Tecnicamente Parece Impossível, Mas…

… seria bom que este apoio fosse tratado como um subsídio de refeição, ou seja, isento de impostos.

 

Apoio à deslocação faz baixar salário dos professores

 

Muitos docentes viram o seu rendimento encolher em dezembro, primeiro mês em que lhes foram pagas ajudas de custo. Alerta é do Movimento Escola Pública, que denuncia aplicação de impostos no extra recebido pelos professores. Diretores querem apoio livre de taxas.

 

Este mês foi pago, pela primeira vez, o apoio à deslocação aos professores colocados longe das suas áreas de residência, mas foi com surpresa que, muitos, viram o seu vencimento líquido diminuir (dependendo do escalão de IRS em que se encontram). Outros não perderam rendimento, mas o valor extra recebido ficou aquém do esperado. Isto porque, conforme o DN verificou em vários recibos de vencimento, foi aplicado o desconto para a Segurança Social e IRS.

Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública (MEP) – um movimento apartidário de professores – afirma que os docentes se sentem “enganados”. “Temos muitos relatos de colegas que viram o seu vencimento diminuir relativamente aos meses anteriores e outros em que, apesar de não ter diminuído, o apoio foi tributado, o que não faz qualquer sentido”, afirma. A responsável diz ser “imprescindível existir um ofício ou orientação do Ministério da Educação” de forma a não haver pagamento de impostos no apoio, “à semelhança do que acontece com o subsídio de refeição ou o que acontece no setor privado com as ajudas de custo”. Os docentes, acrescenta, sentem-se enganados e desmotivados “tendo em conta aquilo que foi anunciado pela tutela”. A porta-voz do MEP diz ainda haver muitos professores que, após verificarem o valor líquido do apoio, cansados e desgastados pelo sacrifício da distância, ficaram de baixa médica.

O MEP volta a criticar a não aplicação do apoio a todos os professores deslocados, deixando de fora docentes colocados a centenas de quilómetros de casa. “Apenas a distância deveria ser critério. Trata-se de uma injustiça para os professores que, estando longe, não têm os mesmos direitos por estarem a dar aulas em escolas que não fazem parte da lista definida pelo Governo.” “Defendemos que o subsídio deve ser alargado a todos os professores que estão a 70 ou mais quilómetros da sua área de residência”, sublinha.

Cristina Mota denuncia ainda outra situação “preocupante”. “Muitas escolas estão a atribuir horas extra quando estão com falta de professores, o que impede o estabelecimento de ficar incluído na lista de escolas com escassez de docentes. Acreditamos que será motivo de problemas, pois uma escola que agora está sinalizada no próximo ano poderá deixar de estar e, assim, os docentes que concorreram contando com o apoio deixarão de usufruir dele.”

Diretores querem apoio à estadia

 

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), lamenta a tributação aplicada ao subsídio à deslocação e pede revisão da situação. O responsável solicita ainda ao MECI a criação de um apoio à estadia. Algo que, afirma, poderia atenuar de forma significativa a falta de professores nas zonas mais críticas (Lisboa e Algarve). “Para além desse subsídio sobre o qual não deveria haver qualquer imposto, há um em falta que é o da estadia. Há uma falha grande que é não haver esse apoio. Parece-me que a 18.ª medida do MECI para combater a falta de docentes deveria ser essa, mas não há indício que isso aconteça”, lamenta.

Filinto Lima considera a falta desse incentivo, bem como a tributação no apoio à deslocação, fatores de desmotivação para atrair novos professores para a carreira. “Não é motivador, pelo contrário, é desmotivador. Afasta novos profissionais e percebe-se que nos próximos meses e anos a falta de professores vai agravar-se, pois já afeta todo o país. Não precisamos de medidas desmotivadoras, como é o caso. Precisamos de medidas que motivem os jovens a querer seguir a carreira”, conclui.

À semelhança do MEP, o presidente da ANDAEP pede o “alargamento do apoio à deslocação a todos os docentes”. Uma situação que, sustenta, “tem de ser rapidamente corrigida.”

O DN contactou o MECI para saber porque está a ser tributado o apoio à deslocação e se haverá mudanças na cobrança de impostos, mas até à hora do fecho desta edição, não obteve resposta.

Apoio não é aplicado a todos os professores deslocados

Os docentes deslocados da área de residência podem usufruir do apoio, mas apenas se estiverem colocados num dos 234 agrupamentos de escolas carenciados, definidos pela tutela. Ou seja, um docente pode estar a dar aulas a centenas de quilómetros de casa e não estar elegível para receber o incentivo. O apoio varia ainda conforme a distância: entre 70 e 200 quilómetros (150 euros); entre 201 e 300 km (300 euros) e distância superior a 300 km (450 euros). Estes valores são brutos.

Mais de quatro mil docentes fizeram pedido

Segundo o MECI, mais de quatro mil professores pediram apoio à deslocação para dar aulas nas escolas com escassez de docentes. Em declarações aos jornalistas, no início do mês, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que o apoio é um forte incentivo para quem quer dar aulas nestes estabelecimentos de ensino, concentrados nas zonas de Lisboa e Algarve.

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9 comentários

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    • Padre Marx on 30 de Dezembro de 2024 at 17:49
    • Responder

    Ateé parece que gostam de gozar com a cara das pessoas. Depois dos critérios manhosos vem esta pérola.
    Ah, mas este sonso não se chama Costa, por isso está tudo bem…

    • João on 30 de Dezembro de 2024 at 17:50
    • Responder

    Não é só tecnicamente é mesmo impossivel, o IRS é progressivo.

    Estamos quase em 2025, e ainda há muita gente que não percebe como funciona o IRS.

    • prof rfm on 30 de Dezembro de 2024 at 19:46
    • Responder

    Nas empresas o apoio ao deslocamento é livre de impostos.
    Neste caso só não é se o governo não quiser.

    • Lina on 30 de Dezembro de 2024 at 20:36
    • Responder

    O acerto irá sempre acontecer.

    Este pessoal sabe que o IRS é progressivo? Sabe o que são taxas marginais?

    • PTR on 30 de Dezembro de 2024 at 20:40
    • Responder

    Acabei de ver está fake news a ser tratada na TV e alguém está a criar confusão de forma descarada. Os recibos que apareceram estavam a comparar dois meses incomparáveis: dezembro com setembro. Em setembro e outubro os descontos para IRS foram anormalmente inferiores. Alguém está de má fé: o colega que colocou cá fora os recibos e/ou os jornalistas.

    • F..... on 30 de Dezembro de 2024 at 20:42
    • Responder

    Isto é mesmo uma pouca vergonha!!!
    Mas estão a gozar com a nossa cara, mesmo!
    Os deputados também têm o subsídio de deslocação onerado com o IRS?
    Alguns profs ficaram de baixa quando viram que tinham menos dinheiro porque se sentiram assediados pelo meci.É compreensível. Da cabo de QQ um!
    E ainda esta !!! Se os diretores atribuírem horas extraordinárias, a escola deixa de ser
    elegível para os professores pedirem o subsídio de deslocação . Inaudito.
    Depois que as pessoas perdem a cabeça e matam alguém ! As injustiças são tamanhas!

    • Rosinha on 30 de Dezembro de 2024 at 21:41
    • Responder

    Onde está escrito que o apoio à deslocação é taxado para a Segurança Social?
    Que eu saiba seria só em IRS que embora seja mau é apenas o que está defenido.

    • Rosinha on 30 de Dezembro de 2024 at 21:49
    • Responder

    Mais: quem vaiu para o Alentejo nem alojamento consegue arranjar nesta altura do ano.
    Até o Alojamento Local está arrendado a empresas para serem ocupados pelos imigrantes.
    E os migrantes como os professores?
    Ficasm aonde?E os que estão em RR na Mobilidade Interna e são obrigados a ficar numa escola do seu QZP até obter colocação ;nem um quarto consegue arrendar porque não dá segurança ap senhorio.
    Porque não podemos ficar todos na escola de validação ou numa escola à escolha perto de casa enquanto aguardamos colocação??Até se poupava no subsidio de deslocação.É desumano!
    Além disso a legislação não refere que o docente tem que ficar numa escola a aguardar colocação; a nota informativa que deu essa indicação não tem base legal.

    • João Gaspar on 3 de Janeiro de 2025 at 17:03
    • Responder

    Em matéria fiscal os professores não têm hipótese nenhuma, qualquer acréscimo ao vencimento obedece à progressividade do próximo IRS. E não vejo solução a curto prazo para este próximo.

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