19 de Outubro de 2015 archive

Morreu a PACC… mas ao terceiro dia…

Parece que a PACC vai deixar saudades a alguns…

David Justino é dos que pensa assim…

Era bom que quando suspendessem tivessem uma alternativa. Foi essa alternativa que também não consegui ver. Suspender é fácil. Se suspende e não há uma alternativa, eu sinceramente não suspenderia. À falta de melhor é o que é. Há aspetos legais, há aspetos, pelos vistos, até constitucionais, que foi uma coisa que me surpreendeu bastante.

Muitos serão os que pensam como ele… mas, sem querer dar ideias a ninguém, que tal pensarem em selecionar professores à entrada e à saída do ensino superior. Talvez fosse mais justo. Não é depois de se começar a trabalhar que se vai ser sujeito a uma prova para ver se é bom ou não a fazer algo.

Já agora, onde andam os defensores da Ordem de Professores?

(clicar na imagem para ler mais declarações in TVI24)

david

 

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Página de um Diário de um Professor do Grupo 120:

É uma sucessão de relatos que me vão chegando sobre as condições e a sobrecarga de trabalho.

De há algum tempo para cá as maiores queixas deixaram de se centrar nos vencimentos, no congelamento da carreira e nas burocracias (onde também se inclui a avaliação de desempenho) para passarem a estar centradas nas condições de trabalho e nos concursos.

E o próximo governo que aí vier deve ter isto em conta.

Há um excesso de trabalho docente que precisa de ser revisto.

 

 

Domingo: 17h- Eh, pá!! Que chatice, tenho de me ir embora porque amanhã entro às 9h e vivo a 200km…….Bem, já experimentei ir às 6,30h mas ia a dormir sentada e pelo que sei em pé dormem as galinhas. Lá deixo as minhas filhas angustiadas e meio confusas do que ganho eu em partir se nem um lugar do quadro tenho. Noite em branco com saudades (nunca deixarei de as ter). Puxa ! É a 1ª vez que me separo delas ao fim de 7 anos.

Segunda: Acordo às 6 da manhã para ver as sombras do quarto. Há tantas! Sombras de mim, sombras da profissão que escolhi, sombras de quem  já não existe! Saio de casa às 8,40h, faço cerca de 12 km e lá vou à 1ª das 8 escolas onde tenho de leccionar. Os miúdos felizes dão um leve ânimo à coisa…… Saio às 10h ( aulas de 60 minutos) e lá vem um furo, o furo matinal.  Adoro furos! Dão tempo para olhar o céu e arrepender-me de ter concorrido para tão longe…. Às 11,30h mais uma turma a cerca de 5 ou 6 km e mais uma turma feliz porque agora o inglês é a sério. Almoço às 12,30h, uma hora para almoçar em que está incluída a deslocação( é como os shampoos 2 em 1). Lancheira térmica para não gastar dinheiro. Chego à 3ª escola e já fiz mais uns 10km. Cheia de vontade, saio e ando mais uns 12km para a escola sede para fazer mais horas letivas que não no 1º ciclo. Já lá vão uns 45km. Os dias seguintes são similares….

E afinal quando o Sr Ministro fez o Inglês do 3º ano curricular estava a pensar nas turmas das metrópoles ( geralmente turmas únicas) e não nos meios pequenos com turmas mistas em que quando entra o inglês curricular os meninos dos outros anos têm aec.

Ah, e apesar de ser curricular, continuamos sempre em início da tarde ou manhã, ou fim da manhã para não estragar os horários dos colegas titulares do 1º ciclo porque ter furos é uma chatice! Tenho um segredo a dizer-vos: Para o ano será pior, sabem? Entra o 4º ano e nós continuamos nas pontas dos horários??? Afinal somos curricular ou aec? Quando dei aecs, tinha melhores horários, caros colegas….A monodocência acabou, já sabem também…..

Eu sei que as escolas do 1º ciclo nem sempre oferecem as melhores condições para os titulares terem furos  e poderem estar a trabalhar em TE…… Mas criámos um hábito que será difícil de alterar. Um professor de 1º ciclo já pode agora ter mais que uma turma e até era interessante ir a 3 ou 4 para valorizarem o que nós grupo 120 sente quando andamos de terra em terra e ainda ouvimos dizer que o inglês é inútil ( já ouviram falar na EU?), que o seu horário é uma tristeza, que estão estoirados todo o dia com o barulho dos miúdos!! Concordo, nisso concordo mas troco se quiserem…. Troco a angustia de não acompanhar as minhas filhas na escola, de não as ver a crescer, de estar na solidão tantas horas num dia, de percorrer no meu carro as distâncias sem um tostão receber ao serviço da escola e no fim…ainda ter colegas que por serem do quadro até assistem às nossas aulas e fazem comentários….sem antes perguntar se gostamos ou não…esteja à vontade, até pode dar a aula por mim. Assim, eu teria um horário sem buracos, com dia livre quiçá e com mais tempo para estar junto da minha família. Era um sonho, todos teríamos dia livre mas todos andaríamos de terra em terra conhecendo mundo….E se agora todos os carros do pessoal do 120 avariam??? Quem nos transportaria às 8 escolas? Não tenho um ambrósio à minha espera mas um táxi pago pela escola vinha a calhar. E a lei??? Só é para seguir quando às direcções interessa, claro….. Bem-vindos ao grupo 120!!

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Resumo Do Fim-De-Semana

 

Extinção do ADN.

Este poste é do

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Mais um Relato

… no seguimento da notícia de hoje do Jornal de Notícias.

Muitas histórias de vida também impedem um docente de se candidatar para longe de sua casa e esta história é uma delas.

Dados ocultados a pedido da docente.

 

 

 

Tenho uma história “linda” para contar depois de ver os 5 relatos do JN.

 

Contratada há 20 anos, grupo de xxxxx, com pós-graduação e uma segunda licenciatura em Informática de Gestão, que ainda não pude concluir por ter deixado de ser possível financeiramente pagar propinas, embora não tendo parado de fazer formações como trabalhadora-estudante, desde os meus 18 anos de idade. Com 42 anos, 2 filhos de 5 e 8 anos, divorciada, uma mãe acamada com Parkinson galopante, colocada em horários muitas vezes incompletos, já passei por tantas escolas que a memória me atraiçoa.

Os ano transatos, dado que sendo contratada e não posso usufruir da lei de destacamento pela minha mãe, situação que me obriga a vir para casa todos os dias para continuar os seus cuidados uma vez que a não posso levar comigo, nem a irei abandonar nunca num lar, por valores morais que me enformam, pois falamos de uma mãe…

O ano passado fiquei colocada em xxxxxx, que dista da minha casa 96 km, uma vez que sou de xxxxxxxx. Quando falamos no trajeto até xxxxxxx desde xxxxxxx falamos de uma estrada nacional, a ENxx, cheia de trânsito e maioritariamente com o percurso a ser feito a 50 km/hora ou pouco mais, e uma pequena parte do percurso numa estrada menos congestionada, conclusão 1,30 h para cada lado, ou seja, 3 horas diárias de trajeto em estrada nacional. O horário em que fiquei colocada era de 19 horas, sem hipótese de ser aumentado, o que me dava de vencimento cerca de 900 euros.

Por semana, gastava cerca de 88 euros em gasóleo, uma vez que não há transportes públicos para ir até lá, não contando pneus, revisões de pouco em pouco tempo para continuar a ter carro para trabalhar. Pagava 100 euros de almoço. Para trabalhar tive que contratar uma funcionária para tratar da minha mãe, cujo valor restante do salário não lhe chegava para pagar, mas estava fora de hipótese perder tempo de serviço. Não vivo, sobrevivo, cansada de 20 anos de dúvidas sobre como será o meu próximo ano, desgastada pelo cansaço de acordar de madrugada e chegar à noite a casa, sem oportunidade de tratar devidamente e de forma responsável dos meus, procurando dar o meu melhor à família dos outros. A vinculação que esperava por ter mais de 5 anos de serviço está comprometida pelos horários incompletos, pelas alturas de colocação definidas pelo Ministério de Educação mais tardia, por todas as alíneas que muito poucos conseguem atingir.

Este ano, lamentavelmente aguardo colocação porque um erro informático na submissão da candidatura, sobre o qual me desculpei com a DGAE não foi atendido. Depois de ver o ano passado o ministro a pedir desculpas parlamentares e a ficar impune e todos os anos continuar a ver erros sobre os quais não existem consequências a não ser para os peões que como eu tapam buracos do Ministério da Educação há 20 anos. Estou em concurso em 19 agrupamentos na BCE, sou a próxima candidata a ser colocada, mas nunca vi nenhum agrupamento a abrir uma vaga, desde o início abro de manhã o computador na esperança e volto a ver a aplicação sem um único horário, um espaço branco que me persegue desde o início do ano letivo. Foram me atribuídos 210 dias de desemprego, até Março de 2016, depois não sei como irei viver e sustentar a minha mãe e os meus filhos. Parece-me que este ano não precisam de tapa buracos e fui deitada ao lixo, depois de ser avaliada como professora muito boa. Tantas histórias a relatar, tanto sacrifício e uma vida passada para ser arrumada a um canto como lixo, sem saber como sobreviverei amanhã, eu e os meus.

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Professores Que Pagam, …. para Trabalhar.

Professores chegam a fazer 200 km para dar aulas

 

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Todos os anos, milhares de professores mudam de residência ou percorrem centenas de quilómetros, dia a dia, para trabalhar.

Não há números oficiais sobre as deslocações, mas Mário Nogueira, secretário-geral da Frenprof, garante que são às centenas as situações “dramáticas na educação”.

Desde casais com filhos a viver separados, a docentes que saem de casa às 5 da manhã para começarem a lecionar às 8.45 horas. Ser professor parece ser cada vez mais, de acordo com as associações que os representam, uma profissão “desgastante e dispendiosa”.

“Há uma ideia de que muitos professores estão desempregados porque não querem ir trabalhar para longe de casa, mas isto é completamente falso”, frisou Mário Nogueira.

 

 

São 5 os relatos que se podem ler no Jornal de Notícias de hoje, deixo apenas o primeiro.

 

rosa ribeiro

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