Um em cada três alunos passa o 9.º ano com negativa a Matemática
Ao contrário da maioria das disciplinas, os resultados a Matemática de alunos do 9º ano tem vindo a descer e 33% entram no 10º ano com negativa. De acordo com um relatório da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), divulgado pelo Público, as notas subidas e o número de negativas nas restantes disciplinas desceu nos últimos sete anos até ao ano letivo de 2017/2018. Matemática é mesmo a exceção: em 2011/2012, apenas 23% transitavam de ano com negativa à disciplina.
Na lista estão ainda disciplinas como Inglês e Físico-Química, em que 9% dos alunos transitam para o 10.º ano com negativa. A disciplina de Língua Portuguesa desceu bastante nos últimos anos, tendo agora apenas 3% dos novos alunos do ensino secundário com negativa à disciplina.
O relatório refere ainda que Matemática é também a disciplina onde é mais difícil recuperar desta negativa: apenas 18% o fizeram no 10º ano de 2017/2018, mas a mesma estatística era de 16% em 2011/12. O mesmo refere também que é na Matemática que são visíveis menos benefícios de um chumbo, com apenas 30% dos alunos a recuperarem e terem positiva no 9.º ano após terem ficado retidos.




38 comentários
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Os profs de matemática são horríveis.
Acabem com os profs de matemática. Sim á matemática pelo YouTube.
Não são os professores de matemática horríveis, os alunos são é burros.
A Matemática é levada da breca.
Por muita flexibilidade e integração que lhe ponham em cima,
3 + 3 continuam a ser…
deixa ver…
só um bocadinho.
Volto já.
Se calhar só 5 ou 6 horas por semana não chegam…
É melhor tirar mais horas à História, ou mesmo acabar com ela (disciplina completamente irrelevante, no fundo, andar a estudar pessoal que já morreu interessa para quê?) e dar essas aulas à Matemática.
Ou, então, dar um semestre inteiro só de Matemática (umas boas 30 a 35 horas semanais), e encaixar o resto no outro semestre, tudo ao molho, mas sempre reservando pelo menos 50 minutos por dia só para Matemática. Talvez assim os putos aprendam a porra da tabuada!
PS – Só para evitar mais incómodos com a Matilde, quero deixar bem claro que tudo o que escrevi acima, é numa base de ironia e sarcasmo! Não quero cá mais mal entendidos…
A Matilde, agora e da outra vez, percebeu perfeitamente a ironia e o sarcasmo patente nos seus comentários…
O mal entendido, da outra vez, foi seu, que não percebeu que a minha resposta, também ela irónica e sarcástica, tinha como principal objectivo corroborar a sua e não contrariá-la… Mas não o percebeu e ficou muito melindrado porque considerou que a minha resposta era literal. E, só para o recordar, ainda atirou com isto:
“Ohh Matilde,
Quando frequentaste a escola, como aluna, ninguém te ensinou o que é a ironia e o sarcasmo?
Mas o Marcelo, por acaso, tem demonstrado algum “afeto” ou um mínimo de preocupação com os professores????
Por amor da Santa, o que me causa náuseas mesmo é a falta de inteligência e de capacidade de ler e entender o sentido de uma frase, num dado contexto.” (4 de junho 2020, 1:00).
Veja lá bem de quem é que foi o mal entendido e não queira agora atribuir-me esse ónus…
Há dias difíceis… 🙂
Matilde, a sério?
Como sabe, já lhe respondi, no devido espaço e contexto, isto era só um apontamento, com sentido de humor e zero de provocação ou azedume. Mas parece que não fui só eu a ficar melindrado… dado o trabalho que teve com esse copy/paste (só foi pena não ter também transcrito a minha resposta final).
De qualquer modo, registo com agrado que está atenta a tudo o que escrevo! Que assim continue, tentarei honrar os mais de 144 de QI que me atribuiu nesse outro post. Como vê, também atirou qualquer coisinha… 🙂
E prometo que tudo farei para não haver mais mal entendidos. Pelo menos da minha parte 🙂
Mas nunca se esqueça do pano de fundo que enforma todos os meus comentários: não vou em cantigas dos pequeninos políticos que temos (da esquerda à direita) nem dos situacionistas sindicalistas mainstream, nem dos comentadores avençados e jornalistas com agenda . E sou, sempre fui, um professor no terreno, há mais de 30 anos, todos esses anos, sem interrupções!
“E prometo que tudo farei para não haver mais mal entendidos. Pelo menos da minha parte 🙂”
Já “semos” dois 🙂 … Farei exactamente o mesmo, sinceramente grata pelo seu esclarecimento.
Muito bom!
Agora mais a sério: não gostando muito de fazer análises, e juízos de valor, que possam colocar ciclos contra ciclos, até porque nunca gostei muito da velha desculpa da falta de bases, se calhar devíamos começar a olhar mais para trás e não apenas para o 1º ciclo. Se calhar, só se calhar, o clima de facilitismo que é imposto pela tutela, e certas abordagens pedagógico-didáticas pós-modernas, começam logo a fazer estragos no 1º ciclo e, já agora, no 2º ciclo também! Claro que no 3º ciclo nem tudo corre bem, nem poderia ser de outro modo.
Mas isto não se aplica só à Matemática. É escandaloso verificar a forma como a maioria dos alunos escreve hoje em dia. Pergunto-me sempre: o que é que se está a passar? Não tenho as respostas todas, mas tem de haver responsáveis… e as políticas educativas e as metodologias estão claramente comprometidas nos resultados que se verificam!
O terceiro ciclo já está minado.
Também as competências básicas de leitura estão em acelerada regressão.
O beatismo patriótico assim impõe.
Agora, mais a sério, também:
“Mas isto não se aplica só à Matemática. É escandaloso verificar a forma como a maioria dos alunos escreve hoje em dia. Pergunto-me sempre: o que é que se está a passar? Não tenho as respostas todas, mas tem de haver responsáveis… e as políticas educativas e as metodologias estão claramente comprometidas nos resultados que se verificam!”
Pois… E não é que, e mais uma vez, concordo consigo, mas desta em sentido literal? 🙂
Neste momento parece quase impossível disponibilizar mais tempo à disciplina de Matemática do que aquele que já é disponibilizado, sob pena de exclusão das restantes disciplinas…
O problema talvez não seja “quanto tempo”, mas sim “que qualidade de tempo”…
Falcão, se me permite, eu acrescentaria: É escandaloso verificar a forma como a maioria dos professores escreve hoje em dia…
Não acredito que seja a maioria mas confesso quando me deparo com algumas situações até sinto calafrios.
No entanto também constato que muitos erros , principalmente neste blog são erros de “ escrita apressada “ e “ inteligente “ dos telemóveis e tablets.
Cara Luluzinha,
Sim, tem razão. Leio aqui, e por aí, algumas coisas que não nos prestigiam. Tenho a sensação que isso se irá agravar no futuro… exatamente pelo que se discute neste post.
Inovação Andreas Schleicher, diretor do Departamento de Educação da OCDE:
“O mundo moderno já não recompensa pessoas pelo que elas sabem: o Google sabe tudo. O mundo moderno é sobre aquilo que podemos fazer com o que sabemos”.😃
É um absurdologismo.
O que importa é saber o que fazer com um saber que não temos?
Será um saber feito de nada saber?
Este e outros absurdologismos estão a infantilizar a Escola e a retirar-lhe o papel de elevador social que em tempos desempenhou.
Para quê?
Para gáudio de meia dúzia de supostos especialistas que desenvolvem teorias cujo único objetivo é justificarem-se a si próprias.
Pedagogias pescadinha de rabo na boca.
Istudáçem!
Eles enstróence, lol.
Segue a prova:
Inovação Andreas Schleicher/OCDE:
“No fim desta crise muitos alunos irão ter com o professor e dizer: Sabe, estudei tantas coisas interessantes por mim mesmo!”.😃
Como já afirmei lá em cima, o problema talvez não seja “quanto tempo”, mas sim “que qualidade de tempo”…
Desconheço os moldes em que é realizada a formação académica dos candidatos a professores de Matemática, mas talvez se deva começar por aí através de uma análise descomplexada, profunda e consequente…
Por outro lado, as políticas educativas e os organismos do ministério também podem, e devem, dar o seu contributo na análise e na avaliação do que possa estar a correr menos bem, mas numa perspectiva construtiva e de co-responsabilidade… Friso a co-responsabilidade…
Uma coisa parece certa, o número de horas que as crianças/jovens passam diariamente na escola não pode ser aumentada, dado o absurdo em que já se encontra…
Por seu lado, o número de horas que os professores dispensam a actividades de cariz burocrático: Papeladas várias, relatórios, grelhas, e mais grelhas, e excel e mais excel, quase tudo documentos que, na verdade, poucos lêem e sem qualquer relevância ao nível da prática pedagógica…
E o problema acentua-se aí: a maior parte ou a totalidade desses documentos fica muito bem arquivada em dossiers, servindo apenas para sossegar muitas consciências, mas não tem qualquer efeito prático em termos pedagógicos, por muito que isto custe a aceitar a algumas pessoas, sobretudo àquelas “dependentes” das denominadas “evidências”, mas que, em abono da verdade, não evidenciam coisa nenhuma…
E tudo isto é consumido internamente , dentro de cada escola, em ininterruptos circuitos fechados… Para que servem? Que utilidade prática e que efeitos práticos se lhes reconhece? Que consequências directas e visíveis têm ao nível das salas de aula?
A Escola tem vindo a tornar-se numa espécie de farsa com vários actores e, pior, parece ter-se transformado numa espécie de infernal máquina trituradora… Alguns não sobrevivem, outros conseguem-no, mas com custos impagáveis, porque há coisas que o dinheiro não pode comprar…
Oh Matilde,
Em particular nos 5º, 6º e 7º parágrafos, até me levanto da cadeira para aplaudir. Mas há uma questão importante a colocar: se muitos de nós concordam com o que escreveu, por que motivo isso se mantém? Para mim só há uma resposta: temos lideranças intermédias e diretores SEM TOMATES para darem um murro na mesa (desculpa Arlindo)! Provavelmente porque alguns daqueles não os têm mesmo e muitos destes não o querem de todo! E, Matilde, não é só para sossegar as consciências, é também com medo das inspeções, ainda para agradar ao MEC e, finalmente, para manter a “manada” bem controlada e domesticada!
Concordo inteiramente consigo, em particular com isto: “temos lideranças intermédias e diretores SEM TOMATES para darem um murro na mesa (desculpa Arlindo)!”.
É uma verdade incontornável, mas também quase incompreensível…
Incompreensível que pessoas, todas com uma formação académica que faria supor uma capacidade argumentativa e de reivindicação, no mínimo razoáveis, se submetam tão facilmente e que aceitem sem contestação praticamente tudo aquilo que lhes impõem, dentro ou fora de cada escola…
Muitas delas aceitam, sem pestanejar, o desempenho de determinados cargos, sabendo de antemão que, na verdade, não passarão de “marionetas” d@s director@s… Por seu lado, grande parte d@s director@s verga-se ao poder central, esforçando-se por ser sempre muito cumpridor e ficar muito bem em “todas as fotografias”… O ar que se respira em muitas escolas é bafiento e tresanda a hipocrisia…
Existem, naturalmente, honrosas excepções, mas que (paradoxalmente, ou não) são quase sempre vistos pela “manada” como “fazedores de ondas”, uma espécie de “outsiders” ou “aves raras”, como se preferir…
E, mais coisa menos coisa, é assim em termos gerais…
O grande absurdo disto tudo é que esta teia burocrática que é lançada a toda a hora, e em todas as situações (veja-se até o caso do E@D e das grelhas que por aí circulam), acaba por desgastar os bons professores, que podiam ainda ser melhores (leia-se, melhores porque teriam mais tempo para ler, investigar, pesquisar e selecionar novos recursos e materiais didácticos), e acabam enredados na insana perda de tempo com porcarias que não interessam a ninguém e que ninguém lê nem, verdadeiramente, quer saber, apenas para se dar uma imagem de organização, modelação e formatação técnico-pedagógica, que não significa nada de consequente, nem produtivo, para a qualidade dos serviço educativo que prestamos aos nossos alunos. O mesmo se passa com a componente não letiva, outro massacre e instrumento de tortura para muitos professores. Ao menos que lhes perguntassem: és melhor a fazer o quê? Gostarias de fazer o quê com os alunos, nesses tempos? Mas não, o professor é funcionário, pau para toda a obra. Depois queixem-se que muitos apenas façam de conta… e volto ao mesmo, a grande responsabilidade é, em primeira instância do ME, depois das suas correias de transmissão e, finalmente, das lideranças intermédias que pactuam com tudo isto. E já nem vou falar dos Conselhos Gerais que, na esmagadora maioria dos casos, apenas servem para as autarquias meterem também a sua pata, ou patorra, consoante os casos, dentro das escolas! Dir-me-ão alguns dos visados: mas então e os maus professores, como se controlam? Acham mesmo que se controlam com papelada e com uma corrente a prendê-los a uma perna da mesa nas Salas de Estudo ou nas Bibliotecas? Não me façam rir. Aquilo que conseguem com toda esta parafernália burocrática é demonstrar claramente aos bons professores que NÃO CONFIAM no seu trabalho! E isso, vindo do topo, é um autêntico tiro nos pés, é algo que pode desmotivar, e muito, aqueles que por paixão e dedicação ao ensino, continuam a resistir e a dar o melhor de si mesmos, no dia dia das nossas escolas. E tenho dito, porra! (Vade retro, Bolsonaro!)
Não tem nada a ver com mais ou menos tempo letivo.
Tem a ver com querer aprender e tem a ver com exigir que se aprenda.
Mas não é isso que temos.
Aprender?
Logo se vê, até porque, verdadeiramente, serve para quê?
O próprio Andreas Schleicher, diretor do Departamento de Educação da OCDE, amicíssimo e parceiro do Secretário Costa, diz que “o mundo moderno já não recompensa pessoas pelo que elas sabem: o Google sabe tudo”.
É necessário aprender/saber seja o que for para concluir os primeiros 9 anos de escolaridade?
E no Secundário o processo está também terminado. As universidades sapiência zero estão prontas e ávidas para receberem os jovens que só querem saber o que fazer com a sua ignorância.
E está bem…
a noção de que o saber pertence às elites, e que é esse o saber que importa, não começou com Marx nem acabou com Lenine.
Corrijo:
… a noção de que o saber pertence A UMA elite, e que é esse o saber que importa, não começou com Marx nem acabou com Lenine.
Quando Ptolomeu I perguntou a Euclides de Alexandria se não havia caminho mais curto para a geometria que Os Elementos, ele respondeu: “não há estrada real para a geometria”.
Que comentário tão absurdo! Não acrescenta nada de proveitoso. Enfim…
O meu silêncio acabou de lhe responder. Passe bem.
” 33% dos alunos entram no secundário com negativa a matemática” !
E dos restantes – 67% – quantos “passaram” sem saber matemática ? Se houvesse rigor e seriedade no ensino, quantos mais se sumariam aos 33% “negativos” ?
Haverá por aí quem diga qualquer coisa a este respeito?
Como não podem transitar para o secundário reprovados em simultâneo a matemática e português, então para se verem livres deles “votam” a nota de uma delas ( passando a positivo o que vale zero) e, está !
Assim se acaba com o insucesso. Aprendam!!!
Ohhh Maria, esteja caladinha, por amor da Santa. Como se dizia nos tempos pré-crise bolsista de 1929, pensar era “perigoso, suspeito e doentio”. Não diga essas coisas, ainda alguém (de fora) acredita 🙂
Santo Deus, as coisas que se escrevem no dia do Senhor, que blasfémia 🙂
Há pouca transversalidade e mais não sei o quê.
Ora aí está, caro Roberto. Já me tinha esquecido dessa.
Mas seria, sem margem para dúvidas, a opção explicativa mais escolhida, lá pelos gabinetes costistas, se lhes aparecesse um Google Forms de escolha múltipla para explicar o motivo das negativas a Matemática.
Como sempre, são os professores, esses zecos, malandros, que resistem, e resistem, não estão abertos a receber a Boa Nova, a Palavra do Senhor… e não praticam, não mudam, não inovam, não articulam, não praticam a transversalidade, não flexibilizam, nem conhecem, e muito menos aplicam, a tão louvada, e “pós-moderna”, pirâmide de William Glassner (1925-2013),enfim… são uma autêntica cambada de ranhosos estes zecos… a culpa é deles, pois claro!
Não se pode querer sucesso no básico com 13 disciplinas. 13 disciplinas!!! É demais! Seria demais para um adulto, quanto mais para uma criança! Promove uma grande dispersão: aprendem tudo e nada. Sim, porque não há tempo para praticar e consolidar.
Para saber matemática, português, línguas estrangeiras e outras é preciso estudar muito, trabalhar muito, praticar muito. Ora, no actual sistema, isso é impossível. E só não vê quem não quer.
Cada disciplina só olha para o seu umbigo. Quando se fala na necessidade em ajustar a matriz, “Ai Jesus!”. Pois, não há volta a dar. É preciso reduzir o número de disciplinas! Cada adulto que pense um pouco: Como se sentiriam com 13 disciplinas semanalmente?
Concordo.
Há que rever isso.
Talvez uma disciplina Línguas que junte o Inglês e a 3.ª língua (sem perda de carga/tempo curricular); Ciências, juntando FQ e CN (sem perda de carga/tempo curricular); História e Geografia, EV e EF…
Sempre sem perda de carga/tempo curricular.
Havendo menos disciplinas, urge colmatar falhas curriculares graves que mancham o nosso ensino e introduzir as 5 disciplinas que farão a diferença:
Cidadania Ativa;
Iniciação à Política;
Projeto de Vida;
Integração Transversal;
Tertúlia Escolar.
Esqueci-me de uma fundamental:
Família na Escola.
Concordo, tem toda a razão.
Manuel
Bem visto.
Quem observa, desde a “província” , nem sempre se dá conta destes pormenores, ou pormaiores.
O meu comentário anterior foi dirigido ao Manuel.