Quem não quer ser visto, não se expõe…

 

Quem não quer ser visto, não se expõe, parece ser algo tão óbvio como uma “verdade de La Palisse”…

Por via das denominadas “redes sociais”, não poucas vezes se tem conhecimento de situações, algumas potencialmente constrangedoras e embaraçosas para os respectivos protagonistas, que se tornaram do domínio público, acabando por ser lidas e/ou vistas por inúmeras pessoas…

Entre jovens ou adolescentes esse é, de resto, um problema que, muitas vezes, se torna muito grave e sério, com que os mesmos não estariam a contar…

Para não entrar aqui num discurso enfático (e possivelmente enfadonho) sobre Segurança na Internet, saltarei esse ponto, sem, contudo, deixar de referir estes aspectos, quando se trata de adultos:

– Quando se publica, sem acesso restricto, alguma coisa numa “rede social”, subentende-se que quem a publicou conhecia os riscos inerentes a tal publicação, seja ela de que natureza for…

– Quando alguém publica voluntariamente alguma coisa numa “rede social”, arrisca-se a, de alguma forma, ficar exposto, nomeadamente a poder ser alvo de algum tipo de ridicularização ou de afronta…

– Em cada um de nós há um potencial “voyeur”, não é possível ignorar essa característica da natureza humana, e isso deveria ser tido em consideração quando alguém publica alguma coisa numa “rede social”…

Nos últimos tempos, algumas publicações de Professores, individuais ou de grupo, têm gerado muita polémica nas “redes sociais” e fora delas, suscitando as mais variadas reacções, tanto por parte de quem originalmente as publicou, como dos que as leram e/ou visualizaram…

Cada um tem o direito de publicar o que lhe aprouver, mas se não o fizer em modo privado ou com determinadas restricções de acesso correrá sempre o risco de se poder ver confrontado com uma publicação que, entretanto, se tornou do domínio “excessivamente público” ou “viral”, pelo número elevado de leituras e/ou de visualizações, de que possivelmente não se estaria sequer à espera…

Os “ecos” de uma publicação nem sempre são controláveis pelos respectivos autores ou protagonistas e isso pode ter consequências, também elas, incontroláveis, no sentido positivo ou negativo…

E o maior problema de uma publicação é quando a mesma se transforma em motivo de ridicularização e de polémica, gerando uma turba de reacções adversas e críticas hostis…

Partindo do princípio lógico de que o conteúdo de uma determinada publicação foi previamente assumido pelo(s) respectivo(s) autor(es), sendo plenamente consciente e voluntário, torna-se incompreensível que a mesma possa ser apagada pelo(s) próprio(s), em particular na eventualidade dessa publicação ser mal recebida…

Nas circunstâncias anteriores, apagar uma publicação e/ou os comentários suscitados pela mesma será uma forma de abdicar de a assumir e de a defender, o que não parece congruente, nem corajoso…

No universo de publicações na área da Educação, quando a coisa “esturra”, ou seja, quando os “donos” de uma publicação se confrontam com comentários e opiniões contrárias às que pretendiam, eis que, frequentemente, se apagam tais “heresias”, pois que é muito mais fácil lidar com o unanimismo do que dar-se ao trabalho de refutar o conteúdo de determinadas opiniões…

O exercício e a aceitação plena da Democracia parece ser algo muito relativo, por exemplo, para alguns pretensos paladinos da Ética, da Honestidade Intelectual ou da Inclusão, que costumam “bradar a sete ventos” aquilo que, na realidade, não conseguem praticar…

Há publicações que, no pior sentido, expõem os respectivos autores que, a posteriori, muitas vezes, tudo fazem para não serem vistos…

Quem não quer ser visto, não se expõe. Tão simples quanto isso…

Quem não quer ser censurado, não se expõe. Tão simples quanto isso…

Quem se expõe deve aceitar que pode ser visto e que pode ser censurado…

A realidade tem mostrado que a confrontação com algum tipo de contraditório continua a ser tenazmente evitada e rejeitada…

A contradição não consente o arrependimento e o pecado ao mesmo tempo” (Dante Alighieri, A Divina Comédia – Inferno)…

(Paula Dias)

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23 comentários

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    • Sérgio Marques on 10 de Setembro de 2023 at 11:25
    • Responder

    “Restricções”? “Restricto”? Atenção aos erros!

      • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 11:50
      • Responder

      Caro Sérgio Marques, agradeço o seu reparo, mas não escrevo ao abrigo do último Acordo Ortográfico… Enquanto for possível, não o respeitarei, por motivos que aqui não importam…

      Paula Dias

        • Pedro Silva on 10 de Setembro de 2023 at 14:26
        • Responder

        Tem a certeza que antes se escrevia restricções?

          • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 15:12

          Como é habitual acontecer em situações similares, a dúvida só se começa a instalar quando alguém nos pergunta se temos a certeza… Até aí, obviamente, tínhamos a certeza absoluta… 🙂

          Foi exactamente o que me aconteceu: antes de o Pedro perguntar, eu tinha a certeza absoluta, mas depois também eu comecei a duvidar… 🙂

          Ainda assim, é minha convicção de que na grafia anterior ao último Acordo Ortográfico as consoantes dobravam quando se encontravam entre duas vogais, como é o caso da palavra restricções…

          Haverá por aí quem possa ajudar a esclarecer cabalmente a dúvida anterior?

        • Luluzinha! on 10 de Setembro de 2023 at 15:18
        • Responder

        Lamento, mas, segundo a norma anterior ao AO90, escreve-se; restrito e restrição. Para confirmar, poderá consultar qualquer dicionário da época.

          • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 15:31

          Grata pelo seu esclarecimento.

          Lamento, assim, os erros cometidos.

    • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 14:12
    • Responder

    “Velado”?

    De velado não tem nada, é até bem explícito, para aqueles a quem se destina…

    • Joca on 10 de Setembro de 2023 at 15:00
    • Responder

    Há professores/as que, de acordo com redes sociais, parece que estão sempre de férias em paraísos turísticos. Depois não se admirem que a opinião publica diga que os professores estão sempre de férias.
    Este exibicionismo prejudica toda a classe docente.

    • Luís Miguel Cravo on 10 de Setembro de 2023 at 15:54
    • Responder

    Está a ver, cara Paula?…..
    Os seus haters (quase todos com nomes falsos) vêm imediatamente cair – lhe em cima. Mais: Repare na gravidade dos erros que lhe apontam. Tópicos tremendamente graves, meu Deus!.
    Basta entrar naquele “chatO” criado pelo Arlindo ou, numa coisa obscena, que não sigo porque nunca tive facebook, e que envolve uma rede de professores contratados ou dinâmicos ou lá o que é ,para perceber que a opinião pública, se visse o calibre da conversa daqueles com quem trabalhei quase 28 anos, pensará de nós. Ora, como neste país ninguém quer saber de professores para nada (mas há, nos comentários, quem seja crente!), ainda bem que não se lê aquilo. É melhor que uma compilação daquelas em que metade é rega, dos melhores erros dos alunos! Esta gente é a mesma gente, carneirizada, que abdicou do seu papel de mestre escola para o entregar ao digital, que abdicou da exigência para a entregar a cruzes e escolhas múltiplas, que abdicou de fazer mais na vida para ganhar miseravelmente até ir de “maca” para a reforma….. Na verdade, a mesma gente que acha que todos cumprimos “acordos ortográficos” e tudo o que nos mandam fazer, como é visível pela sua “amiga” que lhe envia um link (que profissional!).
    Graças a todos os deuses, não tenho mais de lidar com esta gente. Espero que nunca mais.
    Em jeito de remate, o seu texto parece que serviu de chapéu que alguém enfiou.

      • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 17:05
      • Responder

      Luís Miguel Cravo, agradeço as suas palavras…

      E, sim, quer-me parecer que, efectivamente, este texto “serviu de chapéu que alguém enfiou”…

      Há chapéus que só servem em algumas cabeças…

    • Zoroastro on 10 de Setembro de 2023 at 16:31
    • Responder

    Talvez um dos grandes erros dos “sábios” dos nossos dias, que não se privam de dar grandes lições a tudo e a todos, a respeito de tudo mais umas botas, seja mesmo esse, terem sempre muitas certezas e poucas dúvidas. De qualquer das formas, um bom exemplo de que a exposição em demasia acaba por ser prejudicial. Muito bem!

      • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 17:42
      • Responder

      Quer discutir o conteúdo do texto, de uma forma séria e honesta, ou prefere continuar a fixar-se em erros ortográficos que, de resto, já assumi?

      Qual é o problema de errar e assumir que se errou? Isso muda em alguma coisa o conteúdo do texto? Ou o conteúdo do texto é precisamente o que pretende evitar?

      Nunca me furtei a discussões saudáveis com quem quer que seja e defendo que todos, sem excepção, devem ter o direito de poder exercer o contraditório, aliás o texto também fala sobre isso…

      Portanto, sinta-se plenamente à vontade para rebater, contrariar ou contestar o que entender do conteúdo do texto, em vez de tentar atirar “barro a uma parede onde ele nunca colará”…

    • Zoroastro on 10 de Setembro de 2023 at 18:32
    • Responder

    Ora, aí está! Exatamente o contrário do que apregoa no texto.
    Mais uma vez, obrigado pelo exemplo!

    • Boys pelo nome on 10 de Setembro de 2023 at 18:51
    • Responder

    Se fossem mais claros, seria bom.
    Falam por código.
    O próprio texto da Paula Dias é misterioso.
    Chame os bois ou boys pelos nomes, mulher!
    De que tem medo?

    • Zoroastro on 10 de Setembro de 2023 at 19:17
    • Responder

    Se alguém quer iniciar uma discussão “séria” não pode começar a sua exposição a afirmar: “Quer discutir o conteúdo do texto, de uma forma séria e honesta, ou prefere continuar a fixar-se em erros ortográficos que, de resto, já assumi?”, pois está a pressupor logo à partida que o seu interlocutor não é sério nem honesto. Além disso, a expressão que usa indicia que continua convicta das suas certezas, pelo que não está disposta a procurar perceber o ponto de vista e os argumentos da outra parte.
    Mais, não há qualquer problema em errarmos, porque o erro é muitas vezes um passo importante em direção à verdade. O problema é quando nada aprendemos com os nossos erros e mantemos uma postura de arrogância intelectual. Quem tanto quer ensinar os outros, também se deve predispor a aprender um bocado com eles.
    Pelo teor dos comentários anteriores aos meus, parece que não sou o único a perceber que a autora está sempre muito convicta das suas certezas e que não se roga a depreciar os outros, que têm sempre muito a aprender se seguirem os seus bons conselhos.

      • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 20:06
      • Responder

      “…pois está a pressupor logo à partida que o seu interlocutor não é sério nem honesto.”

      Lamento, mas essa indicação foi dada por si, quando no primeiro comentário claramente se fixou em pormenores como dois erros ortográficos (devidamente assumidos), em vez de ir ao essencial, ou seja, ao conteúdo do texto, julgando “o todo por uma das partes”…

      “Quem tanto quer ensinar os outros, também se deve predispor a aprender um bocado com eles.”

      Está equivocado, pois nunca tive, nem terei, a pretensão de querer ensinar o que quer que seja a alguém… Não escrevo para agradar ou desagradar, limito-me a expressar opiniões pessoais, tentando fundamentá-las, e respeito todos os que não comungam delas… Também não pretendo convencer ninguém de coisa nenhuma ou, muito menos, dar conselhos acerca do que quer que seja…

      Aliás, conselhos só dou a mim própria e olhe nem sempre os sigo, portanto… 🙂

      Predispus-me a aprender consigo, desafiando-o a apresentar todos os argumentos que considerasse pertinentes, no sentido de refutar o conteúdo do texto que escrevi, demonstrando-me que estava errada, mas até agora não foi capaz de o fazer e a única coisa que conseguiu foi depreciar, sem qualquer justificação fundamentada…

      Portanto, continuamos a concordar em discordar, o que também não é nenhuma tragédia, nem nenhum horror e não será isso que nos “tirará o sono”…

    • Já não estou a perceber nada on 10 de Setembro de 2023 at 19:33
    • Responder

    Eu já não estou a perceber nada desta conversa.
    O Luís Cravo fala de uma “amiga” e de um link profissional. Já me fartei de procurar (e até tirei uma impressão de ecrã destes comentários e tudo) e não vi nenhum link.
    Ou a emenda foi pior que o soneto (acontece, frequentemente, com gente estúpida) ou desconfio que quem enfiou um chapéu de todo o tamanho foi a autora deste postal e os seus apaniguados.
    🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣

      • Ultracongelado on 10 de Setembro de 2023 at 20:31
      • Responder

      Os comentários que foram postado a este artigo já cá não estão todos, talvez pelo espírito de liberdade e de abertura ao diálogo da autora, não sei. Houve,de facto um comentário com alusão, salvo o erro, a um acordo ortográfico, que já foi retirado, juntamente com mais dois ou três posts, nos quais não li qualquer palavrão ou expressões lesivas da honra seja de quem for.

    • PFonseca on 10 de Setembro de 2023 at 20:10
    • Responder

    Acho que faz bem em usar o antigo AO. De vez em quando uma pessoa esgana-se, quero, engana.se e não vejo mal nenhum nisso, Acontece a todos. De facto, (ou será de fato?) estou convicto (convito?) todos de ves (vez?) em quando se enganam, são pequenas gralhas e não é preciso massacrar a autora por causa disso. Importa o conteúdo e não a forma (não confundir com a forma dos bolos).
    Enfim!
    Mas o seu tópico deixou-me com alguma curiosidade.
    Eu concordo com tudo o que disse, aliás gosto muito dos seus textos.
    Sá gostaria de saber se está a falar de algum caso especifico ou é uma opinião mais geral sobre o mau e inconsciente uso das redes sociais?

      • Paula Dias on 10 de Setembro de 2023 at 21:25
      • Responder

      “… gostaria de saber se está a falar de algum caso especifico ou é uma opinião mais geral sobre o mau e inconsciente uso das redes sociais?”

      Estou a falar de alguns casos específicos e concretos integrados em diferentes contextos, mas que acabam por apresentar várias similaridades, e também estou a falar sobre o uso inconsciente das redes sociais…

    • Jf on 10 de Setembro de 2023 at 22:41
    • Responder

    Não poderia estar mais de acordo, quem se expõe ao crivo do público arrisca- se a ter dissabores, porque vivemos num regime democrático e naturalmente que há divergência de opiniões e as nossas podem não ser do agrado de terceiros; estou convicto de que a confrontação de ideias é saudável, mas sempre dentro de um padrão de cordialidade e de elevação, sem um linguajar pouco edificante.Infelizmente há muitos colegas que por dever de ofício deveriam ser cuidadosos no modo como escrevem e falam e sucede o oposto, um vernáculo vergonhoso e depois de publicado não há lugar a arrependimento possível.Portanto ponderação e bom senso

    • Ameixa on 10 de Setembro de 2023 at 22:50
    • Responder

    Tenho-me divertido imenso com as peles de lobo, de urso, de burro e de alforreca.

    • Competências de cidadania digital on 11 de Setembro de 2023 at 0:09
    • Responder

    Tanto comentário, tanto bruá motivado por um texto que diz misteriosamente o óbvio. .Alguém discorda de que é preciso desenvolver competências de cidadania digital para navegar nas redes sociais?
    Pronto. Está dito em poucas palavras.
    Para quem tanto contraditório?!
    E também nunca ninguém se enganou a escrever uma palavra com este AO tão mal feito?
    Quem nunca se enganou que atire a 1a pedra. Pode ser que lhe caia logo em cima.
    Tão exigentes com este texto de uma pessoa que até escreve magnificamente e discorre lindamente! Mas que também tem direito a enganar se e a escolher temas que nem sempre são os mais felizes.

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