Na verdade, o problema da casa às costas, e eu sei como vou apanhar por dizer isto, não é problema no Estado. É das escolhas individuais de casa e de concurso (porque o concurso é um jogo de escolhas encadeadas limitadas pelo “capital para jogar”).
E quando o ministro aparece muito solícito a “tentar resolver” fico logo alarmado. Da última vez que alguém “tentou resolver” saiu a treta da “continuidade pedagógica” e a colocação a 4 anos.
Haverá sempre gente longe de casa (as preferências pelo litoral e certos sítios para morar, não se equivalem às necessidades de pessoal docente: são mapas de distribuição diferentes).
Há muitos casos em que a colocação longínqua resulta também de não saber concorrer e de escolhas levianas (e lá vou eu apanhar…). Mas vejam a quantidade de gente que, em grupos de FB, se lamenta de que vai desistir de colocações. Se foi colocado é porque escolheu concorrer.
O governo vem falar de concursos locais. Essa solução vai ser pior para os deslocados porque, depois de ocupados os lugares desejados, só vão sobrar desterros.
E vai aumentar a percepção de desconfiança e injustiça o que corrói um sistema público.
Além disso, vai afetar percepções, ao anular a simultaneidade de colocação no início do ano.
O problema da mobilidade no território é complexo e muitos professores não querem aceitar que não vai haver lugar na terra porque muitos querem a mesma terra.
Eu tenho lugar “na terra” porque a terra é uma periferia menos pretendida (Viana). Estou na área de residência porque tendo boa nota escolhi morar ali e nem tantos o quiseram.
Para minorar o problema, que não vai ser resolvido, com justiça, (para quem tenha cunha talvez…) pelos concursos locais vejo algumas soluções:
1. Incentivos à fixação de deslocados com subsídio à familia
2. Fazer renascer, renovada e regrada, “a lei dos cônjuges” (será que os da minha idade sabem o que foi? ) mas para quem tem filhos. Apoiar a maternidade e paternidade devia ser a maior política pública porque a falta de crianças é o maior problema (e, declaração de interesses, não tenho filhos).
3. Criar bonus de preferência regional, mas obrigar à fixação. A graduação incorporaria um bónus de 2 valores para 5 concelhos preferidos e de 1 para certos QZP menores que o atual (reduzir o tamanho dos QZP é essencial). Por escolha dos candidatos ou por criação de zonas preferenciais. Não permitir saltos de QZP. Este sistema seria “localizar” moderadamente sem deitar fora a graduação.
Regionalizar o concurso era um boa solução.
E agora…. As ideias que vão fazer com que me façam uma espera….
4. Acabar com a norma travão,
5. Reduzir a liberdade de denúnciar horários e de largar e recusar colocações em oferta de escola e reserva. A escolha faz-se racionalmente no momento de concorrer e não depois, em devaneio e impulso, com as aulas em marcha e os alunos à espera.
6. Introduzir obrigações de concurso (quem queira entrar em quadro tem de concorrer a zonas carenciadas e ficar lá x anos). Algo que a norma travão faz de forma injusta e pouco sistemática.
Se até a SEDES acha que percebe disto, eu também posso dar ideias.
O que me faz “especialista”? Pelo menos não serei mais tosco que eles…..
Estudei bem o sistema e mostro resultados. Comecei com habilitações próprias e aos 33 anos estava em quadro de escola a 15 minutos de “casa”. Querem melhor prova de que percebo disto?
E o meu caso mostra como, ao nível sistemático, e é contra intuitivo, um sistema mais rígido e com menos escolhas, coloca melhor e com mais justiça.
Bem, e no meu caso, como qualquer outro, podia ter arranjado outra casa, e ficava ao lado da escola 

E professores deslocados sempre houve….
Em 1904, a minha bisavó foi de carroça de Monção para Vila Praia de Âncora.
Em 1933, os meus tios de Âncora para o Soajo.
Em 1966, a minha mãe do Porto para o Funchal.
A questão é que, mesmo nesse tempo, o sistema estava montado para um dia pararem….. E hoje, não, por termos políticos com iliteracia matemática e que não entendem o sistema que têm para gerir.



