E os relatos não me param de chegar.
Boa tarde,
Sei que já bastante tem sido escrito sobre o processo obscuro e estapafúrdio da certificação do grupo 120, mas considero que, nem todos os textos até agora escritos e todos os que venham a ser escritos, serão suficientes para descrever tamanho desrespeito pela classe docente e atrever-me-ia a dizer o total desrespeito pelo ser humano.
Desde de o início que todo este processo brinca com a vida de milhares de profissionais, de professores profissionalizados, que asseguraram as atividades de ensino curricular, desde de 2005, altura em que as mesmas foram implementadas. Profissionais estes que foram “atirados às feras”, sem ter muito a noção do que iriam encontrar. Profissionais que a custo do enorme investimento pessoal e financeiro concluíram formações certificadas no âmbito do Ensino Precoce do Inglês. Profissionais pagos como eternos estagiários, por vezes, a recibos verdes e, a tarde e a más horas, retiraram do seu parco rendimento, verbas para frequentarem as tais formações que lhes permitiam lecionar nas intituladas AEC. Profissionais que viveram ao sabor do Ministério e que foram vendo os seus horários cada vez mais reduzidos. Professores como os outros que recebem pouco mais de 400 euros e que se têm de deslocar de escola para escola.
E agora estes profissionais ainda se enfrentam com um obstáculo maior a criação do grupo 120. O que parecia uma promessa de melhores condições de trabalho (diria eu, de condições humanas e condignas com a sua qualificação) tornou-se uma miragem e, nalguns casos um verdadeiro campo de batalha.
Surgem as exigências, é preciso ter uma formação complementar de 30 créditos, só 180 dias de vínculo e as exceções em tudo injustas. E aí os profissionais com 10 ANOS de AEC vêm-se relegados para um lugar muito próximo do fim da lista, afinal para a graduação profissional todo o tempo de serviço conta e não só o tempo de serviço no primeiro ciclo do Ensino Básico.
Vão, então, estes profissionais dedicados e esperançosos tirar as formações. Com um esforço digno de Hércules, gastam de 175 euros a 600 e, nalguns casos mais, crentes que assim poderiam conseguir o tal sonhado lugar. Mas, esta batalha não era a única, a guerra avistava-se longa. Chegam as validações das escolas que invalidam os candidatos pois as formações ainda não estavam concluídas. E, quando as escolas começam a validar, mais uma batalha o pedido de certificação – o processo mais obscuro de todos.
A Dgest, com critérios díspares considera “conforme” alguns pedidos e “não conforme” outros com os mesmos requisitos. Excluem candidatos por falta de declarações de estágio, pois não comprovam a profissionalização, esquecendo-se contudo do despacho que haviam publicado, que só professores profissionalizados poderiam frequentar as formações complementares. E, neste processo de amnésia total, esqueceram também que um curso de ramo educacional tem obrigatoriamente estágio. Mas, ao que parece, a DGEST não conhece os cursos superiores. Esqueceram, também, o que haviam aprendido no Ensino Básico, a capacidade de fazer operações matemáticas e invalidaram o pedido daqueles cujas declarações não tinham mencionados os dias de vínculo profissional, apesar das mesmas terem a data de início e de fim de contrato, sendo portanto apenas preciso fazer as contas. Não contentes com toda esta falta de critérios e, brincando ainda mais com profissionais à beira de um ataque de nervos, permitem que uns candidatos alterem os dados, enquanto outros tenham de esperar por uma bendita carta que deve vir a pé.
Para culminar, notificam os candidatos (verbete notificação da reclamação), alguns que tinham visto a suas candidaturas validadas pelas escolas, que serão excluídos por não reunirem as condições do decreto de lei que regula o grupo 120, ou melhor porque falta a declaração de estágio, porque a DGEST não quis fazer as contas, porque o certificado da formação complementar não está de acordo com o definido … Enfim, por tudo e por nada.
Para quando o fim desta trapalhada, para quando o respeito pelos profissionais!
Com os melhores cumprimentos,
Professora à beira de ataque de nervos




17 comentários
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Eu sou do grupo 220, tenho 5 anos de contrato no 1º ciclo, fiz a formação do British o chamado Steady & Go, possuo mais de 180 dias de serviço em AEC’s (estive um ano na MAdeira a dar Inglês e ainda tenho tempo de serviço cá), tenho mais uns 4 anos de contrato no 220 e vi o meu pedido “não conforme”. Não compreendo quais os critérios de “aprovação” uma vez que conheço gente que não tem o tempo de serviço pedido e viram a sua certificação “conforme”. Estamos entregues às feras!
Este texto não acrescenta nada aos seus anteriores…
Só não percebo por que razão a graduação profissional incluiria apenas o tempo de serviço no primeiro ciclo do Ensino Básico ou o porquê destes professores se verem como uns coitadinhos quando há professores com horários reduzidíssimos, a ganharem uma “côdea”, espalhados por esse país fora e que estão sujeitos às mesmas tramóias do MEC e dos seus organismos. O que torna estes professores tão diferentes dos outros? Por que se veem como uns coitadinhos e não falam em nome da classe? Serão docentes especiais? Por que se dá voz a estes profissionais e se ignoram situações bem piores do que esta?
Eu não percebi onde estão os coitadinhos, o que me parece é que o Do Contra deve perceber pouco ou não quer perceber. Deve doer-lhe um “calo” qualquer. Todos reconhecem que a DGAE anda a deriva neste e noutros assuntos que dizem respeito a todos os professores. O facto de haver professores a ganharem mal não invalida a incompetência do MEC. Estamos de acordo ou não? Estes professores como diz são bem diferentes sim, sabe o motivo, alguns já andaram pelo País fora, por motivos que só os mesmo sabem, acharam que seria em 2005 (início do projeto das AEC) uma aposta razoável e foram ganhando a recibos verdes mal e “porcamente” . De repente tudo muda, mas o que é pior não é mudar, é não haver regras iguais para todos. Cabe na cabeça de alguém que num mesmo Agrupamento uns tenham a candidatura validada e outros não? E sabe o motivo? É que a DGAE a uns informou que colocassem “Sim” na pergunta do Complemento, caso já o andassem a fazer e esses mesmos Agrupamentos invalidaram a candidatura. Colegas que nada perguntaram e colocaram “Não” o mesmo Agrupamento validou a candidatura. O Do Contra acha que está mesmo bem? É uma questão de coitadinhos… Fogo!!!
Fácil de resolver, os colegas do 220 e 330 iam fazer o mestrado em ensino de inglês no 1º ciclo. Em vez de ser em 2 anos, pediam equivalências a maior parte das disciplinas e terminariam em 1 ano. acho justo, em vez de estarmos com complementozinhos de treta aqui e ali.
Digo ao António que se não sabe devia saber que para lecionar no 1º CEB, sobretudo quem tem Licenciatura do Ramo de Formação Educacional Pré-Bolonha, terá certamente mais competência do que os Mestrados Pós Bolonha. Não é por acaso que quem tem só Licenciatura Pós Bolonha nem sequer está habilitado a concorrer. Pois meus amigos é por estas e por outras que a classe profissional dos Professores está como se vê. Alguns dizem o que sabem mas não sabem o que dizem… Aviso já que larguei o ensino há mais de 40 anos, mas estou por dentro de muitas coisas e sei bem o que são as Licenciaturas à pressa. E mais, apreciei e inteirei-me dos “complementozinhos de treta” como mal refere e fiquei surpreendida com os objetivos, conteúdo e exigências. Não será por acaso que há chumbos, ou será?!
Esta Maria, apesar de ter abandonado o ensino há mais de 40 anos, responde a tudo, conhece tudo, sabe de tudo, avalia tudo. Maria para Ministra da Educação, já!
Vá cuidar dos netinhos, sim?
Pois incomodo muitos que, além de estarem sempre “do Contra”, estão sempre contra tudo que, supostamente, os colegas de profissão colocam neste espaço. Parece que ficou incomodado e normalmente quem não tem argumento dá a resposta que se vê. Alguns como o Do Contra querem é gente que não pense, não saiba ver e ler, que não tenham sentido crítico. O que está em causa é que o MEC / DGAE não trata nem informa de forma inequívoca todos os que desempenham funções de responsabilidade. Todos os cidadãos, professores ou não devem ter as mesmas oportunidades dentro de regras iguais. É ou não elementar e imprescindível? Informo o Do Contra que deixar o ensino como docente não significa que deixasse de ler e interpretar o que leio e estar diretamente ligada ao ensino por outra via. Já agora, tem azar, pois estarei neste espaço sempre que o entenda. Os netinhos já são adultos e também percebem muito bem o que está mal…
Presunção e água benta…
Há seres humanos que se julgam iluminados, que julgam ser a verdade e que julgam incomodar muita gente… Enfim… Se os netinhos já são grandes e muito espertos, como a avó, vá pontear meias.
É triste ver este tipo de ataques pessoais como o “Do Contra”…
O que a Maria diz é verdade! E fico espantado de ver que há quem se interesse por esse grupo de profissionais que forma deixados à sua sorte!
Parabéns Maria pelo seu interesse neste assunto.
“Do Contra”, se não tem nada a dizer de concreto sobre este assunto, não diga!
É, de facto, triste, “mea culpa”… mas o Cristiano não conseguiu ser melhor, não resistiu à tentação e também se sentiu forçado a dar-me uma alfinetada, um ataquezinho pessoal disfarçado de crítica, tal como a colega Maria.
Tenho muito a dizer sobre esta temática: este novo grupo, o do 120, não é mais do que outros grupos. Por que razão deveria de haver regras diferentes para este grupo de professores? Serão só estes professores vítimas da arbitrariedade do MEC e seus organismos? Serão estes professores os únicos vítimas e reféns de uma profissão que decidiram abraçar e que, por tal, fazem esforços para se manterem na docência? Será este o único grupo de professores que é substituído por colegas sem formação específica, mas que o fazem por ordem das direções e para complemento do horário? Serão estes os únicos técnicos especializados/professores que trabalham a recibos verdes em Portugal? Serão estes os únicos professores/técnicos vítimas do sistema concursal e de como estão organizados a graduação profissional e o tempo de serviço? A resposta para todas as questões é: NÃO, não são!!
Tanta revolta…
O meu comentário não acarreta qualquer tipo de “ataquezinho pessoal” apenas lhe fiz um pedido: se não tem nada a acrescentar ao assunto (grupo 120) não diga mais nada…
Este espaço é livre sim, mas a liberdade de expressão (que, segundo o que entendi, apelidou de “Democracia”) termina onde começa a ofensa aos outros. Foi só essa a chamada de atenção que lhe tinha feito pela forma grosseira como tratou a Maria.
Contratado para advogado da Maria.
Como é que chama isto na minha santa terrinha? Ah… é ser-se mais papista que o papa.
Nada a dizer sobre este grupo? Mas eu disse tanto sobre este grupo… Se não percebeu, não sou eu o ser humano que lhe vai explicar.
Revolta?! Pfffff, é mesmo puro sarcasmo…
Para não falar dos casos de candidatos que viram, logo no início, as suas candidaturas validadas pelas escolas e não foram excluídos, quando deveriam ter sido. Nas escolas o que conta é a leitura que o funcionário faz da legislação. Numa escola, um candidato foi validado e aceite na lista provisória, noutro escola, um professor com o mesmo perfil, foi excluído. E não adianta reclamar.
O mec aceita um prof do 220 que tenha dado aulas no grupo 110. Mas, um prof do 220 que deu Inglês ao 1º ciclo já não serve! Mas isto não é uma parvoíce?! Eu já nem penso na possibilidade de ficar colocada, mas sim em ter o direito de concorrer! Sinto-me ultrapassada por colegas com menos experiência no ensino precoce de LE.
LuísaM, o tratamento desigual é que me repugna e revolta. Mas parece que alguns não estão neste espaço a defender o que será legítimo e o que é justo, mas sim a “maltratar” quem se sente prejudicada e expõe o seu caso. Quando isto acontece entre, supostamente, colegas… está tudo dito e concluo que, estes, são maus exemplos como professores e como colegas nem se fala.
Concordo consigo, Maria. Mas não vale a pena “dar ouvidos” a esses comentários. Infelizmente neste (e em qualquer outro espaço de opinião pública) surgem sempre comentários despropositados…
Não sei quem a Maria é, mas dado que já deixou o ensino há 40 anos… É impressionante o quão bem informada está sobre este assunto.
Sim, bem-vindo a uma coisa chamada “Democracia”.
Novamente, a presunção…
Como se isto fosse uma espécie de medidor da qualidade dos professores…