O anúncio do primeiro-ministro de rever os programas do ensino básico e secundário poderá ser um exemplo emblemático da desconexão recorrente entre a intenção política e a operacionalização pedagógica. A ausência de detalhes sobre como essa revisão estará a ser conduzida é preocupante, pois sugere uma falta de transparência que compromete a confiança no processo. Como observou António Nóvoa, pedagogo de conhecido renome, “a construção de currículos é um exercício coletivo, e não um ato de gabinete”.
Revisão Curricular: um exercício de transparência ou um salto no escuro
Esse “exercício coletivo” exige a participação ativa dos professores, profissionais que vivem diariamente os desafios das salas de aula e conhecem, como ninguém, o impacto real de programas pouco ajustados, que têm surgido de derivas vincadamente experimentalistas. Deixar estes agentes de fora, convidando-os somente a responder a inquéritos de diagnóstico, é negligenciar o saber acumulado no terreno, substituindo-o por visões muitas vezes elaboradas por elites universitárias. Estas, frequentemente acusadas de viver numa bolha, têm produzido documentos desfasados das necessidades concretas do sistema educativo, até porque como, em devido tempo, destacou a professora e investigadora Ana Benavente: “A distância entre a academia e a escola é um dos maiores obstáculos à mudança educativa”.
Além disso, a inclusão da Educação para a Cidadania nesta revisão antecipa possíveis alterações numa disciplina já de si controversa. Qual será o impacto? Será uma revisão técnica e pedagógica ou uma interferência ideológica? Sem clareza e sem auscultação, corre-se o risco de aprofundar as clivagens em vez de promover consensos.
O momento exige transparência, diálogo e humildade política para construir programas que sejam não apenas inovadores, mas também realistas e exequíveis. Afinal, como afirmou Nóvoa, “os professores não são meros executores de ordens; são construtores de aprendizagens”.




11 comentários
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Querem rever o currículo?
Adaptem-no à nova realidade.
Querem que fiquemos economicamente competitivos, mas há cada vez menos cursos profissionais na área da Informática. Sobretudo na cidade capital.
Por incrível que pareça estes cursos e as disciplinas de Informática são preteridos dentro de Lisboa, o que significa que na própria capital há menos possibilidade dos alunos estudarem uma das áreas mais procuradas internacionalmente pelas empresas.
Então o que querem?
Que se gere riqueza, ou que continuemos na miséria?
Não basta falar. Há que agir.
Ora aqui está uma ideia de jeito.
Mas os nossos governantes, desde há vários governos, só vivem para o show off.
Medidas lógicas e produtivas são só para anunciar, ou nem isso.
Claro que deveriam haver mais cursos profissionais de Informática nas escolas.
Aliás, o que deveria mesmo haver era uma disciplina de Informática nos Cursos Científico-Humanísticos todos, com as vedidas adaptações a cada curso, claro.
Mas nós preferimos andar a fingir que está tudo bem, e que os resultados aparecem como por magia.
Moro em Lisboa e sou testemunha do que afirma. Várias escolas tinham um profissional de Informática que fechou.
Agora temos muitos professores cuja área de formação base não é Informática a lecionar tudo o que é Informática. O resultado começa a ver-se, mas será ainda pior.
E não me venham com os cursos / mestrados via ensino, que são uma farsa das universidades para ganharem dinheiro. Lá nem as didáticas se aprendem, quanto mais a formação técnica.
O futuro está a ser construído … ou será que está a ser destruído?!
Pois, um dos problemas é precisamente esse. Estão a por toda a gente a dar aulas no 550 quando a maior parte pouco mais sabe do que ligar e desligar o computador.
Muitos destes novos “professores” do grupo nem uma simples função no excel sabem fazer quanto mais ensinar a programar, hardware, redes e tudo o mais que o grupo 550 implica. Para além de que o 550 deve ser um dos poucos grupos (ou único?) que vai desde o 1º ano até ao 12º, e é muito mais do que Word.
E coloquei “professores” entre aspas pois muitos desta nova leva nem sequer dominam o tema minimamente para eles, quanto mais para ensinar.
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Para o José Alho um abraço do Papa Francisco.
É assim mesmo! A construção do currículo é um ato coletivo transparente. E não um cozinhado dos gabinetes.
Como é que eu hei-de
Como é que eu hei-de
Ir embora
Com a transparência toda fora!
Sem que se saiba o que eu sou aos olhos do mintisru e dretoro.
Que continuem o massacre do professor ou então mudem tembém o nome aos que lá ficam!
Poderiam começar por adaptar os programas à realidade temporal existente. Parecem feitos para dois anos letivos…
Boa, Alho!
Tens umas ideias do…