Do Rigor Iaveniano

Há docentes a classificar exames sem formação para avaliar estas provas

 

 

Pela primeira vez em cinco anos, o Instituto de Avaliação Educativa não fez acções de formação para os professores classificadores.

 

corrigir exames

Quase metade dos 13 mil docentes mobilizados para a classificação os exames nacionais do ensino secundário não têm formação específica nesta área, confirmou ao PÚBLICO o gabinete de comunicação do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), o organismo responsável pela elaboração e classificação das provas.

” O Iave tem cerca de 6650 professores com formação na bolsa de classificadores e outros tantos (6447) sem formação”, especificou. A constituição de uma bolsa de professores classificadores foi apresentada, em 2010, como um salto qualitativo na correcção das provas, não só por uniformizar os critérios de selecção para esta função, mas também por se providenciar uma especialização nesta área, através de formações anuais promovidas pelo Iave.

Em 2015 nada disto aconteceu. O alerta foi dado ao PÚBLICO por uma professora do ensino secundário e confirmado pelo Iave. “Este ano não houve formação”, indicou a assessora de imprensa daquele organismo, sem adiantar razões para tal.

 
Este é mais um daqueles assuntos, tipo o início do ano lectivo, em que um par de dias de atraso na abertura do ano já serve para criticar o MEC dizendo que não há tempo para cumprir o programa.

Aqui critica-se haver formação a menos, mas se a formação fosse do tipo “british” também se criticava for haver formação a mais.

Nestes aspectos, os professores são uns eternos insatisfeitos.

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14 comentários

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    • Criticar on 28 de Junho de 2015 at 17:25
    • Responder

    Quando se fazia a formação criticava-se que ela não servia para nada.
    Agora critica-se porque não houve formação..
    Critica-se quando há, critica-se quando há. O que importa é criticar!

    • Virgulino Lampião Cangaceiro on 28 de Junho de 2015 at 17:46
    • Responder

    Um professor que tem competência para ensinar e classificar testes não tem competência para classificar exames? Ou dá-se mais importância aos exames do que ao ensino?

      • Serena on 28 de Junho de 2015 at 18:15
      • Responder

      Vê-se mesmo que não percebe nada do assunto…
      Não é uma questão de competência. Como é que um professor que apenas leccionou o 10º ano de Matemática, por exemplo, é chamado, em cima da hora, para corrigir provas que contemplam temas dos 10º, 11º e 12º anos?… Quem chama a isto incompetência, o que chamará ao JNE que o permite!?

        • Virgulino Lampião Cangaceiro on 28 de Junho de 2015 at 18:34
        • Responder

        Sereníssima, é claro que não percebo nada do assunto. Como vê, foi capaz de me avaliar mesmo sem ter formação para isso…
        Alguém que leccionou o 10ºano deve ter frequentado um curso superior onde aprendeu os temas que se leccionam no 12º ano e muito mais. Portanto, não pode alegar desconhecimento dos temas tratados. Além disso, certamente que se julgou capaz de avaliar e classificar os seus alunos. Finalmente, para além do bom senso, há critérios de correção e classificação de exames, é só segui-los.

          • Serena on 28 de Junho de 2015 at 19:03

          Não é bem como está a dizer… há temas novos, que não aprendemos no curso; evidentemente que, como somos competentes, não é nada que não possamos aprender convenientemente para o podermos transmitir aos alunos. Tudo isto com algum tempo de estudo, preparação e trabalho, como é óbvio.
          O que aconteceu com as correcções de exames este ano, é que as pessoas souberam, em cima da hora, que iriam corrigir provas de matérias que, algumas, nunca tinham leccionado.
          Teria sido bem diferente se o soubessem, por exemplo, no início do ano; aí sim, teriam tido tempo para se prepararem para um trabalho que se quer, sério e rigoroso (pelo menos é assim que o vemos; já começo a duvidar que seja assim que o MEC o vê também, como dizia dantes o nosso (in)competente ministro).
          Está a ver?, agora já não estou a avaliá-lo, estou apenas a explicar-lhe o meu ponto de vista…

    • Nuno Miranda on 28 de Junho de 2015 at 18:42
    • Responder

    É de facto verdade. Estou neste momento a classificar provas nacionais e nunca tive formação nesta área. Não é uma questão de competência do professor classificador, mas uma questão de justiça na aplicação (ou não) do mesmo critério para todos os alunos.
    Classificar os testes dos nossos alunos é uma coisa bastante mais distinta do que classificar provas realizadas a nível nacional onde a multiplicidade de respostas possíveis é impressionante e supostamente o mesmo critério deveria ser aplicado a milhares de alunos! Sem essa formação essencial – e se neste ano não a houve foi por uma mera questão económica (que para muitos até pode ser considerada supérflua) -, incorremos no risco de diferentes professores estarem a corrigir a mesma prova mas com critérios diferentes.

      • Virgulino Lampião Cangaceiro on 28 de Junho de 2015 at 20:20
      • Responder

      Uma provocação:
      A normalização absoluta, para além de uma quimera, será benéfica?
      Parece que o objetivo é que a respostas iguais seja dada a mesma pontuação.
      Ora, é sabido que todos os juízes tiveram formação fundamental idêntica e que lêem as mesmas leis mas nem todos as aplicam exatamente da mesma maneira a casos idênticos.
      Embora o código da estrada seja igual para todos, e mesmo sabendo que as multas podem ser pesadas, parece que cada um interpreta as regras à sua maneira.
      Pretender que todos os alunos sejam avaliados de modo igual é o mesmo que pretender que eles aprendam da mesma forma.
      A vida não é perfeita e, mesmo que fôssemos todos robôs, nunca procederíamos todos do mesmo modo.
      Já sei que alguém vai dizer que uma simples décima pode decidir o futuro de um aluno.
      Por uma simples estrela não se ganha o jackpot no euromilhões, mas a vida continua.

        • Serena on 28 de Junho de 2015 at 20:38
        • Responder

        Tem razão, isso é verdade, mas continuo a dizer que é preciso tempo para uma pessoa, que nunca leccionou aquela matéria, se preparar minimamente e sentir segurança no que está a fazer.
        Mesmo sendo corrigidos por professores experientes há, e haverá, sempre recursos, portanto, o que diz é verdade. Há pontos de vista diferentes e, apesar dos mesmos critérios, classificações diferentes para questões iguais. Qual está “mais” correcta ou menos?, não sei, alguém sabe?… depende do ponto de vista…
        Uma coisa também importante é o pouquíssimo tempo que nos dão para corrigir as provas; outro factor relevante para que a pessoa esteja, logo à partida, bem preparada (tirando o caso daquela colega que consegue logo adivinhar quanto é que um familiar vai ter, e não é de Matemática!!, mas isso penso que é um caso raro e sendo só para familiares, ficam muitos de fora!)

        • Nuno Miranda on 28 de Junho de 2015 at 20:52
        • Responder

        Bom, a pluralidade é benéfica e faz parte do nosso Mundo, sem dúvida. Aliás até fomento essa pluralidade de respostas nas minhas aulas e se for eu a corrigir os teste das minhas turmas com certeza que corrigirei de outro modo que não este (na minha opinião) pouco justo!
        No entanto, havendo este tipo de “regras” de correcção, e de modo a minimizar as injustiças provocadas por ela (não me parece minimamente justo que haja diferentes cotações para uma igual resposta corrigida por classificadores diferentes) compreendo a necessidade dessa formação, principalmente para colegas como eu que o estão a fazer pela primeira vez. Infelizmente só quem está a corrigir provas neste momento percebe a necessidade dessa formação inicial!

    • desalinhada on 28 de Junho de 2015 at 19:37
    • Responder

    Enfim, sem comentários! Não vejo necessidade nenhuma de formação basta olhar para os critérios e ser professor dessa área. Até eu que não sou de matemática, consigo adivinhar, ter uma ideia de quanto um familiar vai ter!!,,concordo plenamente com o Virgulino… sem comentários eu sempre disse que a nossa classe tem de criticar por criticar,

      • Serena on 28 de Junho de 2015 at 20:04
      • Responder

      Que talento desperdiçado!!… mas só consegue isso com familiares ou com outra pessoa qualquer também dá?!…
      Já agora só uma correcção, não é preciso formação, apenas tempo para a pessoa se preparar (não é qualquer um que consegue essa sua proeza, mesmo sem ser de Matemática… Já agora sugiro ao IAVE que a contrate, poupando assim imensos professores)

  1. Um professor licenciado numa determinada área e com a respectiva experiência de leccionação e de avaliação não seria suposto necessitar de formação para classificar provas de exame – Objectividade e clareza quer dos exames quer dos critérios de classificação deveriam ser suficientes!
    Mas este país tornou-se uma fogueira de vaidades… um alimentar de um vasto circo que por sua vez permite alimentar e sustentar a existência de outros tantos circos… a nível local e, sobretudo, a nível central, é um pedantismo nacional… (pedantismo que custa muito dinheiro para tão escasso resultado) tal como o é a avaliação dos professores, a avaliação das escolas, os projectos teip, os mais sucesso, as turmas mais, as formações e quejandos que tais… mobilizam-se vastíssimos recursos (humanos, temporais, espaciais e… obviamente,que apesar da exploração, perdão, apesar da contenção implicam custos financeiros… ainda dizem que não há dinheiro… haver, há!… as prioridades é que são discutíveis …
    não há dinheiro para apoios aos alunos… paciência, ao cabo de umas “retençõezinhas” empurram-se para a lixeira recém-criada: os vocacionais… mas há para pagar deslocações para se avaliarem “muitos bons e excelentes” (que ficam no segredo dos deuses), para não dar as aulas que deveriam ser dadas ou para colocar outros a fazer o serviço daqueles…

    Este ano, chapéu!
    A nova coqueluche do sistema, isto é a nova “urbanidade da coisa”, quero dizer, os “clusters de qualidade e excelência” já não são os exames nacionais, … este ano o que captou todas as energias e sinergias – e de facto, e nós sabemo-lo, há que estabelecer prioridades, foi mesmo do DESLUMBRAMENTO com a coisa do CAMBRIDGE…
    E, ainda por cima, institutos autónomos que vivem do estado mas com possibilidades de através de negócios, perdão, parcerias obterem dividendos próprios com utilização, sem mais, de recursos afectos a trabalho para o Estado… ui, ui, ui
    são as janelas de oportunidades… são os empreendedorismos e coisas que tais – que neste país estão fartos, há décadas e em diversas áreas, de dar dinheiro a ganhar a alguns à custa de todos os contribuintes…

      • dália on 29 de Junho de 2015 at 13:37
      • Responder

      Aquelas formações não serviam para nada, bem como muitos “coordenadores”/colaboradores
      do IAVE .
      Durante o período de classificação, além de não atenderem os
      telemóveis ou fornecerem números de tlmv onde faltam algarismos, complicam o
      processo a quem levanta questões, exigindo sínteses e sistematizações, para
      simplificação do seu próprio trabalho.
      Por conseguinte, o importante é a formação científica e a
      experiência de lecionação da disciplina. O resto é para inglês ver 🙂
      Caiu o mito da formação para classificação de exames,
      deixando órfãs algumas pessoas que, à sombra do IAVE, detinham pequenos poderes
      e alguma influência nas escolas. Agora, já poucos acreditam no pai natal!

        • Maria on 29 de Junho de 2015 at 21:09
        • Responder

        JF e dália dizem tudo.

  1. […] Aqui critica-se haver formação a menos, mas se a formação fosse do tipo “british” também se… […]

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