19 de Julho de 2021 archive

Meia jornada – Nota Informativa – Ano Escolar 2021/2022

 

Encontra-se disponível a aplicação para a Meia Jornada no  SIGRHE.

Nota informativa.

 

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A insustentável “lotaria” dos Exames Nacionais…

 

Acredito que a variável que mais influencia e determina os resultados obtidos pelos alunos nos Exames Nacionais, em qualquer Disciplina sujeita aos mesmos, é o grau de dificuldade dos próprios Exames, associado às particularidades anuais dos respectivos critérios de correcção…

 Admito que esta afirmação possa ser qualificada como uma “verdade de La Palisse”, de tão óbvia que é, mas corresponderá a uma realidade que, por vezes, parece ser escamoteada e ignorada…

 Em notícia veiculada pelo Jornal Público em 26 de Dezembro de 2020, afirmava-se, em relação ao modelo de Exames aplicado em 2020 e ao que se preconizava, nessa data, para o ano de 2021, pelo IAVE, o seguinte: “O presidente do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), Luís Pereira dos Santos, reconhece que o modelo usado nos exames nacionais do ensino secundário no último ano lectivo contribuiu para que fossem dadas notas demasiado elevadas”.

Mais se refere na mesma publicação que: “As provas do 9º, 11º e 12º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal”.

 No ano de 2020, como consequência directa do modelo de Exames adoptado nesse ano pelo IAVE, bem como os respectivos critérios de correcção, verificou-se uma subida de praticamente 3 pontos na maioria das Disciplinas sujeitas a Exame Nacional, que muitos consideraram como uma “escandalosa” e artificial melhoria dos resultados obtidos pelos alunos…

 Em 2021, e ao que tudo indica após a realização da 1ª Fase de Exames, os resultados que vierem a ser obtidos pelos alunos serão mais baixos do que os que se verificaram no ano anterior, por força do notório aumento do grau de dificuldade das provas e por força das alterações introduzidas ao nível dos critérios de correcção, que não parecem ser tão benevolentes nem tão “beneméritos” quanto os do ano anterior…

 Se assim for, acentua-se a existência de uma “regulação” assumida e efectiva do grau de dificuldade dos Exames e dos critérios de correcção, regulação essa, realizada anualmente pelo IAVE… Assim sendo, não pode deixar de se considerar que os resultados obtidos pelos alunos dependerão significativamente dessas duas variáveis e que as mesmas estão fora do controle e da responsabilidade dos alunos e das respectivas escolas…

 E essa forma, “forçada”, de “regular” os resultados que vão sendo obtidos nos Exames não pode deixar de ser considerada como potencialmente enganosa e ilusória…

 No limite, a discricionariedade é evidente, na medida em que os resultados obtidos pelos alunos parecem estar sobretudo dependentes da vontade de quem decide o modelo dos Exames a aplicar em cada ano, estatuindo e regulando a dificuldade e os critérios de correcção das provas…

 Da forma anterior, os resultados obtidos pelos alunos nos Exames Nacionais podem ser considerados como relevantes e significativos na avaliação do próprio Sistema de Ensino, nomeadamente no reporte desses dados estatísticos à OCDE?

 Da forma anterior, quando os resultados obtidos pelos alunos nos Exames Nacionais num determinado ano são significativamente superiores aos de outros anos, é lícito considerar que os alunos fizeram mais e melhores aprendizagens nesse ano? Ou se, pelo contrário, obtiveram piores resultados nos Exames Nacionais, é lícito considerar que nesse ano não fizeram tão boas aprendizagens?

 Por muito que custe a alguns, fazer depender a “qualidade” das aprendizagens, mas também a dos professores, das classificações obtidas pelos alunos nos Exames Nacionais parece, no mínimo, discutível e duvidoso, assim como também o será extrair conclusões válidas e justas acerca da evolução longitudinal desses mesmos resultados…

 Pelo seu grau de imprevisibilidade e de aleatoriedade, os Exames Nacionais têm vindo, nos últimos anos, a tornar-se numa espécie de “lotaria” ou “jogo de sorte ou azar”, apesar de, e paradoxalmente, os seus resultados poderem ser determinantes no acesso ao Ensino Superior e de serem utilizados como critério para avaliar o (in)sucesso de cada escola…

A importância atribuída, por muitos, de forma quase dogmática, aos Exames Nacionais, sobretudo justificada pelo seu suposto rigor e imparcialidade, não parece ser compatível com o grau de imprevisibilidade e de aleatoriedade dos mesmos, ainda que as estatísticas decorrentes dos resultados obtidos sejam anualmente apresentadas com grande eco na Comunicação Social, como se se tratasse de algo absolutamente inquestionável e irrefutável…

 Apesar de não me opor à existência de Exames Nacionais, torna-se difícil, no momento actual, acreditar no seu suposto rigor e na imparcialidade dos mesmos, pelos motivos já apontados…

 Por outro lado, a artificialidade e a manipulação dos índices de sucesso escolar, bem patentes nas pressões exercidas dentro de muitas escolas no sentido da inflacção das classificações internas e da inexistência de retenções, parecem indiciar que a confusão entre tais procedimentos e os conceitos de flexibilidade curricular e de inclusão está instalada… A flexibilidade e a inclusão não são isso, nem poderão ser isso…

 Mas a entrada em vigor de todos os Normativos Legais relativos à flexibilidade curricular, às aprendizagens essenciais e à inclusão, sem esquecer o recente Despacho Nº 6605-A/2021 de 6 de Julho, também contribuíram e “abriram portas” a esse equívoco e a essa ambiguidade, uma vez que, de forma explícita ou implícita, o permitem e o fomentam…

 Se os Exames Nacionais, sob a capa do seu pretenso rigor e da sua suposta imparcialidade, servirem apenas como tentativa para “branquear” um Sistema Educativo obscuro e à deriva, ficarão irremediavelmente desvirtuados e vazios de qualquer sentido ou significado…

 A ser assim, restará à Escola a função do entretenimento…

 

(Matilde)

 

 

 

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Manifestação de preferências para contratação inicial e reserva de recrutamento

Encontra-se disponível a aplicação que permite ao docente a manifestação de preferências para contratação inicial e reserva de recrutamento, do dia 19 de julho até às 18:00 horas do dia 23 de julho de 2021 (hora de Portugal continental).

Disponibilizamos os códigos dos AE/ENA, e os códigos das Escolas de Hotelaria e Turismo / Estabelecimentos Militares de Ensino. Pode igualmente consultar os protocolos entre o Ministério da Educação e o Ministério da Economia e da Transição Digital e Ministério da Defesa Nacional.

Consulte a nota informativa e o manual de instruções da aplicação.

SIGRHE

Nota Informativa – Manifestação de preferências para CI/RR

Manual – Manifestação de preferências para CI/RR

Códigos AE/ENA

Códigos das escolas de hotelaria e turismo com horários disponíveis

Códigos dos estabelecimentos militares de ensino com horários disponíveis

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Economia e da Transição Digital

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Defesa Nacional

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E tu, já trabalhaste num Centro de Explicações? – João Costa

 

Um professor, já se sabe, não sabe fazer nada, sabe dar aulas e pouco mais. E assim que puder, assim que tiver uma colocação, vai-se embora, por isso, e portanto, nem pensar em dar trabalho a um professor.
Estas duas premissas resumem a condição do professor desempregado. Porque é verdade, um professor não sabe nada, sabe dar aulas e, no entanto, forma electricistas, engenheiros, investigadores, polícias, médicos mas também pais e mães, agentes políticos e sociais, as manifestações e protestos do amanhã e, em suma, a sociedade do amanhã.
Para além disto, um professor não serve para nada, por isso porquê dar trabalho a um professor?
E depois toda a gente sabe como é uma questão de tempo até sermos colocados, mesmo se esse tempo são 20 ou 30 anos até à eventualidade de um Quadro de Zona, Zona essa com largas centenas de quilómetros mas ao menos o trabalho garantido, e quanto a Quadro de Escola só já muito perto da reforma e isto se calhar, se tivermos sorte, se Deus quiser e mesmo a tempo de morrer.
E entre não servir para nada e estar à espera, e porque ninguém quer morrer à fome mesmo se é uma questão de tempo, é claro que é uma questão de tempo, numa outra vida um rapaz que não eu correu todos os Centros de Explicações dos arredores entre entrevistas e currículos para no fim ficar a trabalhar entre dois Centros.
A recibos verdes, pois claro, se trabalhas, ganhas, mal, se não trabalhas, não ganhas, e a vida é assim, todos temos de começar por baixo e todos começamos por baixo na esperança de um dia subir, o raio do dia é que nunca mais chega nem é suposto chegar. Mas essa parte nós ainda não sabemos. Mas, lá no fundo, já desconfiamos.
Fruto da instabilidade. Da insegurança. Da precariedade. Da desigualdade. Da injustiça de quem vê as pessoas em redor calmamente instaladas quando se conhece A e B e C e como nós não conhecemos ninguém, paciência, e nada de apontar o dedo ou acusar não vá o pouco que temos acabar, um simples passe de mágica e já está, acabou.
E quanto a ensinar Biologia, esquece lá isso, Química, Física, Matemática, Inglês e Português e mal estaríamos se alguém precisasse de explicações de Ciências ou Biologia.
Os livros? Entre os livros de texto e os livros de exercícios de cada escola tive de os comprar eu.
O investimento inicial? Já gastei mais de 150 euros e ainda não comecei sequer a trabalhar. E de caminho a dona de um dos Centros ainda se enganou num manual, na livraria não mo aceitaram de volta e ainda tive de comprar outro.
E porque ninguém trabalha de borla e o prejuízo já é muito, aqui vai a oferta, coincidência ou não mas igual, dos dois Centros: 3 euros à hora independentemente do número de alunos.
E quanto é que cada aluno paga por uma hora? 20 euros. Contas feitas, com 3 alunos recebo a módica quantia de 3 euros e o Centro cerca de 57 euros.
O Centro declara ao fisco 3 euros, pagos ao professor que andou a queimar as pestanas às custas de não perceber patavina de Química ou Física (se os alunos soubessem), e o Centro fica com o resto por debaixo da mesa, literalmente.
Quanto aos alunos, coitados dos alunos, fracos academicamente e tão desmotivados como o professor à sua frente, todos esperançados por melhores dias, uns com boas notas, outros com mais dinheiro no bolso.
E não fosse a exigência constante dos pais por resultados não menos que excelentes e talvez o ridículo não passasse a absurdo.
E quiçá os 20 euros por hora fossem melhor gastos a explicar aos pais a necessidade de uma alternativa para os filhos que não a universidade, a mesma universidade para a qual não querem, por favor, ir.
O espaço físico de cada Centro contribuiu, e de que maneira, para o ridículo da situação: um dos “Centros” era uma arrecadação por debaixo de um vão de escada de um prédio, mas onde o nome da Doutora Directora, pomposamente escrito na porta, metia respeito aos mais destemidos; o outro era uma garagem. Sim, leram bem, uma garagem onde perdi as vezes aos lençóis estendidos à porta, lençóis esses da vizinha do 1° andar e prontamente arrancados à força da fúria e dos impropérios pela dona do Centro.
Diplomacia? Zero.
A diplomacia reservava-se para quando os miúdos chegavam 15 minutos atrasados e o professor com ordem para se esconder em parte incerta. A hora era cobrada à mesma e os alunos teriam de voltar no dia seguinte.
Mas como os contratos eram todos de boca, a coisa, perdão, o esquema não funcionava sempre, acabando irremediavelmente em mais insultos e impropérios seja à porta da garagem, perdão, do Centro, seja à porta dos alunos, eu sei onde é que tu moras e a vizinhança a lamber os beiços com a peixarada à sua frente.
Mesmo assim, valia a pena o esforço, os alunos aprendiam a chegar a horas e o Centro encaixava mais dinheiro em conta.
Quanto ao professor, nem 3 euros para amostra: não trabalhou, não ganhou e aqui é tudo de boca.
Um mundo de faz de conta onde o professor não é professor, é um colega, um colaborador, um empresário por conta própria, um “entrepreneur, diz ele para os amigos à mesa do café enquanto conta os trocos e pede dinheiro emprestado, arranja aí 5 cêntimos para pagar o carioca de limão, obrigado.
Um mundo de faz de conta onde o professor miseravelmente pago é responsável pelos bandos de pardais dos miúdos do 2.° e 3.° ciclos que só pagam 5 euros à hora para descanso dos pais depois das aulas, os mesmos pais à espera que os trabalhos de casa já estejam feitos e claro que não estão feitos se os miúdos querem lá saber do explicador. Não, os miúdos querem é correr e como eu nunca tenho tempo de lhes fazer todos os trabalhos, há sempre um pai, ou uma mãe mas invariavelmente um pai, que se queixa e eu com as orelhas para baixo.
Já quem gere estes Centros de Explicações não tem as orelhas para baixo, a vida corre-lhes bem e já perdi a conta às viagens ao estrangeiro e aos cocktails ao pôr-do-sol partilhados entre o Insta e o Face e o mundo é mesmo dos espertos.
Porque entretanto já passaram 14 anos desde que fugi desta realidade mas as fotografias estão bem presentes e cada vez em maior número.
Para bem da minha sanidade mental, deixei de seguir esta gente.
A economia é paralela. Inevitavelmente paralela. A contabilidade existe apenas para justificar o dinheiro pago aos explicadores. O resto, que não é resto nenhum, fica todo para as senhoras directoras e se passei aqui metade do tempo a falar de dinheiro então é porque estou de volta a casa e em casa nunca temos dinheiro, futuro, por 5 euros acabam amizades de anos, a vida é uma pôrra e não vamos a lado nenhum.
Talvez aquilo que mais me surpreende seja à surpresa das senhoras directoras quando não voltei em Setembro. Surpresa não por não voltar, mas por ter encontrado uma alternativa. Porque os professores, já se sabe, os professores não servem para nada e qualquer um sabe dar aulas.

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Aprendizagens Essenciais têm positiva na avaliação prometida pela tutela

 

Aprendizagens Essenciais têm positiva na avaliação prometida pela tutela

Ministério da Educação revela resultados do inquéritos feito a professores. Entre os docentes consultados pelo PÚBLICO há uma nota que sobressai: as AE carecem de revisão urgente.

Os programas curriculares das disciplinas do ensino básico e secundário foram revogados este mês, mas no terreno “a grande maioria dos professores indica que as Aprendizagens Essenciais (AE) têm sido, desde 2018 [data da sua homologação], o documento de orientação curricular privilegiado nas suas decisões relativas à planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem”, revelou o Ministério da Educação em respostas ao PÚBLICO.

Este é um dos resultados preliminares do inquérito promovido entre Março e Abril no âmbito da avaliação à aplicação das AE. Responderam cerca de dez mil professores. A avaliação da implementação das AE foi entregue pelo ministério ao Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, também responsável pelo inquérito já aplicado.

Para o Ministério da Educação (ME), a definição destas AE, que esteve sobretudo a cargo das associações de professores, tornou-se necessária para resolver o problema da “extensão” dos programas que estavam em vigor e permitir que seja fixado um “conjunto essencial de conteúdos” que todos os alunos devem saber, em cada disciplina, no final de cada ano de escolaridade.

A avaliar pelos resultados do inquérito realizado este ano, a aplicação das novas aprendizagens tem sido um percurso fácil: “Cerca de dois terços dos professores não manifestaram quaisquer dificuldades na leitura e compreensão dos documentos das AE.” Mais de metade dos docentes afirma também que estas aprendizagens são de “grande importância na melhoria das aprendizagens de todos os alunos e na implementação de metodologias ativas”.

Considero haver um balanço bastante positivo, sobretudo nestes dois anos de ensino mais complexo devido à pandemia
Rosário Andorinha, professora de Português do ensino secundário
Já entre os docentes consultados pelo PÚBLICO sobressai este diagnóstico: apesar de recentes, também as AE carecem de revisão urgente.

A introdução das chamadas Aprendizagens Essenciais foi recebida com um coro de críticas por parte de especialistas e docentes, que alertaram que as opções feitas para reduzir os programas em vigor constituem, na prática, uma ameaça à formação dos alunos. A mesma crítica foi feita agora a propósito do despacho do passado dia 6 que revogou todos os programas e metas em vigor, formalizando as AE como o principal documento orientador em conjunto com o Perfil do Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, que descreve as competências que os jovens devem ter nessa altura, e a Estratégia para a Cidadania.

Português: podiam ser mais curtas

Para a ex-presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, só será possível aferir se as Aprendizagens Essenciais estão a tornar as aulas mais fáceis a partir do próximo ano lectivo. A APP participou na elaboração das AE.

Este mês foram revogados os programas e metas curriculares aprovados por Nuno Crato para a disciplina, decisão com a qual “a APP se congratula”: “A redução de documentos de referência curricular e a harmonização do conteúdo dos que ficam em vigor, sem eventuais contradições entre documentos, pode facilitar o trabalho dos professores e a sua prática lectiva na procura de contextos de ensino e aprendizagem mais inclusivos.”

A recente revogação do programa e metas curriculares, deixa-nos aos professores um pouco ‘na terra de ninguém’
Teresa Moreira, professora de Matemática do ensino secundário
Para a professora de Português e actual directora da Escola Secundária Pedro Nunes, Rosário Andorinha, não existem dúvidas: “Considero haver um balanço bastante positivo na aplicação das AE, sobretudo nestes dois anos de sistema de ensino mais complexo devido à pandemia.” Frisa também que as AE “constituem um núcleo de aprendizagens que permitem igualmente criar novos instrumentos de avaliação e uma monitorização científica, pedagógica e atitudinal do percurso escolar dos alunos”.

A professora de Português na Escola Secundária de Barcelos, Fátima Gomes, admite que com base nas Aprendizagens Essenciais as aulas têm sido “um pouco mais fáceis, pois encurtaram o quer estava elencado no programa da disciplina, que era muito extenso”. Mas alerta que a carga curricular, nomeadamente no ensino secundário, onde os alunos estão sujeitos a exame, “ainda condiciona muito os professores”.

A títulos de exemplos, refere: “Seria preferível ter menos autores e termos mais tempo para abordarmos competências de escrita, por exemplo. Também deveríamos ter mais tempo para explorar a criatividade, para abordar os autores de outras maneiras, tornando-os mais convidativos (e fazendo-lhes justiça).”

Dito isto, Fátima Gomes adianta que “o programa de Português [entretanto revogado], onde as AE enraízam, deveria ser reformulado e pensado do 1.º ao 12.º ano, dando tempo a que os alunos consolidem, realmente, competências ‘essenciais’”.

Matemática: na “terra de ninguém”

“Neste momento, como professora de Matemática A, considero fundamental e urgente a existência de um novo e ‘verdadeiro’ documento curricular que substitua as Aprendizagens Essenciais em vigor”, defende a docente da Escola Secundária Camões Teresa Moreira, que nos últimos anos tem comentado os exames da disciplina em nome da Associação de Professores de Matemática (APM).

A APM participou na elaboração das AE homologadas no Verão de 2018. Porquê agora a necessidade de as rever? “A recente revogação do programa e metas curriculares [aprovados por Nuno Crato], mantendo como documentos curriculares únicos o Perfil dos Alunos e as Aprendizagens Essenciais, deixa-nos aos professores um pouco ‘na terra de ninguém’”, explicita, lembrando que na introdução das AE de Matemática A para o 10.º ano se pode ler o seguinte: “…baseiam-se no programa e metas da disciplina para este ano de escolaridade homologados em 2014. Os detalhes das AE devem ser complementados com esses documentos.”

Teresa Moreira testemunha, contudo, que quando as AE foram homologadas “a primeira sensação foi de ‘alívio’, uma vez que estava a ser muito difícil o cumprimento e a implementação do programa e metas de Matemática A”. “Só para o 10.º ano este documento estabelecia o cumprimento de 207 metas”, precisa.

Também o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, João Araújo, considera que será “impraticável aplicar as AE como documento único”. “Isso nem estava formalmente previsto”, frisa. Por isso, qualquer balanço da sua implementação não é possível, “pois não há experiência de aplicação das AE como documento stand alone”. A SPM sempre se opôs a estas AE e várias vezes denunciou ter sido excluída do processo de elaboração das mesmas.

“Não havendo, nas AE, uma organização clara, sequencial da aprendizagem, esses documentos foram inúteis. Serviram apenas para perceber que o programa ficava mais curto na prática”, declara João Araújo.

As AE determinam listas de conceitos essenciais sem conteúdos que os suportem
Elisabeth Jesus, professora de História do 2.º ciclo
A presidente da APM, Lurdes Figueiral, assume igualmente que “não tem elementos” para fazer uma avaliação das AE, mas lembra que “uma das preocupações na elaboração das Aprendizagens Essenciais foi exactamente que elas fossem exequíveis, sobretudo por estarem focadas no essencial e adaptadas às faixas etárias dos alunos e aos respectivos níveis de escolaridade”. Sublinha, contudo, que apesar de a APM sempre ter defendido a revogação dos programas e metas de Nuno Crato, teria preferido que estes fossem substituídos por um novo programa, que se constituísse como “um referencial curricular único e organizado por ciclos, permitindo melhor articulação vertical, maior flexibilização curricular e práticas efectivas de diferenciação pedagógica”.

Biologia e Geologia: à espera da prática

Ao “emagrecer” o programa que estava em vigor, as Aprendizagens Essenciais de Biologia e Geologia visam também o reforço do ensino experimental, resume o presidente da associação de professores da disciplina, Adão Mendes. Ora, com a situação de pandemia vivida nestes dois anos, que pôs os alunos em ensino à distância por longos períodos, este objectivo “ficou muito comprometido, pelo que não é possível fazer ainda uma avaliação”.

Mas Adão Mendes está confiante: “Os professores queixavam-se de que não tinham tempo para desenvolver o ensino experimental. Com as AE, a situação fica resolvida. Agora esta situação está resolvida, assim a realidade o permita.”

O presidente da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia (APPBG) também aplaude a decisão recente do Ministério da Educação de revogar todos os programas e metas em vigor, deixando como documentos curriculares as AE, o Perfil do Aluno e a Estratégia para a Cidadania. “É muito positivo que se tenha procedido a uma definição clara dos documentos orientadores, porque na verdade estava criada uma imensa confusão. Receamos até que nalgumas escolas não tenham sido aplicadas as AE.” Agora deixou de existir margem para dúvidas: “São as Aprendizagens Essenciais que norteiam o ensino.”

Física e Química: mudar professores

“As minhas interacções com outros professores de Física e de Química têm mostrado que não é possível planificar, realizar e avaliar o ensino e as aprendizagens apenas com base nas Aprendizagens Essenciais por serem demasiado genéricas”, refere Carlos Portela, docente da disciplina que integrou a equipa de autores do programa e metas curriculares aprovados em 2014 e participou também na elaboração das AE.

Devido precisamente a este carácter generalista das AE, Carlos Portela entende que a revogação do programa e metas “é um erro grave que introduz mais entropia no sistema, o que irá prejudicar a qualidade do ensino e das aprendizagens dos alunos”. O que não significa que não dê valor às Aprendizagens Essenciais, bem pelo contrário. “Pretendem facilitar o desenvolvimento de aprendizagens significativas, em que se desenvolvam competências que requeiram mais tempo (realização de trabalhos que envolvem pesquisa, análise, raciocínios demonstrativos, avaliação, argumentação, etc.) e permitir uma efectiva diferenciação pedagógica na sala de aula”, especifica este docente que já representou também a Sociedade Portuguesa de Física junto do Instituto de Avaliação Educativa (Iave, responsável pela elaboração e classificação dos exames nacionais).

E se essas finalidades não têm sido atingidas é porque “o tempo para as desenvolver tem-se revelado manifestamente insuficiente”. E quais as razões para tal? “A meu ver, tal não se deve à extensão (excesso de “conteúdos”) das AE, mas, fundamentalmente, ao facto de não terem sido criadas condições para a mudança de práticas dos professores”, conclui Carlos Portela.

Filosofia: “Mais fácil cativar os alunos”

Filosofia foi das poucas disciplinas que passaram ao lado das metas curriculares de Nuno Crato. Por isso, o programa que continuou em vigor até este mês ainda era o que foi aprovado em 2001. “Era tão vago que, se uma pessoa passasse de uma sala de aula para outra, parecia que tinha mudado de planeta, tal era a diferença entre o que cada professor escolhia entre os muitos tópicos opcionais que preenchiam o programa”, descreve o docente de Filosofia do secundário, Aires de Almeida.

Por essa razão, as Aprendizagens Essenciais, homologadas em 2018/2019, foram “no sentido desejado: são menos extensas, mais precisas e claras do que o anterior programa” e tornaram “mais fácil cativar os alunos”.

O também membro da Sociedade Portuguesa de Filosofia considera, apesar de tudo, que as AE poderiam ainda ser “mais curtas e concisas”, mas duvida que possam por agora ser revistas, já que só no 10.º ano há uma dezena de manuais que foram aprovados em 2021 para um prazo de vigência de seis anos.

Por agora, a Associação de Professores de Filosofia (APF) aguarda que “sejam publicados os resultados da avaliação externa da implementação das Aprendizagens Essenciais”, a cargo do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. “Todas as AE assentam no pressuposto de que as competências específicas das disciplinas e áreas disciplinares (que incorporam conhecimentos, uma vez que não há competências sem conhecimentos) se devem cruzar com as estabelecidas no Perfil do Aluno. Este cruzamento exige, da parte do professor, flexibilidade na planificação”.

Por essa razão, prossegue, “o factor tempo não está tão associado ao volume de conhecimentos, mas ao tipo de metodologias e estratégias usadas em aula”. Sendo que, acrescenta Aires de Almeida, “muitos professores continuam a resistir às mudanças introduzidas pelas AE”.

História: cronologia precisa-se

A Associação de Professores de História (APH) foi parte inteira da equipa que elaborou as Aprendizagens Essenciais para a disciplina. O que não obsta a que o seu presidente, Miguel Barros, defenda que estes documentos carecem de revisão, passados que são mais de dois anos do início da sua aplicação, nomeadamente ao nível das Acções Estratégicas de Ensino orientadas para o Perfil do Aluno”, que consubstanciam os exemplos a seguir em sala de aula para cada tópico do currículo.

Apesar do “amargo de boca”, derivado também em parte do impacto das AE na redução da carga horária da disciplina, o presidente da APH defende que, com as novas aprendizagens, se verificou “uma racionalização do ensino-aprendizagem, tendo ocorrido uma redução dos conteúdos a leccionar e uma organização dos mesmos numa lógica de desenvolvimento de competências do saber histórico”.

Opinião contrária tem a professora do 2.º ciclo, e autora de manuais escolares, Elisabete Jesus: “É uma ilusão pensar-se que as AE têm facilitado a vida aos professores, pois uma análise crítica dos documentos permite perceber que estão estruturalmente mal concebidas, apresentando um conjunto de objectivos de aprendizagem soltos.” E tal constitui um problema porque “a linha cronológica dos acontecimentos é estrutural para os alunos compreenderem os contextos, os porquês das mudanças e das permanências e como fomos evoluindo até aos nossos dias”.

Esta opção curricular determina, segundo esta docente, que “para concretizar determinadas AE, seja no ensino básico, seja no secundário, se tenha de trabalhar conteúdos que estavam nos documentos curriculares agora revogados”. Até porque, acrescenta, “as AE determinam listas de conceitos essenciais sem conteúdos que os suportem. Logo, tenho de os acrescentar”. Um exemplo concreto, entre outros, avançado por Elisabete Jesus: “No 5.º ano, os alunos devem saber aplicar o conceito de cristianismo, mas eliminaram o objectivo de aprendizagem que o sustentava: Conhecer a origem e expansão do Cristianismo no Império Romano, destacando a cristianização da Península Ibérica. Na prática, eu posso dar aos alunos a definição do conceito. Gastei cinco minutos e cumpri as AE.”

“Não acredito na eficácia disto, em termos de compreensão e de motivação para a aprendizagem, e, por isso, não o faço e, felizmente, a esmagadora maioria dos colegas também não.”

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O Brasil e o PGL Major Stockholm 2021

 

CS:GO é uma febre mundial. Há muito tempo deixou de ser apenas um videojogo e passou a ser considerado uma das modalidades mais importantes dos esports. Para provar o tamanho do CS:GO hoje, basta olhar para a quantidade de campeonatos de classe mundial que temos por ano. Estamos a falar de várias competições que reúnem vários jogadores de diferentes países. Neste artigo você vai verificar:

  • Qual o principal evento de CS:GO atualmente 
  • Como estão as competições de CS:GO em tempos de pandemia 
  • Qual a situação dos competidores brasileiros nos principais torneios de CS:GO 
  • O que os especialistas tem para dizer sobre a atuação dos brasileiros e as competições de 2021 de uma forma geral 
  • Como as casas de apostas lidam com CS:GO 
  • E muito mais
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 O Counter-Strike: Global Offensive Major Championships

Também conhecido apenas como Majors, é atualmente visto como a principal competição de CS:GO no mundo. Para chegar a esta conclusão, estamos a ter em conta a quantidade de equipas participantes e o dinheiro que a liga movimenta. A próxima edição,  PGL Major Stockholm 2021, tem uma bolsa de $2.000.000 para a equipa vencedora e terá 24 equipas.

O cenário competitivo atual de CS:GO no mundo

Quando falamos das principais competições de CS:GO no mundo, estamos a falar de competições que envolvem pessoas de diferentes continentes, e não apenas de países. Os brasileiros defrontam dinamarqueses, os sul-africanos defrontam americanos e assim por diante. Este é um pesadelo para qualquer promotor de eventos que está a considerar organizar uma competição em tempos de pandemia. A crise sanitária que ainda enfrentamos alterou o calendário de vários concursos. Muitos foram adiados ou mesmo cancelados.  Ainda hoje, quando já temos vários países com a maioria da população adulta vacinada, muitos acontecimentos estão relutantes em confirmar datas.

É fácil entender o porquê. Alguns países são bastante rigorosos com as restrições fronteiriças. O Canadá é um bom exemplo disso. Ao mesmo tempo, não faria sentido organizar eventos sem a participação de equipas de determinados países. O Brasil ainda não vacina grande parte da sua população adulta e aqui temos várias equipas importantes. No entanto, já é claro que algumas competições não serão adiadas devido a casos extremos como o Brasil. É provável que grandes eventos, como o Major Stockhom 2021 da PGL, ocorram este ano.

Os Brasileiros e as competições internacionais de CS:GO 

 

O ano de 2021 não está sendo dos melhores para as equipes brasileiras de CS:GO, para começar, recentemente a equipe Furia foi derrotada em uma das etapas da IEM Cologne 2021, o que deixou a competição sem representantes brasileiros. A MIBR, uma das principais equipes brasileiras de CS:GO e a equipe de e-sports mais citadas do Brasil no ano de 2020, também não conseguiu ir longe na IEM. Esta última foi eliminada mais cedo do que a Furia. 

 

Alguns membros dessas equipes se pronunciaram publicamente a respeito desses péssimos resultados. Existe um consenso de que nenhum jogador está satisfeito com os resultados, ao mesmo tempo que algumas figuras importantes, como o treinador da equipe Furia, deixaram a entender que não estão prontos para competições de nível internacional. A conclusão é de que, para o ano de 2021, ninguém enxerga as equipes brasileiras em qualquer lugar próximo das finais das principais competições de CS:GO. 

A opinião dos especialistas 

 

Não há dúvidas que os atletas brasileiros estão sofrendo de uma forma geral. A pandemia de COVID-19 atingiu o Brasil em cheio. É claro, isto certamente vai atrapalhar o desempenho de alguns atletas. Mesmo os que não moram no Brasil, na maioria, tem alguns parentes ou pelo menos conhecidos no país e há sempre uma preocupação. Alguns comentaristas esportivos, profissionais do mesmo nível de Luiza Correia, você pode ler mais sobre ela aqui, falam que a pandemia vai atrapalhar os atletas brasileiros de uma forma geral, não só no CS:GO. Inclusive, há quem fale que o Brasil pode ter um dos piores desempenhos nas Olímpiadas nesta edição de 2021. 

 

Até então, nenhuma equipe brasileira de CS:GO mencionou a pandemia como o principal causador dos resultados ruins. A Furia, por exemplo, assumiu a responsabilidade pelos resultados sem se colocar no papel de vítima. 

O que as casas de apostas têm para dizer 

 

Os apostadores adoram CS:GO. Há muita gente procurando por CS GO no Mightytips. E não é para menos. Hás possibilidades de apostas com este e-sports são enormes. Você pode apostar no vencedor de uma partida, no placar, no vencedor de um campeonato e assim por diante. Considerando que o Brasil recentemente legalizou as apostas esportivas, este mercado cresceu significativamente nos últimos anos.  

 

No que diz respeito ao Counter-Strike: Global Offensive Major Championships, os Astralis, atuais campeões e maiores vencedores da competição, são disparados os favoritos. Como você pode imaginar a esta altura, as equipes brasileiras não são mencionadas entre os favoritos. 

Considerações finais 

 

O Counter-Strike: Global Offensive Major Championships é como se fosse a Copa do Mundo de CS:GO. Há muitas outras competições importantes de nível internacional, mas, até então, nenhuma é tão grande em termos de equipes envolvidas e premiações. Para a edição de 2021, parece que o Brasil não tem um representante forte, o que é uma pena considerando que temos uma tradição no campeonato já que duas equipes brasileiras já levaram a competição antes: A SK Gaming na edição de julho de 2016 e a Luminosity Gaming na edição de março/abril de 2016. 

 

 

 

 

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