A necessidade de encontrar um equilíbrio saudável entre o digital e o analógico
Para a maioria das nossas crianças, a exposição a ecrãs tornou-se um fenómeno omnipresente e, para as de tenra idade, a baby-sitter fácil e barata. Demasiados responsáveis da área da Educação esqueceram que a tecnologia não significa só desenvolvimento e progresso, que uma ligação WiFi nunca será equiparável a uma ligação com um ser humano e que a essência da Educação é humanista, que não tecnológica. Como esqueceram, ainda, que a estimulação em excesso transforma as crianças e os jovens em seres passivos, presas fáceis do imediatismo, porque lhes vai roubando a verdadeira capacidade de sentirem.
Finalmente parece que o país vai discutir o problema e começou a dar atenção à produção científica que há anos alerta para os perigos da onda do digital descontrolada e das tecnologias encantatórias. Muito do que aqui vai ficar dito, como achega para o debate anunciado, já foi abordado por mim, em artigo que escrevi na edição do Público de 28 de Novembro de 2018, sob o título “A eterna culpa dos professores”.
A 21 de Agosto passado, a JAMA Pediatrics, revista de pediatria publicada pela American Medical Association, publicou os resultados de uma investigação que relacionou os atrasos comunicacionais e cognitivos verificados em 7097 crianças, com dois e quatro anos de idade, e o tempo que passaram frente a um ecrã, quando tinham um ano. A investigação concluiu que as capacidades motoras, sociais, de comunicação e de resolução de problemas dessas crianças diminuíram à medida que foi maior o tempo em que estiveram expostas a ecrãs. Este estudo, o último a que tive acesso, é apenas mais um dos muitos da mesma natureza que o antecederam e que já levaram a própria OMS a emitir recomendações sobre a matéria.
Vários investigadores da Rede Europeia de Pesquisa em Leitura (E-READ) vêm alertando, desde 2014, para a circunstância de a nossa compreensão ser maior quando um texto é lido em papel do que quando o mesmo texto é lido num ecrã. E a diferença intensificou-se com o passar dos anos e intensifica-se quando se trata de manuais escolares ou outro tipo de livros didácticos e de textos mais complexos.
A ministra da Educação da Noruega revelou recentemente que nove em cada dez crianças de dez anos têm um smartphone e que mais de 70% dos estudantes do ensino secundário passam três horas diárias em frente de um ecrã.
Também a situação na Suécia foi motivo para muitas análises recentes na imprensa e nas televisões. Em 1990, a Suécia optou pela imersão 100% digital nas suas escolas. Hoje reconhece que a decisão foi errada e o Governo anunciou um grande investimento para voltar aos manuais escolares impressos.
Por outro lado, o debate sobre o efeito da utilização de telemóveis nas escolas cresceu, entre nós e lá fora, reforçado pelo recente relatório anual UNESCO sobre o uso das tecnologias na educação, com um alerta especial para o aumento de casos de bullying.
Em Portugal, uma petição pública com 19000 assinaturas pediu restricções e a utilização está proibida na Escola António Alves Amorim, em Santa Maria da Feira (desde 2017), nas escolas do Concelho de Almeirim e nas escolas básicas do Alto de Algés e de Miraflores. No Agrupamento de Escolas Gil Vicente, em Lisboa, a utilização está também proibida para todos os níveis de ensino, excepto para o secundário, onde é apenas desaconselhada.
No resto da Europa, são vários os países que proibiram a utilização dos telemóveis, a saber, entre outros: Espanha, França, Itália, Países Baixos e Finlândia. Fora da Europa, a mesma decisão foi tomada no Canadá, no Japão, na Coreia do Sul e na Austrália. Sem proibição total, mas com fortes medidas restritivas, temos os Estados Unidos da América e a Inglaterra.
Apesar de tudo isto, quase duplicou, face ao ano transacto, o número de alunos portugueses que vão estudar com manuais digitais no presente ano lectivo, dando cumprimento à quarta fase do projecto-piloto lançado pelo Governo para, definitivamente, descontinuar, de forma gradual, o uso dos manuais impressos em papel. São, no total, 21260 estudantes, distribuídos por 1153 turmas de 160 escolas.
João Costa, tendo afirmado publicamente não ser adepto de proibições, pediu um parecer sobre a matéria ao Conselho de Escolas. Oxalá estejamos a dar um primeiro passo para arrepiar caminho.
Santana Castilho, in Público 27-09-2023




6 comentários
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Petição: O retardador para os acelerados.
https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT117243
O principal aspeto negativo da Avaliação de Desempenho Docente (ADD) é os professores “acelerados” recuperarem tempo de serviço.
Assim, proponho que seja retirado o tempo de serviço presenteado aos professores com menções de Excelente e Muito Bom e que esse tempo seja aplicado a todos. Sugiro que deixe de haver ligação entre a ADD e a progressão na carreira. A progressão na carreira deve estar ligada, exclusivamente, ao tempo de serviço e formação.
A ADD é uma utopia. É uma infantilidade. É uma inutilidade. É dúbia e perversa. É impossível de se realizar, pois o desempenho de um professor não é mensurável. É, quiçá, inconstitucional, pois é oculta (os resultados não são públicos) e tem uma componente externa, logo a ordenação/vagas não devia ser circunscrita a uma escola.
O modelo antigo era muito melhor. Progredia-se com o tempo de serviço e formação. Progrediam os “bons” e os “maus”. Era amigável. Agora, pode progredir o “mau” e o “bom” não. É preciso extingui-la. Expôs as vaidades e nepotismos.
A “luta” pelo fim das vagas de acesso ao 5º e 7º escalões e pelo fim das quotas é fabulosa, pois seriamos todos avaliados com Excelente – o sistema iria funcionar numa tentativa de atribuição dessa classificação – e iriamos todos recuperar 1 ano de serviço em cada ciclo avaliativo.
Outra ideia defendida é que eliminando as vagas, a classificação de mérito seria atribuída a quem merece, não ficando sujeita à necessidade de artificialmente se produzir avaliações de mérito. E quem merece?
Claro que o fim da ligação da ADD à progressão na carreira poderá não ser do interesse de todos, mas se há injustiça para quem perde tempo de serviço no acesso ao 5º e 7º escalões, também há injustiça para quem ganha tempo de serviço com a ADD.
Toda esta “luta” parte de uma premissa errada: ADD é justa/possível. Facilmente se prova que a ADD é um logro e que ninguém consegue apresentar um modelo objetivo/imparcial, pois o nosso trabalho não se mede.
Analisando uma pequena amostra de uma ADD:
– 65% dos professores foram classificados com 10 na avaliação externa; especulo que muitos avaliadores atribuem essa nota por norma e para não serem importunados (sorte/azar);
– não houve nenhum Excelente (o sistema não funcionou na tentativa de atribuição dessa classificação, mas, certamente, funcionará noutras escolas ou funcionará, mas não haverá quotas para todos). Outros mereciam!
– a nota mínima para quota é 9,90* (mas em muitas escolas, nem um 10 chega para quota);
*No caso dos alunos, a classificação é arredondada às unidades (Ex: um 12,4 e 12,5 podem criar diferenças de um valor), mas a nossa avaliação é à centésima! Paradoxal!
– um avaliador interno atribui 8,4 ao item “desempenho de cargos/diretor de turma”. Como fez esta avaliação sem não tem turmas em comum com o avaliado? Perguntou aos EE, aos alunos, à direção?
– o que distingue um 9,5 de um 9,6, ou outra nota qualquer, em qualquer item da avaliação, se a subjetividade é colossal? O nepotismo, as amizades?
Proponho um estudo para saber a percentagem e a frequência com que as menções de mérito são atribuídas aos membros das direções.
Em relação à ADD ser inútil, propus à equipa de distribuição de serviço docente da minha escola que fossem atribuídos aos professores com menção superior a Bom e aos professores avaliadores as turmas e as direções de turma com pior aproveitamento e comportamento. Para que esta sugestão fosse exequível, solicitei, via email, a esses professores que comunicassem a sua avaliação à equipa. Aguardemos!
Alguém propôs que fosse atribuído, anualmente, um valor monetário (pequeno, senão…) aos professores avaliados com menção de mérito. Apesar de considerar a ADD uma fantasia, a proposta é mais “pacificadora”, contrária à atual que premeia esses professores para sempre. São “Muito Bons e Excelentes” uma vez e a vantagem económica dura toda a vida. São subvenções vitalícias para os novos políticos.
Uma história da ADD e do acelerador (salvo erro de interpretação)
Dois professores estavam no 4º escalão em 2018. O avaliado com Excelente ou Muito Bom nesse ciclo passou para o 5º escalão e recuperou um ou meio ano de tempo de serviço. No 5º escalão, poderá ter tido menção de mérito e recuperado mais tempo de serviço, pois nem sempre a doutrina funciona na tentativa de atribuição dessa classificação a que precisa de vaga. Já no 6º escalão, foi novamente avaliado com Muito Bom ou Excelente, certamente por ser um professor que merecia. Irá recuperar um ou meio ano no 7º escalão. Para premiar as Excelências, o acelerador irá laureá-las com um ano de tempo de serviço.
Viva a ADD e o acelerador!
Especulo que no 8º e 9º escalão estes professores obtenham a menção de mérito, pois, como dizia a música: “Eles comem tudo”.
O outro professor não obteve menção de mérito no 4º escalão. Aguardou vaga nas listas perdendo quase um ano do tempo de serviço do último faseamento e quase outro por não estar um ano completo. No ciclo avaliativo do 5º escalão não obteve menção de mérito e no sexto, conjecturo, também não irá ter. Certamente não merece! O acelerador irá isentá-lo de vaga no acesso ao 7ºescalão. Viva!
Como dizia o Outro: “ É fazer as contas”
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