15 de Agosto de 2015 archive

Cenários de verão III

 

O areal estende-se a perder de vista. O azul manso beijando o doirado doce, a suave brisa vinda do pinhal, o cheiro encorpado e denso do carume. Que local lindo para beijar o mar.

Bem perto de mim, porém, observo, curiosa, uma tribo considerável de pessoas, todas saídas diretamente de uma revista pronta a consumir, gente de casta distinta: corpos bem torneados, calçõezinhos às riscas, cestazinhas de vime, bronzeado intenso e o ar saudável da absoluta despreocupação. Ao redor dos adultos, um grupo de miúdos de idades diversas e estonteantemente loiros enleia-se em brincadeiras à beira-mar, construindo castelos. sand-465724_640

De olhos debruçados no mais novo, uma jovem rapariga, cuja pele castanha e aveludada se destaca no enquadramento, acompanha cada gesto com terna paciência. A voz de uma quarentona platinada, desliza até ali:

– Guilherme Maria, venha secar os calções!

E o garoto, miniatura daquela gente grande, corre em bicos de pés até ao grupo de adultos, todos com o “você” pendurado na boca como um irrefutável anzol.

Reparo numa breve troca de palavras entre as duas mulheres, a provável mãe e a possível ama. Então, a primeira agarra no pequenote pela mão e quase passa por cima de mim, quebrando a linha invisível que nos separa, numa espécie de estranha urgência.

Para à beira do mar, debruça-se sobre o menino e ajuda-o a desenvencilhar-se dos calçõezinhos também às riscas. É uma bela imagem em contraluz, confesso, quase dá vontade de lhes roubar o retrato.

Quando volto a observar aquele minúsculo enquadramento no extenso areal, reparo, surpresa, que, dos dois figurantes, apenas sobrou um pequenino e perfeitíssimo pináculo castanho e espiralado, apontando diretamente ao céu, ainda fumegante.

A platinada mãe e o seu Guilherme Maria arrumam agora as coisinhas da praia, juntamente com o resto da tribo, enquanto a doce mulata segue o rasto do grupo, carregada de brinquedos, toalhas, cestinhas de vime e minúsculas cadeirinhas, mais o menino, aquele doce menino angelical, preso na sua mão.

Definitivamente, há paisagens que não merecem as pessoas que as habitam.

 

 

 

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Curiosidades de Verão

Chegam mais depressa ao blogue do que ao Ministério da Educação os documentos da Provedoria de Justiça. 🙂

Ministério da Educação pode não seguir sugestão da Provedoria de Justiça

O MEC afirma, ainda assim, que apenas teve conhecimento do teor do documento pelo que é reproduzido na comunicação social, “que é entendimento da DGAE, tendo por base jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo, que as listas de antiguidade constituem-se verdadeiros actos administrativos que se consolidam, nos termos do artigo 141.º do Código de Procedimento Administrativo, vigente à data, caso não sejam oportunamente impugnadas” e que a “posição da DGAE é sólida e sustentada na jurisprudência”.

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Os números do “corte” na Educação

(…) Mas a grande razia é, sem dúvida, na Educação. O sistema público perdeu 22,5 mil educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário. Total agora: 128.634. A destruição no sector foi, no entanto, maior. Há menos 31.646 profissionais na área. A diferença é facilmente explicada pelo afastamento de dezenas de milhares de assistentes e auxiliares de educação.(…)”

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