Os danos colaterais de se enveredar pela profissão de docente… são as suas famílias…
Mas quem olha pelas famílias dos professores quando estes estão deslocados? Quem olha pelos professores quando estes se encontram a centenas de quilómetros de casa? O estado? Não, ninguém o faz, ninguém quer saber. Minha Mãe diz, que herdei a vida de meu pai, sempre fora de casa, eu digo que fui iludido pelo destino e não previ, na minha inocência, o futuro. Mas eu não sou de “Fafe”!… Como podia eu fazê-lo?…
Dos filhos já eu falei, mas também existem os cônjuges e os pais. Qual o apoio que um professor deslocado ano após ano pode dar a uma família? É-se marido ou esposa, de fim de semana, filho de mês a mês. Perde-se a infância dos filhos, não se dá apoio aos pais. Como pode um professor exercer a profissão, na sua plenitude, sem ter a mente sossegada em relação aos seus? Se ter saudade daqueles que a natureza lhe impôs e que escolheu para seu lado “é uma constante da vida”? Além disso, temos um inverno frio no Norte, e ninguém que nos aqueça e aconchegue durante a noite. Ninguém com quem nos sentar à mesa. Ninguém que nos acalme os receios, que nos dê força para o dia seguinte…
Não se tem a vida com que se sonhou. Esta não é uma profissão de sonho… Muitos pensam em desistir, deixar toda uma vida profissional para trás, e…
Vivemos num país que não é para professores! Vivemos num país em que, os pais não aconselham os filhos a ser professores! Um país em que os cônjuges dos professores são heróis. Suportam aquilo que qualquer casal suporta, mas sozinhos, sem o apoio físico de um companheiro ou companheira, que sai de casa em busca de um futuro melhor, esse futuro que tarda em vir… Por vezes penso que nunca virá. Mas tenta-se, continua-se, na esperança de um dia poder abraçar os filhos ao deitar e de passar a noite, aconchegado…
E há tantos por esse país fora a querer “voltar para os braços de minha mãe”…





25 comentários
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Vida desfeita, casas alugadas que não se chamam lar, família por água abaixo, com divórcio e separações pelo meio, isto é vida? Vida é ser político sem conhecer a realidade deste país!
Insatisfeito/a?
Siga… que atrás vem gente!
Quase chorei – perante um muro erigido a “nós”.
Mas choremos, “irmões”!
A tua dislexia é claramente cerebral!
Hehe, existe outra?
Porque apesar de não estar longe de casa, estou cansada de ser maltratada, desrespeitada enquanto ser humano, considerada apenas um número, alguém que tem que fazer sempre mais e melhor, que tem que fazer sempre tudo com um sorriso na cara, que não se pode queixar porque tem sorte por estar colocada; estou mesmo decidida a abandonar 15 anos de carreira, um lugar num quadro de agrupamento (pelo qual lutei e trabalhei, não foi puramente por sorte) e deixar essa vaga para quem quiser/conseguir continuar a ser destratado. Sei que corro o risco de me dizerem: que já vou tarde. Têm toda a razão! Já devia ter tomado esta decisão há mais tempo; que não sei o que é trabalhar a sério, como toda a gente, 40 horas, numa outra qualquer profissão: sei, porque já o fiz e vos garanto que fui muito mais feliz (cabeça leve e limpa ao fim do dia! Oh, maravilha!); que devo ser uma péssima professora: não me considero, pois sei separar as águas. Detesto o sistema, destesto aquilo em que a escola se tornou, mas sou profissional, gosto de ensinar e o que faço, gosto de fazer bem feito…
Podia continuar, mas começo finalmente a ver que se pode dar a volta, que se pode recomeçar e que é melhor gastar energias no que pretendemos para o futuro, do que naquilo que já consideramos o nosso passado. Entristece-me ver o estado da Educação em Portugal e não consigo continuar a compactuar com isto. E os que lutam, são uma minoria tão insignificante, que facilmente são abafados… Vou-me libertar e vou ser feliz!
Já ontem era tarde!
Tal como dizia, concordo plenamente! A minha decisão só peca por tardia. E pessoas como tu pareces ser, só reforçam a minha certeza de que não pertenço a este lugar. E agora vou responder na mesma moeda: só espero que não sejas do quadro e que não sejas do meu grupo para não te deixar a vaga 😉
Se, com o meu comentário, confirmei a tua “já tomada” decisão, boa!! Pessoas desmotivadas como tu, com um pé dentro e o outro fora, não fazem falta. Já ontem, repito, era tarde.
PS – Sou QZP, que chatice…
Como disse, desmotivada, não significa ser má profissional. Não estou com um pé dentro e outro fora. Para já tenho os dois dentro. Bem dentro, porque não sou de deixar as coisas a meio. Mas olha que pessoas tão motivadas como tu, nos dias de hoje, deixam-me de pé atrás. Ou não têm vida própria e vivem para a escola, ou são daquelas que são só sorrisos e, por norma, “muita fixes” porque não chateiam muito, nem se chateiam muito… Mas se calhar estou enganada e tu és mesmo um/a professor/a de exceção e realmente, é desses que precisamos. Não de professores desmotivados como eu! A ver se os meus filhos têm a sorte de te ter como professor/a deles, porque deves ser mesmo bom/boa naquilo que fazes. E parabéns por seres QZP. No meu segundo ano de serviço também já o era! Sê feliz!
Tu és é muito mal educado.
Sim, sou mal educado… Isto porque há gente, cheia de si, que é detentora da boa educação toda, não deixando nada para os outros. Mas… O que esperar de alguém claramente onomatopaico que, atualmente, é uma moda que consiste na realização de exercícios físicos ao som de uma música latina?
Até há uns anos atrás mal ou bem ainda havia a lei dos conjugues, para os funcionários públicos.Lembram.se de quem acabou com isso? Sente-se mais no grupo de professores, por causa da escassez de trabalho. Claro que é nefasto para todas as famílias.Mas funcionário público é onde se pode bater para o povinho ficar contente.
Se fosse há uns anos “à frente”, achava mal… mas como é há uns anos “atrás”, concordo plenamente…
Ó sua sapiência, passou-lhe um errozito. Já que vem para aqui dar uma de erudito, corrija tudo, se faz favor!
É a pressa para dizer mal. Deve ter aprendido com os alunos dele…ou não teve tempo de confirmar palavra a palavra no dicionário porque devia estar para começar a novela 😉
Deixo os restos para os maledicentes como você e o que está abaixo!
E, já agora, a conversa é consigo? Remeta-se…
Anos atrás, porque já não são do intigamente, a modos que falo assim à regente reformada com 500 contos((2500 euritos).Os anos atrás é para recordar o tempito daquele senhor bem apessoado e muito fino, que coitado ainda viu o sol às riscas.Intigamente havia os casados e um saloio de um primeiro ministro tinha a mania de proteger as famílias.
Nos anos atrás foi melhor, já pudemos casar com quisermos, só falta aprovar o casamento entre os donos eos pets; a diminuição da natalidade está a ser incentivada e ainda bem.Agora há famílias mais bonitas com as cores do rainbow.Pois por isso é que eu falei de uns anos atrás,desse tempo lindo que cortou com os intigamente.Estou a falar assim entre linhas, não venha aí o lápis vermelho.
Temos é que desproteger os servidores do estado, para termos professores de urdu, engenheiros malaios e médicos do Paraguai.Temos de acabar com o famigerado a bem da nação. A bem do multiculturalismo.
Quantos milhares de portugueses em outras profissões passam pelo mesmo?
Muitos, com certeza, mas este é um blog de professores para professores… pelo menos a maioria…
Infelizmente estas situações ainda se mantém!
A alternativa não sei! As escolas não pode e nem consegue recrutar todos ou parte dos professores que estão nestas situações (mesmo que diminuíssem o nº de alunos por turma, ou mudasse de politicas educativas).
A melhor solução é pensar mudar mesmo de vida.
Estive durante um ano a 250 km de casa com um horário completo (consegui porque acumulei em duas escolas). Fiz as contas e cheguei à conclusão gastava 600€ (aluguer + combustíveis e portagens) por mês para estar a presente no local do trabalho. Resolvi que tinha de mudar de vida porque aquilo que sobrava por mês e o ganho de tempo de serviço não compensava o sacrifício de estar longe da familia.
Reconverti-me para outra área, não é fácil, mas se a vida fosse fácil não tinha piada.
Chapeau!
Vivemos num país em que há professores a mais! Coitadinhos dos professores… São uns coitadinhos… Nunca os vejo verdadeiramente preocupados com a educação, apenas com os seus “umbigos”. E já agora: sou professor(a) contratado(a)…
Sim, tu és a chave de que a Educação precisa… Tu tens a solução e não deves queixar-te de nada! És um exemplo! Meu mestre… Diz-nos mais coisas, mostra-te ao mundo, professor que se preocupa muito com a Educação e nunca com o seu umbigo.
De facto, não tens é educação (com letra minúscula, como o teu caráter).
18 anos com a mala às costas: estou farta, farta destas andanças. Na escola somos mal tratados pelos pais, pelos alunos e pelos diretores de turma que não querem chatices com os seus meninos.