Afinal de contas quem é mais eficaz, quem precisa do papel ou quem não precisa do papel?
Estamos a meio de julho e ainda ando a verificar os papéis deste ano e a preparar os do próximo. Não tenho nada contra o papel, apenas contra o papel que não serve para nada, o papel ineficaz.
Vivemos nesta moda global, que não contagia só o ensino, esta mania que nos tenta convencer de que precisamos de um papel para fazer seja o que for. E claro com o papel vem a análise dos resultados, a comparação dos resultados, as estratégias para superar… e uma carrada de medidas que muitas vezes não passam de mentiras ou de falsas intenções.
Todos nós criticamos esta moda mas todos tentamos fazer o nosso melhor. Alguns até se gabam e são apontados como os “senhores dos papéis”. Quase nos chegam a convencer que para sermos bons profissionais temos que dominar esta técnica. Nada mais errado meus amigos! Quem não precisa de um papel ineficaz para ser eficaz é muito mais eficaz do que aquele que precisa de um papel ineficaz para ser eficaz. Este muitas vezes nem é assim tão eficaz porque perde demasiado tempo com o papel ineficaz e quando dá por ela já não lhe sobra tempo para ser eficaz.
Sou da educação especial. Nesta área não se fazem as crianças andar, falar, ler ou pensar com papéis mas sim com trabalho duro. Muitas vezes este trabalho requer tempo para pesquisa, para personalizar materiais, para experimentar, para falhar…se ando a perder tempo com o papel ineficaz que nada acrescenta e que mais parece um castigo, não tenho tempo para falhar.
Como diriam os brasileiros: “Estou com o saco cheio de papel”.
Mil vezes estar com os alunos até agosto pois assim apareciam resultados e eu sentia-me um profissional.