Hoje entreguei o meu relatório de auto avaliação.
Termina como cito abaixo porque há dinheiro que não merece ser ganho.
Da mesma forma que não ando à estalada e ao empurrão para entrar primeiro num comboio, não ando à “estalada” e a prejudicar outros para levar um “muito bom” ou “excelente”.
Se ninguém se mobilizasse para ter muito bons ou excelentes pela quota, o sistema implodia. Mas isto é uma bizarria só minha.
Por isso, quero ser só bom: é uma forma de sobranceria que herdei da minha avó. Há certas coisas que o melhor é dá-las ao desprezo.
Quem conhece o princípio da história sabe que no tempo em que a coisa foi lançada defendi que só ia em frente porque muita gente ia ficar aguado de excelentes… E não me enganei.
Os nossos carrascos são os que correram a entregar objetivos, correram a ser titulares e são contra a ADD mas pedem aulas observadas para poderem ter excelente.
O que escrevi:
“Declaro a minha total repugnância moral pela forma como o Estado impõe o processo de avaliação de desempenho, cuja configuração regulamentar e operacionalização prática, que se vem constatando, pelos serviços do Ministério da Educação considero, além de eventualmente ilegal, injusta e violadora de liberdades e garantias constitucionais.
Como tenho direito à progressão mínima na carreira, que escolhi e que considero exercer com zelo, mérito profissional e rigor científico, como a minha consciência e opiniões generalizadas de colegas, alunos e pais me testemunham, colaboro com o sistema, no limite da minha consciência, aceitando ser avaliado e realizar aulas observadas, quando obrigado a tal, para não ficar na total estagnação profissional e salarial.
Declaro que, para todos os efeitos, não pretendo e recuso terminantemente, no limite com interposição de requerimentos e recursos, menções classificativas superiores a bom, independentemente dos valores numéricos que lhe sejam atribuídos, devendo sempre ser colocado no lote dos excluídos de menções superiores pela quota.
Esta opção individual irrevogável fundamenta-se na objeção de consciência ao sistema, de que considero não dever beneficiar na sua componente excludente de outros profissionais, que classifico como irracional e não ética e, por isso, reputo de imoral dela tirar benefício.
Estou plenamente consciente das consequências desta opção, contra as quais nunca litigarei. Fico feliz por declarar que, tendo na vida muitas situações de avaliação excelente (nomeadamente, nos vários níveis de ensino e todos os cursos superiores que frequentei) posso prescindir de colaborar com atos imorais para obter um benefício financeiro, cujo valor não serviria nunca de desculpa para limpar a mancha moral de beneficiar de um sistema tão injusto e violador do nosso Estado de Direito.
Pedia que esta minha posição vinculativa seja comunicada ao Conselho Pedagógico e Secção de avaliação de desempenho para que a respeitem nas suas decisões de aferição de avaliações.”




15 comentários
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Uma declaração Pro Bono, portanto.
Ingenuidade vs idiotice.
De uma inteligência sublime, digo eu, que também sou idiota.
Ainda bem que há idiotas com valores…
Parabéns. Uma atitude a seguir.
Nota: se todos os que deambulam pelas salas de professores fossem “professores com alma”, solidários e comprometidos com a Educação e o Ensino das gerações, todos, anualmente, se candidatariam às perversas e avaliativas aulas assistidas/observadas e, por consequência, ao Excelente. Desta forma o ignóbil sistema de avaliação IMPLODIA.
Também IMPLODIA se os professores (ou colegas, como muitos dizem) que fazem a Avaliação Interna avaliassem TODOS com EXCELENTE. Isto seria possível se todos os deambulantes e “avaliantes” fossem “professores com alma”, solidários e comprometidos, como disse. Mas não são, como tenho, infelizmente, visto…
Casmurrice com valores.
Deves ter fortuna pessoal.
Se fosses falido como eu não pensavas assim.
É falida de alma e de carteira….
É verdade que todos temos direito à opinião….e lutarei sempre pelo Direito, Justiça e dignidade pessoal e profissional.
Mas, só para dizer que quando se luta pelos nossos direitos, mesmo perante um sistema execrável como a ADD, consegue-se.
A minha ADD foi no ano 2019/2020, e consegui ter acesso às atas sem rasuras, com todas as informações de quem foi que comigo concorreu as avaliações e às cotas.
Quem tirou excelente e muito Bom, e ate à ADD dos membros da direção que foram avaliados pelo siadap. Sem luta administrativa, e sem lutar pela nossa dignidade, nao conseguiremos. Podem dizer que são vitórias morais…se calhar. Mas uma simples publicação de listas que deveria ser normal, nao o é. Então há que lutar pelo menos por isso,e se todos fizessem isso, acabaria de vez o sigilo ilegal e inconstitucional. Porque a lei está do nosso lado e mesmo nas pequenas coisas temos que fazer a diferença . Nem sempre ir pra rua compensa, temos que usar das mesmas armas!!! E combater por dentro de sistemas corrosivos.
Bem hajam
Combater sistemas corrosivos pode ser ignorá-los. Vou subir mais tarde de escalão. Isso vale uns 200 euros…. E subir mais depressa por conta de um sistema imoral ou execrável como disse… É imoral.
Admiro a sua hombridade!
Um texto patético e triste.
Nessa ordem de ideias, os nossos melhores alunos não se interessariam pelas melhores notas escolares. Estou a imaginar a minha melhor aluna a pedir-me que não lhe desse neste final de período o 20 a Mat do 12º ano… mesmo depois de a tentar demover relembrando que era a sua disciplina específica no acesso ao ES.
Trabalhar Pro Bono… , quanta hipocrisia.
O tipo que escreveu o texto terminou o secundário com 20. Mas não havia quotas. Por isso é que o seu argumento inteligente é limitado.
Eu teria deixado claro o oposto: não aceito uma classificação abaixo do MB ou Excelente pouis há evidências para tal. E se assim não for avaliado, recorrerei da decisão.
Tem calma. O Karamba encomendou um novo Sardão, mais evoluído tecnologicamente. É o Sardão V55.7, um modelo danado, versão mais rápida. O karamba, logo que o receba e o experimente, já vem postar para aqui as suas postas de pescada, de tão contente ficar.
Não era necessária a declaração porque há 75% de probabilidade de não ter classificação de mérito. Também não pedir aulas observadas nos escalões onde não é obrigatório tem o mesmo efeito. É uma atitude nobre e corajosa.
Mas também compreendo quem fica no dilema de fazer semelhante, quando tem filhos e pais para ajudar, onde €200 podem fazer a diferença.