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2 de Março de 2015 archive

Humor em Dose Dupla

Fator Bava

Fator BES

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Divulgação – Professores Contratados Disponíveis para Ação Judicial Coletiva

Chegou-me o seguinte pedido de divulgação, pelo grupo que esteve na petição Pela justiça da vinculação semi-automática e que pretende recolher dados dos docentes contratados que tenham pelo menos 4 contratos em horário completo e consecutivo, desde 2001.

Lembro que já existem ações em tribunal com o mesmo fim e pelo menos um tribunal já solicitou ao sindicato em causa a listagem dos professores contratados associados desse sindicato que tenham três ou mais contratos consecutivos desde 2001.

Mas como os tribunais no nosso país são famosos por demorarem muito tempo a tomar decisões não se sabe ainda mais nada de como se encontra esse processo.

Fica no entanto o mail que me chegou para divulgação.

 

 

Caros colegas contratados,

Na sequência da petição Pela justiça da vinculação semi-automática,  e enquanto se aguarda resposta do Provedor da Justiça e da Comissão Europeia, vimos pela presente facultar um inquérito que pretende reunir numa única base de dados os contactos e informação de todos os professores contratados com 10 ou mais anos de serviço  (Resolução da Assembleia da República n.º 35/2010)  que, desde 2001 (Norma Europeia) obtiveram 4 contratos anuais sucessivos. Através deste será possível estabelecer contacto entre os docentes que reúnem estas condições e que pretendem avançar para uma ação coletiva no Tribunal, exigindo o cumprimento da Norma Europeia. Trata-se de uma proposta de índole particular, com início nas redes sociais, pelo que, quem estiver interessado, basta entrar no link e preencher os seus dados, aguardando posterior contacto para receção de informação:

https://docs.google.com/forms/d/1SFhg0qln2UZoxIiNloGUlG_k1JFZA6L4aVOieXCg_Wk/viewform

 

A todos, desde já o nosso obrigada,

 

As peticionárias,

 

Dulce Gonçalves, Ana Cristina Pires e Paula Francisco.

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Escolas com 20 ou Mais Vagas Negativas

São 64 os Agrupamentos/Escolas que têm 20 ou mais vagas negativas na lista de vagas ao concurso interno.

O Agrupamento com mais vagas negativas é o Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha com 47 vagas negativas.

Por curiosidade o “meu” mega-agrupamento (onde se juntaram apenas duas EB2/3 e não tem ensino secundário!!) encontra-se no 7º lugar das escolas com mais vagas negativas.

Para verem em que grupos existem as vagas negativas nestes 64 agrupamento abrir este pdf.

 

MAIS de 20 negativas

 

 

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Escolas com 20 ou Mais Vagas Positivas

São 43 os Agrupamentos/Escolas que têm 20 ou mais vagas positivas para o concurso interno. O Agrupamento que se destaca é o Agrupamento de Escolas de Benfica em Lisboa que tem 101 vagas positivas, seguindo-se o Agrupamento de Escolas de Águas Santas na Maia, com 59 vagas.

 

Para ver a que grupos de recrutamento correspondem estas vagas abrir este documento em pdf.

 
MAIS de 20 positivas

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Circular Sobre o Artigo 79º

Que mantém  a versão oficial do MEC sobre o assunto e remete para canto a resposta de Mário Pereira à Provedoria de Justiça.

Mesmo sendo este o entendimento correto sobre o assunto não deixo de fazer o reparo à forma como as leis são escritas e como por vezes a sua má redacção provoca a dificuldade de entendimento em quem as lê e analisa.

Seria muito mais simples que a legislação fosse feita de uma forma clara sem que levasse a diferentes interpretações conforme a leitura de quem a faça.

Pelo menos o alerta que foi feito aqui relativamente à resposta do artigo 79º levou a que finalmente ao fim de 8 anos saísse uma resposta oficial de uma Direção-Geral em forma circular.

 

Download do documento (PDF, 284KB)

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As 34 sombras da minha docência 

Bom, eu detestava aula do 7º G até precisar de fotocópias, assim, “tipo”, para ontem… Então, decidi que o 7ºG ganhava o segundo lugar e a Reprografia o primeiro. Tem uma bruxa (Ná! Bruxa até é um nome bem simpático!), aliás um grifo asqueroso (ainda é demasiado injusto) que me trata de modo arrepiante:

– Bom dia, precisava de 55 cópias para amanhã de manhã, se faz favor.

– O quê? Mas julga que eu sou alguma máquina, é impossível! Impossível! Estou aqui sozinha e não tenho tempo para tudo, devia ter deixado isso mais cedo…

(Tento interromper o arrulhar nervoso)

–  Mas são só 55 cópias, não pensei…

– Não pensou, pois, nunca pensam! Chegam aqui e querem tudo feito à medida, como os sapatos! É impossível, eu tenho…, está a ver? (aponta o dedinho irritante para uma pilha de papéis suspeita) Tenho um trabalho para entregar hoje, isto é demais, tenho mais que fazer! (Continua a argumentar escabrosamente, quando estou prestes a desistir)

– Pronto, deixe estar, não imaginei… (rápida reformulação da planificação: net off, datashow não funciona, no copies, o que sobra?…PENSA DEPRESSA, PENSA DEPRESSSA!!!).

Sou interrompida pela voz arrastada e pesarosa do grifo da reprografia:

– Ora, deixe lá, deixe lá, eu é que sei o que sofro com isto, eu é que sei, agora 55 cópias, acha que é assim sem mais nem menos?

Deixo-lhe, temerosamente, os exemplares e preparo-me para vir embora com um obrigado e boa tarde suspensos entre tanta conversa desfiada. Subitamente, esta estranha admoestação é interrompida com a chegada de uma professora, velha na “casa”:

– Olá, boa tarde, doutora! Como foi esse fim-de-semana? E os seus meninos?… 60 cópias para logo? Com certeza, dê-me cá que ficam já feitas!

Sombra

Sinto-me extremamente estúpida. Não, abaixo de estúpida… entupida. É isso, sinto-me entupida pela minha miserável condição de caloira na escola. Confesso à Lurdes a cena que se passou (a Lurdes é a minha colega mais próxima, tem só 12 horas e está de passagem, tal como eu) e ela riposta-me com uma situação similar; a falsa ruiva ouve-nos (outra provisoriazeca) e repete as injúrias que lhe foram dirigidas na semana anterior, o Hércules (contratado de Biologia) confessa-se, igualmente tramado por uma cena do estilo.

Em reunião de grupo, alerto para o sucedido revelando-me “profundamente descontente com a falta de profissionalismo revelada”; que é como quem diz que não se admite que uns sejam primos e outros enteados (mas isso eu só pensei, não repeti).

–  Ó colegaaaa….

(Mau, se começa com este paternalismo…)

–  Ó querida (porque será que percebo logo que isto vai correr mal já a seguir?…), temos de desculpar a D. Conceição…

(o quê? Esse abutre draculesco tem nome?)

– Ela já está cá desde a fundação da escola!

(Uma loira oxigenada interrompe para reforçar o irreforçável)

– É bem verdade, desde a fundação!

– Estima-nos muito e mima-nos, mas, de início, fomos todas tratadas…

(Como merda?)

– … com aspereza! São feitios, é uma questão de feitios!

Olho em redor… . Estou rodeada de cabeças bamboleantes que acenam como zombies, assustadoramente em coro. Enterro-me na cadeira e afogo-me no silêncio. Recordo, apenas, o primeiro dia em que entrei nesta escola, cheia de felicidade por ter ficado colocada, repleta de energia para começar a trabalhar, superada a angústia dos erros e da espera de um concurso desumano e miserável.

Devia ter percebido, logo à entrada, que este lugar era de uma negrura cerrada. Sobretudo, depois de me sentar no local errado, na sala de professores, quando ocupei uma mesa, enquanto organizava a papelada do costume, sem adivinhar que cada cadeira ostentava um nome invisível. Tão invisível como eu, que fui completamente ignorada por quem me rodeou, conversando e rindo – “Cá estamos de regresso, não é? Ficaste com que turma?… Excelentes! De manhã, é claro, de manhã.” Pois, para nós sobram sempre os G’s, os F’s que ninguém quer, mas que dão tanta autonomia e independência a estas escolas.

Recordo-me de ver uma colega mais velha, com um sorriso estupendo e surpreendente, vir na minha direção e proferir ironicamente:

– A colega desculpe, mas vai ter de mudar de lugar, pois esta mesa está ocupada pelo nosso grupo, vê as pastinhas nas cadeiras?

Remeti-me à minha insignificância e, com um sorriso amargo, olhei em redor, dirigindo-me para a segunda área da sala, onde dois sofás absolutamente desconfortáveis acomodavam os outros intrusos recém-chegados e silenciosos.

sombra 1Foi assim que percebi que o ambiente nesta escola não resulta apenas das turmas difíceis, mas também do ar que lá dentro se respira.

Sobreviverei eu à sala de professores, à reprografia, ao 7ºG, ao F, ao H, aos 150 alunos que me calharam na sorte, aos desígnios de mais um concurso injusto que se avizinha?

Provavelmente sim, pois sou de uma casta de professores já velha no mercado. E que não tem alternativa, senão aguentar tudo isto…

A questão final, essa sim, é saber o que sobreviverá dentro mim no final de mais um ano, simplesmente, atroz.

 

To be continued…

 

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Números no Diário Económico

Para compararem as vagas de 2015 com as de 2013, por grupo de recrutamento e por QZP podem ver este artigo de 2013 e comparar com os que publiquei neste fim de semana.

economico
Diário Económico (02-03-2015)

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