Carta de uma aluna do 12.° ano ao IAVE

 

ᴄᴀʀᴛᴀ ᴀᴏ ❛ɪɴsᴛɪᴛᴜᴛᴏ ᴅᴇ ᴀᴠᴀʟɪᴀçãᴏ ᴇᴅᴜᴄᴀᴛɪᴠᴀ❜:

“Termino agora o 12ºano, depois de prestar contas com os exames nacionais. Durante os três anos que frequentei de ensino secundário, pude assistir à luta que os meus professores que tinham a seu cargo disciplinas de exames, bienais e trienais, travaram para me preparar, a mim e a muitos outros, da melhor forma para desempenhar o meu melhor, conforme as suas excelsas capacidades.

Este ano, realizei o Exame de História A e o Exame de Português. Curiosamente, o exame de português sofreu uma alteração na estrutura, regressando-se a uma estrutura que não era utilizada há anos. A primeira mudança remonta à ‘parte C’ – Parte essa, que diga-se de passagem, não tinha indicações nenhumas em relação à extensão de palavras a cumprir. Ora, preocupada com o desempenho dos seus alunos, a minha professora de Português, durante a prova, contactou com o Ministério da Educação, para desmistificar afinal o que é que era necessário realizar numa ‘breve exposição’, conforme lia o enunciado. A resposta ‘o aluno deve saber controlar-se’ soa correta ao vosso ouvido? Agora somos robots renegados a ter uma função de controlo? Também não entendi a pergunta sobre a ‘Lei Fundamental’ que legitimizou o governo de Salazar? É isso que chamamos à Constituição Fascista de 1933? Estranho. Tive uma excelente professora de História durante três anos e única lei fundamental da qual tomei conhecimento relaciona-se com a política de fomento salazarista. Ou será que a rambóia de palavras serviu somente para nos confundir?

A brilhante ideia de aumentar a cotação das perguntas de escolha múltipla só serve para prejudicar o aluno e ajudar na descida de notas. Agora pergunto-me: quem é que é responsável pelas notas que levamos a exame? Somos nós, claro, mas é também o professor, que avalia o nosso desempenho, durante todo um ano letivo. É justo que um professor que trabalhou com unhas e dentes com a sua turma veja o seu trabalho refletido numa pauta que porventura não reflete as capacidades daqueles que ensinou? Se nós chegamos a este patamar cansados, eles acusam um cansaço superior ao nosso. É claro em Portugal que a chefia pouco se preocupa com esta classe mas se não fosse esta classe trabalhadora a dar o melhor de si todos os dias, poucos doutores haveria para se sentarem em cadeiras bem pagas.

É impossível não reconhecer o descontentamento que os exames nacionais trouxeram a todos que os prestaram. Realizei os exames da minha área, mas solidarizo com todas as outras que conhecem a frustração de ter que prestar contas sobre três anos de ensino num curto espaço de tempo. Caro IAVE, não pretendendo ofender, pretendo sim colocar em causa o futuro de um país – Com alunos insatisfeitos, com professores espezinhados e esquecidos, quem construirá Portugal no futuro? Há tempo para ir a jogos à Rússia, mas não há tempo para compor exames adequados às disciplinas, que não prejudiquem quem os realiza?

O meu tempo enquanto aluna do secundário terminou, é certo, mas escrevo em favor daqueles que em breve lá estarão, para prosseguir o sonho de uma vida melhor – O que eu sonho alcançar também, se os exames nacionais não tornarem ainda mais dificil a já árdua tarefa de atingir médias.

Cumprimentos duma aluna /extremamente/ insatisfeita com o vosso desempenho.”

 

B. F.

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