Em Mandato Renovado e em Abnegação com o ME

Recentemente o meu mandato de diretor foi renovado, por unanimidade, por um período de 4 anos. Independentemente da votação ser feita pelo conselho geral creio que a votação poderia expressar-se de forma muito semelhante se a votação fosse feita por todos os que estão representados no Conselho Geral.

Não vou aqui fazer balanços, porque não é isso que aqui importa.

O que importa sim, é que por força das regras absurdas da existência de vagas para acesso ao 5.º e 7.º escalão fiquei dia 18 de fevereiro preso no 4.º escalão, porque pelos vistos existem pelo menos 25 diretores que mereceram a nota de 10 valores e as quotas aplicam-se também aos diretores. Mais existiram com avaliação de 10 que viram a sua classificação final baixar para Bom. Por sempre discordar deste afunilamento elaborei a petição conta a existência de vagas no acesso ao 5.º e ao 7.º escalão, não apenas conta o estrangulamento na carreira de quem tem mandatos eleitos, mas também de todos os que estão sujeitos às mesmas regras da carreira docente. Porque seria bem mais fácil contestar o absurdo destas regras para mandatos de eleição, mas a injustiça geral não a deveria travar apenas nesta situação específica.

Apesar de ainda estar na fase do Recurso Hierárquico, porque considero inadmissível a existência de este estrangulamento absurdo na carreira, existem fatores de exclusiva responsabilidade do Ministério da Educação que permite a existência de tão elevadas avaliações dos diretores pelos seus Conselhos Gerais. Já agora, o CPA tem prazos de resposta a recursos que já se ultrapassaram.

A avaliação externa das escolas pura e simplesmente desapareceu e este seria um mecanismo para evitar situações de injustiça, conforme o preâmbulo da Portaria n.º 266/2012.

Por outro lado, a avaliação externa pretende diferenciar os desempenhos e introduzir na classificação final elementos avaliativos descomprometidos com a situação e o contexto e, assim, através do confronto das intersubjetividades obter juízos avaliativos mais justos.

Não havendo esta avaliação externa a avaliação dos diretores tornou-se livre de qualquer mecanismo externo e permitiu que tal acontecesse. No futuro, já todos sabem (neste caso os diretores) que o 10 como mínimo não garante pelo menos o Muito Bom.

E assim entro em processo de abnegação perante qualquer pedido do Ministério da Educação e seus departamentos para participação em qualquer atividade que considere desnecessária para a minha atividade profissional, visto que a minha carreira parou em 18 de fevereiro.

Disso já dei conta a quem de direito e afirmo-o aqui publicamente.

A abnegação perante o ME não representa abnegação perante aqueles que me deram mandato para mais 4 anos.

E se mais alguma vez me chegar um pedido para isto ou aquilo, já sabem com o que contar na resposta. E já foram várias respostas um pouco, ou bastante duras, que seguiram.

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26 comentários

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  1. Se tod@s assim procedessem, muitas injustiças não teriam sido cometidas.
    👏👏👏👍👍

    • Adelino Amaral on 19 de Março de 2021 at 21:21
    • Responder

    Só é diretor quem quer, não é uma obrigação.
    Demitam-se em bloco, ou será cómodo ser “patrão” em vez de “empregado”.
    É tudo uma treta.
    Tudo reclama e depois ficam calados. Na teoria tudo é fácil, mas por em prática vai no Batalha.

    • Tachinho pra que te quero on 19 de Março de 2021 at 22:39
    • Responder

    Ganham mais que os comuns… quanto? Mais 800, 900, 1000€?
    Para escancarar portas a papás, distribuir graxa à tutela, ignorar ou humilhar os colegas, coreografar as danças dos munícipes…Obter informações pidescamente, ser chefe de secretaria e de tesouraria, ser vedeta da treta, ouvir bajulação, mas nada de 9 e 10 turmas, nada de ler uns livros para atualizar cientificamente, ou preparar aulas e corrigir testes ao fim de semana.
    Enfim, ser tratado com muita deferência pelos empregados, ser servido por eles com guardanapo de papel e ter assim uma vida muito cheia e ocupada de nada.

    1. O suplemento remuneratório (que eu discordo que exista e já expliquei porquê) varia entre os 200 e os 750 euros em função do número de alunos.
      Esse suplemento acresce ao vencimento que faz subir a taxa de IRS para valores enormes.
      Limpos no máximo entre 300 a 400 euros, para suplementos superiores a 500 euros.

        • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 20 de Março de 2021 at 0:18
        • Responder

        Mas tens de discordar porquê?
        Para agradares a uns que por aqui passam?
        Que concorram, se têm tomates!

          • Totó on 20 de Março de 2021 at 8:07

          Oh malcriado. Explica lá qual é a relação causa-efeito entre o fruto ( sim, porque ao contrário do que se julga, o dito cujo é um fruto) e o concurso

    • Sr. Prof. Dr. Diretor on 19 de Março de 2021 at 22:57
    • Responder

    Cargo de eleição???
    Conselho geral são só os amigos. Os interessses de um grupinho muito combinadinho na teia de favores.
    Tadinhos do diretores, também estrangulam! E então, não são professores também?!

    • Sr. Prof. Dr. Diretor on 19 de Março de 2021 at 23:02
    • Responder

    Eleição???
    Conselho geral é o grupo da panelinha dos amigos das trocas de favores.

    • Falcão on 19 de Março de 2021 at 23:10
    • Responder

    Caro Arlindo,
    1000% de acordo com a tomada de decisão de abnegação! Eu já o faço há vários anos, desde que a carreira congelou e sobretudo depois de não ter sido descongelada, logo após os tempos da troika! E defendo há muito que esse devia ser o caminho recomendado pelos sindicatos a TODOS os professores. Todos os professores já deviam ter decidido impor a si mesmos a abnegação quanto a tudo o que vá além da ação básica e fulclral que é dar aulas! Aliás, defendo mesmo que devia haver piquetes de abnegação, ao estilo dos velhos piquetes de greve que “apertavam” quem tentasse furar as greves. Defendo esse tipo de piquetes para impedir que colegas muito industriosos e muito trabalhadeiros continuem na sua fúria laboriosa, desmultiplicando-se em atividades, projetos, projetinhos e projetões, cargos e mais cargos, como verdadeiros engenheiros da graxa ao Diretor!
    Enquanto não nos limitarmos a dar APENAS aulas e rigorosamente nada mais, continuaremos a ser explorados e mal pagos!
    Disse!

      • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 20 de Março de 2021 at 0:16
      • Responder

      Ó Falcão cala-te porque qualquer dia lembram-se de obrigar por lei os professores a fazer isso, sem ser por carolice.
      Faz a coisa só para ti (ou seja faz tudo para não fazeres mais nada) mas não andes para aqui a falar nisso. É que podem dar-te pau no lombo sem avisarem.
      Cala o bico!

        • Fernando, el peligroso de las verdades. on 20 de Março de 2021 at 15:24
        • Responder

        Ó prof. Karamba, és daqueles que gosta de mangalho duro e bruto.
        E pá, o problema é teu. Por mim, podes levar com o mangalho quando quiseres.

    • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 20 de Março de 2021 at 0:12
    • Responder

    Há sim avaliação externa. Conta a última havida, tivesse sido em 2013 ou em 2020, este ultimo ano foram as últimas, interrompidas pela pandemia.
    Se calhar o amigo queria avaliação externa e pandemia ao mesmo tempo? Não, ouro e prata ao nesmo tempo não, não é muita esmola para um pobre?

    • Fernando, el peligroso de kas verdades. on 20 de Março de 2021 at 0:21
    • Responder

    Mas tens de discordar porquê?
    Para agradares a uns que por aqui passam?
    Que concorram, se têm tomates!

    • Isabel on 20 de Março de 2021 at 0:33
    • Responder

    Arlindo, concordo inteiramente contigo!
    Aproveito para agradecer a criação da petição! Tem prestado um serviço magnífico aos seus colegas professores!
    Bem haja!

      • Algures numa Coreia do Norte... on 23 de Março de 2021 at 7:55
      • Responder

      “Seus colegas professores “,
      Meu , NÃO! Ele é diretor!
      Há muitos anos entraram no esquema de mais 750 euros e sem trabalhar. Ficaram fora das quotas??? Venham dar aulas!!! Nenhum PROFESSOR ficou de fora com 10!!!
      As petições aparecem agora apenas por causa dos diretores. Não assino!
      Uma observação, para o(s) diretor(es), não se envergonha(m) de dizer(em) que foi/foram ELEITO(S) pelos professores!???!
      Assim também o Kim Jong Um foi…

    • Paula on 20 de Março de 2021 at 8:17
    • Responder

    Arlindo, parabéns pela sua reeleição.
    Aproveito para agradecer a criação da petição e todo o magnifico trabalho de partilha que tem feito ao serviço aos seus colegas professores!
    Obrigada.

    • Leão da Estrela on 20 de Março de 2021 at 8:25
    • Responder

    Pois, já decidi!
    Como estou em quarentena no 6.°, vou procurar um cargo de natureza politica! Quiçá, agora para as autárquicas…
    Uma vez detentor de um cargo politico, não haverá problemas na progressão, será semprea abrir…
    Espero é que os imbecis que a creditam na classe política não passem ao modo off!!!

    • Leão da Estrela on 20 de Março de 2021 at 8:33
    • Responder

    Subscrevo o seu registo!
    A obra está à vista!!!

    • Maria on 20 de Março de 2021 at 10:19
    • Responder

    É um orgulho para a nossa classe termos alguém como o Arlindo!

    Também vou ficar “adormecida” no 4º escalão, depois de ter 10 na avaliação externa…

    Fiquei tão furibunda com a avaliação que fiquei sem forças e deixei passar o prazo para reclamar!…

    Boa sorte

      • Acordem! on 23 de Março de 2021 at 8:24
      • Responder

      …e ainda não percebeu que ficou fora por causa de um diretor????? O SEU!!!!
      Com professores destes não vamos lá, agora sofrem da síndrome de Estocolmo…ou será apenas ignorância?

    • João Almeida Pinto on 20 de Março de 2021 at 12:34
    • Responder

    Caro Arlindo,
    Deus que é Deus também não agradou a todos. É, por isso, natural que surjam críticas (cons/des)trutivas.
    Enfim, este modelo de avaliação de tão surreal que é acabará, naturalmente, por cair.
    Sinceramente, estou convicto que, por uns míseros 3 milhões/ano (líquidos) do OE, o Governo PS não quererá comprar (mais) uma guerra com os professores e contribuir para a criação de um foco de instabilidade social (de uma classe que, com esta pandemia, tal como a da Saúde, viu, claramente, reforçada a sua importância/estatuto junto da opinião pública).
    E digo isto, não porque nos queiram bem, mas porque a continuação no poder a tal obrigará. Seria contraproducente, sobretudo, em período de eleições (veja-se a direita a apostar forte nas autárquicas).
    Cientes de que a sua imagem sairá prejudicada se continuarem a tentar justificar o injustificável, a questão que se coloca neste momento, não se centra no ‘Se’ ou no ‘Quando’, mas no ‘Como’, ou seja: Como atender às pretensões dos docentes sem perder a face?
    Estou curioso para ver como ‘irão descalçar esta bota’.

    • Ab-negado on 20 de Março de 2021 at 12:35
    • Responder

    Ah, Leão!
    Isso mesmo. É melhor ir para a política, basta ter estômago.
    Para isso, diretores, ppnham os olhos no vosso líder supremo! Comecem com uns gatafunhos nos jornais locais, indignem-se e ronquem como um pastor evangélico perante as questões de indignação geral, acedam a informação privilegiada, gravem podcasts, vão à Cristina, rodeiem-se dos eleitos da bola, moralizem e punam na praça de acordo com o populismo em voga, mostrem-se muito laboriosos, mesmo que se limitem a fazer os outros dobrar a espinha! Não esquecer de graxar as opiniões dos que podem mesmo, de juntar muitos no vosso clube privado em nome do público, de arranjar um motivo de orgulho geral e galvanizar para que todos falem a uma só voz!
    Assim chegam lá, só que por cá, para o poder à séria, é preciso berço ou confraria…
    Ainda bem que quase todos se contentam com um prato quente de lentilhas, com as vénias lá do bairro e com o passar à frente na fila do pão!

    • Abnegar on 20 de Março de 2021 at 12:40
    • Responder

    Melhor a política, basta ter estômago.
    Para isso, diretores, ponham os olhos no vosso líder supremo! Comecem com uns gatafunhos nos jornais locais, indignem-se e ronquem como um pastor evangélico perante as questões de indignação geral, acedam a informação privilegiada, gravem podcasts, vão à Cristina, rodeiem-se dos eleitos da bola, moralizem e punam na praça de acordo com o populismo em voga, mostrem-se muito laboriosos, mesmo que se limitem a fazer os outros dobrar a espinha! Não esquecer de graxar as opiniões dos que podem mesmo, de juntar muitos no vosso clube privado em nome do público, de arranjar um motivo de orgulho geral e galvanizar para que todos falem a uma só voz!
    Assim chegam lá, só que por cá, para o poder à séria, é preciso berço ou confraria…
    Ainda bem que quase todos se contentam com um prato quente de lentilhas, com as vénias lá do bairro e com o passar à frente na fila do pão!

    • joão on 20 de Março de 2021 at 20:46
    • Responder

    Uma solução seria reunir o capital suficiente e pedir um parecer acerca da constitucionalidade desta “manta de retalhos” que constitui os normativos que regulam a avaliação docente. Este pedido de parecertambém poderia ser uma iniciativa dos sindicatos!

    • mario silva on 21 de Março de 2021 at 20:36
    • Responder

    O exposto aplica-se a todos os docentes: mesmo com aulas observadas e com avaliação de Excelente nelas, não têm garantida a menção de mérito que isenta de vaga, e levam nas ‘fuças’ com o carimbo “Atribuído Bom por falta de quota”. Só para reforçar, se num ano existirem 40 docentes no 4º e 6º escalão numa escola em condições de progredir, SÓ 8 É QUE TERÃO MENÇÃO DE MÉRITO PARA ISENÇÃO DE VAGA; portanto, logo à partida, 32 já sabem que vão para a lista de espera, mesmo que tenham tido Excelente ou Muito Bom na ADD. Este processo levará à desmotivação e respetiva consequência na qualidade do trabalho.
    Mas outro pormenor importante é que o diretor devia ser eleito por toda a comunidade escolar e não só pelo conselho geral, como era em tempos idos.

  2. Supostamente, este é um espaço de pessoas dignas, e com educação. O teor dos comentários não é expectável de todo. Não é possível bloquear estes energúmenos? Este tipo de comentários, tão baixo, devem tê-los em casa, com a sua família. Refocilem na lama que criam.

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