ESCOLAS PÚBLICAS E PRIVADAS NÃO SÃO COMPARÁVEIS
«Não se pode comparar uma coisa com a outra», afirmou o Primeiro-Ministro, António Costa, referindo-se às escolas públicas e privadas, relativamente às classificações dos estabelecimentos de ensino hoje divulgadas.
O Primeiro-Ministro acrescentou: «Se fizer um inquérito de rua, tem mais pessoas saudáveis do que dentro de um hospital, pela simples razão de que, dentro do hospital há mais pessoas doentes», ou seja, «o que o que é comparável nas classificações são os níveis de qualificação de cada um dos alunos».
Estas declarações foram feitas aos jornalistas em Mafra, após uma visita às obras de ampliação da escola EB 2,3 da Venda do Pinheiro. Acompanharam o Primeiro-Ministro os Ministros do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, e da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.
Igualdade de oportunidades
«Sabermos em que escolas se concentram os melhores alunos não é o essencial», disse ainda António Costa, sublinhando: «Essencial é saber quais são escolas que permitem a qualquer criança progredir mais relativamente à bagagem que traziam de casa» e «a missão da escola pública é vencer a desigualdade».
O Primeiro-Ministro realçou também: «Qualquer criança que nasça em Portugal, seja em que família for, seja em que condições socioeconómicas forem, seja em que ponto do país for, tem de dispor das mesmas igualdades de oportunidades».
O Ministro da Educação afirmou não ser «fã deste tipo de classificações, porque comparam escolas em meios socioeconómicos muito favorecidos com escolas em meios socioeconómicos não tão favorecidos».
«Isto acaba por transformar estas seriações cruas num instrumento que não tem a riqueza de outras classificações, que têm outros indicadores e que valorizam os projetos pedagógicos das escolas», concluiu.
Trabalho de excelência da escola pública
O Primeiro-Ministro elogiou o trabalho de excelência da escola pública, afirmando que este só é comparável ao do Serviço Nacional de Saúde (SNS): «Temos de perceber que a escola pública e que quem trabalha na escola pública realiza um trabalho de excelência, só comparável àquele que o SNS realizou ao longo destes 42 anos nos ganhos extraordinários de saúde que o País teve e que está agora a ter também, felizmente, na área da educação». Estas declarações foram feitas na inauguração do centro escolar de Porto de Mós, em Leiria.
«Os números divulgados esta semana pelo Ministério da Educação, sobre o sucesso do percurso educativo, mostram que as escolas, e em particular as escolas públicas, têm resultados de excelência naquilo que é a evolução de cada criança entre o momento em que chega à escola e o momento em que sai da escola», acrescentou António Costa.
O Primeiro-Ministro lembrou ainda que «se trabalha melhor quando há ferramentas melhores, mas o essencial da escola nunca é o edifício ou o cimento ou o vidro que é colocado nas obras de um estabelecimento de ensino. O essencial é a qualidade dos recursos humanos, que diariamente trabalham para que as crianças tenham melhores condições para poderem realizar todo o seu potencial».




3 comentários
Concordo com o Sr Primeiro Ministro. Há, no entanto, muito que fazer, principalmente no 1.º ciclo, na escola pública. Leis mais rigorosas e eficazes para corrigir comportamentos desviantes nas crianças, produto da falta de educação, mimo excessivo e permissão por parte dos pais, pois não sabem utilizar a palavra não. Em muitas escolas é difícil conseguir um trabalho de excelência. As crianças nascem sem livro de instruções e para muitos pais é fácil de resolver. Se a professora não consegue ensinar devidamente, a escola pública coloca outra ou basta aguardar que a docente se passe dos carretos e lhe espete com uns estalos. Depois é só chamar a televisão, envergonhar a docente e tudo continua como dantes. Venha outra!
Concordo com a observação mas acrescento que esta falta de regras não se resolve nos ciclos seguintes e é um entrave grave à aprendizagem destes alunos e dos colegas (daí que o ambiente seja melhor em muitas privadas com os alunos selecionados). O principal problema da escola publica não é a falta de apoio dos pais menos escolarizados em alguns casos ou de dinheiro para apoios extra mas sim a indisciplina. O estatuto do aluno não a resolve de forma nenhuma e as tutorias foi dinheiro mal aplicado. E isto pode piorar com o fim dos chumbos, levando a uma grande debandada dos alunos das escolas públicas. É necessário um estatuto do aluno menos complacente com estes alunos indisciplinados e com os seus pais. A CPCJ deveria entrar em ação mas com mão pesada nos casos dos alunos com muitas medidas corretivas e sancionatórias e não o faz.
O que está errado é caracterizar o perfil cognitivo de um individuo APENAS com base num instrumento de avaliação escrita. Este instrumento mostra uma determinada competência mas não mostra a globalidade do individuo. Serão necessários vários instrumentos de avaliação diferentes, que avaliem competências e capacidades diferentes, em vários contextos, para então se obter o saldo global do que é o individuo.
Quem tem discernimento percebe que estes ranking estão a ser usados como
instrumentos quantitativos para encapotadamente publicitar o sistema de ensino
privado, que todos deviam saber quem são os proprietários, para compreender a visibilidade que lhes dão. €600 por mês para frequentar o colégio com melhor média nos exames (SÓ se mediu a média…). As imagens televisivas mostram uma sala de aula com 14 alunos, com o seu uniforme e do ensino secundário; todos atentos e intervenientes. Quem tem experiência do ensino público, a diferença seria vintee tal alunos, com vários em conversa uns com os outros, algum ruído de fundo, o professor a solicitar atenção e silêncio para participarem na aula. E no ensino básico seria bem pior, com muitas interrupções para advertir sobre a indisciplina que impede a lecionação…
Porque é diferente? A resposta é dada com outra pergunta: quais serão os pais que pagam €600/mês para que o seu filho não se empenhe a sério nos estudos? Se o filho for indisciplinado, não colaborar no processo de ensino-aprendizagem, é mantido no colégio? E o colégio aceitaria um aluno destes na sala de aula?
No ensino público a escola não tem direito de opção…
E se bem conheço os meandros do poder politico educativo e dos lobbies à volta dele, quando usarem estes ranking como instrumento de ADD, então é que muitos vão estrebuchar e espumar pela boca. Aliás, eles já são usados para captação de alunos (ou clientes?) para constituir turmas de modo a evitar os horários-zero, o que tem promovido a competição estúpida entre escolas públicas, a descambar várias vezes para a difamação e publicidade negativa dos concorrentes.
No final, tudo isto em vez de promover a melhoria profissional e social, está a promover a mesquinhez, ‘os meios justificam os fins’, ‘o salve-se quem puder’, o darwinismo social…