Listagem dos docentes a quem foi autorizada Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023.
Lista Nominal de Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023
Jun 29 2022
Listagem dos docentes a quem foi autorizada Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023.
Lista Nominal de Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023
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Jun 29 2022
Listagem dos docentes a quem foi autorizada Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023.
Lista Nominal de Equiparação a Bolseiro para o ano escolar de 2022/2023
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Jun 29 2022
Dois terços das crianças do 2.º ano erraram ou nem sequer conseguiram responder ao que lhes perguntavam. Até podem saber juntar as letras e ver ali palavras, mas pouco entendem do que estão a ler e as dificuldades que têm para se exprimir por escrito são dramáticas. É apenas a ponta de um imensamente destrutivo icebergue, que representa (também) os estragos de dois anos de covid numa área fundamental para o futuro do país. E que nem toda a boa vontade dos professores pôde impedir, entre escolhos antigos e a flagrante falta de meios para tentar evitar novo naufrágio: os computadores que ainda vão chegar, a internet que não é certa, o desprezo a que quem ensina foi votado por um governo que ainda finge acreditar que atribuir mais uns milhões no orçamento (que nunca chegam) resolve problemas. Mas poucochinhos, que as contas têm de se manter certas e os tempos não estão para brincar, como ainda ontem avisou Christine Lagarde.
Nas escolas, tenta-se remediar o que se vai mantendo miraculosamente de pé, mas a Educação continuará para lá de remédio possível enquanto a solução passar por meros remendos de ocasião, sem visão, sem plano de fundo, sem estratégia para recuperar um ensino público esgotado e anacrónico.
Repito, a responsabilidade não é dos professores, a quem tantas vezes é apontado o dedo pelas falhas que tentam constantemente contornar e ultrapassar. Mas a degradação que já vinha acontecendo, fruto do desinvestimento de quem julga que ter uma escola pública é um bem imutável, acelerou a fundo. E cavou muito mais fundo o fosso entre os que têm – dinheiro, acesso, suporte, apoio, cultura, estrutura – e os que não têm.
O ensino das cada vez mais raras crianças em Portugal foi perdendo exigência e meios a cada mudança bianual, sem que alguma vez se medisse os resultados do que se foi (des)fazendo. Os professores foram abandonados à sua sorte com incompreensíveis programas curriculares ao colo e uma quantidade de tarefas burocráticas a cargo, que nada têm que ver com educação. A avaliação tornou-se opressiva – para alunos e para professores – e proscrita. Uma negativa deixou de ser sinal de que era preciso investir no aluno para se tornar estigma de professor incompetente; e chumbar é tarefa impossível exceto quando se entra em braço-de-ferro por causa da Educação Cívica.
No atual sistema, é mais importante passar aos alunos a ideia de que a Biologia não é uma ciência do que perceber (e resolver) porque há ainda tantas crianças e adolescentes que não entendem o que leem, que não sabem filtrar, relacionar ou interpretar a informação que lhes despejam em cima sem preocupação de quanto é verdadeiramente aprendido, não decorado.
O pré-escolar tornou-se obrigatório, como a educação física e a artística e os psicólogos escolares, mas raras vezes qualquer deles é mais do que uma anedota contada a quem pergunta o que se faz nessas horas letivas, que somam mais umas notas à pauta (que já não se pode afixar para proteger os dados e os sentimentos dos meninos e das respetivas famílias).
Perante o desastre iminente, qual é a maior preocupação do governo? Acabar com a balda dos professores que fingem estar doentes só para não serem colocados a 200 km de casa – mas para esses aldrabões os dias estão contados, graças às novas regras de mobilidade. Isso sim, uma medida urgente, por oposição à ordem, à lógica e à justiça que nunca chegaram às colocações. Isso sim, muito mais relevante do que garantir que, mais do que livros de graça só para quem está no público, há ensino de qualidade e adaptado à era digital. Isso sim, verdadeiramente relevante, quando comparado com garantir condições para as nossas crianças terem de facto acesso a atividades desportivas, culturais, artísticas de qualidade. E apoio na medida em que dele necessitem.
Só falta mesmo ouvirmos ao ministro algo semelhante ao que escutámos, em plena pandemia, à colega que tutela a Saúde: nisto da Educação, é preciso é resiliência. Depois de o colapso do SNS ter sido desvalorizado como “um problema específico das urgências obstétricas”, ainda vão tentar convencer-nos que a destruição na educação foi só um professor com uma crise de soluços.
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Jun 29 2022
Os alunos da Educação Pré-escolar e do 1° Ciclo do Ensino Básico, são os mais jovens do sistema de ensino. Apesar da sua pouca idade, crianças entre os três e os nove anos, são precisamente estes alunos que maior número de horas permanecem nas Escolas e Jardins de Infância durante todo o ano letivo, em atividades que os escolarizam, com reduzido tempo para viverem e crescerem de forma lúdica, adquirindo competências motoras, sociais, mentais e culturais.
A Escola oferece formação académica, mas não pode nem deve ser a única realidade a quem crianças destas idades estejam entregues.
Pedagogos, psiquiatras, especialistas de várias áreas, há anos vêm alertando para os perigos da falta de tempo livre em idades tão jovens.
Também os professores e educadores destes níveis de ensino se encontram numa situação de extrema sobrecarga de horas de trabalho ao longo de todo o ano escolar. Em virtude da sua qualidade de monodocentes, únicos docentes de uma turma, e vêm impossibilitada a hipótese de terem tempos não letivos para o desempenho de outras importantes tarefas da sua vida profissional, acabando por muitas vezes ter de trabalhar no limite das suas forças.
Perante isto, não é compreensível que sejam precisamente estes alunos e docentes a ver prolongado em duas semanas, o seu calendário letivo. É discriminatório, não se compreende o objetivo desta diferença e é ainda perturbador da vida das famílias e das escolas.
Pretendem os signatários desta petição a revogação desta medida, passando todos os alunos (obviamente não incluindo aqueles que se encontram em anos de exames nacionais) a ter a mesma data de fim de ano letivo.
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Jun 28 2022
Governo prepara alterações legislativas já para o próximo ano letivo. Há professores que deixam de poder usufruir do regime de mobilidade e a quem não restará outra alternativa a não ser “meter baixa”.
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Jun 28 2022
Há escolas que parecem estar permanentemente ligadas a um aparelho tecnológico danoso, sem “certificação de qualidade”, altamente complexo e confuso, e que carece das mais elevadas qualificações para ser devidamente dominado e manuseado…
Em muitas escolas, alguns “bem iluminados” esforçam-se, frequentemente, por “inventar” e fazer aplicar as suas “criações” e as suas “descobertas”, certamente fruto da sua imensurável criatividade, imaginação, engenho, brilhantismo e competência…
Surgem, assim, os “peritos inventores de trapalhadas”, gente que manifesta, quase sempre, um verdadeiro prazer em complicar…
E mesmo quando tudo parece já ter sido inventado, eis que surge quase sempre mais alguém com uma enorme capacidade “inovadora”, munido de mais um “guião de procedimentos” que, em última análise, servirá apenas para complicar o que, à partida, poderia e deveria ser simples, eficaz e despretensioso…
O problema principal reside, muitas vezes, na aplicação prática e na eficácia de tais “criações” e “invenções”, sobretudo aquelas que acabam por não beneficiar efectivamente ninguém…
Que eficácia poderá ser reconhecida a uma medida ou a um procedimento se os seus resultados não se traduzirem em vantagens/benefícios para alguém ou para um grupo de pessoas? E se, em vez disso, criarem ainda mais dificuldades, constrangimentos e obstáculos?
Dentro de cada escola, quanto de cada um é “consumido” em tarefas, procedimentos ou medidas de eficácia muito duvidosa?
Quanto tempo e que disponibilidade mental e física resta aos professores para se dedicarem ao essencial e prioritário que, e até prova em contrário, deveria ser o trabalho directo com os alunos?
Que contributo decorre desses procedimentos, quase sempre burocráticos, para a melhoria do trabalho pedagógico a desenvolver com os discentes?
A contradição parece evidente: as exigências burocráticas que sistematicamente são feitas aos professores escamoteiam a importância do seu trabalho directo com os alunos, ignorando, muitas vezes, que a função de Ensinar exige esforço, atenção e dedicação, mas que isso não é inesgotável…
Resolver essa contradição implica conseguir falar alto e nos locais próprios, como em reuniões de Grupo de Recrutamento, de Departamento ou de Conselho Pedagógico.
Também implica que os representantes dos professores (Coordenadores de Grupo ou de Departamento, Coordenadores de Directores de Turma, Coordenadores de Ciclo, entre outros) nos vários órgãos da escola consigam ser efectivos porta-vozes dos seus pares e não meros “ornamentos florais”…
O que resta depois de tudo isso? Resta pouco. Mas restam, quase sempre, os chamados “floreados” ou “fogos de artifício” e o “show-off”, que muitos, intencionalmente, confundem com estratégias muito inovadoras, também elas, por certo, e para alguns, sinónimo de muito dinamismo e iniciativa ou, se se preferir, muita proactividade, numa terminologia muito moderna e actual…
Quando, à partida, as exigências formuladas são impossíveis de serem cumpridas, pelo seu carácter desprovido de realismo, honestidade, pragmatismo e sensatez, o resultado mais óbvio é, inevitavelmente, a frustração, o desânimo e a insatisfação…
E tudo isto “mói” muito, cansa muito e vai-se tornando numa espécie de doença em estado crónico, que deveras incomoda pelos sintomas permanentes e persistentes que provoca… Enquanto perdurar o “ilusionismo”, não haverá condições para aliviar esse mal-estar…
Quantas vezes já se ouviu a afirmação de que a Classe Docente não costuma necessitar do Ministério da Educação para complicar a sua vida porque, para isso, e no geral, basta ela própria?
Quem desliga os “complicómetros” existentes em tantas escolas, onde o principal lema parece ser: complicar é preciso, viver não é preciso?
(Matilde)
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Jun 27 2022
Podia já aqui estar, longe de tudo e de todos, há 40 anos, mas não estou, estou há 14.
Infelizmente, entre 14 e 40 não há diferença alguma quando a percepção de quem fica para trás é uma e sempre a mesma: emigrar é um capricho, uma aventura, uma criancice, uma brincadeira, teimosia, para não dizer birra.
Porque só assim se explica o porquê de deixar tudo para trás quando, e já toda a gente sabe, em Portugal bastam meia dúzia de anos para entrar para o quadro de uma escola seguido de uma carreira célere e bem remunerada a toda a brida até ao topo.
Sarcasmos à parte, concentremo-nos nos factos:
1) findo o estágio profissionalizante, fui colocado durante o ano lectivo de 2001/2002 em Tomar;
2) findo o ano em Tomar, não mais fui colocado;
3) antevendo o futuro de precariedade e desemprego ainda bem presente entre os professores da minha idade e que tantas notícias faz nos telejornais, inscrevi-me em enfermagem e em Setembro de 2003 voltei à universidade;
4) sim, enfermagem era o plano B para não ter de emigrar. Infelizmente, no 3° ano do curso chumbei num ensino clínico, pediatra, imagine-se, e como quem chumba uma só cadeira de ensino clínico tem de repetir o ano por inteiro, rapidamente fiz contas à vida e desisti do curso por falta de fundo de maneio;
5) a 5 de Setembro de 2007, depois de um ano e meio entre call-centres e centros de explicações, deixei a minha irmã e a Ana lavadas em lágrimas nos braços uma da outra no meio do aeroporto de Lisboa e rumei a terras de Sua Majestade.
A minha irmã e a Ana? Ainda lá estão, a 5 de Setembro de 2007 e sempre que lá volto e por mais que faça o fim é o mesmo e a promessa de nunca mais voltar quando o bilhete é só de ida e ninguém sabe o que nos espera do lado de lá.
Se pedimos ajuda a outros professores? Pedimos, e a resposta, peremptória, ainda hoje na ponta da língua: “Eu já sou do quadro” enquanto desvia o olhar com ar de enfado. E sim, se nos portássemos bem nas AECs, talvez nos deixassem ir à festa de Natal da escola.
Diante de tamanha solidariedade, empatia e união de classe, o que esperar de um futuro onde estamos sempre de passagem por uma escola e tantas vezes nem isso?
Já aqui o disse, em 2007 o país tinha um total de 30000 professores desempregados, os mesmos agora em falta. Para onde foram, não sei, mas que tiveram uma birra lá isso tiveram quando não há nada como passar a vida à espera de algumas migalhas conquanto se vote no sítio certo, como também me disseram, aliás.
Logo por azar, ou teimosia, lá está, quiçá princípios ideológicos tão em falta hoje em dia quando o que não falta é demagogia, insisti, e insisto, em votar sempre no sítio errado.
E se com o Brexit não posso deixar de apontar o dedo a um mundo em mudança e no qual se legitimam atitudes e acções supostamente erradicadas, a verdade para a qual a educação, e a administração pública em geral em Portugal, ainda não está preparada, fruto de décadas de compadrio e nepotismo é esta: em 2007, como professor em Inglaterra, auferia mensalmente 2000 libras. Nada mau, para começar. E em três anos subi de professor de substituição a director de uma escola.
E sim, entrei para o quadro.
E a enfermagem? Se em 2005 o mundo perdeu um péssimo enfermeiro, ao mesmo tempo perdeu um excelente médico, de investigação provavelmente. Futurismos, e modéstia, à parte, o saber não ocupa lugar e acabei a coordenar o ensino de alunos enfermos de um município inteiro de Londres.
Portanto, e enumerando, uma remuneração justa, nunca inferior a 2000 euros de base, estabilidade, carreira e mérito são os quatro princípios que há 14 anos (podiam ser 40 mas vão ser mais, muito mais) difundo e defendo por terras lusas.
Infelizmente, há ainda quem pense ser o contrário. Ou quem não queira saber. Porque as realidades de cada país, por mais individuais, podem assentar nos mesmos pilares, e em Portugal dar tiros no pé da educação é o desporto de sucessivos governos culminando numa classe docente desunida e à deriva.
Com o acréscimo de já nem podermos emigrar depois da saída do Reino Unido da União Europeia. Mentira, podemos, mas com o inglês ainda como língua franca, as alternativas estão por demais restringidas.
João André Costa
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Jun 27 2022
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Jun 27 2022
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 27 de junho e as 18:00 horas de 30 de junho de 2022 (hora de Portugal continental).
Nota Informativa – Pedido de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença
SIGRHE – Pedido de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença
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Jun 27 2022
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Jun 26 2022
Entre janeiro e junho deste ano passaram à aposentação 1066 professores e educadores de infância. Em julho reformam-se 158 docentes, elevando para 1224 o total desde o início, segundo as listagens da Caixa Geral de Aposentações. A média mensal de aposentados cifra-se em 175, e é a mais elevada desde 2013, ano em que se bateu o recorde de reformados na classe docente: 4628.

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Jun 25 2022
As aulas vão começar entre 13 e 16 de setembro e o regresso após o Natal e Ano Novo acontecerá a 3 de janeiro. Já a Páscoa volta a ter duas semanas de férias. Regressam os três dias de descanso no Carnaval. E as datas do final do ano letivo mantêm-se como este ano.
O final do ano letivo permanecer nas datas que teve, no caso da EPE e 1.º Ciclo ainda a decorrer, faz com que os dias letivos aumentem, na prática, para estes dois ciclos de educação/ensino em relação ao período pré-pandémico. Que ganhos terão os alunos?
Já nem vou falar da disparidade de horas letivas que estes docentes vão acumular a mais em relação os de outros ciclos, já que semanalmente, durante o ano letivo, acumulam, pelo menos, 180 minutos.
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Jun 25 2022
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Jun 24 2022
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Jun 24 2022
O PS e a IL votaram contra as três propostas a votação.
Continuamos na LUTA…
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Jun 24 2022
A minha tia Narcisa apaixonou-se pela sua escola onde foi colocada na sua juventude, e onde permaneceu até ao limite de idade. O mais estranho é que era uma escola numa aldeia periférica de Vila Velha de Ródão, a dois quilómetros da sua residência, que ela fazia a pé, ir e vir, todos os dias. Adorava fazer aquele caminho pela encosta da serra, entre o arvoredo verde, com vistas deslumbrantes, e sentia que era esta caminhada de ar puro que lhe dava força, vida e resistência. Com a idade, poderia ter ocupado a vaga na escola central da Vila, a escassos metros de casa, mas era ali, na pequena aldeia, que estavam os seus amores, as suas crianças, a população que a adorava, pela dedicação com que se entregava aos filhos dos outros, preenchendo o vazio dos filhos que não teve. Revivi com a minha tia o que era uma boa escola primária.
A tia Narcisa era casada com o meu tio Chico, chefe da estação de caminhos de ferro de Vila Velha, o irmão mais velho de meu pai. Moravam numa bela residência sobranceira à estação e tinham uma vida confortável no plano financeiro. Dois vencimentos, sem filhos, tinham um bom nível de vida. Mas vim ao mundo para lhes dar sorte: no ano em que nasci, saiu-lhes a taluda de natal. E aprendi aqui a diferença entre pai e tio.
De vez em quando visitava os meus tios, casa grande, o quarto onde dormia já era o meu quarto, com belas vistas sobre o rio Tejo. Um dia, já próximo do fim da licenciatura, a minha tia desafiou-me a passar o dia na sua escola com as suas criancinhas. Hesitei, receei, mas acabei por aceitar. Surpresa! A escola da minha tia, em termos de organização e funcionamento, era o retrato fiel da minha escola numa aldeia distante, no tempo e no espaço.
Se eu tivesse de indicar a escola mais eficaz entre as muitas que frequentei, apontaria sem hesitar a minha escola primária, agora replicada na escola da minha tia, porventura com algumas melhorias. Eficácia significa elevado nível de competências dos alunos, excelentes resultados escolares.
Uma turma, uma professora, quatro classes, a rondar ou mesmo ultrapassar os 50 alunos. Quais os segredos do sucesso? Essencialmente três:
1. O fim da lição, impossível com 4 classes de níveis diferentes;
2. O trabalho centrado nos alunos, individualmente, por pares e em grupos;
3. A disponibilidade do professor para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e para acorrer às dúvidas e dificuldades emergentes.
Em síntese: a centração no aluno, permitia ao professor ficar disponível para acudir às necessidades individuais.
No dia que acompanhei a minha tia Narcisa na sua escola, julguei que ia apanhar uma seca, mas não, ela era uma mulher prática, simplificou tudo: cumprimentou, apresentou-me e passou-me a palavra para cumprimentar. Tudo rápido, que o tempo é curto. Deu início aos trabalhos, os programas de atividades estavam definidos em quatro colunas no quadro, uma para cada classe, todos leram, não havia dúvidas. Deu um tempo para que as crianças se concentrassem nas tarefas, propôs-se acompanhar a 3ª e 4ª classes e pediu-me para acompanhar as duas primeiras.
A tia Narcisa tinha um modo muito interessante de combinar o trabalho individual e o trabalho por pares e por grupos. Naquele dia, para a 4ª classe, tinha previsto uma atividade de escrita de manhã e várias operações de matemática para a tarde. Como atividade de escrita individual, o tema era: “Planifica o teu fim de semana. Pensa no que tens de fazer, no que gostarias de fazer, no que não gostavas de fazer e no que podes fazer. Define o teu programa e justifica as tuas escolhas”. Neste ponto, pretendia abrir espaço à imaginação e ao sonho, em confronto com a realidade, entre o gostar e o poder. Concluída esta atividade, pretendia desencadear a negociação e a conciliação: “Em grupos de 4, cada um apresenta o seu programa, conversam, discutem, a seguir selecionam as atividades de consenso e definem um programa comum”. O programa comum foi aceite e escrito por todos. Se puderem levá-lo à prática, tanto melhor.
Achei esta atividade o máximo. É uma atividade de escrita, mas é sobretudo um desafio à imaginação, à criatividade e à iniciativa; um desafio ao saber estar e saber conviver com os outros; um desafio à cooperação e ao trabalho em equipa. Se a escola não for isto e for apenas uma luta de galos, não é uma boa escola.
O meu diálogo com as crianças das primeiras classes foi tudo menos o que eu esperava. Julguei que ia apoiar na leitura, na escrita e por aí adiante, mas não, não me conheciam e faziam questão de saber quem eu era, as perguntas tinham a ver com a minha pessoa e a minha vida: se eu era filho da senhora professora, ainda se usava a palavra senhora, se eu também era professor, se era casado, se tinha filhos, porque é que ainda era estudante sendo tão “velho”, o que é uma universidade, o que é que se aprende na universidade, se eu era rico… Eu estava desapontado porque afinal não tinha ido ao encontro das aprendizagens programadas. A minha tia, professora de verdade, tranquilizou-me: foi ótimo, puderam falar livremente, satisfazer a sua curiosidade, aprender coisas novas para os guiar no futuro e fugir às rotinas, que os liberta e às vezes é bom quebrar. Adorei acompanhar a minha tia.
O meu tio tinha duas violas, fez questão de me mostrar o seu talento. Achei que só podia tocar uma de cada vez e tive o descaramento de lhe pedir a outra. Foi peremptório, não e não, são recordações que guardo comigo. Nem a taluda de natal chegou para me comprar uma nova. Percebi aí qual é a diferença entre um pai e tio.
José Afonso Baptista
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Jun 24 2022
Fazia falta parar um pouco para tratar do relatório de avaliação docente.
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Jun 24 2022
Um diz-me para não ficar doente em agosto (como se alguém ficasse doente de propósito) e não comer bacalhau à brás…
O outro vem afirmar que o povo (arraia miúda) vai fazer um esforço para não ficar doente este verão (como se não o fizesse noutras estações do ano ou pudesse controlar a “coisa”)
Estou eu, para aqui isolado, a ler barbaridades.
Mas parece que ninguém se queixou do preço (22€ a dose) da sardinha no S. João… que ninguém se engasgue com as espinhas que o verão já começou…
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Jun 23 2022
Lista de AE/ENA com procedimentos de recrutamento externo – Professores Bibliotecários.
Lista atualizada em 23 de junho de 2022
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Jun 23 2022
… para a argumentação do Deputado Agostinho Santa, do PS, sobre a petição pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e ao 7.º escalão.
Melhor esteve a deputada Germana Rocha que diretamente disse que o PCP e o BE deveria ter feito essa iniciativa na altura dos diversos Orçamentos de Estado na época da geringonça.
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Jun 23 2022
Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão.
Todos os anos se fala de professores, ou porque são muitos, ou porque são poucos. E estes seres nunca estão contentes com o que têm, sempre a reclamar, sempre com greves à sexta-feira. Afinal o que querem eles? Têm três meses de férias, já para não falar do Natal e da Páscoa, passam o dia sentados e ganham muito bem para o que fazem.
Isto é o que eu ouço frequentemente, e porque de tantas vezes se repetir uma coisa ela torna-se banal.
Hoje em dia, em qualquer situação, as pessoas são números, e logo eu que sou alérgica à matemática também sou um número. O que muitas vezes nos esquecemos é que por detrás de um número existe uma pessoa, que tem família, amigos, cão, gato e um periquito talvez. Certo dia vi uma reportagem sobre professores deslocados. Sim, também já o fui, mas naquela altura da minha vida gostei, gostei de viver em outras cidades, conhecer novas realidades, novas pessoas. Quando se está a começar faz todo o sentido, sair do conforto da casa dos pais. E foi uma experiência maravilhosa. A diferença é que nessa reportagem os intervenientes não tinham vinte e tal anos, tinham todos mais de trinta, quarenta talvez. Quase todas as histórias eram tocadas pela solidão e pela tristeza, porque recomeçar todos os anos é difícil. Imaginem se tivessem de mudar de local de trabalho ano após ano, se tivessem de mudar de casa todos os anos, de cidade… uma professora nessa reportagem disse que a sua vida estava guardada em caixas e que a única companhia era o cão. Fiquei triste por ela, e por todos os outros na mesma situação. E feliz por mim, por ter tomado a decisão certa, embora por vezes possa não parecer… “ah! se não tivesse recusado aquela renovação de contrato a trezentos e tal quilómetros de casa podia ter tido uma hipótese de vincular”, mas teria perdido vínculos mais importantes, momentos únicos que jamais se repetirão. As primeiras palavras dos meus filhos, os seus primeiros passos, os seus sorrisos, os seus abraços, as histórias antes de dormir e os momentos em família e com amigos também! A vida não é para estar fechada dentro de caixas, nem para estar a trezentos ou a seiscentos quilómetros, nem para ser adiada. Ouvi tantas vezes: “quando tiver estabilidade faço isto, faço aquilo…” e se já for tarde demais?
Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão. Vi colegas que todas as segundas deixavam os filhos para trás, casais separados pela distância. Ser professor não é ser um número, é ser Humano. Um número não cria laços com as pessoas, com os alunos, com os colegas, com os funcionários, com a comunidade escolar. A escola não é a nossa segunda casa? Em casa existem regras, mas também existem afetos e preocupações. Como em qualquer casa, as pessoas que lá habitam têm personalidades diferentes, umas são mais perfeitas que outras, porque somos pessoas e não números.
Já vos disse que a minha memória é alérgica a números? Por isso, o que ela retém destes quinze anos de trabalho são as pequenas grandes coisas que vão muito para além dos números e das taxas e relatórios infindáveis de (in)sucesso. Nessas taxas não aparece o Tiago, aluno de um curso profissional, que não ligava a mínima às aulas de Português, mas que um dia quando abordei o 25 de abril na aula foi o mais interessado e participativo (sejamos honestos se eu tivesse trabalhado a noite inteira numa padaria para ajudar a minha mãe a criar os meus irmãos, também não queria saber de funções sintáticas para nada). Nesses números também não aparece o Ricardo que disse violentamente que me cortava o pescoço (e naquele momento desejei que o teletransporte fosse uma realidade) porque o ambiente em casa não era dos melhores, mas que era o primeiro a ajudar os colegas de cadeiras de rodas nos dias de chuva. Os números não falam da Ana e do seu sorriso contagiante que afinal escondia uma história obscura de abusos sexuais; nem do Miguel, autista, que no final do ano se despediu de mim com um grande abraço, ou do João que após a separação dos pais tinha sido “depositado” em casa dos avós, porque os progenitores (atenção que não escrevi “pais”) tinham formado novas famílias, com novos filhos e ele era um estorvo… como será que está o João agora? Ele que no meio disto tudo foi o menos culpado e o mais prejudicado. E o Manuel? Que após alguns recados na caderneta devido a mau comportamento, recebo uma mensagem do encarregado de educação para não me preocupar porque o futuro do filho já estava traçado: a prisão! E a Tatiana? Que um dia disse que me queria mostrar uma coisa, e quando levantou as mangas da camisola tinha os braços cortados?
Os números não sabem que há miúdos que só comem na escola, sim já todos ouvimos isto, mas passa sempre ao lado porque nunca vimos. Até o dia em que vamos parar a uma escola (quase) no meio do nada e vemos a vontade com que um rapaz come um prato de arroz e depois repete o segundo e o terceiro… E também há os que só têm a oportunidade de tomar banho lá, e os que não sabem as regras básicas de higiene ou como se comportar em sociedade, porque nunca lhes foi ensinado. Queria ver um número a ensinar isso, em 45 minutos semanais, a um rapaz que passava o tempo todo com a cabeça enfiada dentro da camisola… ou aos outros dois rapazes que preferiam contar-me como assaltavam carros, roubavam motas e compravam droga.
Os números não apoiam as mães adolescentes, nem identificam as depressões, os desaparecimentos, o abandono, a violência doméstica, nem confortam quando um familiar próximo está doente, não dão esperança, não dão um abraço quando é preciso, nem limpam as lágrimas se for necessário. Não dizem que eles são capazes, que podem ter um futuro melhor «se estudarem, mesmo que seja difícil, mesmo que quem esteja à espera deles em casa não considere isso importante. Também não ouvem os dramas juvenis dos primeiros amores, nem a professora a dizer “não se preocupem porque quando perdem um autocarro, logo a seguir vem outro e com ar condicionado”. Os números não dizem às adolescentes que elas são bonitas e que aquelas fotos que aparecem nas redes sociais não são bem o que parecem, não tentam encontrar um vestido para o baile de finalistas para que ninguém fique de fora, nem compram casacos e botas e sapatilhas para o frio, não emprestam livros, nem planeiam visitas de estudo, porque não sabem que por vezes é a única forma de alguns meninos saírem da terra onde vivem.
E porque um número é e será sempre apenas um algarismo, nunca saberá o que é cumplicidade. Um número nunca interromperia uma aula para falar sobre a morte e a vida, porque nunca entenderia que naquele momento era mais importante para a turma falar sobre o suicídio de um colega da escola do que cumprir o programa. Se eu fosse um número a minha colega Liliana não teria andado mais dez quilómetros durante um mês para me dar boleia quando tive um acidente de automóvel, nem a Elisabete me teria apoiado quando me aventurei numa nova disciplina, nem as colegas da ES Mem Martins teriam trocado aulas comigo para que eu “fosse de fim de semana” para o Porto mais cedo. Não teria partilhado bons momentos com os colegas da ES D. Dinis e do AE de Aljezur, momentos que fizeram com que não sentisse a tal solidão de chegar a um sítio e não conhecer absolutamente ninguém. A D. Rosa nunca me teria embrulhado as sandes em papel de alumínio “porque, menina professora, assim é mais fácil de transportar no comboio”, a D. Antónia nunca saberia que gosto de tomar pela manhã meia de leite, a D. Ana nunca me teria guardado a pen vermelha que deixava sempre no computador da sala, a D. Maria nunca me teria fotocopiado os testes em cima da hora, porque entendia que tirar um mestrado e trabalhar era complicado.
Ser professor não é ser um número, porque se assim fosse a Mariana nunca me teria enviado as fitas de final de curso por correio para assinar, não me teria emocionado (e vá lá, ter deixado discretamente uma lágrima cair) numa reunião de encarregados de educação online em plena pandemia, nem teria ouvido e lido palavras tão bonitas por parte dos alunos ao longo destes anos, nem teria escutado “obrigado por não desistir de nós”, nem me teriam deixado fatias de bolo e flores em cima da secretária. Os números não comem bolos, nem cheiram flores, pois não sabem o que perdem!
Tânia Santos Professora contratada de Português e Espanhol no AE Paço de Sousa, Penafiel (e um número desde 2006)
Nota: Os nomes dos alunos são fictícios.
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Jun 23 2022
Durante a tarde de hoje, a partir das 15:00, poderemos assistir ao debate sobre a petição n.º 216/XIV/2.ª
Da iniciativa de Arlindo Ferreira e outros – Pelo fim das vagas no acesso ao 5.º e 7.º escalão
da carreira docente, a que se juntam mais 2 Projetos de Resolução e um Projeto de Lei.
Projeto de Resolução n.º 54/XV/1.ª (PCP)
Recomenda ao Governo a eliminação da imposição administrativa de vagas para a progressão aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente
Projeto de Resolução n.º 56/XV/1.ª (BE)
Pela remoção dos obstáculos à progressão de docentes para 5º e 7º escalões
Projeto de Lei n.º 80/XV/1.ª (PAN)
Procede à revogação do atual sistema de acesso aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente, procedendo à alteração do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário
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Jun 22 2022
O SIPE solicitou a prorrogação dos prazos da mobilidade por doença, devido à dificuldade de cumprimento dos mesmos por parte dos docentes, pelos seguintes motivos:
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Jun 22 2022
A FNE, de acordo com as alterações que têm sido requeridas junto dos seus Sindicatos, informa que fez chegar hoje um ofício ao Ministério da Educação a solicitar o alargamento do prazo definido para o preenchimento e a extração do Relatório Médico relativo à Mobilidade por doença, previsto através de Aplicação eletrónica e disponível entre o dia 22 de junho e as 18:00 horas de 28 de junho de 2022 (hora de Portugal continental).
A FNE avançou também com pedido de reunião com a Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) para apresentar alguns dos problemas logísticos apresentados pela plataforma criada para o efeito.
Porto, 22 junho de 2022
A Comissão Executiva da FNE
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Jun 22 2022
Uma enorme parte de municípios no norte festejam o S. João (sexta-feira) e outra parte o S. Pedro (quarta-feira).
O que leva muitos médicos a agendarem as suas férias para esta altura.
Devendo o pedido de MPD ser submetido até ao dia 30, vamos assistir a ter muitos médicos em férias. Tal como aconteceu pela zona de Lisboa no fim de semana do S. António e no dia de Portugal e dos Santos.
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Jun 22 2022
A Escola internacional de São Tomé e Príncipe (EISTP) é uma escola privada que acolhe crianças
de mais de 14 nacionalidades. Fundada em 2011, a EISTP é gerida pela Associação APRENDE,
associação sem fins lucrativos formada por pais e encarregados de educação. Atualmente a
escola conta com 90 alunos e ministra aulas do 1.º ao 4.º ano do Ensino Básico conforme o
Currículo Português. A escola está integrada na rede de escolas portuguesas no estrangeiro.
Procuramos candidatos com:
– Licenciatura em Ensino Básico – 1.º Ciclo
– Experiência de pelo menos 3 anos como docente
– Conhecimento de informática na ótica do utilizador
– Qualidades altamente apreciadas: liderança, criatividade, autonomia, pontualidade
Oferecemos:
– Oferecemos remuneração compatível com a função
– Uma viagem ida e volta por cada período contratual ao país de origem
– Apoio logístico à instalação em São Tomé
– Contrato a termo certo de 2 anos letivos com possibilidade de renovação
Interessados, por favor, enviar CV com fotografia recente para o endereço de email:
[email protected], referindo no assunto a referência: EISTP docentes 2019-2020.
Apenas os candidatos pré-selecionados serão contactados para entrevista via Skype
https://www.facebook.com/sao.tome.564 www.eistp.st
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Jun 22 2022
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Jun 22 2022
Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).
A resposta, a meu ver, é simples: nunca. A escola poderia ter, acima de tudo, uma matriz social, humana e civilizadora. A escola foi transformada num aparelho pesado, com outros interesses (como se fossem fábricas de cidadãos de diferentes categorias de importância). Uma medi(a)dora de capacidade de sacrifício e acatamento?
Uma criança ou um jovem não são obrigados a gostar desta escola. Aliás, é saudável que não gostem. Se a educação é compulsória, então é a escola que precisa de cativar as crianças e os jovens. A motivação nunca vem com as mochilas.
Como é que se transforma informação profundamente truncada em conhecimento integral? “Rigor e exigência” – este sistema, assente no acatamento acrítico, fatiado em disciplinas a que se dão, há demasiado tempo, roupagens de 1.ª, de 2.ª e de 3.ª. Não poderia ser fomentada, desde cedo, dentro da realidade do respeito pelo trabalho, a liberdade de escolha adaptada às circunstâncias? Encorajado o poder da iniciativa? Da vontade própria? Da descoberta? Da curiosidade? Da criatividade?
Onde estão as práticas da autodescoberta e da inteligência emocional, sem a qual não sobram grande coisa? Somos receptores de informação, mas para o quê? Qual o intuito? O que é que esta informação fará por nós, e nós por ela? O que é que acrescenta? Qual a utilidade? Podemos debater acerca da sua pertinência? Não podemos escolher, dentro de uma área, o que explanar? Conhecermo-nos primeiro, antes de conhecer o(s) outro(s). Sem ideias pré-concebidas, sem veredictos à priori: sem pressupostos, sem tábuas rasas ou dados adquiridos.
Na década de ‘20 do século passado, já Abel Salazar, médico e professor (e pintor, e por aí), homem notável em qualquer tempo, era original na forma como conduzia as aulas, defendendo um ensino aberto, apoiado na observação, na investigação e na discussão científica, promovendo o autodidactismo dos alunos. Há cem anos!
Que paternalismo é esse, o de se achar que outros, que se saíram bem num sistema eminentemente desinteressante, mesquinho, amorfo, marrão, repetitivo, fomentador de desigualdades e de invejas é que sabem sempre o que é melhor para quem está ainda na escola? Com que direito se transformou uma conquista democrática, como permitir que todos possam ter acesso àquilo que deveria ser uma oportunidade, numa máquina debulhadora?
E os que querem outras coisas? E os que precisam de outras coisas? E os projectos verdadeiramente diferenciadores, que valem menos do que um teste ou um exame, mas que, ao contrário desses, motivam e não criam situações de stress, mal estar e competição?
Leio e ouço comentários, de dentro da máquina, e vejo muito receio de obsolescência. Confunde-se, desde logo, o incentivo ao pensamento com o “ensinar a como pensar”. Depois, a legitimação, pela exclusividade, no acesso às oportunidades: crer que os bons alunos (sejam lá o que forem) merecem mais oportunidades do que os alunos assim-assim ou os alunos fracos é acreditar que a ordem natural das coisas depende de um coador social aprimorado pelo sistema educativo. Isto levanta uma enorme questão: passamos anos a fio a ouvir que a educação é um ascensor social, quando, na verdade, não passará de uma peneira.
É que com o sistema como está, é preciso alimentar a “inevitabilidade” dos empregos mal remunerados, a falácia das “qualificações” (porque qualquer emprego ou trabalho é qualificado) e a legitimação das diferenças sociais: a pobreza também é um negócio.
Não pode haver elefantes no meio da sala, nem vacas sagradas: tudo pode ser discutido. Algo que é visto como eminentemente bom poderá não o ser. Muitas vezes não o é. Algo que promove meia dúzia e deixa cair a larga maioria é uma doença. Porque se recuarmos uns anos, perceberemos que foram repetidores de informação acríticos e “altamente qualificados” que perpetraram eventos como o Holocausto e outras guerras e tragédias. São repetidores de informação altamente qualificados que afundam o mundo, moral e eticamente, dia após dia.
Um sistema educativo sem estudos das emoções, empatia, ética, moral, equidade e solidariedade não serve. Um sistema educativo que privilegia a sanha classificativa, os rótulos (uma espécie de cadastro), colocando como acessório o que escrevi no início deste parágrafo, é um reprodutor cultural de desigualdades.
Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).
A escola tem um papel importante na forma como reproduz a sociedade. Se queremos que ambas progridam, pois que sirva para nos descobrirmos, para evoluirmos enquanto cidadãos do futuro, com ética, autónomos, curiosos, criativos, críticos e conscientes: lúcidos. E com respeito pelo(s) outro(s).
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Jun 22 2022
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 22 de junho e as 18:00 horas de 28 de junho de 2022 (hora de Portugal continental) para efetuar o preenchimento e a extração do Relatório Médico.
Decreto-Lei n.º 41/2022
Aviso de Abertura MPD
Despacho n.º 7716-A/2022
Manual de Instruções – Regime de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença – Relatório Médico
SIGRHE
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Jun 22 2022
Foi publicado o Despacho Normativo que estabelece o procedimento de mobilidade por doença.
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Jun 22 2022
1. O Ministério da Educação divulgou uma síntese de resultados (Educação Inclusiva 2020/2021) conseguidos pelas escolas públicas, no domínio dos apoios à aprendizagem e à inclusão. Está lá um quadro que compara as taxas globais de transição/conclusão dos diferentes ciclos de estudo com as mesmas taxas relativas aos alunos alvo das chamadas medidas selectivas e/ou adicionais (linguajar do DL 54/2018). Todas são excelentes, bem acima dos 90%, em todos os ciclos de estudo e nos dois grupos: o global e o dos alunos com necessidades educativas especiais (linguajar antigo, do século XX).
Só que há um problema, quando cruzamos estes maravilhosos dados com outros, do insuspeito IAVE (provas de aferição de 2021). Com efeito, sobre a prova de Português e Estudo do Meio, do 2º ano, disse o IAVE que na “análise e avaliação do conteúdo” de um texto, a percentagem média de respostas correctas se situou nos 19% e que apenas 7,8% dos alunos responderam de forma inteiramente correcta, ou seja, “apresentaram uma explicação fundamentada, analisando as ideias e construindo um raciocínio”. E disse ainda que, em Matemática, os alunos do 2º ano e do 8º evidenciaram dificuldades persistentes na “resolução de problemas” e, no 5.º e no 8.º, na maioria dos domínios analisados, a percentagem de alunos que respondeu sem dificuldades ficou aquém dos 20%, registando-se domínios onde não superou os 2,7%.
Termos em que a conclusão é óbvia: os excelentes resultados globais, apresentados pela desvergonha propagandística de um serviço são caricatamente resumidos, por outro serviço, à mediocridade que a soma das partes evidencia.
A manipulação dos resultados educativos, superestimando o que realmente os alunos aprendem, é absurda e irracional. Mas tudo continua porque na Educação há um padrão recorrente nas políticas do Governo: perante os factos problemáticos, não procura soluções; prefere alterar os factos, manipulando os dados, para escamotear a realidade.
2. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Segurança Social processou menos 45 mil pagamentos relativos a subsídios de educação especial, que se destinam a crianças com dificuldades educativas severas, isto é, cortou, não certamente em nome da propalada educação inclusiva, um em cada quatro subsídios requeridos.
Quem está no sistema (professores de educação especial, terapeutas e, naturalmente, pais) sabe das dificuldades com que tem de lutar para garantir aos alunos o cumprimento de um direito constitucional básico, qual seja o direito à educação. Será que quem assim decide sente o mesmo? Ou achará, outrossim, que há que regular “privilégios” porque, embora não estejamos em austeridade (vocábulo proibido), para doar 250 milhões à Ucrânia e 50 à Polónia, temos de “economizar” nalgum lado?
3. Foram liminarmente rejeitados na AR dois projectos-lei que propunham a consideração de todos os horários nos concursos de mobilidade e a atribuição de ajudas de custo a professores deslocados da sua residência oficial.
Por outro lado, o novo quadro legal da mobilidade por doença faz prever que muitos professores, dramaticamente carentes de beneficiar do regime, vão deixar de preencher os requisitos de índole administrativa e as baixas médicas de longa duração vão aumentar. Entretanto, a resolução das questões de fundo (peregrina lógica de concursos, exiguidade dos quadros das escolas, excrescência sem sentido dos chamados Quadros de Zona Pedagógica e o progressivo envelhecimento da classe docente) foi empurrada para algures, pelas proeminentes barriguinhas pensantes dos decisores.
4. Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita, disposta a sacrificar os progressos recentes do sistema nacional de ensino. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho. Os mais ansiosos, os mais precários, os detentores de saberes menos sólidos, os mais compreensivelmente descontrolados pela ausência de futuro e os mais oportunistas vão aderindo à estratégia da seita e estabelecendo com ela o vínculo social que lhes faltava.
In “Público” de 22.6.22
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Jun 21 2022
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