Sim, Sr. Ministro… é a “essência da escola pública que está a ser posta em causa”!

Sim, Sr. Ministro, é possível que “os que estão a ser mais prejudicados são aqueles que dependem mesmo da escola pública, são os que não têm dinheiro para pagar explicações, são os que não têm outros estímulos”.

Finalmente, estamos de acordo. Agora que já percebeu o essencial, não quer, então, resolver a questão?

De quem é a culpa da guerra que está a acontecer na Ucrânia, Sr. Ministro? Da Rússia que roubou e quer continuar a roubar território ucraniano ou da Ucrânia que tem de se defender desse ataque e desse roubo?

De quem é a culpa da “guerra” que está a acontecer nas escolas, Sr. Ministro? Do governo que roubou e quer continuar a roubar tempo de serviço e salários aos professores ou dos professores que têm de se defender desse ataque e desse roubo?

Espero que a sua honestidade intelectual lhe imponha a mesma lógica de respostas às perguntas dos dois parágrafos anteriores! A culpa é sempre do agressor e não dos agredidos que têm de se defender, Sr. Ministro!

Como é evidente, quando se recorre ao paralelismo com a guerra na Ucrânia, a responsabilidade por tudo o que está a acontecer nas escolas públicas portuguesas, Sr. Ministro, é sua e do governo de que faz parte atualmente. Na verdade, também pode atribuir alguma responsabilidade ao governo anterior… de que o Sr. também fazia parte…

Por que razão está o governo de que o Sr. faz parte a prejudicar os mais desfavorecidos? Por que razão está o governo de que o Sr. faz parte a colocar em causa a essência da escola pública, que tantos anos e tanto esforço levou a construir aos país e aos professores? Por que razão um governo que se diz socialista está a fomentar a agitação e a instabilidade na escola pública, favorecendo descaradamente os colégios privados?

Por que razão não pega o Sr. Ministro no seu peso político e não se impõe em Conselho de Ministros, exigindo ao Sr. Ministro das Finanças as verbas necessárias para pagar o que devem aos professores desde 2018? Por que razão não usa o Sr. os seus argumentos, sobre a “essência da escola pública” e sobre o prejuízo para “os que não têm dinheiro para pagar explicações”, em Conselho de Ministros para exigir que o estado devolva o que roubou aos professores?

O Sr. Ministro não acha que é cobardia ser forte com os fracos e fraco com os fortes?

Terça-feira farei greve e irei à manifestação de professores no Porto, Sr. Ministro!

Pode ter a certeza, Sr. Ministro, que farei todas as greves e irei a todas as manifestações até que um governo sério e a sério nos devolva o que é nosso! Devo esta posição firme e esta coerência à minhas filhas, Sr. Ministro! Não posso permitir que lhes roubem, por decreto, qualidade de vida sem fazer tudo o que está ao meu alcance para denunciar esse roubo e para tentar reaver o que lhes está a ser roubado.

Eu trabalhei e descontei mesmo dez anos entre 2008 e 2018, Sr. Ministro! Estive, nesses dez anos, ao serviço de milhares de alunos, que atualmente já estão a colaborar no “desenvolvimento do país”! Por que razão, agora que o seu líder Costa e os seus colegas das Finanças e da Economia enchem a boca para falar nos “números animadores” da nossa economia, não aproveita o Sr. para exigir em Conselho de Ministros que nos devolvam o que é nosso e que tanta qualidade de vida está a custar à nossas famílias?

Só queremos o que é nosso, Sr. Ministro!

Resolva, Sr. Ministro, ou, então, tenha um ato final de dignidade e demita-se.

Parece-me que, aqui chegados, com a “essência da escola pública em causa”, não tem uma terceira opção.

 

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5 comentários

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    • Esperançada on 3 de Junho de 2023 at 16:00
    • Responder

    Eu ainda acredito que a justiça e o bom senso venha ao de cima e que o ME devolva aos professores o que lhes pertence 6 anos, 6 meses e 23 dias… Não é de gente séria pagar esse tempo nas ilhas e no continente não pagar… tem de haver um ministro capaz de o fazer… já não sei de que partido virá esse ministro mas acredito que no PS existem pessoas competentes para o fazer…

    • sapinhoVerde on 3 de Junho de 2023 at 17:37
    • Responder

    Para além do 6 6 23,
    para além dos retidos no 5 e 7 escalão …
    para além da desvalorização da carreira
    (quando comecei e como contratado ganhava mais do que agora)
    para além de muita burrucracia e papelada.

    Aqueles que não podem pagar explicador
    aqueles que não têm uma refeição diária
    (sim apenas têm alguma “coisa” digna desse nome ao almoço e durante a semana)
    até aqueles que tomam banho apenas na escola e em Educação Física …

    Sim, sei que sou polémico, e até trocaria em parte o 6 6 23
    por melhores escolas, por melhores condições de trabalho …
    mas o dinheiro já se sabe para onde vai ….

    • Micas on 3 de Junho de 2023 at 17:56
    • Responder

    Relativamente à clivagem entre os alunos do ensino público e privado, quem a tem cavado bem fundo tem sido ele, ao infantilizar o currículo e definir “aprendizagens essenciais” que nem o IAVE respeita nas suas provas. Ele é que é o coveiro de um ensino público reduzido a modas e interesses de cliques académicas e “intelectuais” que lhe são muito próximas. Mais populismo e demagogia do que isto? E depois os outros é que são “populistas”?

      • Pois é on 4 de Junho de 2023 at 9:59
      • Responder

      Claro. Ou não fosse ele um dos interessados nisto. Quando sair voltará para a sua faculdadezinha e terá um belo cargo, à custa dos favores aos amigos de lá, mesmo que isso implique rebentar com os currículos e com a Escola.

  1. Parabéns pelo texto Pedro Araújo. Se me é permitido assinaria por baixo. Obrigado.

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