Próximo ano será para recuperar aulas sem “meter o Rossio na Betesga”
No próximo ano letivo “há um trabalho que vai ter de ser feito” e que passa por apoiar os “que menos conseguiram estar ligados”, defendeu hoje o secretário de Estado da Educação, João Costa, durante a conferência promovida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) intitulada “Recuperar… o Quê? E Como”.
Segundo João Costa, neste momento, os professores já sabem quem são os esses alunos e não será de estranhar se surgirem “novos focos de pobreza”, tendo em conta o impacto económico da pandemia de covid-19.
Em causa estão os alunos de famílias mais carenciadas mas também todos aqueles que, por alguma razão, não conseguiram estar ligados a acompanhar as aulas.
João Costa defendeu que também é preciso identificar que conhecimentos não poderão ficar para trás, mas sempre com uma certeza: “É preciso perceber que o ano letivo de 2020/2021 não pode ser o ano do Rossio na Betesga“.
Não será possível “enfiar tudo o que é normal num ano letivo e mais tudo o que não se fez no ano anterior”, alertou o secretário de estado, sublinhando, no entanto, que as escolas não se poderão cingir às aprendizagens essenciais.
De fora desta equação não poderá ficar a arte ou a educação física, assim como não poderão ser esquecidas as áreas das ciências sociais e das humanidades, sublinhou, explicando que este é o momento certo para fazer um “bom cruzamento entre as aprendizagens essenciais e o perfil dos alunos”, um trabalho que implicará “repensar o currículo”.
“O que é verdadeiramente fundamental aprender em três quartos ou dois terços do tempo escolar?”, questionou por seu turno o orador José Cortes Verdasca, coordenador Nacional da Estrutura de Missão do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar.
Durante a conferência, José Verdasca avançou com uma ideia que passava por definir o que os alunos teriam que saber tendo em conta a sua idade: “Por exemplo o que saber aos 7, 9 ou 11 anos?”, avançou.
Além da referenciacão do currículo à idade do aluno, José Verdasca lembrou a importância de se conseguir uma maior plasticidade de tempo, “com provável evolução para lógicas de ciclo”.
No fundo, a ideia é conseguir uma encontrar uma escola que não provoque aversão mas sim estimule o gostar a aprender.
A importância de ouvir os alunos neste regresso às aulas para perceber que apoio as escolas podem dar, como é que as aulas poderiam ser mais interessantes ou o que gostariam de aprender foi a sugestão dada pela investigadora Margarida Gaspar de Matos, da Universidade de Lisboa.
A oradora recordou estudos dos últimos anos que mostram que os alunos portugueses têm cada vez melhores resultados académicos mas gostam cada vez menos da escola




3 comentários
“No fundo, a ideia é conseguir uma encontrar uma escola que não provoque aversão mas sim estimule o gostar a aprender”.
Já repararam que esta escola e estes professores que provocam aversão e que impedem os alunos de gostar de aprender nunca tem nada a ver com eles.
Certamente isso é responsabilidade da direita fascizoide.
Já agora:
Governação no século XXI:
Governos da direita fasciszoide:
7 anos, quatro meses e meio.
Governos da esquerda patriótica:
Caminhamos para o 14.° ano.
Para o ano que vem passam a mais do dobro.
Se contarmos o 1.º Governo Guterres, a proporção é de 7/18.
Com a Geringonça.2… 7/22.
Já agora, recordo: 3X7=21.
“…um trabalho que implicará “repensar o currículo”.”
E haveria tanto a dizer sobre isso… 🙂
Mas, para já, coloco apenas estas duas questões:
– No Ensino Básico será para manter a actual “manta de retalhos”, composta por todas as disciplinas actualmente existentes? E a carga horária semanal desses anos de escolaridade será para manter ou para diminuir? (Aumentar parece ser objectivamente impossível, dado o absurdo em que já se encontra…);
– No Ensino Secundário será para manter o primado dos Exames sobre todas as outras coisas?
Sim, exames. Como em qualquer país normal. (e nos anormais também, é mesmo em todos que há exames)