A demissão resolveria o problema?

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6 comentários

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    • Luís Miguel Cravo on 24 de Setembro de 2023 at 13:11
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    Aprecio muito os comentários do meu estimado colega de curso, Ricardo Silva. Ao contrário dos “aparatchiks” dos partidos e outros da mesma estirpe que proferem barbaridades inacreditáveis (porque são completamente ignorantes no que respeita ao que se vive dentro das escolas…. basta lembrar o outro que afirmou que se ganham 40 mil euros brutos!!…), o Ricardo Silva toca em quase todas as feridas e, mais, fá-lo de forma contundente e com muito conhecimento de causa. Esquece – se, quando se refere aos governos PS, do governo de Passos e do que foi Nuno Crato. Não vamos falar da questão remuneratória, porque o Ricardo, tal como eu, é um homem da Memória e dever-se-à lembrar do que aconteceu ao rendimento mensal e anual durante 4 anos. Também lembrar – se – à, concerteza, do tempo que as escolas demoravam a seleccionar os docentes porque estavam a “estudar” o candidato e colocavam a graduação completamente para o lixo, escolhendo candidatos à vontade do freguês. Os professores viam – se impedidos de concorrer a imensas escolas porque, as mesmas, beneficiavam da categoria de escolas teip ou com autonomia (esta foi sempre a melhor porque, a mesma autonomia, nunca existiu e significava, basicamente, “vamos escolher os amigos, os filhos dos amigos, enteados e amancebados”). Recordo ainda ao Ricardo Silva que, no tempo do senhor Crato, a escola privada foi a primeira prioridade do mesmo com o Estado a injectar milhões nos colégios quando, é tão simples como somar 1 + 1, um colégio é uma empresa privada e, sendo eu liberal, relembro uma verdade à La Palisse: as empresas privadas não são sustentadas pelo Estado!
    Só para avivar a Memória do Ricardo Silva. Por outro lado, os pais….. Eu creio na capacidade de visão/mundovisão que o meu colega tem, mas não que é um crente no que respeita aos pais. Se se perguntar aos pais o que querem, no imediato, de uma escola, responderão, esmagadoramente, que querem “boas notas” para os seus primogénitos. Não lhes interessa a qualidade do ensino que é ministrada. Não lhes interessa que os filhos façam testes com cruzes. Não lhes interessa que o professor seja muito capacitado cientificamente e muito exigente com os filhos (implica tirar o MELHOR deles. Ponto!). O que lhes interessa são notas.!E vivem nesta fantasia de que os filhos são bons alunos quando, na verdade, o Ricardo sabe o que faz a maioria dos professores nas escolas…. Eu NUNCA o fiz (e pergunte – se a quem trabalhou comigo porque dei muitas dores de cabeça aos coleguinhas e aos directores…) e sei que o Ricardo também não! Os pais não estão com os professores, Ricardo! Esqueça isso. Sem dúvida que eles existem (os que pugnam pela causa pública e percebem o que se está a passar na escola pública há muito tempo), mas são uma minoria.

    1. Caro Luís Cravo, boa noite.

      Agradeço as suas palavras que são um incentivo e uma força para continuar a intervir no espaço mediático, mas também nas ruas e dentro da escola, como sempre fiz, com este ou com anteriores governos. Se alguma coisa me caracteriza é o facto de pensar, e agir, apenas de acordo com a minha consciência e liberdade de pensamento, pois não sou nem nunca fui filiado em qualquer partido ou sindicato, não tendo assim amarras ou dependências de nenhuma espécie. E tenho provas dadas disso mesmo, desde há muitos anos. É natural que não tenha acompanhado o meu percurso e, por isso, não posso de todo levar-lhe a mal quando procura avivar-me a memória em relação aos tempos de governação do PSD, afirmando mesmo que “Esquece–se, quando se refere aos governos PS, do governo de Passos e do que foi Nuno Crato.” Não meu caro Luís Cravo, não me esqueço, nem hoje, nem no passado, nem no futuro. Apenas terá de perceber que neste ano letivo e no anterior (e nos anteriores 7) quem governou o País e teve nas mãos a pasta da Educação, foi o governo de António Costa com João Costa, como Secretário de Estado ou Ministro da Educação. E o que estava em causa na intervenção de ontem, na SIC N, foi a análise à situação atual, ao arranque do ano letivo com greves marcadas e uma manifestação na véspera. Naturalmente, estava em causa denunciar e esclarecer as razões pelas quais continuamos em luta e desmascarar os malabarismos e o ilusionismo político do governo em funções. Se tiver o cuidado de pesquisar na internet outras intervenções minhas na SIC Notícias e na RTP 1 ao longo dos últimos meses, reparará certamente que por diversas vezes referi que os males da Educação se devem aos sucessivos governos que temos tido e que, infelizmente, temos tido pequenos políticos e não verdadeiros estadistas. Já o digo há muitos anos também, até em televisão. Mas não só!
      Se quiser explorar um pouco o blog da APEDE, irá perceber que fomos sempre bastante críticos quer dos governos do PS quer dos governos do PSD. Deixo-lhe até um link que mostra bem aquilo que fiz no tempo do ministro Crato, enquanto líder da APEDE, e é só um pequeno exemplo:

      https://www.dn.pt/portugal/professores-em-protesto-querem-reunir-se-com-nuno-crato-2027995.html

      Repare que o meu nome está lá no final da notícia e que fui ao encontro dos colegas que ocuparam o Palácio das Laranjeiras para lhes dar um abraço de solidariedade e força!

      Outros exemplos de posições públicas da APEDE relativas a Nuno Crato/Passos Coelho:

      https://apede08.wordpress.com/2011/09/29/o-grau-zero-da-decencia-politica/

      https://apede08.wordpress.com/2011/12/20/retrato-do-ministro-enquanto-jovem-maoista/

      https://apede08.wordpress.com/2013/01/

      https://apede08.wordpress.com/2014/04/

      Não, meu caro Luís Cravo, não me esqueço nunca que foi o PSD que roeu a corda e cedeu à chantagem de António Costa, em 2019, quanto à recuperação do tempo de serviço congelado, não me esqueço que foi Rui Rio que veio dizer publicamente que os professores no topo da carreira ganham mais de 3000 euros, esquecendo-se de informar que esse é o valor ilíquido e que após impostos pouco mais sobra do que 2000 euros limpos, isso ao fim de 40 anos de serviço ou mesmo mais. E também jamais esquecerei que foram os professores os grandes e imediatos sacrificados nos tempos de Passos Coelho e da Troika. Assim como não me esqueço que a imposição dos horários com 1100 minutos letivos têm a assinatura de Nuno Crato, norma que se mantém até hoje, assim como as 40 horas, e também não me esqueço quem foi que mandou os professores emigrar, quem manteve as escolas com amianto nas coberturas dos pavilhões, quem inventou as BCE (com todos os compadrios e favorecimentos inerentes e de que a minha mulher foi vítima), e ainda não me esqueço da PAC (Prova de Avaliação de Conhecimentos), que Crato quis impor, insultando professores e a sua formação inicial (estive mesmo na rua a protestar como pode ver aqui, em solidariedade com os meus colegas, mesmo que essa PAC não me abrangesse:

      https://drive.google.com/file/d/1Rwavjr8jjAD8LhAM1laJ1dXh1Z376x_Y/view?usp=sharing ),

      E não me esqueci de quem resistiu até ao limite, até à imposição de instâncias comunitárias que forçaram a adopção da norma travão (com 5 anos) e o doentio economicismo neoliberal, que manteve cortes salariais indignos, e congelamento de progressões por anos a fio, que votou ao abandono e ao desprezo tantos milhares de colegas contratados que, como a minha mulher, levaram 15, 20 ou mais anos numa vida de saltimbancos a partilhar casas, quartos e casas de banho com colegas, aqui e ali, a fazer horas e horas de transportes para assumir horários incompletos e alguns temporários, longe dos seus, com muitas horas de choro e desespero e tantas noites à porta do Centro de Emprego no dia 1 de setembro, criando precariedade de tal ordem que obrigou muitos, como nós, a adiar o projeto de paternidade pois não havia estabilidade para tal, e outros a assumirem serem pais ou mães de fim de semana ou à quinzena! A tudo isto o PSD foi cego e surdo. Não me esqueço de nada disso, pode ter a certeza absoluta, e até me desperta memórias muito pouco agradáveis e revoltantes. E é por isso que lhe recomendo algum cuidado nas afirmações e generalizações que faz, pois quando falamos das intervenções de alguém, sem conhecer o seu percurso, a sua vida, a sua luta, corremos o risco de estarmos a ser realmente muito pouco rigorosos e até bastante injustos. Não me leve a mal o desabafo e a resposta acesa e de guelra viva, mas é assim que sou e sinto, livre, independente, ser pensante e com capacidade de análise e crítica. Não faço fretes a ninguém! Sei bem quem nos trouxe aqui e se o PS sempre nos desrespeitou e humilhou, o PSD não conseguiu fazer diferente!
      Nunca se esqueça, meu caro Luís Cravo: se escrevo e falo como vê, lê e ouve, é exatamente por tudo o que vivi, por tudo o que dei de mim à luta dos professores, ao longo dos anos, com coerência e integridade!
      Um abraço!
      Ricardo Silva (APEDE – https://apede08.wordpress.com/ )

    • Maria joao on 24 de Setembro de 2023 at 15:10
    • Responder

    Com certeza e não concerteza…

    • Fernando Matos on 24 de Setembro de 2023 at 21:15
    • Responder

    Concordo em absoluto com o Luís Miguel Cravo

  1. E ainda em resposta ao Luís Cravo, sobre os pais, devo dizer que, mais uma vez, prefiro não generalizar. Pode até ser verdade que a maioria dos pais não se preocupe muito com a qualidade da educação que os filhos recebem na escola, desde que estejam na escola e eles possam ir trabalhar. Num ou mais empregos, e não tenham sequer tempo para acompanhar os filhos no seu quotidiano escolar. Outros pais haverá que se preocupam mais e estão atentos ao que se passa. Os pais professores por exemplo. E se não estão, deviam estar! É pena é que muitos prefiram não lutar e ficar, com o seu silêncio e inação, numa posição conivente com a situação de profunda crise que a Escola Pública atravessa! Uma coisa nunca deixarei de fazer: apelar para que se juntem a nós, para que exijam ao governo respeito para com os seus filhos e respetivos professores. Os pais têm imenso poder, têm enorme peso e influência junto do ME, e são um player no sistema educativa e na comunidade que não podemos simplesmente descartar de deixar de querer trazer para o lado certo desta luta! Nunca poderão dizer, pelo menos, que não foram avisados do que ia acontecer! Eu não deixarei de alertar e tentar construir uma ponte de entendimento com os pais! Não os vejo como inimigos, antes pelo contrário!
    E não, não estou a ser ingénuo, estou apenas a conduzir as coisas pelo único caminho possível, em respeito pelos pais e pela nossa luta! Sem os pais do nosso lado, ou pelo menos compreensivos face ao que exigimos, o caminho fica muito mais estreito, longo e difícil.
    Abraço!

    • Agostinho Oliveira on 27 de Novembro de 2023 at 0:43
    • Responder

    http://www.escolapublicablog5.com

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