O senhor Zé da peixaria resumiu logo a coisa, mal alguém falou no resultado das eleições, com o seu acostumado vocabulário refinado.
– Este país é feito de atrasados mentais, valha-me céus. Então levam porrada quatro anos seguidos e ainda querem mais, os f…da…p? Ignoram bancos, submarinos, malta a emigrar, tudo privatizado, ficou tudo p’a trás das costas?
A florista do lado retorque, indignada:
– O povo decidiu, está decidido! Ao menos eu nem fui votar que já sei que são sempre os mesmos, vir’ó disco e toc’ó mesmo!
Agarro as compras e saio da praça inquirindo se o povo se ouve a si próprio. A descrença profunda enraíza-se no corpo das pessoas infelizes.
Mas é muito mais do que isso.
É um síndrome, este de viver dentro de um país tão pequeno quanto fechado.
Síndrome de Portugal.
Ocorre sempre que alguém, submetido a prolongadas sevícias, acaba por desenvolver simpatia para com o seu agressor. É uma particularidade ibérica muito específica deste cantinho geográfico. E explica como se cria um país por cumprir.
Só isto me faz sentido neste momento. Isto e as palavras do talhante para um colega lá do fundo que sorri, maliciosamente, enquanto corta a carne de coelho com desmedida força.
– Pá, os cabrões são mesmo bons…




18 comentários
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Toca a preparar os portefólios para a avaliação, professores!
Raisparta o diabo do inferno excumungado maldito! a água benta para espantar o demónio ?? depressa s. f. f. raisparta!
Menina falta-lhe conhecer a História de Portugal para compreender quem ao longo dessa mesma História deixou o país nas mãos dos credores. Os mais velhos já passaram pela fome, já passaram pela ditadura, já passaram pelas revoluções e instabilidades do pós-25 de Abril, já assistiram a quem soube equilibrar o país, a quem distribuiu por quem nunca contribuiu, a quem gastou mais do que aquilo que tinha, a quem roubou os contribuintes, a quem veio para equilibrar e, voltaram a assistir ou a passar fome. Agora prepararam-se para assistir ao regresso, de quem queria voltar a esbanjar com quem nunca contribuiu para nada, fazendo com que aqueles que durante 4 anos, uma vez mais foram chamados a pagar tudo (sem nunca terem tido direito a usufruírem de nada). Aqueles que não conhecem o seu próprio país, nunca saíram deste também e que se habituaram a viver de forma poupada. Vivem à pobre, passam férias à pobre, para terem um pequeno pé de meia para uma dor de barriga, porque assim se habituaram desde de pequenos. Pequeno pé de meia que ou é para uma aflição de saúde, para ajudar um familiar em apuros, porque não tem o que comer ou como pagar o seu tratamento médico ou, se o tem guardado no banco é para o Estado lho vir buscar quando o país volta e meia, após uma péssima má governação dos mesmos, lhe vem pedir que contribua com o que tem. Pois bem, o povo do Norte está farto de contribuir para os do Sul, que passam férias no Algarve, que não sabem amealhar e que ainda se julgam ser seres superiores. Fartos dos ladrões que nos governam. Por isso, o povo apenas mostrou que não gostou nada destes 4 anos, mas sabe bem que a culpa de estar a ser asfixiado durante esses mesmos 4 anos, se deve aos mesmos ladrões de sempre, do pós-25 de Abril, que por 3 vezes levaram este país a uma situação deplorável.
Ai senhor que até cheira e enxofre….
E que fique claro que pouco mais gostamos destes… A diferença é que estes, nestas 3 vezes, tentaram endireitar o que os outros gastaram indevidamente, tentando que o nome de Portugal ficasse menos mal visto em termos internacionais. E não, não cheira a enxofre. Cheira mal, sim, mas é porque já vimos isto acontecer outras vezes e, enquanto crianças, vimos os nossos pais lutarem por uma vida melhor; passamos fome; lutamos por um ideal; vimos que havia uma pequena franja política que realmente seguia os ideais, mas a grande maioria estava era interessada no seu bem estar e no dos seus amigos… Depois assistimos à distribuição por quem nunca tinha contribuído nada para a segurança social, quer tivesse bens quer não os tivesse, porque não se efetuou uma verdadeira aferição das necessidades de cada um. E quem desconta (um nº bem menor do que quem recebe), quando chegar a sua vez não terá direito a reforma, apesar de ter contribuído uma vida inteira para aqueles que nunca contribuíram ou que contribuíram muito pouco. A acrescentar a tudo isto assistiu-se a um paradigma de saúde para todos, em que, independentemente, de uma pessoa ter direito a isenção de taxas moderadoras e de medicação qualquer pessoa que tivesse determinadas doenças passou a estar isento, mesmo que tivesse forma de pagar as referidas taxas moderadoras e a referida medicação… E durante anos, assim, foi o comum Português, que não podia fugir aos impostos, que pagou e ainda paga estes abusos. Depois isentou-se a IVG (concordo com a despenalização em termos legais, mas não concordo que todos paguemos, para todos, há muita gente que pode pagar), todo o procedimento – internamento; medicação associada; taxas moderadoras; bloco operatório se necessário… Direito a um mês de retribuição paga, sem trabalhar. Em contrapartida o comum trabalhador fica doente e se tiver que se dirigir ao hospital paga a taxa moderadora; as análises e os exames complementares que lhe forem feitos. Se tiver a infelicidade de ser internado terá que pagar pelo menos os 10 dias de internamento. Como faltará ao trabalho, nos primeiros 3 dias não lhe pagam nada da baixa, nos restantes vê o seu vencimento reduzido a 55%. Uma senhora grávida, não se encontrando isenta e tendo-se que deslocar, ao mesmo hospital, pagará a taxa moderadora e se tiver a infelicidade de perder o bebé e ter que ficar internada, o internamento também ficará a seu cargo. Por isso, se cheira a enxofre é por tudo isto e por muito mais, Martas deste país…
Para já não falar dos rendimentos mínimos garantidos para malandros… que nem as matas deste país limpam e vigiam…
A que malandros se refere? Ao Relvas? Ao Dias Loureiro?
Aos que nunca trabalharam, porque nunca quiseram. Aos que fogem ao fisco… e são só alguns exemplos…
Aos que vivem em prisões pagas por todos nós, quando pessoas de bem vivem em lares com piores condições…
Não dá.
Continue a conversa sozinho(a).
Pelos vistos não estou a falar sozinho, Daniel. Há quem concorde com o que escrevo, também aqui no blogue. Porque no dia a dia já eu sabia que há, porque também já passaram e assistiram ao que descrevo. E também ouviram os seus pais a falarem da guerra e da fome… das dificuldades… não taparam os ouvidos… quiseram saber da sua história….
Na mouche.
As pessoas têm que aprender a respeitar a vontade do povo e não chamar nomes às pessoas só porque votaram contra o seu partido de eleição. A pluralidade de ideais é um direito de todos e todos temos que saber aceitar a vontade do povo sem o caluniar de ignorante, etc. A quem não respeita a vontade do povo e quer impor a sua, é autoritário, parte para o insulto e achando que só ele é inteligente e os outros são ignorantes chama-se fascista. Viva a liberdade!
Tudo dito. Espero que a Diana Souza saiba viver neste pequeno país respeitando a vontade do povo português, quer tenhamos votado ou não na coligação. E REALMENTE quem produz riqueza e trabalha está no Norte e esses temem pela instabilidade, pelo aumento das taxas de juros, enfim… depois de tantos sacrifícios espero que não deitem tudo a perder. MAS é mesmo curioso analisar as cores do mapa após as eleições. Eu nunca votei à direita mas confesso que desta vez não hesitei e não tenho vergonha de o dizer , porque sempre trabalhei nunca contribui para a economia paralela, como sei de muitos bloquistas que não declaram rendas que recebem etc etc é mesmo uma esquerda caviar.!!!! E só de pensar que votei neles no início. … chega de demagogia
Amiga, a região que mais contribui para o PIB é lisboa e zona centro, não é o norte. Mas já está bem servida de serviços e autoestradas (muitas vezes duas lado a lado). lol… idiotice.
A zona centro, lol!
“Salários de professores das escolas portuguesas são dos mais altos da Europa”
http://www.tvi24.iol.pt/economia/portugal/salarios-de-professores-das-escolas-portuguesas-sao-dos-mais-altos-da-europa
Parabéns a quem tem o que merece.
Mais virá e merecem-no inteiramente!
De fazer chorar as pedras da calçada.