Os rankings do nosso descontentamento
Vale a pena, em plena pandemia, dizer que estas listas não honram o trabalho feito nas escolas. As melhores escolas do país — não hesito em afirmá-lo — foram aquelas que, em bairros problemáticos, mantiveram todos os alunos ligados, foram aquelas em que a proteção contra a violência e negligência nunca falhou, foram aquelas em que a proximidade potenciou aprendizagem.
Os últimos meses, em que o vocabulário da educação se alterou, passando a incluir palavras como distanciamento, síncrono, Zoom ou a fazer renascer outras como telescola, foram pontuados — e ainda bem — por preocupações em notícia ou comentário com aquele que é o principal papel da escola: promover a mobilidade social através do conhecimento e da cultura. Esta terrível crise acelerou desigualdades, apesar do esforço de todos. Os vulneráveis ficaram ainda mais vulneráveis.
Foram meses de trabalho intenso. Os professores reinventaram-se para tentar não perder os alunos. As escolas reconfiguraram-se para garantir refeições, terapias, acolhimento aos mais desprotegidos. Os municípios foram parceiros da inclusão. O Ministério da Educação trabalhou em conjunto com as escolas, disponibilizando orientações, recursos, estabelecendo parcerias nesta corrida injusta em que a aprendizagem se viu mais comprometida.
Todos comentámos as principais dificuldades e conquistas e abrimos os olhos para aspetos fundamentais do sistema educativo: a proximidade, a proteção, o apoio, a relação estabelecida.



13 comentários
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Ó João,
se não tivessem sido as orientações, os recursos e as parcerias que me disponibilizaste,
nem sei como teria feito.
Quanto às parcerias, entre as mais determinantes, volto a destacar o Corpo Nacional de Escuteiros.
E não, João, as escolas não tiveram de se reconfigurar para garantir refeições,
Nem eu me reinventei. Adaptei-me. Aliás, é o que temos feito nos últimos vinte anos.
Ficaste surpreendido, não ficaste?
Nunca pensaste que não dependemos em nada de ti para fazermos o que temos a fazer.
Devia ser criado o Dia Nacional da Escarradura Pública do João Costa. Acho que ia apanhar tuberculose só para poder participar ao meu melhor nível.
Gostaria de ver aqueles que defendem a existência de exames justificar os 40 primeiros lugares. Argumentam que se não fossem os exames as escolas privados sairiam beneficiadas no acesso ao ensino superior. Pelos dados parece-me que os exames ainda as beneficiam mais. Acredito que, pelo modo como as públicas e as privadas encararam este 3º período, os resultados do ano presente ano letivo serão ainda piores para as públicas.
Após uma leitura rápida pelas notícias do dia sobre o tema, é curioso verificar que todos aqueles que defenderam o regresso às aulas presenciais dos alunos do 11º e 12º ano por causa dos exames, agora, com a publicação dos rankings, venham dizer que estão contra os exames. Até o execrável Ascenção. Reina a hipocrisia.
Concordo inteiramente.
É incrível. Que ideologia facciosa! Está sempre a debitar a mesma coisa. É repetitivo, pobre, enjoativo. Só sabe falar de exames, exames«, exames. É sempre tudo o mesmo! Que mente tão desprovida!
Lulazinha. Tem toda a razão. Enganei-me, pois o tema do post é a crise no Benfica. Então vamos lá: julgo que o Bruno Lage é o responsável. Quando começou a armar-se em treinador as coisas correram mal e a equipa começou a cair no ranking.
Adorava que os alunos das escolas privadas fossem fazer os exames ás escolas públicas ou então trocarem de vigilantes entre públicas e privadas.
Não percebo pq o ME não toma está simples medida.
É uma fraude.
Subscrevo.
Vocês sabem de que falamos…
O SE João Costa não gosta destes rankings porque eles recordam que as escolas mais apostam na flexibilidade e nas medidas universais para levar os meninos ao colo, legislação que ele criou, são aquelas que depois apresentam piores resultados nos exames e que, no final, são os exames que contam para a entrada no ensino superior – para o futuro dos alunos, portanto.
Quanto ao ME ter trabalhado em conjunto com as escolas…não me apercebi. Enquanto professora, o ME não me deu formação, não me deu recursos, não me deu orientações. Cada escola fez à sua maneira. Umas definiram horários para aulas síncronas, outras deixaram ao critérios dos professores; umas decidiram avaliar conhecimentos neste período, outras só atitudes…um exemplo de autonomia das escolas que pôs milhares e milhares de alunos portugueses numa situação de desigualdade sem precedentes.
Quando houve orientações – com o regresso dos 11 e 12 anos – estas mudavam de 2 em 2 dias e criaram o caos na organização das escolas (algumas acabaram por ignorar mesmo determinadas ordens) e instabilidade nos alunos.
Para ano ano…não há ainda indicações nenhumas. Milhares de alunos voltarão em setembro como se nada fosse e depois agiremos, de novo, às apalpadelas. Um ministério cheio de filosofia mas pouca prática. Um ministério inútil.
Subscrevo. Apenas trocaria, no final, o termo “filosofia” (impropriamente usado) pelo de “ideologia”, que é o que bate certo com a realidade e o teor do comentário.
Ponham os alunos das privadas a realizar os exames nas escolas públicas e depois vermos…
E às 3 primeiras escolas classificadas, será mais que justo premiá-las. Assim eu proponho que:
– À primeira lhe seja entregue, gratuitamente, 3 covid 19.
– A segunda classificada, que tenha direito a 2 covid 19, pela módica quantia de 5 euros.
– E à terceira classificada, que lhe seja entregue 1 covid 19, por apenas 10 euros.
A Bem da Nação.