Nos últimos anos tenho ouvido de muitos colegas o desabafo, “tudo cá vem parar”, e, às vezes, apetece-me dar-lhes razão.
Este “tudo cá vem parar” geralmente refere-se às muitas medidas governamentais que têm como ponto de partida o 1º ciclo e que o fazem uma espécie de tubo de ensaio. Mas nem sempre se fala, ou desabafa, por essa razão, também se fala porque ultimamente este ciclo tem sido bombardeado com professores de outros ciclos de ensino que na ausência de componente letiva têm sido “despejados” no apoio educativo e nas AEC’s como se o 1º ciclo fosse a salvação da “pátria”.
E isto digo-o de experiência própria, não foi há muito tempo vi atribuído a uma turma minha uma professora de apoio educativo originária do grupo de Geografia, calma, não culpo eu a colega por tal feito, o que não entendo é como enviam uma professora de Geografia apoiar o trabalho de 1º ciclo, a colega fez um excelente trabalho, quando sentia dificuldades nesta ou naquela matéria, pois não tinha formação na área, pedia esclarecimentos que prontamente lhe eram prestados, ou a outra colega que prestava o mesmo tipo de serviço nessa escola originária do grupo de Educação Tecnológica e já com mais de 25 anos de serviço que, segundo ela, tinha descoberto um novo amor, ou então as colegas do Ensino Especial originárias do secundário que não se sentem minimamente à vontade ao trabalhar com os alunos no 1º ciclo. Mas isso não me causa celeuma, pois considero a classe docente capaz de se adaptar a qualquer circunstância se a isso se propuser. No próximo ano letivo, o 1º ciclo vai receber uma nova disciplina, o Inglês, no 3º e 4º anos, como consequência disso vamos ter a entrada de novos colegas a lecionar neste ciclo.
Em relação a isso, o que me tem preocupado é que, afinal de contas, os professores que têm ministrado Inglês nas AEC’s não são detentores de competências básicas para o fazer. Não me crucifiquem já! Ora vejamos, foi criado o grupo 120, inglês para o 1º ciclo, mas nem todos o podem ministrar, para isso, é necessário frequentar uma formação, do tipo “expresso”, que ronda os 700/800€, às expensas dos docentes e até existem formações “online”, tal é a ânsia de “sacar” uns “cobres” a quem os tiver. É muito fácil explorar a necessidade de sobrevivência desta classe. Mas afinal o que têm andado a fazer os colegas que até hoje, e continuarão a fazer até ao final do ano letivo, lecionaram e lecionam Inglês no 1º ciclo? A brincar aos professores? Porque é que até agora os docentes que lecionam tal disciplina foram considerados “competentes” para tal e a partir do próximo ano letivo lhes é exigido nova formação? Será que é em 3 meses que ficam “capazes” de lecionar o que até hoje lecionavam? E já agora, os docentes do grupo 220 não têm já competência para lecionar no 1º ciclo como titulares de turma conferida pela sua licenciatura? Porque é que agora têm de se sujeitar a tal formação? E a pagar… Vivemos no país de uma tal “Alice”… E, já que se fala no assunto, para lecionar aos 3º e 4º anos será necessária a tal formação, e nas escolas onde se mantiver a disciplina para o 1º e 2º anos, os colegas continuarão a ter competências para lecionar a esse dois anos, ou terão de “usufruir” de formação especifica?…
A última piada são as 93 vagas de QA abertas para este grupo a nível nacional, ou será que irão aparecer como vagas de QZP…
A monodocência está a caminhar a passos largos para uma extinção em massa,.. qual meteorito a cair neste ciclo…




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Sinto muita tristeza. Isto vai de mal a pior.
Está a esquecer-se das formações online. Eu que estive 5 anos na Madeira, no 120 não me reconhecem as formações de lá. E gastando dinheiro num curso na net, já tenho habilitação. No mínimo ridículo.
Mas o mais giro mesmo é nos andarem a roubar esse dinheiro nas formações e não nos deixarem concorrer na mesma, uma vez que a mesma ainda não está concluída (suponho que seja o caso para a maioria dos colegas nesta situação! ) … Enfim! Já são tantas que já aprendi a me habituar! 🙁
Isto é de loucos!! Estou nas AEC / Inglês desde 2005 e, tal como refere o texto, não terei o dito Complemento de Formação concluído a tempo de poder concorrer ao grupo 120. Tal como outros colegas sinto-me enganada e não reconhecida pelo trabalho que desenvolvi até hoje. Sou forçada a pensar que, de facto, foi para arrecadarem uns € de cada um de nós.
no próximo ano só o terceiro ano terá Inglês obrigatório com professor colocado pelo ministério.O resto, primeiro segundo e terceiro continuará AEC com professores contratados por câmaras ou empresas….lógico? não….
1 – Não estou aqui a defender o ministério e até concordo com o essencial da questão, mas tenho que realçar o seguinte: o senhor professor não pode equiparar as AECs, sejam de Inglês ou do que forem, a disciplinas do currículo, a filosofia é diferente. Enquanto, nas AECs, o Inglês se traduz em atividades de caráter lúdico (aprender os números, as cores,…) o “outro” Inglês, como disciplina curricular obrigatória, será mais do que isso, sujeito a um modelo de avaliação diferente, encarado numa perspetiva de iniciação “séria” à língua, com conceitos de gramática, regras ortográficas e outras, com a devida continuidade (e já não de iniciação) no 2.º ciclo. Assim, o nível de formação exigida também poderá ser diferente, digo eu.
2 – Num post anterior, o senhor professor deu uns “erritos” crassos de Português, houve muitas críticas, tomou consciência da gravidade da situação e corrigiu-os. Muito bem! Mas depois teve a “lata” de vir aqui dizer que tinham sido dados “propositadamente”!
Arre!
Agora, e não li mais nenhum dos seus outros posts, tal o receio de confirmar aquilo que já era óbvio, no presente as suspeitas dissiparam-se, infelizmente: desgraçados dos alunos que têm um professor que escreve uma frase destas:
“E isto digo-o de experiência própria, não foi há muito tempo vi atribuído a uma turma minha uma professora de apoio educativo originária do grupo de Geografia, calma, não culpo eu a colega por tal feito, o que não entendo é como enviam uma professora de Geografia apoiar o trabalho de 1º ciclo, a colega fez um excelente trabalho, quando sentia dificuldades nesta ou naquela matéria, pois não tinha formação na área, pedia esclarecimentos que prontamente lhe eram prestados, ou a outra colega que prestava o mesmo tipo de serviço nessa escola originária do grupo de Educação Tecnológica e já com mais de 25 anos de serviço que, segundo ela, tinha descoberto um novo amor, ou então as colegas do Ensino Especial originárias do secundário que não se sentem minimamente à vontade ao trabalhar com os alunos no 1º ciclo.”
Que raio de pontuação, senhor professor, que frase tão curta… Já experimentou lê-la em voz alta com a devida entoação, tem fôlego para tal?
É capaz de haver por aí uns cursos, mesmo online, do tipo “bem escrever português”.
3 – Ó Arlindo, corrige, ou pede a alguém que o faça, os textos deste artista, antes de os tornares públicos.
“… iniciação “séria” à língua, com conceitos de gramática, regras ortográficas…” Conceitos de gramática??????????? Informe-se por favor…
Para o João http://professorimperfeito.blogspot.pt/
https://oduilio.files.wordpress.com/2015/03/10930083_836639083040647_3958735750046029638_n.jpg
Os professores do 1º ciclo(muitos deles com habilitação para o 2º ciclo em simultâneo) imponham-se e chamem a si as habilitações para os apoios e áreas das AEC. Porque razão é que um colega de Educação Visual e Artes para o 3º ciclo e secundário vai fazer para o 1º ciclo?, isto é um exemplo.
Há grandes negócios por trás de tudo isto. Não duvidem.
Quanto ao 1º ciclo ser um campo experimental, há muito que o é, com a calma e aceitação de todos. Os sindicatos viraram as costas há muito a este grupo, estando mais preocupados com a sua própria sobrevivência.
No 1º ciclo estão insuportáveis os horários, os programas, a papelada, as grelhas, enfim… Como é possível este grupo ser o único que perdeu tudo o que tinha, trabalha como um burro de carga das 9h às 17h 30m em alguns dias da semana, formações a seguir até às tantas e não tenha qualquer redução de horário reformando-se na mesma altura que os restantes grupos, que vão ganhando dias de descanso. É inadmissível tudo isto. É inaceitável!!! Os sindicatos falam disto? Onde?… Esteve alguma vez na sua agenda de negociações? Não creio. Pois tudo continua a piorar em cada dia…
Sou professora do 220/110 há 12 anos. Tenho menos de 5 anos de serviço, mas na verdade já trabalho nas escolas há 8 anos letivos, dos quais os últimos 6 a ensinar inglês aos 4 níveis do 1º ciclo e, também, à pré. Ao longo dos anos tenho feito formação em ensino de inglês precoce. Para poder concorrer ao concurso de professores tenho que realizar uma prova de matemática e outra de português.É certo que não terei lugar no 220 nem no 110 e também não poderei concorrer para o 120 porque não realizei nenhum curso que me habilite trabalhar no que andei a fazer nos últimos 6 anos.
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