casa fazer o que se faz depois de 1 dia de trabalho…
A Ma(tilde) imagina ter 35 h letivas na escola e todo o processo de trabalho individual por fazer em casa? se 22 h correspondem a 10 h individual, então 35 h letivas corresponderá a quantas de natureza individual?
Será 1 boa medida para os psicólogos, psiquiatras e afins….
…de vento em pompa, em alto mar;
bandeira içada de propaganda soez,
o desgovernado navio do ps costista
depois de seis anos a navegar à vista
há de encalhar de vez
não sem antes nos afundar…
(PS- a destruir a escola pública e a malhar desalmadamente nos professores a partir de 2005)
Estou a ver no que vai dar…
Se já com as horas letivas actuais o ensino não é eficaz…. como será com as 35???
Se ja muitos profs andam presos por arames….. como será depois????
E chegaremos a um ponto que não haverá professores para escravizar…. e qual tasca força qual “quercus ilex” chamem um AlmiAnte, ou ou BaixoMirante, que adianta para cara de alho.
O Karamba, Camões, Pensador e outros nomes que usa, já vem comentar isto da falta de professores.
É só acabar o trabalho na sardoaria, onde está a ser vergastado pelo Sardão, nova versão mais rápida, a V55.7.
Depois, todo contente por levar com o dito, já vem postar as suas postas de pescada aqui.
Esperem só mais um pouco, se faz favor!
E mudar as regras para novos pedidos de MI?
E criar incentivos tais como se disponibilizam a médicos e deputados ou
Melhorar as remunerações nos escalões inferiores?
A falta de professores depende muito…. Enquanto houver quem se sujeite a trabalhar em “part time” a 50km de casa. E ainda há muito professor que trabalhar para pagar deslocações. ..
Estramos a falar que COMEÇA a haver falta de gente disponível para ser escrava, é isso?
Agora vão ter de pagar a peso de ouro aos professores experientes. Sabemos bem como os novos dão as aulinhas…
Os colégios vão ser os primeiros a aliciar senão fogem-lhes os betos.
É que ser professor não é para qualquer um. É preciso boa formação científica e pedagógica.
E onde a encontram hoje em dia? Teóricos e garnizés não faltam…
É o que dá… o COMUNISMO! Este País cada vez mais se assemelha com a URSS! Se o ESTADO quer atingir determinados resultados não oferece melhores condições aos trabalhadores (para o qual foi criado)…escraviza-os até não restar ninguém para alimentar a ELITE COMUNISTA (neste caso do PS).
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meus amigos,
Não tenham ilusões. O partido socialista é responsavel por este estado de podridão da escola publica. As REVERSÔES e CATIVAÇÕES deu nisto.
Todos os FUNCIONÁRIOS PUBLICOS devem estar obrigados a um HORÁRIO de 40 Horas Semanais (e não de 35 horinhas). No Setor Privado é assim.
Quanto ás falhas pontuais de professores resolvem-se:
– Transformando a Componente Não Letiva em Componente Letiva;
– Acabando com as reduções por Idade da Tanga;
– Acabando com Coadjuvações;
– Acabando com MOBILIDADES por tudo e mais alguma coisa;
– Acabando com Atestados Médicos que ao fim de apenas 1 mês deviam dar direito a chamada a Junta Médica para verificação.
Vão chegar á conclusão que HÁ EXCESSO DE PROFESSORES.
Vão chegar á conclusão que anda muita gente a Polir Esquinas nas Escolinhas da Treta.
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Quem escreveu este post A Matilde já deve andar metida nos copos natalícios … Aquilo deve ser só gin.
Os delírios são tipo quando os sindicatos a metem medo aos associados nas reuniões, para que haja porta bandeiras nos desfiles cénicos que organizam pelas ruas da capital.
Dará jeito a este blog estas alucinações. Mais comentarios,mais visualizações, mais publicidade….
É como nos programas de TV de reality show , quanto mais ordinarice ,mais share.
Eu sou censurado por fazer ironia bem educada e esse parasita socialista do karamba espalha aqui a sua boçalidade à vontade.