As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes.
Os professores
Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores.
A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares.
Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio.
Esta realidade é uma das principais causas, se não mesmo a principal, da degradação da qualidade do ensino público.
E todos os intervenientes no processo de aprendizagem são culpados pelo constante desrespeito de que os professores são vítimas.
Em primeiro lugar, os pais.
Ao contrário do que muitos apregoam, o papel de educar os alunos não está atribuído à Escola, mas sim à Família.
O dever do professor é o de instruir o seu aluno e não o de o educar!
O próprio ministério que tutela esta área ostenta um nome errado, facto que origina confusões desnecessárias, porque deveria ser da instrução e não da educação.
Acontece, no entanto, que a educação que se ministra em casa, mas, há que o reconhecer, com honrosas excepções, é estupidamente permissiva e complacente com o mau comportamento das crianças.
Estas crescem a fazer praticamente apenas o que querem e a colocarem em causa a autoridade dos pais, questionando a toda a hora as ordens que deles recebem e desobedecendo amiúde ao que lhes foi ordenado, sem que daí resultem castigos que visem a correcção da sua maneira de estar.
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5 comentários
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Texto simples, claro e, infelizmente, bem real.
Este sistema de ensino atual mete nojo!
Reivindicações salariais e de progressão são, sem sombra para dúvida, importantes mas o combate ao asqueroso facilitismo e inadmissível indisciplina não o são menos e são pouco abordados/combatidos por todos os intervenientes no processo de ensino e no sistema sindical.
De forma clara e simples aí está o caminho a seguir Professores! Não mais se deixem aprisionar em interesses dubios.Pró Ordem é o caminho a seguir!
Eu já tinha lido este artigo! Diz tudo sobre indisciplina que grassa nas salas de aula e do desrespeito galopante que a maioria da gentalha que é encarregado de educação tem pelos professores, assim como a sua intromissão na profissão destes com total desrespeito!!! Este para mim até acaba por ser o maior problema da educação para mim que sou professor e estou agora no 4º escalão com 51 anos, ultrapassando mesmo a questão monetária!!!
Um texto tão simples quanto a simplicidade do problema. Em formações e outras chinesices, os doutos oradores (sempre bem pagos!…) divagam sobre o sexo dos anjos e ignoram o ELEFANTE NA SALA. E nós, professores, caladinhos, a ouvir as barbaridades. A indústria das “Ciências da Educação” enriquece muita gente. Aos professores, o desprezo devido aos “práticos”.
Exactamente. Concordo.