Mail que me chegou a denunciar o que se está a passar em muitas escolas com os portáteis dos alunos, dos professores e das secretarias.
Venho por este meio chamar a atenção de uma situação grave, que tem vindo a afetar todas as escolas, que ainda não foi divulgada às massas e é de grande importância que seja.
Como sabe, no projeto da Escola Digital, estão incluídos os computadores dos alunos (para realizarem as provas de aferição e este ano finais), estão incluídos os computadores dos docentes (os mesmos que usam para o seu trabalho do dia a dia) e agora também os computadores de secretária, que estão a ser usados pelos órgãos de gestão dentro dos agrupamentos.
Embora existam algumas questões ainda a ser tratadas no âmbito desta iniciativa, principalmente no que diz respeito aos equipamentos que perderam a garantia, esta semana surgiu um problema que não pode ser ignorado ou adiado.
Fui informado pela empresa Inforlândia, empresa detentora do sistema de bloqueio CuCo, que o ministério não procedeu ao pagamento das licenças deste mesmo sistema. O que é que isto significa na prática? Nenhum computador, que fique bloqueado, pode ser desbloqueado, pelo menos de forma definitiva e com certeza que se eles continuarem sem pagar eles vão bloquear literalmente todos os computadores, impedindo o seu uso totalmente. A empresa não pode ser responsabilizada por isso, aliás, para acrescer a isto, temos também a situação com a operadora Vodafone, que já começou a cortar o serviço a alguns cartões de dados móveis (cartões que são usados por alunos e docentes para ter internet).
Estamos no início do ano, ou seja, altura em que deveriam estar a ser atribuídos os kits aos novos alunos e docentes, no entanto, o mesmo não pode acontecer, porque não faz sentido atribuir um computador que não tem uso ou mesmo um hotspot com um cartão cuja internet está cortada.
No agrupamento do qual faço parte, já temos mais de 50 máquinas paradas, nesta mesma situação. Mais de 80% das indicadas, ainda estão em período de garantia e neste momento não passam de meros pesa-papéis.
Estamos numa fase crítica em que se o governo não resolver isto rápido, tudo o que foi desenvolvido no âmbito da digitalização, todo os esforços dos docentes em preparar os seus alunos para esta nova realidade, terá sido em vão. Foi pedido aos docentes para se adaptarem e agora, quando tudo está mais estável, é-lhes retirada a ferramenta que o governo insistiu tanto que fosse usada.
Não esquecer que algumas escolas também já optaram por manuais-digitais, ou seja, os alunos, sem os seus equipamentos, não terão como aceder aos livros nas aulas ou mesmo em casa para estudar. Tudo porque os seus computadores, estão bloqueados.




11 comentários
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Ora bem, isto não é necessariamente mau,… É necessário algum travão nesta obsessão pelo digital, a canalha passa demasiado tempo à frente do computador.
O “admirável mundo novo” do digital….. Uma comédia e o ridículo absoluto por parte das escolas que “já começaram” com os “manuais digitais”. É só vergonhoso que, estas escolas da nacional lambebotice, se prestem a esta demanda nacional de dar cabo disto tudo! Há muitos anos atrás, trabalhei com um director que era um engenheiro informático, talvez dos piores seres humanos com quem me cruzei! À época, entre inícios do século e a década de 10, o fulano já tinha orgasmos com computadores, fios, digital, high tech e afins. Comecei a acreditar em alienígenas desde aí porque, o fulano, apesar de ter tido filhos e tudo (pobres miúdos!), era de uma desumanidade atroz. Esta gente que agora baixa as calças para ser mais papista que o Papa (neste caso o Sô jão Costa), é semelhante a esse director com quem me cruzei. É uma canalha provinciana, nova rica, de uma pobreza intelectual que dói e que dá cabo de um país que, desde o Fontes Pereira de Melo, é de difícil concerto, embora tenha tido as ferramentas para isso. Não obstante, ri – me muito com este artigo. Parece um episódio dos Monty Pyton.
Caro sujeito,
Quem não sabe distinguir conserto de “concerto” é um analfabeto.
E a culpa não é do teclado!
O problema é maior do que o descrito: os equipamentos dos KITs (portátil e hotspot) deixaram de receber assistência técnica ao abrigo da garantia (2 anos) e ME não celebrou qualquer contrato para a extensão da garantia, nem arranjou qualquer solução alternativa. Há centenas de computadores parados nas escolas que não funcionam e que não podem ser atribuídos aos professores e alunos.
Luís Miguel Cravo. Pessoalmente faz-me lembrar exatamente o meu atual diretor, em tudo o que disse: desde a formação em computadores até ao despotismo. Pouca humildade. Querer “lixar” os outros, o que implica com a saúde dos colegas. E quando os colegas lhe apresentam informação jurídica do Sindicato mudam de opinião na mesma altura. Afinal tão autoritário e não conhece a lei?
Pois. É isto que temos. O reinado dos diretores para a maioria não foi nada bom. Deveriam ser eleitos por todos os docentes e não pelo Conselho Geral.
Tudo a bom ritmo para a realização das Provas Finais do 9.° ano.
Estes problemas associados à falta de técnicos de informática, ao fim das garantias, aos cortes de rede e à fragilidade geral dos equipamentos, estão a formar a tempestade perfeita. Depois só falta o IAVE, o JNE e a plataforma Intuitivo cumprirem a sua parte.
Desta feita nem com várias demãos vão conseguir branquear os problemas!
Bom, bom, era essa coisa do CuCo, servisse para algo útil, por exemplo bloquear o ME☺️.
Já alguém soube do resultado das PAEB?
Parece que era para ser rápido este ano … ou talvez não.
Ouvi dizer que houve m*** com as correções.
A sucata que foi comprada já dá de si.
Mas estavam à espera do quê?
Dar computadores para os alunos usarem. Recolhê-los todos os anos e voltar a dá-los?!
Mas acham que isto ia durar muito tempo?!
Até que era boa ideia…o Japão já se deixou de modernices e voltou ao livro de papel e à escrita.Os nórdicos vão pelo mesmo caminho e nós os tugas sempre com 20 anos de atraso,ainda agora vamos nesta!!!
Nem sei o que dizer…só lamento muito pela geração que aí está criada desta maneira!!!!!
O que não é sustentável acaba por colapsar. Uma aprendizagem estruturante. Pena que a revogação dos programas disciplinares tenha acabado com o ensino eficaz do conceito.
Os programas foram substituídos pela anarquia das “Aprendizagens Essenciais”, impostas pelos faciltistas a quem António Costa entregou a educação, em 2015, para formar iliterados que votem nele.
Como lhe convém, as AE não orientam para o ensino do conceito de sustentabilidade. Sem ele, não se é capaz de compreender que a digitalização em Portugal só serviu para dar seguimento aos negócios do “Choque tecnológico de Sócrates “, interrompidos pela crise financeira de 2009.
A digitalização nunca se destinou ao sucesso escolar, como tanto disseram, nos governosde Sócratese Costa. Até porque, há muitos estudos científicos que demonstram que o uso das tecnologias atrasa a literacia. Ou seja, o desenvolvimento cognitivo e socioemocional,
de forma harmoniosa e saudável. Literacia que permite fazer melhores escolhas de vida, incluindo políticas. Diz a OCDE, entre muitas outras autoridades, há muitos anos.