Greve às Avaliações – Entrevista ao Presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares – Manuel António Pereira

Os professores iniciaram esta segunda-feira (18 de junho) a greve às avaliações no dia do arranque dos exames nacionais. A paralisação, convocada por dez organizações sindicais, é realizada principalmente por causa da reivindicação pela contagem integral do tempo de serviço congelado à classe profissional.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel António Pereira, diz que todos os trabalhadores têm direito à greve. Ainda assim, o também diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães reconhece ao Jornal do Centro que a greve fez com que o dia-a-dia nos estabelecimentos de ensino ficasse mais complicado.

“Estamos no final do ano letivo, há exames e avaliações que já deviam estar a decorrer e que não estão a acontecer efetivamente, e isso quer dizer que todo o processo de conclusão do ano letivo está parado à espera que as reuniões possam acontecer e que o processo de luta seja interrompido”, afirma.

Manuel António Pereira assume ainda que a paralisação dos docentes pode vir a ter impacto nas candidaturas dos alunos ao ensino superior, realçando que o concurso de acesso tem prazos já definidos e advertindo que caso o processo se prolongue, estes prazos ficarão “postos em causa”.

“Para além disso, há outros problemas porque teoricamente nenhum aluno vai ser prejudicado e todos vão fazer o exame, independentemente da avaliação interna, e a avaliação externa, que representa o resultado dos exames, será publicada depois da interna. Todo este processo está parado e não há muitas saídas enquanto a situação não tiver um términus”, lamenta o diretor, que pede “bom senso” ao Ministério da Educação e o retomar das negociações entre a tutela e os sindicatos.

“Falta algum bom senso por parte do Ministério, que devia sentar-se à mesa com as entidades que estão a promover esta greve e tentar encontrar soluções que possam resolver este problema complicado”, considera Manuel António Pereira, defendendo a necessidade de se “criar pontes em vez de continuar a construir muros” entre o organismo ministerial e as escolas.

“A gente sabe, por experiência de muitos anos, que nada se faz em educação contra os docentes e portanto, temos de ter consciência disto. Os docentes não estão a pedir nada que não seja legítimo”, sintetiza o responsável pelo Agrupamento de Escolas de Cinfães e pela Associação Nacional de Dirigentes Escolares, que diz que o Ministério da Educação já não tem condições para resolver as divergências com os professores e defende a intervenção do primeiro-ministro.

Com registo áudio: Greve às avaliações agrava situação nas escolas

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