Triste por ser professor
Sou desrespeitado por todos, agredido em pequenas e grandes coisas. Transformaram-me numa espécie de papel higiénico que recebe palpites de pais, diretores, presidentes de câmara, alunos, funcionários…ninguém valoriza as pestanas que queimei, a minha criatividade na construção das aulas. Todos querem que eu lhes satisfaça as vontades e de imediato. Não me deixam ensinar e partilhar o que sei. Acham que só sirvo para entreter meninos, que os devo guardar durante 24 horas, fazendo-lhes as vontades e nada exigindo. Tenho um ministro que, em conjunto com os média, destrói a minha imagem, a minha autonomia, o meu saber e a minha liberdade.
Tenho colegas que lambem as botas ao poder e que se vendem por tuta e meia. Invejam e passam a pente fino tudo que lhes possa fazer sombra na luta de uns tostões para subir de escalão. Tenho frio no inverno e calor no verão, mal respiro nos cubículos a abarrotar com 30 alunos. Ando a toque de campainhas todos os dias, tal como o cão de Pavlov. Ganho mal, trabalho ao fim de semana. Mesmo assim um monte de colegas que só sabe sorrir à subserviência, aos pais superprotetores e aos pseudo pedagogos, teóricos da treta. Ganho mal, não tenho tempo para mim e para os meus.
Para que raio continuo a ser professor? Só por ter acreditado que podia ajudar a deixar o mundo melhor. Não, não deixo porque não me deixam!
Desisto!
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