“Até meados de maio, ou seja, a meio do terceiro período letivo, mais de metade dos docentes
ainda não tinha conseguido contactar com todos os seus alunos. Não estavam contactáveis pelos
meios que impunham a utilização de computador e/ou Internet, mas também não tinham
conseguido estabelecer outro tipo de contacto, o que, aparentemente, denunciava um total
alheamento em relação à escola. Posteriormente, em alguns casos, foi possível estabelecer
contacto com alguns desses alunos, para o que foi importante a colaboração das autarquias;
contudo, a maior parte deles, mesmo a partir daí e conforme testemunho dos respetivos
professores, não manteve uma participação regular na atividade letiva desenvolvida a distância.”

E explico porquê.
Como sabem dirijo um agrupamento, que apesar de se situar na área metropolitana do Porto tem mais de 50% dos alunos a beneficiar da Ação Social Escolar (Projeto Educativo).
Com exceção de 10 portáteis doados e os tablets do agrupamento emprestados (perto de 20) não houve mais nenhum apoio para a aquisição de material informático (com exceção de algumas hotspot que tardiamente chegaram porque ao que parece alguns municípios os açambarcaram todos).
As presenças semanais que me chegam dos alunos que participam nas sessões síncrona atingem uma participação de mais de 99% de presenças desde o dia 14 de abril de 2020. Tudo registado de forma simples e eficaz. E até acredito que o nível de participação nas sessões síncronas são superiores às presenciais na escola.
Os que não comparecem de forma não presencial já eram os mesmo alunos que presencialmente também não compareciam e esses mesmo que tivessem tecnologia 7G em casa não sairiam da cama para ligar o PC.
Acredito que a grande maioria das escolas tenha uma taxa de participação muito superior à anunciada pela Fenprof e que a grande maioria dos professores tenha contactado a quase totalidade dos seus alunos.
Mas apesar desta grande participação o que sinto neste momento é que existe um enorme cansaço e que ninguém merecia que tudo isto se prolongasse até ao dia 26 de junho. E era já amanhã que terminavam a maioria das aulas e agora faltam ainda quase 3 semanas.




16 comentários
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Eu sou um dos que tem várias turmas com um ou mais alunos desaparecidos.
Referindo-me ao 2.º ciclo para cima…
Não percebo o espanto.
Espantoso seria assim não acontecer.
Não era já esse o panorama antes da pandemia?
Não esqueça que a maioria de nós tem 5, 6, 7 ou mais turmas.
Para não falar nas fake presenças.
Só não percebe estes números quem é diretor e só ouve as mentiras que os profs contam para ficar bem e não levantar poeira. Se for preciso até se falsifica dados para o diretor achar que tem a escola melhor do mundo.
Sr diretor não acredite em tudo aquilo que ouve dos seus profs. Se quiser saber a verdade ou tem de dar aulas ou tem de deixar de ser diretor para ouvir as verdades.
Author
Nesse aspeto estás enganado, pois todos sabem que a melhor forma de ficar agradado é com a verdade.
Prefiro a verdade de me dizerem que as coisas estão mal e que precisam de ajuda do que a mentira que tudo está bem.
Boa tarde Arlindo,
Infelizmente, isso não acontece em muitos agrupamentos.
É sempre aquela velha história da hipocrisia que caracteriza muitos elementos da classe docente (e não só): dizem muito bem pela frente e nas costas dizem mal…até faz lembrar o barbeiro.
Este comentário é muito despropositado.
No entanto, revela que o seu autor imagina que todos,ou a maioria, dos seus colegas também não serão intelectualmente sérios.
Partilho da opinião do Arlindo. Houve um enorme esforço por parte dos docentes e da escola para suprir as dificuldades existentes. Os alunos q já davam problemas nas aulaz presenciais, continuaram no E@D.
Infelizmente, só temos problemas com miúdos cujos pais não sabem ser pais!
Penso q quem desconfia dos professores desconhece a nossa realidade e o nosso valor relativamente à existência desta situação atípica à qual, sem hesitação e com total disponibilidade, demonstramos empenho, sabedoria e altruísmo! Sem nós, nem haveria E@D.
Tirando casos pontuais, no meu agrupamento, a experiência foi um sucesso, embora a classe docente esteja verdadeiramente esgotada e não queira repetir! Os alunos, os pais tb estão cansados. Foi uma péssima ideia prolongarem o terceiro período!
Colega,
peço que não veja nas minhas palavras alguém que “desconfia dos professores”.
Sabemos bem quem desconfia de nós e até nos detesta.
Penso que estamos a confundir sucessos. O apregoado sucesso deste suposto E@D é um sucesso pescadinha de rabo na boca.
É um sucesso que se basta a si próprio e que se encerra em si mesmo.
Será um sucesso nas aprendizagens dos alunos?
Será um sucesso na mitigação das assimetrias/desigualdades entre os nossos alunos?
Não, não, não e não.
Bem pelo contrário,
este E@D foi/é uma verdadeira tragédia.
Quem não quiser ver…
Concordo com o Arlindo. Desconfio desse estudo…. E foi i meu sindicato durante 20 anos. Tenho seis turma e apenas duas alunas não participam nas aulas síncronas. São factos, se os colegas não acreditam e pensam que são dados para agradar aos diretores, façam um inquérito a cada um dos alunos deste país. Leciono numa escola secundária do Porto, onde tudo decorreu normalmente, dada a anormalidade vívida…com bom senso, lucidez e pragratismo de quem dirige…
É claro que tudo isto se deve ao grande esforço dos professores, daqueles que não desistem de nenhum aluno, que não ficam à espera que eles apareceram….estamos todos exaustos, mas com o sentimento do dever cumprido, e desejando voltar à escola presencial. Esperamos que a situação não se repita. E concordo com o Arlindo, estas três semanas parece que são um castigo para nós e para os alunos que andam exaustos.
Colega,
chamo-lhe a atenção para o facto de ser, tal como eu, uma das que faz parte dos “54,8% dos professores (que) não conseguem entrar em contacto com todos os seus alunos”.
Correto?
O estudo refere que mais de metade dos professores não consegue contactar todos os seus alunos. Se tiver um em 150 , que não consegue contactar, está dentro dessa percentagem. Mas isto sou eu a falar, quem percebe de números é o Arlindo, qualquer dia está ministro.
Este espaço está a ficar verdadeiramente ROSA! De facto, ter um blog animado por um professor que desenvolve o seu trabalho na “trincheira” é uma coisa, mas por um professor que comanda tropas é completamente diferente …
Depois também há a convicção de que o primeiro ministro sabe escolher para determinados lugares aqueles que reúnem alguma simpatia na opinião pública. Agora com a saída da Pastor Faria para a ADSE, o lugar de chefia da DGesTE está em aberto … portanto há certos comentários e títulos de notícia que ficam bem nestes tempos.
Sugiro que para fazer o desempate entre a Fenprof e o Arlindo será importantíssimo saber a opinião do Filinto!
Há números com os quais eu concordo, é que estamos TODOS exaustos com o E@D.
E baralhados com os opinion makers. Não é descabido o que diz, atendendo ao caso César Paulo. Não importa a cor. O Arlindo prestou um grande serviço neste blog, merece respeito, mas sou levados pensar, que há uma agressividade muito menos latente e acutilante. Agora tem mais que fazer. Acho que o agrupamento dele tem demasiadas aulas síncronas. Têm aulas síncronas todos os dias??!
Havia que compreender o título do gráfico: se for 45% dos professores não consegue contactar a totalidade dos seus alunos no sentido de não contacta um único, acho demais; se for 45% dos professores não consegue contactar a totalidade dos seus alunos no sentido de não contacta pelo menos um, acho de menos. A % de professores que perdeu pelo menos um aluno ao longo deste período deve aproximar-se dos 100%
De boa-fé nos resultados apresentados, e contrariamente à incompreensão manifestada pelo Arlindo face aos mesmos, as conclusões obtidas não me suscitam grandes reservas e parecem-me perfeitamente plausíveis…
Há dados que não costumam aparecer nem nas estatísticas das escolas nem nas do Ministério…Refiro-me, em particular, à real percentagem de alunos (crianças e jovens) que passa a maior parte do tempo entregue a si próprio, desprovida de apoio e de acompanhamento familiar, sem que isso seja muito perceptível…
Esses alunos, desde que compareçam à maior parte das aulas ou à sua totalidade, passam perfeitamente despercebidos e efectivamente relevam para as estatísticas de uma forma positiva, no sentido em que não fazem aumentar o nível de absentismo, pelo contrário…
Contudo, o problema existe, só não está acessível ou visível para a maioria das pessoas…
Com a suspensão das aulas presenciais e com a implementação do E@D em sua substituição, a verdade, cruel e implacável, em muitos casos, emergiu e tornou-se evidente…
O E@D, pela sua natureza, implica a existência de várias premissas: entre outros, a existência de conhecimentos e meios tecnológicos e informáticos e disponibilidade por parte de algum adulto responsável pela criança ou jovem sem autonomia para acompanhar ou apoiar o processo…
Quantas crianças/jovens têm o devido apoio/acompanhamento dos pais ou da pessoa que tem a sua tutela neste processo? Quantas crianças/jovens vivem no seio de famílias denominadas “infoexcluídas” e que consequências tem esse facto no E@D? Quantas crianças/jovens ficam ou sozinhas em casa ou acompanhadas por alguém sem o mínimo de competências para as orientar e apoiar neste processo?
As desigualdades económicas e sociais acentuadas e reforçadas pelo E@D traduzem-se, expectavelmente, nos resultados agora apresentados… E quanto a isso, não parece existir qualquer dúvida ou incompreensão…
E, já agora, as CPCJ pouco ou nada poderão fazer nessas situações, uma vez que as mesmas ultrapassam o âmbito da acção dessas Comissões, por não se configurarem como verdadeiros casos de negligência, abandono de criança/jovem ou maus tratos físicos ou psicológicos…
Quanto aos alunos que atingem “uma participação de mais de 99% de presenças” nas sessões síncronas, talvez seja aconselhável analisar melhor o termo “presenças”.
Estar presente significa comparecer, mas pode não não ser efectivamente o mesmo que participar de forma activa ou envolver-se… Portanto, a percentagem quase plena que refere o Arlindo, pode ser enganosa, no sentido em que pode ser meramente ilusória.
A análise da “qualidade” das presenças fará essa distinção, se existir vontade de as querer diferenciar…
Completamente de acordo.
Eu tenho turmas que só uma minoria é que realizam o trabalho proposto (ou os T.P.C.).
Muitos alunos estão na aula só de “corpo presente”.