Os sindicatos estão a acordar para o 1º ciclo. Passados tantos anos, tomam o 1º ciclo como bandeira.
Desde as alterações ocorridas em 1989, com a revisão do estatuto da carreira docente, em que os docentes deste ciclo viram a sua carga horária ser aumentada para 25 horas, muitas foram as alterações que deterioraram as suas condições de trabalho. Na altura a moeda de troca, para tal aumento, foi a antecipação da aposentação. Aposentavam-se com 32 anos de serviço e 52 de idade, os que perfaziam 13 ou mais anos de serviço em 1989, os restantes aos 55 de idade e 30 anos de serviço. “Alguns” dos últimos permanecem ao serviço. E, estes docentes, na prática, continuam sem qualquer redução da carga horária, como a existente nos outros ciclos.
Hoje, os professores de 1º ciclo, têm como idade de aposentação, a mesma que todos os outros. Venderam-nos, sem apelo nem agravo. A troco de quê?
Desde a introdução da escola a tempo inteiro, as condições de trabalho têm sofrido imensas alterações que só têm vindo prejudicar os docentes na sua mancha horária. Basta referir a não contabilização do intervalo como componente letiva, continuando os docentes a ser responsáveis por esse período, e o términos da componente letiva às 16 horas para, economicamente, se desinvestir nas AEC. E, também se pode referir, a manutenção da política de turmas com vários anos de ensino, o aumento de número de alunos por turma (como em todos os outros níveis de ensino) o desrespeito, na constituição de turmas com alunos NEE, não só pelos docentes, mas também pelos alunos. A perda do subsidio de coordenação de estabelecimento, as condições físicas em que as escolas do 1º ciclo se encontram, a falta de tudo e mais alguma coisa em muitas das escolas, a falta de Assistentes Operacionais, e muito, muito mais…
Embora seja o grupo de docentes mais numeroso ao serviço da educação neste país, o desrespeito por estes profissionais tem sido contínuo, com eles, o pré-escolar, que está mais ou menos no mesmo barco.
Resta saber até quando… até quando as desigualdades permanecerão tão evidentes e fragmentárias.
Aos sindicatos, cabe o trabalho de defender estes profissionais, lutando a seu lado por melhores condições de trabalho, no seu direito a uma carga horária mais justa ou a benefícios na idade de aposentação. E não me venham com demagogia, para isso já temos “gente” que chegue.
PS: O governo tem e sempre teve projeto para o 1º ciclo, mas alguns recusavam-se a vê-lo… e não sei se…
Jul 22 2015
O 1º Ciclo pelos sindicatos…
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É um pedaço complicado analisar agora as ordens sindicais, já que estão mais empenhadas nas campanhas de Pirro… e nas de Mandela.
“Aos sindicatos, cabe o trabalho de defender estes profissionais, lutando a seu lado por melhores condições de trabalho, no seu direito a uma carga horária mais justa ou a benefícios na idade de aposentação.” Concordo, mas e as pessoas do 1º ciclo lutarem por isso? De que servem os sindicatos sem as pessoas? Parece-me que a maioria está mais interessada em comer tudo o que lhe metem no prato, na vã mas presente expectativa de lucrar algo, nem que seja uma miserável palmada nas costas, do que lutar pela reposição da justiça laboral. No momento certo todos se calam e siga a banda.
Nem, todos e por isso mesmo há cada vez mais gente a relembrar as atrociddes que têm feito!
Essas escolas andam a escapar-me 🙂
Eu tenho participado em todas as lutas e manifestações com o apoio dos sindicatos. O governo é que faz ouvidos moucos e exploram-nos bastante. Eu nunca me calei e vou continuar a lutar pelos meus direitos porque já cumpri os meus deveres.
Muito bem explicado o que se passou e passa com o 1º ciclo.
Agora os sindicatos defenderem os profes do 1º ciclo? Utilizaram-nos como moeda de troca para entre outros casos ficarem com mais profes nos sindicatos. E eram tantos e tantos à boa vida…..Agora vai ser muito difícil reverter a situação, pese embora, e por mi falo,: 35 anos de serviço, 57 de idade, sempre com horário de monodocência e ainda 9 longos anos pela frente.
Assino na integra o artigo. Parabéns ao autor. Ao perguntar a troco de quê? Não é necessário pensar muito e todos sabemos a resposta. É urgente renovar a classe docente no 1º Ciclo e no Pré- escolar, muitos de nós contam com 35, 36 e 37 anos de serviço em regime de monodocência. Todos temos os mesmos deveres, então queremos os mesmos direitos. Foi necessário um grupo de PROFESSORES DO 1ºCICLO fazer uma petição para que um sindicato lhe seguir os passos. Obrigada a esta força sindical. Todos seremos poucos nesta luta pela equidade da classe. Mas a união faz a força
Verdade, Nuno Costa, também se verifica uma acomodação por parte dos docentes deste ciclo… mas creio que esta acomodação resulta do desconhecimento das condições e do horário de trabalho dos restantes colegas dos restantes ciclos.
Se todos fizessem como eu, mandavam o sindicato às urtigas. Nunca defenderam os grupos 110 e 100 como o deviam ter feito. Quando estes docentes saírem dos sindicato, quero ver quem paga as quotas para eles estarem no bem bom. Quem os sustem são precisamente os profs visados. Com a minha quota … acabou.
Não comparem o o pré escolar, o 2º e 3º ciclo e o secundário com o 1º ciclo… nada se compara a nós….
Cada um sabe de si. E os educadores com pausa de 5 dias no Natal e mais 5 dias na Páscoa e o término do ano em Julho com crianças? O que acha disso?
O pessoal do 100/110 tem 2 anos de dispensa total da componente lectiva aos 25 e 33 anos de serviço e aos 60 anos de idade uma redução de 5h na componente letiva
Não quero ser mazinha mas Portugal deve ser dos poucos países em que os professores do 1º ciclo e educadores tem o mesmo salário que os professores dos restantes ciclos,
Quer dizer o quê com isto?
Que deviam ter um salário superior ou inferior?
Julgo ser dispensável responder. Basta olhar para relatórios, por exemplo, da OCDE… mas há mais instituições internacionais que fazem estudos comparativos no domínio da educação.
É verdade. Dado o volume incomparável de trabalho o salário deveria ser bem maior.
Isso parece um argumento mais de um aluno do 1º ciclo, que de um professor do mesmo. Tal como as crianças que tendem a escolher os embrulhos maiores porque acham que isso irá corresponder a um presente melhor.
Diga-me lá: comparando pessoas na mesma situação de tempo de serviço e vínculo profissional, qual é a lógica que subjaz ao facto de um operário de uma fábrica ganhar menos que o seu administrador? um professor universitário ganhar mais que um do ensino não superior, ou um professor ganhar mais que um assistente operacional? Um médico ganhar mais que um enfermeiro, estando no mesmo hospital? E por aí fora, em qualquer profissão…
Não me vai responder que é pelo “volume” de trabalho, com certeza.
Enfim, é só reclamar e chamar a atenção para o que convém.
Eventualmente até se poderá chegar à conclusão que esse aumento da carga horária pretendeu corrigir a injustiça do salário claramente “inflacionado”, por comparação…
Os seus argumentos não são dignos de alguém que se pressupõe ser docente. O facto de lecionar no 1º ciclo não implica menores competências ou menores qualificações, está muito enganado(a)!
Você é que está a tentar enganar-se a si próprio e de caminho a ver se engana os outros. Por alguma razão, são raros os países onde acontece esta homogeneidade salarial por todos os ciclos de ensino não superiores. Não se trata de menores ou maiores competências ou qualificações (mais argumentário ao nível dos alunos do 1º ciclo – maior/menor), trata-se de serem diferentes. Sobretudo o facto de se lidar com conteúdos muito mais exigentes cognitivamente, que implicam não só conhecimento aprofundado como forte capacidade argumentativa e contra-argumentativa na sua transmissão, pois estamos a falar, principalmente no secundário, de um público-alvo já com um poder de raciocínio e de questionamento que pode ser bastante desenvolvido e exigente. Continuo a colocar o exemplo da diferença entre médicos e enfermeiros. Ou até mesmo dentro dos médicos, porque é que um cirurgião ganha mais do que os que não o são? Ou um médico de especialidade que ganha geralmente mais que um generalista?
Mas obviamente que não estou à espera que, como professor do 1º ciclo que se percebeu que é, me venha dar razão, e assumir o que qualquer pessoa isenta concluiria: que o salário deveria ser progressivo à medida que se avançasse nos ciclos de ensino.
Não compreendo então o porquê dos professores do 1.º ciclo terem de fazer licenciatura ou mesmo mestrados. Cognitivamente estarão …??
Está difícil. A questão não é o grau cognitivo de quem ensina (por favor!); é o grau de complexidade dos conteúdos a ensinar e o maior desenvolvimento cognitivo dos alunos, que implica a especialização por disciplinas, e que torna toda a atividade de os transmitir muito mais exigente. Tal como os exemplos que dei no comentário anterior, dentro da classe médica, quanto maior a especialização, maior a valorização salarial. Por isso os professores dos 1ºs ciclos de ensino conseguem tocar as várias áreas de estudo – é o básico que têm de saber e não serão nunca confrontados com questões ou dúvidas que exijam maiores raciocínios. Com isto ninguém está a dizer que são mais incapazes ou menos inteligentes, apenas se constata que são fases menos exigentes, de menor complexidade, no que se refere ao grau de conhecimento e transmissão de conteúdos. Mas alguém questiona o porquê de um professor universitário ganhar mais? E por vezes têm graus académicos iguais (ou até inferiores), a professores do secundário. E haverá professores do secundário que até poderão saber mais que um universitário. Mas o último ganha mais. Porquê? Porque é mais difícil ensinar, os conteúdos são muito mais complexos, na universidade!
MUITO gostaria de ver a Ex.ª Dr.ª numa turma de 26 alunos de 5/6 anos, A APLICAR a sua extraordinária capacidade de transmissão de conteúdos teóricos e argumentativos… Lol !
Será que tamanha capacidade não a faz perceber que os conteúdos funcionais são diferentes?? APENAS E SÓ??
Se quiser trocar comigo, eu não me importo nada de “ser confrontada com questões e dúvidas que exijam maiores raciocínios”…enquanto a colega ensina os meninos do 1.º ciclo, a ler e escrever? Ah! E sobretudo a estarem sentados 6 horas por dia numa sala de aula. Vamos a isso??
E olhe que sei do que falo. O meu filho acabou de completar o 12.º ano………………….
És uma idiota. E digo-o sem ter de recorrer ao meu diploma. Digo-o à civil.
É tão esperta mas não conseguiu alcançar o porquê do meu comentário. Enfim. Caladinha é que estava bem para não dizer tanta trampa.
Se no primeiro ciclo trabalham mais horas, o ordenado não é o mesmo!
Conheço quem se tenha aposentado em 2005 com 52 anos e 2700€, vão receber aposentação durante tantos anos como os de serviço… quem paga? nós todos…
Também há colegas que pediram a reforma antecipada por já não aguentarem mais o sistema e que foram muito penalizadas em releção a colegas que estavam abrangidas pela tal lei 77. Acabaram com a monodocência e reformaram estes colegas pela lei geral, isto a partir de finais de 2012. Pergunto eu: não será uma grande injustiça pelas razões que já foquei ou haverá professores de 1ª e outros de 2ª? Há que retificar!…
Contrariamente ao que diz, os professores do 1.º Ciclo terão sido os únicos beneficiados pela ação sindical.
Quando comecei a trabalhar, em 1975, um professor primário ganhava muito menos do que um do secundário e tinha uma carreira autónoma. E era assim porque as habilitações também eram menos exigentes; fazia-se o 5.º ano do liceu e mais 2 anos de magistério.
Ora, foi pela ação dos sindicatos, sobretudo pela FNE de Manuela Teixeira, que esses professores foram abrangidos pelo ECD e consequente “carreira única”. Muitos nunca se tinham imaginado com um vencimento tão grande. E esses, durante muitos anos, aposentaram-se aos 52 anos no 10.º escalão com pensões de 3 mil euros.
Esses tempos acabaram e hoje são sobrecarregados, é verdade.
Mas, mesmo assim, terão sido os únicos que beneficiaram da ação sindical.
Beneficiados à época…..depois é que foi o pior 🙂
Caro colega:
Parece não saber, mas a partir de 1976, a carga curricular nos Magistérios Primários aumentou muito- passaram a ser três anos de frequência com as disciplinas necessárias à docência – pedagogia, sociologia, antropologia cultural, psicologia… e estágio profissional integrado no Curso. O último ano era assim teórico e prático.
Em 1980, estava prevista a passagem do Curso a Licenciatura, porque a carga curricular dos três anos anteriores assim tinha sido orientada.
Mas não. Continuou a ser considerado Bacharelato, por uma qualquer mudança governativa.
Então, colega, porque não deveriam estes profissionais integrar uma carreira única, junto com outros que acabavam cursos sem qualquer preparação para lecionar e se “enfiavam” no ensino por não terem outra saída profissional??
Isso terá sido no tempo “da outra senhora”.Também os havia sem habilitações(11º ano/ 7º ano antigo) a lecionar no 3º ciclo.E está enganado não foi pelo 10º , foi pelo 9º!
Pensões de 3000 euros? Onde viu esse valor?
Va ver pensões de há 5 anos e some-lhe o valor do normal desconto da CGA
“Embora seja o grupo de docentes mais numeroso ao serviço da educação neste país, o desrespeito por estes profissionais tem sido contínuo, com eles, o pré-escolar, que está mais ou menos no mesmo barco.”
Não percebi a parte “mais ou menos no mesmo barco”.
Sou educadora para além de ter 25 horas letivas, tenho apenas 5 dias de pausa no Natal e mais 5 na Páscoa, o término do ano letivo com crianças é entre 2 a 6 de julho conforme o calendário.
Do 8 ao 80… a reforma dos professores do 1º ciclo aos 66 anos é prejudicial para os alunos. http://oduilio.wordpress.com
https://oduilio.files.wordpress.com/2015/07/11214138_896571240380764_5045964710811296079_n.jpg
O texto do post está na linha do apresentado pela colega Ilda no meu blog e do colega José Manuel Alho no “alhopoliticamenteincorreto” mas seremos sempre poucos a denunciar tamanhas injustiças. Discordo que os sindicatos estejam a acordar… sempre lamentaram a falta de interesse e capacidade de luta dos professores do 1ºciclo para justificar a preferência dada aos restantes ciclos. Não esquecer a greve às avaliações que não incluíram o 1º ciclo de onde saíram melhorias ligeiras para uns e agravamento laboral para outros.
Também não concordo que um docente que lecione um 5º ano de escolaridade tenha o mesmo nº de horas de trabalho e o mesmo salário de alguém que lecione o 12º ano. Não se compara o grau de dificuldade e a carga de trabalho que o secundário exige. Aliás, nunca percebi porque é que o secundário deixou de ter 20h letivas para ter 22h e os sindicatos nada fizeram…..Reparem que há uma mudança na carga horária do 1º ciclo para o 2º ciclo. Então porque é que não há também para o secundário? Do 12º ano para a universidade já há uma redução drástica……
Os sindicatos só defendem os professores de 2º e 3º ciclo os 1 ciclo parece não existir,sou sindicalizada pago as cotas e não sei para quê??
Para além dum horário SUPERIOR, até a hora é diferente no 1º Ciclo: SUPERIOR, também! Deve ser porque os consideram “qualquer coisa de diferente” e, assim, ocupam devidamente, os tempos livres sem entrar em devaneios. Já nos outros níveis SUPERIORES de ensino tem que se apressar a passagem do tempo. Alguém sugere EXPLICAÇÕES?
Pois!É que enquanto isso ocorre EM NÍVEIS SUPERIORES E EM GRANDE PERCENTAGEM, os do 1º Ciclo nem tempo têm de coçar os piolhos! Sim que, também, os apanham, por vezes. É o envolvimento da maralha!
Já agora, quais sindicatos? Qual partido? Qual governo? O de MLR? O de NC?
A m… é a mesma, as moscas é que mudaram!
Rui, ao ler estes comentários vemos mais do mesmo, cada um “puxa a brasa à sua sardinha” e isto é lamentável! É isto que o governo quer, dividir para reinar e assim implementar vários absurdos a que temos assistido nos últimos anos! Colegas…a união faz a força!!!
Neste momento devíamos estar todos juntos e os sindicatos deviam mobilizar a classe para lutar contra este absurdo que é a BCE, minutas e afins!
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