Há professores com 20 anos de aulas que nem a meio da carreira chegaram

 

Eu tenho mais de 20 anos de carreira e ainda me faltam dois escalões para o meio da carreira…

Há professores com 20 anos de aulas que nem a meio da carreira chegaram

“Novo relatório sobre o Estado da Educação mostra como a carreira docente é pouco atractiva e as consequências que tal já está a ter na formação de novos professores.
Ser professor em Portugal também é isto: continuar aos 45 anos no 1.º escalão de uma carreira que tem dez patamares de progressão, já tendo coleccionado em média quase 16 anos de tempo de serviço. É a situação dos professores do quadro em termos de carreira agora apresentada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no seu último retrato sobre o ensino, enviado esta quinta-feira aos meios de comunicação social, mas que não está ainda disponível no site deste organismo.
Os dados têm na base o Recenseamento Docente de 2021/2022 ou seja, as fichas autobiográficas que os professores têm de actualizar todos os anos. E o quadro apresentado no Estado da Educação 2020 não abona em nada para a atractividade da profissão, cujo reforço passou a ser um mantra quando se fala da necessidade de haver mais professores, face à crescente escassez de docentes nas escolas.
“A necessidade de valorizar a profissão passa por existirem expectativas de progressão”, salienta a investigadora da Universidade do Minho, Assunção Flores. A este factor juntam-se “as condições de trabalho e o estatuto socioeconómico”, acrescenta.
Quanto à progressão referia-se que, apesar do descongelamento das carreiras da função pública concretizado em 2018, quase metade dos professores continuavam no ano passado a marcar passo nos quatro primeiros escalões, a que correspondem vencimentos brutos que oscilam entre cerca de 1500 e 2000 euros brutos. “É um factor que não converge com a necessidade de tornar a carreira docente mais atractiva e que condiciona a realização e a satisfação individual dos professores”, constata Assunção Flores, que tem a formação e o desenvolvimento profissional dos professores entre os seus campos de estudo.
O tempo obrigatório em cada escalão é de quatro anos, menos no 5.º em que este prazo está reduzido a metade. Mas para além desta espera, a passagem tanto para o 5.º como para o 7.º escalões depende sobretudo da existência de vagas, que são abertas ou não pelo Governo.
Antes do descongelamento não havia nenhum professor no 10.º e último escalão da carreira. Agora estão 16% que têm esta característica realçada pelo CNE: “Em média, os docentes no 10.º escalão remuneratório têm 60,7 anos de idade e 38,6 anos de tempo de serviço.”
A estrutura etária do corpo docente é também reveladora dos entraves não só à progressão, como à entrada de novos professores. Só 4% dos profissionais em exercício têm menos de 30 anos, quando a proporção dos que completaram 50 ou mais estava em 2019 nos 45,8%.
Neste cenário não é de estranhar que sejam cada vez menos os que queiram seguir a profissão. “Perguntamos aos nossos alunos e ninguém quer. Eles vêem o nosso sofrimento”, desabafa o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima.
Professores formados não compensam reformas
O que tem esta situação como consequência: o número de diplomados em cursos que habilitam para a docência está aquém do ritmo de aposentação dos professores. De acordo com dados publicados no relatório Estado da Educação 2020, 1525 pessoas concluíram, em 2019/2020, um dos 135 mestrados que abrem as portas para a carreira docente. Durante esse ano civil aposentaram-se 1653 professores.
O que tem esta situação como consequência: o número de diplomados em cursos que habilitam para a docência está aquém do ritmo de aposentação dos professores. De acordo com dados publicados no relatório Estado da Educação 2020, 1525 pessoas concluíram, em 2019/2020, um dos 135 mestrados que abrem as portas para a carreira docente. Durante esse ano civil aposentaram-se 1653 professores.”

 

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16 comentários

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    • É a vida! on 3 de Fevereiro de 2022 at 21:00
    • Responder

    Vota PS!!
    Ah!ah!ah!
    Daqui a quatro anos ganhas o salário mínimo!
    Vai para o pingo doce, ganhas mais e trabalhas menos!!!!!

      • Marcie on 3 de Fevereiro de 2022 at 21:36
      • Responder

      PS e PSD foram nos últimos tempos, os coveiros da carreira docente. Contudo, mais vale um PS no poder do que os partidos que pretendem acabar de vez com a escola publica.

        • É a vida! on 3 de Fevereiro de 2022 at 23:45
        • Responder

        Quem falou do PSD, foste tu. Longe de mim defendê-lo!
        Só não sabia que há COVEIROS melhores que outros!!!! Recordo que os assassinos foram o SÓCRATES, o COSTA e a MLR.

    • Maria Virgínia de Melo Valente on 3 de Fevereiro de 2022 at 22:08
    • Responder

    É o meu caso: tenho vinte e poucos anos de carreira, completo 70 anos no início do próximo ano letivo, saio com o 4º escalão e nem digo o quanto vou usufruir de reforma, pois tenho vergonha.
    Só aos 65 anos é que entrei para os quadros, pois fui sempre contratada.
    E mais não digo…
    Obrigada por poder expor aqui o meu desabafo

      • Carrega Costa on 3 de Fevereiro de 2022 at 22:27
      • Responder

      70-24(vinte e poucos)=47. Se iniciou a sua carreira aos 47 anos não pode esperar chegar ao topo da carreira.
      Se professores que começaram aos 24/25 anos estão agora no 4 escalão não conseguem chegar ao topo e ainda tem 200anos pela frente, como pode aspirar só topo com esse tempo de serviço?

    • António Loren on 3 de Fevereiro de 2022 at 22:26
    • Responder

    Só dizeis bosta.
    Toda a gente diz mal dos PROFESSORES !…
    Ninguém duvida de que eles são o garante de toda a estrutura social e do desenvolvimento nos mais diversos domínios.
    Se não fossem estes, havia neste mundo, muitos mais ignorantes.
    Portanto, vede lá se aprendeis qualquer coisinha, e deixai os Docentes em paz…

    • Luluzinha! on 3 de Fevereiro de 2022 at 23:01
    • Responder

    Oh, que pena, vejam só! E quem ainda é contratado/a com esse tempo de serviço? Enfim…

      • Fui on 3 de Fevereiro de 2022 at 23:49
      • Responder

      Estúpida, apenas.

      • 123oliveira4 on 4 de Fevereiro de 2022 at 1:22
      • Responder

      Arranja um Homem que isso passa.

    • Vale Tudo on 4 de Fevereiro de 2022 at 7:34
    • Responder

    “Eles vêem o nosso sofrimento” de quem, o teu? Quanto sofres e sofreste!!!Estou cheio de pena.
    Só agora falas nisso? Porque será? Shame on you.
    Foi esperar pelo momento oportuno? Deixa-me rir! O oportuno é sempre feito por medida.
    Tipos responsáveis por nos terem conduzido a esta situação vem agora enganar quem?

    • P.daSilva on 4 de Fevereiro de 2022 at 8:49
    • Responder

    O PS e o PSD traíram a Educação , o PCP e o BE traíram os professores. Agora o Chega e a IL querem implodir a escola Pública. O que nos resta?

    IR PARA A RUA LUTAR! Abandonemos a cobardia da maioria. Se nos unirmos somos fortes. 1 mês de greve e o país abana todo, não acreditam? Chega de tanta humilhação…

      • Cláudia Alves on 4 de Fevereiro de 2022 at 11:20
      • Responder

      Como eu o apoio.

    • MMMMM on 4 de Fevereiro de 2022 at 12:38
    • Responder

    Concordo plenamente!
    Só com uma greve de um mês é que conseguiremos alguma coisa.
    No tempo da Troika ficamos sem o subsídio de férias e sobrevivemos!

    • Esc on 5 de Fevereiro de 2022 at 8:37
    • Responder

    20 anos de serviço
    Contratado
    Desses ninguém quer saber.
    Continuem a pagar aos sindicatos que nada fazem!!!!

    • José on 5 de Fevereiro de 2022 at 11:26
    • Responder

    Claro que na a carreira docente é a única carreira em que, como consentimento de todos os partidos, incluindo PCP e BE, houve ultrapassagens por uma alteração legislativa, o maior grupo de trabalhadores da função pública que permitiu que houvesse acordo pela UGT e CGTP para a recuperação de apenas 1/3 dos salários, porque foram recuperados os congelamentos na integra de outros grupos sociais, sem que os sindicatos afetos a essas plataformas rasgassem o cartão e saíssem em protesto, o PS não podia ser encostado às cordas na altura das ultrapassagens porque não queriam que o governo caísse, dito por dirigentes da FENPROF, mais vale mudarem de profissão enquanto estão a tempo, um dia os novos vinculados vão se deparar com uma situação ainda pior espero já estar reformado.
    É a única profissão em que docentes com mais anos de serviço ganham menos que docentes com menos anos de serviço, o único fator para esta enormidade foi o de os primeiros efetivaram na carreira antes que os segundos, muitas vezes longe de casa ou em escolas mais complicadas, onde os segundos não quiseram arriscar, legitimante claro.
    O PS trata mal os professores, o PCP e BE durante a época de geringonça sabiam das ultrapassagens e fizeram ouvidos moucos pelos seus interesses políticos e agora estão destinados a desaparecer.
    A deputada Mortágua numa reunião da comissão de Educação ainda reagiu, na seguinte concordava cordialmente com a secretária de estado Leitão sobre “realidade diacrónica” a qual apenas poderia existir se não fossem feridos direitos constitucionais como o da igualdade, trabalho igual salário igual, que não está a ser cumprido. Podiam ter alterado a lei na assembleia, podia ter criado uma nova legislação que repusesse a ordem, preferiram “amochar”.
    É lógico que qualquer professor que não seja militante de nenhum dos partidos prefira não votar a dar apoio a vassalos, era lógico que o PS ia ganhar, com maioria ou sem ela, que o PCP e BE iam definhar, só me admiro não terem minguado mais, como aconteceu ao CDS, grande parte dos professores mais velhos ficaram desiludidos e chateados com as repostas dadas pela FENPROF pondo a política do PCP à frente do interesse dos associados, claro que o PS na altura das ultrapassagens não podia cair, há timings políticos que não se coadunam com os interesses dos trabalhadores. Muitos dos professores mais novos não estão interessados nas quezílias políticas do antigamente, partidos emergentes e sindicados independentes são mais apelativos e começam a ser cada vez mais apelativos para pessoas como eu, um mero indeciso e insatisfeito.

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