Mobilidade por doença – Prazo para extração de relatórios médicos prolongado por mais um dia
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Jun 28 2022
Governo prepara alterações legislativas já para o próximo ano letivo. Há professores que deixam de poder usufruir do regime de mobilidade e a quem não restará outra alternativa a não ser “meter baixa”.
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Jun 28 2022
Há escolas que parecem estar permanentemente ligadas a um aparelho tecnológico danoso, sem “certificação de qualidade”, altamente complexo e confuso, e que carece das mais elevadas qualificações para ser devidamente dominado e manuseado…
Em muitas escolas, alguns “bem iluminados” esforçam-se, frequentemente, por “inventar” e fazer aplicar as suas “criações” e as suas “descobertas”, certamente fruto da sua imensurável criatividade, imaginação, engenho, brilhantismo e competência…
Surgem, assim, os “peritos inventores de trapalhadas”, gente que manifesta, quase sempre, um verdadeiro prazer em complicar…
E mesmo quando tudo parece já ter sido inventado, eis que surge quase sempre mais alguém com uma enorme capacidade “inovadora”, munido de mais um “guião de procedimentos” que, em última análise, servirá apenas para complicar o que, à partida, poderia e deveria ser simples, eficaz e despretensioso…
O problema principal reside, muitas vezes, na aplicação prática e na eficácia de tais “criações” e “invenções”, sobretudo aquelas que acabam por não beneficiar efectivamente ninguém…
Que eficácia poderá ser reconhecida a uma medida ou a um procedimento se os seus resultados não se traduzirem em vantagens/benefícios para alguém ou para um grupo de pessoas? E se, em vez disso, criarem ainda mais dificuldades, constrangimentos e obstáculos?
Dentro de cada escola, quanto de cada um é “consumido” em tarefas, procedimentos ou medidas de eficácia muito duvidosa?
Quanto tempo e que disponibilidade mental e física resta aos professores para se dedicarem ao essencial e prioritário que, e até prova em contrário, deveria ser o trabalho directo com os alunos?
Que contributo decorre desses procedimentos, quase sempre burocráticos, para a melhoria do trabalho pedagógico a desenvolver com os discentes?
A contradição parece evidente: as exigências burocráticas que sistematicamente são feitas aos professores escamoteiam a importância do seu trabalho directo com os alunos, ignorando, muitas vezes, que a função de Ensinar exige esforço, atenção e dedicação, mas que isso não é inesgotável…
Resolver essa contradição implica conseguir falar alto e nos locais próprios, como em reuniões de Grupo de Recrutamento, de Departamento ou de Conselho Pedagógico.
Também implica que os representantes dos professores (Coordenadores de Grupo ou de Departamento, Coordenadores de Directores de Turma, Coordenadores de Ciclo, entre outros) nos vários órgãos da escola consigam ser efectivos porta-vozes dos seus pares e não meros “ornamentos florais”…
O que resta depois de tudo isso? Resta pouco. Mas restam, quase sempre, os chamados “floreados” ou “fogos de artifício” e o “show-off”, que muitos, intencionalmente, confundem com estratégias muito inovadoras, também elas, por certo, e para alguns, sinónimo de muito dinamismo e iniciativa ou, se se preferir, muita proactividade, numa terminologia muito moderna e actual…
Quando, à partida, as exigências formuladas são impossíveis de serem cumpridas, pelo seu carácter desprovido de realismo, honestidade, pragmatismo e sensatez, o resultado mais óbvio é, inevitavelmente, a frustração, o desânimo e a insatisfação…
E tudo isto “mói” muito, cansa muito e vai-se tornando numa espécie de doença em estado crónico, que deveras incomoda pelos sintomas permanentes e persistentes que provoca… Enquanto perdurar o “ilusionismo”, não haverá condições para aliviar esse mal-estar…
Quantas vezes já se ouviu a afirmação de que a Classe Docente não costuma necessitar do Ministério da Educação para complicar a sua vida porque, para isso, e no geral, basta ela própria?
Quem desliga os “complicómetros” existentes em tantas escolas, onde o principal lema parece ser: complicar é preciso, viver não é preciso?
(Matilde)
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Jun 27 2022
Podia já aqui estar, longe de tudo e de todos, há 40 anos, mas não estou, estou há 14.
Infelizmente, entre 14 e 40 não há diferença alguma quando a percepção de quem fica para trás é uma e sempre a mesma: emigrar é um capricho, uma aventura, uma criancice, uma brincadeira, teimosia, para não dizer birra.
Porque só assim se explica o porquê de deixar tudo para trás quando, e já toda a gente sabe, em Portugal bastam meia dúzia de anos para entrar para o quadro de uma escola seguido de uma carreira célere e bem remunerada a toda a brida até ao topo.
Sarcasmos à parte, concentremo-nos nos factos:
1) findo o estágio profissionalizante, fui colocado durante o ano lectivo de 2001/2002 em Tomar;
2) findo o ano em Tomar, não mais fui colocado;
3) antevendo o futuro de precariedade e desemprego ainda bem presente entre os professores da minha idade e que tantas notícias faz nos telejornais, inscrevi-me em enfermagem e em Setembro de 2003 voltei à universidade;
4) sim, enfermagem era o plano B para não ter de emigrar. Infelizmente, no 3° ano do curso chumbei num ensino clínico, pediatra, imagine-se, e como quem chumba uma só cadeira de ensino clínico tem de repetir o ano por inteiro, rapidamente fiz contas à vida e desisti do curso por falta de fundo de maneio;
5) a 5 de Setembro de 2007, depois de um ano e meio entre call-centres e centros de explicações, deixei a minha irmã e a Ana lavadas em lágrimas nos braços uma da outra no meio do aeroporto de Lisboa e rumei a terras de Sua Majestade.
A minha irmã e a Ana? Ainda lá estão, a 5 de Setembro de 2007 e sempre que lá volto e por mais que faça o fim é o mesmo e a promessa de nunca mais voltar quando o bilhete é só de ida e ninguém sabe o que nos espera do lado de lá.
Se pedimos ajuda a outros professores? Pedimos, e a resposta, peremptória, ainda hoje na ponta da língua: “Eu já sou do quadro” enquanto desvia o olhar com ar de enfado. E sim, se nos portássemos bem nas AECs, talvez nos deixassem ir à festa de Natal da escola.
Diante de tamanha solidariedade, empatia e união de classe, o que esperar de um futuro onde estamos sempre de passagem por uma escola e tantas vezes nem isso?
Já aqui o disse, em 2007 o país tinha um total de 30000 professores desempregados, os mesmos agora em falta. Para onde foram, não sei, mas que tiveram uma birra lá isso tiveram quando não há nada como passar a vida à espera de algumas migalhas conquanto se vote no sítio certo, como também me disseram, aliás.
Logo por azar, ou teimosia, lá está, quiçá princípios ideológicos tão em falta hoje em dia quando o que não falta é demagogia, insisti, e insisto, em votar sempre no sítio errado.
E se com o Brexit não posso deixar de apontar o dedo a um mundo em mudança e no qual se legitimam atitudes e acções supostamente erradicadas, a verdade para a qual a educação, e a administração pública em geral em Portugal, ainda não está preparada, fruto de décadas de compadrio e nepotismo é esta: em 2007, como professor em Inglaterra, auferia mensalmente 2000 libras. Nada mau, para começar. E em três anos subi de professor de substituição a director de uma escola.
E sim, entrei para o quadro.
E a enfermagem? Se em 2005 o mundo perdeu um péssimo enfermeiro, ao mesmo tempo perdeu um excelente médico, de investigação provavelmente. Futurismos, e modéstia, à parte, o saber não ocupa lugar e acabei a coordenar o ensino de alunos enfermos de um município inteiro de Londres.
Portanto, e enumerando, uma remuneração justa, nunca inferior a 2000 euros de base, estabilidade, carreira e mérito são os quatro princípios que há 14 anos (podiam ser 40 mas vão ser mais, muito mais) difundo e defendo por terras lusas.
Infelizmente, há ainda quem pense ser o contrário. Ou quem não queira saber. Porque as realidades de cada país, por mais individuais, podem assentar nos mesmos pilares, e em Portugal dar tiros no pé da educação é o desporto de sucessivos governos culminando numa classe docente desunida e à deriva.
Com o acréscimo de já nem podermos emigrar depois da saída do Reino Unido da União Europeia. Mentira, podemos, mas com o inglês ainda como língua franca, as alternativas estão por demais restringidas.
João André Costa
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Jun 27 2022
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Jun 27 2022
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 27 de junho e as 18:00 horas de 30 de junho de 2022 (hora de Portugal continental).
Nota Informativa – Pedido de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença
SIGRHE – Pedido de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença
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Jun 27 2022
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Jun 26 2022
Entre janeiro e junho deste ano passaram à aposentação 1066 professores e educadores de infância. Em julho reformam-se 158 docentes, elevando para 1224 o total desde o início, segundo as listagens da Caixa Geral de Aposentações. A média mensal de aposentados cifra-se em 175, e é a mais elevada desde 2013, ano em que se bateu o recorde de reformados na classe docente: 4628.

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Jun 25 2022
As aulas vão começar entre 13 e 16 de setembro e o regresso após o Natal e Ano Novo acontecerá a 3 de janeiro. Já a Páscoa volta a ter duas semanas de férias. Regressam os três dias de descanso no Carnaval. E as datas do final do ano letivo mantêm-se como este ano.
O final do ano letivo permanecer nas datas que teve, no caso da EPE e 1.º Ciclo ainda a decorrer, faz com que os dias letivos aumentem, na prática, para estes dois ciclos de educação/ensino em relação ao período pré-pandémico. Que ganhos terão os alunos?
Já nem vou falar da disparidade de horas letivas que estes docentes vão acumular a mais em relação os de outros ciclos, já que semanalmente, durante o ano letivo, acumulam, pelo menos, 180 minutos.
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Jun 25 2022
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Jun 24 2022
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Jun 24 2022
O PS e a IL votaram contra as três propostas a votação.
Continuamos na LUTA…
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Jun 24 2022
A minha tia Narcisa apaixonou-se pela sua escola onde foi colocada na sua juventude, e onde permaneceu até ao limite de idade. O mais estranho é que era uma escola numa aldeia periférica de Vila Velha de Ródão, a dois quilómetros da sua residência, que ela fazia a pé, ir e vir, todos os dias. Adorava fazer aquele caminho pela encosta da serra, entre o arvoredo verde, com vistas deslumbrantes, e sentia que era esta caminhada de ar puro que lhe dava força, vida e resistência. Com a idade, poderia ter ocupado a vaga na escola central da Vila, a escassos metros de casa, mas era ali, na pequena aldeia, que estavam os seus amores, as suas crianças, a população que a adorava, pela dedicação com que se entregava aos filhos dos outros, preenchendo o vazio dos filhos que não teve. Revivi com a minha tia o que era uma boa escola primária.
A tia Narcisa era casada com o meu tio Chico, chefe da estação de caminhos de ferro de Vila Velha, o irmão mais velho de meu pai. Moravam numa bela residência sobranceira à estação e tinham uma vida confortável no plano financeiro. Dois vencimentos, sem filhos, tinham um bom nível de vida. Mas vim ao mundo para lhes dar sorte: no ano em que nasci, saiu-lhes a taluda de natal. E aprendi aqui a diferença entre pai e tio.
De vez em quando visitava os meus tios, casa grande, o quarto onde dormia já era o meu quarto, com belas vistas sobre o rio Tejo. Um dia, já próximo do fim da licenciatura, a minha tia desafiou-me a passar o dia na sua escola com as suas criancinhas. Hesitei, receei, mas acabei por aceitar. Surpresa! A escola da minha tia, em termos de organização e funcionamento, era o retrato fiel da minha escola numa aldeia distante, no tempo e no espaço.
Se eu tivesse de indicar a escola mais eficaz entre as muitas que frequentei, apontaria sem hesitar a minha escola primária, agora replicada na escola da minha tia, porventura com algumas melhorias. Eficácia significa elevado nível de competências dos alunos, excelentes resultados escolares.
Uma turma, uma professora, quatro classes, a rondar ou mesmo ultrapassar os 50 alunos. Quais os segredos do sucesso? Essencialmente três:
1. O fim da lição, impossível com 4 classes de níveis diferentes;
2. O trabalho centrado nos alunos, individualmente, por pares e em grupos;
3. A disponibilidade do professor para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e para acorrer às dúvidas e dificuldades emergentes.
Em síntese: a centração no aluno, permitia ao professor ficar disponível para acudir às necessidades individuais.
No dia que acompanhei a minha tia Narcisa na sua escola, julguei que ia apanhar uma seca, mas não, ela era uma mulher prática, simplificou tudo: cumprimentou, apresentou-me e passou-me a palavra para cumprimentar. Tudo rápido, que o tempo é curto. Deu início aos trabalhos, os programas de atividades estavam definidos em quatro colunas no quadro, uma para cada classe, todos leram, não havia dúvidas. Deu um tempo para que as crianças se concentrassem nas tarefas, propôs-se acompanhar a 3ª e 4ª classes e pediu-me para acompanhar as duas primeiras.
A tia Narcisa tinha um modo muito interessante de combinar o trabalho individual e o trabalho por pares e por grupos. Naquele dia, para a 4ª classe, tinha previsto uma atividade de escrita de manhã e várias operações de matemática para a tarde. Como atividade de escrita individual, o tema era: “Planifica o teu fim de semana. Pensa no que tens de fazer, no que gostarias de fazer, no que não gostavas de fazer e no que podes fazer. Define o teu programa e justifica as tuas escolhas”. Neste ponto, pretendia abrir espaço à imaginação e ao sonho, em confronto com a realidade, entre o gostar e o poder. Concluída esta atividade, pretendia desencadear a negociação e a conciliação: “Em grupos de 4, cada um apresenta o seu programa, conversam, discutem, a seguir selecionam as atividades de consenso e definem um programa comum”. O programa comum foi aceite e escrito por todos. Se puderem levá-lo à prática, tanto melhor.
Achei esta atividade o máximo. É uma atividade de escrita, mas é sobretudo um desafio à imaginação, à criatividade e à iniciativa; um desafio ao saber estar e saber conviver com os outros; um desafio à cooperação e ao trabalho em equipa. Se a escola não for isto e for apenas uma luta de galos, não é uma boa escola.
O meu diálogo com as crianças das primeiras classes foi tudo menos o que eu esperava. Julguei que ia apoiar na leitura, na escrita e por aí adiante, mas não, não me conheciam e faziam questão de saber quem eu era, as perguntas tinham a ver com a minha pessoa e a minha vida: se eu era filho da senhora professora, ainda se usava a palavra senhora, se eu também era professor, se era casado, se tinha filhos, porque é que ainda era estudante sendo tão “velho”, o que é uma universidade, o que é que se aprende na universidade, se eu era rico… Eu estava desapontado porque afinal não tinha ido ao encontro das aprendizagens programadas. A minha tia, professora de verdade, tranquilizou-me: foi ótimo, puderam falar livremente, satisfazer a sua curiosidade, aprender coisas novas para os guiar no futuro e fugir às rotinas, que os liberta e às vezes é bom quebrar. Adorei acompanhar a minha tia.
O meu tio tinha duas violas, fez questão de me mostrar o seu talento. Achei que só podia tocar uma de cada vez e tive o descaramento de lhe pedir a outra. Foi peremptório, não e não, são recordações que guardo comigo. Nem a taluda de natal chegou para me comprar uma nova. Percebi aí qual é a diferença entre um pai e tio.
José Afonso Baptista
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Jun 24 2022
Fazia falta parar um pouco para tratar do relatório de avaliação docente.
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Jun 24 2022
Um diz-me para não ficar doente em agosto (como se alguém ficasse doente de propósito) e não comer bacalhau à brás…
O outro vem afirmar que o povo (arraia miúda) vai fazer um esforço para não ficar doente este verão (como se não o fizesse noutras estações do ano ou pudesse controlar a “coisa”)
Estou eu, para aqui isolado, a ler barbaridades.
Mas parece que ninguém se queixou do preço (22€ a dose) da sardinha no S. João… que ninguém se engasgue com as espinhas que o verão já começou…
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Jun 23 2022
Lista de AE/ENA com procedimentos de recrutamento externo – Professores Bibliotecários.
Lista atualizada em 23 de junho de 2022
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Jun 23 2022
Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão.
Todos os anos se fala de professores, ou porque são muitos, ou porque são poucos. E estes seres nunca estão contentes com o que têm, sempre a reclamar, sempre com greves à sexta-feira. Afinal o que querem eles? Têm três meses de férias, já para não falar do Natal e da Páscoa, passam o dia sentados e ganham muito bem para o que fazem.
Isto é o que eu ouço frequentemente, e porque de tantas vezes se repetir uma coisa ela torna-se banal.
Hoje em dia, em qualquer situação, as pessoas são números, e logo eu que sou alérgica à matemática também sou um número. O que muitas vezes nos esquecemos é que por detrás de um número existe uma pessoa, que tem família, amigos, cão, gato e um periquito talvez. Certo dia vi uma reportagem sobre professores deslocados. Sim, também já o fui, mas naquela altura da minha vida gostei, gostei de viver em outras cidades, conhecer novas realidades, novas pessoas. Quando se está a começar faz todo o sentido, sair do conforto da casa dos pais. E foi uma experiência maravilhosa. A diferença é que nessa reportagem os intervenientes não tinham vinte e tal anos, tinham todos mais de trinta, quarenta talvez. Quase todas as histórias eram tocadas pela solidão e pela tristeza, porque recomeçar todos os anos é difícil. Imaginem se tivessem de mudar de local de trabalho ano após ano, se tivessem de mudar de casa todos os anos, de cidade… uma professora nessa reportagem disse que a sua vida estava guardada em caixas e que a única companhia era o cão. Fiquei triste por ela, e por todos os outros na mesma situação. E feliz por mim, por ter tomado a decisão certa, embora por vezes possa não parecer… “ah! se não tivesse recusado aquela renovação de contrato a trezentos e tal quilómetros de casa podia ter tido uma hipótese de vincular”, mas teria perdido vínculos mais importantes, momentos únicos que jamais se repetirão. As primeiras palavras dos meus filhos, os seus primeiros passos, os seus sorrisos, os seus abraços, as histórias antes de dormir e os momentos em família e com amigos também! A vida não é para estar fechada dentro de caixas, nem para estar a trezentos ou a seiscentos quilómetros, nem para ser adiada. Ouvi tantas vezes: “quando tiver estabilidade faço isto, faço aquilo…” e se já for tarde demais?
Somos milhares de professores, somos milhares de números, mas cada número representa sonhos adiados, alguns pais de fim de semana, projetos esquecidos, vidas dentro de caixas, horas de solidão. Vi colegas que todas as segundas deixavam os filhos para trás, casais separados pela distância. Ser professor não é ser um número, é ser Humano. Um número não cria laços com as pessoas, com os alunos, com os colegas, com os funcionários, com a comunidade escolar. A escola não é a nossa segunda casa? Em casa existem regras, mas também existem afetos e preocupações. Como em qualquer casa, as pessoas que lá habitam têm personalidades diferentes, umas são mais perfeitas que outras, porque somos pessoas e não números.
Já vos disse que a minha memória é alérgica a números? Por isso, o que ela retém destes quinze anos de trabalho são as pequenas grandes coisas que vão muito para além dos números e das taxas e relatórios infindáveis de (in)sucesso. Nessas taxas não aparece o Tiago, aluno de um curso profissional, que não ligava a mínima às aulas de Português, mas que um dia quando abordei o 25 de abril na aula foi o mais interessado e participativo (sejamos honestos se eu tivesse trabalhado a noite inteira numa padaria para ajudar a minha mãe a criar os meus irmãos, também não queria saber de funções sintáticas para nada). Nesses números também não aparece o Ricardo que disse violentamente que me cortava o pescoço (e naquele momento desejei que o teletransporte fosse uma realidade) porque o ambiente em casa não era dos melhores, mas que era o primeiro a ajudar os colegas de cadeiras de rodas nos dias de chuva. Os números não falam da Ana e do seu sorriso contagiante que afinal escondia uma história obscura de abusos sexuais; nem do Miguel, autista, que no final do ano se despediu de mim com um grande abraço, ou do João que após a separação dos pais tinha sido “depositado” em casa dos avós, porque os progenitores (atenção que não escrevi “pais”) tinham formado novas famílias, com novos filhos e ele era um estorvo… como será que está o João agora? Ele que no meio disto tudo foi o menos culpado e o mais prejudicado. E o Manuel? Que após alguns recados na caderneta devido a mau comportamento, recebo uma mensagem do encarregado de educação para não me preocupar porque o futuro do filho já estava traçado: a prisão! E a Tatiana? Que um dia disse que me queria mostrar uma coisa, e quando levantou as mangas da camisola tinha os braços cortados?
Os números não sabem que há miúdos que só comem na escola, sim já todos ouvimos isto, mas passa sempre ao lado porque nunca vimos. Até o dia em que vamos parar a uma escola (quase) no meio do nada e vemos a vontade com que um rapaz come um prato de arroz e depois repete o segundo e o terceiro… E também há os que só têm a oportunidade de tomar banho lá, e os que não sabem as regras básicas de higiene ou como se comportar em sociedade, porque nunca lhes foi ensinado. Queria ver um número a ensinar isso, em 45 minutos semanais, a um rapaz que passava o tempo todo com a cabeça enfiada dentro da camisola… ou aos outros dois rapazes que preferiam contar-me como assaltavam carros, roubavam motas e compravam droga.
Os números não apoiam as mães adolescentes, nem identificam as depressões, os desaparecimentos, o abandono, a violência doméstica, nem confortam quando um familiar próximo está doente, não dão esperança, não dão um abraço quando é preciso, nem limpam as lágrimas se for necessário. Não dizem que eles são capazes, que podem ter um futuro melhor «se estudarem, mesmo que seja difícil, mesmo que quem esteja à espera deles em casa não considere isso importante. Também não ouvem os dramas juvenis dos primeiros amores, nem a professora a dizer “não se preocupem porque quando perdem um autocarro, logo a seguir vem outro e com ar condicionado”. Os números não dizem às adolescentes que elas são bonitas e que aquelas fotos que aparecem nas redes sociais não são bem o que parecem, não tentam encontrar um vestido para o baile de finalistas para que ninguém fique de fora, nem compram casacos e botas e sapatilhas para o frio, não emprestam livros, nem planeiam visitas de estudo, porque não sabem que por vezes é a única forma de alguns meninos saírem da terra onde vivem.
E porque um número é e será sempre apenas um algarismo, nunca saberá o que é cumplicidade. Um número nunca interromperia uma aula para falar sobre a morte e a vida, porque nunca entenderia que naquele momento era mais importante para a turma falar sobre o suicídio de um colega da escola do que cumprir o programa. Se eu fosse um número a minha colega Liliana não teria andado mais dez quilómetros durante um mês para me dar boleia quando tive um acidente de automóvel, nem a Elisabete me teria apoiado quando me aventurei numa nova disciplina, nem as colegas da ES Mem Martins teriam trocado aulas comigo para que eu “fosse de fim de semana” para o Porto mais cedo. Não teria partilhado bons momentos com os colegas da ES D. Dinis e do AE de Aljezur, momentos que fizeram com que não sentisse a tal solidão de chegar a um sítio e não conhecer absolutamente ninguém. A D. Rosa nunca me teria embrulhado as sandes em papel de alumínio “porque, menina professora, assim é mais fácil de transportar no comboio”, a D. Antónia nunca saberia que gosto de tomar pela manhã meia de leite, a D. Ana nunca me teria guardado a pen vermelha que deixava sempre no computador da sala, a D. Maria nunca me teria fotocopiado os testes em cima da hora, porque entendia que tirar um mestrado e trabalhar era complicado.
Ser professor não é ser um número, porque se assim fosse a Mariana nunca me teria enviado as fitas de final de curso por correio para assinar, não me teria emocionado (e vá lá, ter deixado discretamente uma lágrima cair) numa reunião de encarregados de educação online em plena pandemia, nem teria ouvido e lido palavras tão bonitas por parte dos alunos ao longo destes anos, nem teria escutado “obrigado por não desistir de nós”, nem me teriam deixado fatias de bolo e flores em cima da secretária. Os números não comem bolos, nem cheiram flores, pois não sabem o que perdem!
Tânia Santos Professora contratada de Português e Espanhol no AE Paço de Sousa, Penafiel (e um número desde 2006)
Nota: Os nomes dos alunos são fictícios.
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Jun 22 2022
A Escola internacional de São Tomé e Príncipe (EISTP) é uma escola privada que acolhe crianças
de mais de 14 nacionalidades. Fundada em 2011, a EISTP é gerida pela Associação APRENDE,
associação sem fins lucrativos formada por pais e encarregados de educação. Atualmente a
escola conta com 90 alunos e ministra aulas do 1.º ao 4.º ano do Ensino Básico conforme o
Currículo Português. A escola está integrada na rede de escolas portuguesas no estrangeiro.
Procuramos candidatos com:
– Licenciatura em Ensino Básico – 1.º Ciclo
– Experiência de pelo menos 3 anos como docente
– Conhecimento de informática na ótica do utilizador
– Qualidades altamente apreciadas: liderança, criatividade, autonomia, pontualidade
Oferecemos:
– Oferecemos remuneração compatível com a função
– Uma viagem ida e volta por cada período contratual ao país de origem
– Apoio logístico à instalação em São Tomé
– Contrato a termo certo de 2 anos letivos com possibilidade de renovação
Interessados, por favor, enviar CV com fotografia recente para o endereço de email:
[email protected], referindo no assunto a referência: EISTP docentes 2019-2020.
Apenas os candidatos pré-selecionados serão contactados para entrevista via Skype
https://www.facebook.com/sao.tome.564 www.eistp.st
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Jun 22 2022
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Jun 22 2022
Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).
A resposta, a meu ver, é simples: nunca. A escola poderia ter, acima de tudo, uma matriz social, humana e civilizadora. A escola foi transformada num aparelho pesado, com outros interesses (como se fossem fábricas de cidadãos de diferentes categorias de importância). Uma medi(a)dora de capacidade de sacrifício e acatamento?
Uma criança ou um jovem não são obrigados a gostar desta escola. Aliás, é saudável que não gostem. Se a educação é compulsória, então é a escola que precisa de cativar as crianças e os jovens. A motivação nunca vem com as mochilas.
Como é que se transforma informação profundamente truncada em conhecimento integral? “Rigor e exigência” – este sistema, assente no acatamento acrítico, fatiado em disciplinas a que se dão, há demasiado tempo, roupagens de 1.ª, de 2.ª e de 3.ª. Não poderia ser fomentada, desde cedo, dentro da realidade do respeito pelo trabalho, a liberdade de escolha adaptada às circunstâncias? Encorajado o poder da iniciativa? Da vontade própria? Da descoberta? Da curiosidade? Da criatividade?
Onde estão as práticas da autodescoberta e da inteligência emocional, sem a qual não sobram grande coisa? Somos receptores de informação, mas para o quê? Qual o intuito? O que é que esta informação fará por nós, e nós por ela? O que é que acrescenta? Qual a utilidade? Podemos debater acerca da sua pertinência? Não podemos escolher, dentro de uma área, o que explanar? Conhecermo-nos primeiro, antes de conhecer o(s) outro(s). Sem ideias pré-concebidas, sem veredictos à priori: sem pressupostos, sem tábuas rasas ou dados adquiridos.
Na década de ‘20 do século passado, já Abel Salazar, médico e professor (e pintor, e por aí), homem notável em qualquer tempo, era original na forma como conduzia as aulas, defendendo um ensino aberto, apoiado na observação, na investigação e na discussão científica, promovendo o autodidactismo dos alunos. Há cem anos!
Que paternalismo é esse, o de se achar que outros, que se saíram bem num sistema eminentemente desinteressante, mesquinho, amorfo, marrão, repetitivo, fomentador de desigualdades e de invejas é que sabem sempre o que é melhor para quem está ainda na escola? Com que direito se transformou uma conquista democrática, como permitir que todos possam ter acesso àquilo que deveria ser uma oportunidade, numa máquina debulhadora?
E os que querem outras coisas? E os que precisam de outras coisas? E os projectos verdadeiramente diferenciadores, que valem menos do que um teste ou um exame, mas que, ao contrário desses, motivam e não criam situações de stress, mal estar e competição?
Leio e ouço comentários, de dentro da máquina, e vejo muito receio de obsolescência. Confunde-se, desde logo, o incentivo ao pensamento com o “ensinar a como pensar”. Depois, a legitimação, pela exclusividade, no acesso às oportunidades: crer que os bons alunos (sejam lá o que forem) merecem mais oportunidades do que os alunos assim-assim ou os alunos fracos é acreditar que a ordem natural das coisas depende de um coador social aprimorado pelo sistema educativo. Isto levanta uma enorme questão: passamos anos a fio a ouvir que a educação é um ascensor social, quando, na verdade, não passará de uma peneira.
É que com o sistema como está, é preciso alimentar a “inevitabilidade” dos empregos mal remunerados, a falácia das “qualificações” (porque qualquer emprego ou trabalho é qualificado) e a legitimação das diferenças sociais: a pobreza também é um negócio.
Não pode haver elefantes no meio da sala, nem vacas sagradas: tudo pode ser discutido. Algo que é visto como eminentemente bom poderá não o ser. Muitas vezes não o é. Algo que promove meia dúzia e deixa cair a larga maioria é uma doença. Porque se recuarmos uns anos, perceberemos que foram repetidores de informação acríticos e “altamente qualificados” que perpetraram eventos como o Holocausto e outras guerras e tragédias. São repetidores de informação altamente qualificados que afundam o mundo, moral e eticamente, dia após dia.
Um sistema educativo sem estudos das emoções, empatia, ética, moral, equidade e solidariedade não serve. Um sistema educativo que privilegia a sanha classificativa, os rótulos (uma espécie de cadastro), colocando como acessório o que escrevi no início deste parágrafo, é um reprodutor cultural de desigualdades.
Os chumbos servem para estigmatizar, punir e marcar. Não há, como noutras, qualquer democracia nesta premissa. E não: muitas das vezes, os problemas não caem na escola. Uma significativa parte dos problemas volta à escola (porque o que vai, volta).
A escola tem um papel importante na forma como reproduz a sociedade. Se queremos que ambas progridam, pois que sirva para nos descobrirmos, para evoluirmos enquanto cidadãos do futuro, com ética, autónomos, curiosos, criativos, críticos e conscientes: lúcidos. E com respeito pelo(s) outro(s).
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Jun 22 2022
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 22 de junho e as 18:00 horas de 28 de junho de 2022 (hora de Portugal continental) para efetuar o preenchimento e a extração do Relatório Médico.
Decreto-Lei n.º 41/2022
Aviso de Abertura MPD
Despacho n.º 7716-A/2022
Manual de Instruções – Regime de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença – Relatório Médico
SIGRHE
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Jun 22 2022
Foi publicado o Despacho Normativo que estabelece o procedimento de mobilidade por doença.
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Jun 22 2022
1. O Ministério da Educação divulgou uma síntese de resultados (Educação Inclusiva 2020/2021) conseguidos pelas escolas públicas, no domínio dos apoios à aprendizagem e à inclusão. Está lá um quadro que compara as taxas globais de transição/conclusão dos diferentes ciclos de estudo com as mesmas taxas relativas aos alunos alvo das chamadas medidas selectivas e/ou adicionais (linguajar do DL 54/2018). Todas são excelentes, bem acima dos 90%, em todos os ciclos de estudo e nos dois grupos: o global e o dos alunos com necessidades educativas especiais (linguajar antigo, do século XX).
Só que há um problema, quando cruzamos estes maravilhosos dados com outros, do insuspeito IAVE (provas de aferição de 2021). Com efeito, sobre a prova de Português e Estudo do Meio, do 2º ano, disse o IAVE que na “análise e avaliação do conteúdo” de um texto, a percentagem média de respostas correctas se situou nos 19% e que apenas 7,8% dos alunos responderam de forma inteiramente correcta, ou seja, “apresentaram uma explicação fundamentada, analisando as ideias e construindo um raciocínio”. E disse ainda que, em Matemática, os alunos do 2º ano e do 8º evidenciaram dificuldades persistentes na “resolução de problemas” e, no 5.º e no 8.º, na maioria dos domínios analisados, a percentagem de alunos que respondeu sem dificuldades ficou aquém dos 20%, registando-se domínios onde não superou os 2,7%.
Termos em que a conclusão é óbvia: os excelentes resultados globais, apresentados pela desvergonha propagandística de um serviço são caricatamente resumidos, por outro serviço, à mediocridade que a soma das partes evidencia.
A manipulação dos resultados educativos, superestimando o que realmente os alunos aprendem, é absurda e irracional. Mas tudo continua porque na Educação há um padrão recorrente nas políticas do Governo: perante os factos problemáticos, não procura soluções; prefere alterar os factos, manipulando os dados, para escamotear a realidade.
2. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Segurança Social processou menos 45 mil pagamentos relativos a subsídios de educação especial, que se destinam a crianças com dificuldades educativas severas, isto é, cortou, não certamente em nome da propalada educação inclusiva, um em cada quatro subsídios requeridos.
Quem está no sistema (professores de educação especial, terapeutas e, naturalmente, pais) sabe das dificuldades com que tem de lutar para garantir aos alunos o cumprimento de um direito constitucional básico, qual seja o direito à educação. Será que quem assim decide sente o mesmo? Ou achará, outrossim, que há que regular “privilégios” porque, embora não estejamos em austeridade (vocábulo proibido), para doar 250 milhões à Ucrânia e 50 à Polónia, temos de “economizar” nalgum lado?
3. Foram liminarmente rejeitados na AR dois projectos-lei que propunham a consideração de todos os horários nos concursos de mobilidade e a atribuição de ajudas de custo a professores deslocados da sua residência oficial.
Por outro lado, o novo quadro legal da mobilidade por doença faz prever que muitos professores, dramaticamente carentes de beneficiar do regime, vão deixar de preencher os requisitos de índole administrativa e as baixas médicas de longa duração vão aumentar. Entretanto, a resolução das questões de fundo (peregrina lógica de concursos, exiguidade dos quadros das escolas, excrescência sem sentido dos chamados Quadros de Zona Pedagógica e o progressivo envelhecimento da classe docente) foi empurrada para algures, pelas proeminentes barriguinhas pensantes dos decisores.
4. Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita, disposta a sacrificar os progressos recentes do sistema nacional de ensino. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho. Os mais ansiosos, os mais precários, os detentores de saberes menos sólidos, os mais compreensivelmente descontrolados pela ausência de futuro e os mais oportunistas vão aderindo à estratégia da seita e estabelecendo com ela o vínculo social que lhes faltava.
In “Público” de 22.6.22
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Jun 21 2022
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Jun 21 2022
Os alunos e alunas estão sem professores durante meses e os professores e professoras que concorrem desistem, pois não conseguem lidar com tamanhas requisições. Uma energia que é sugada, não apenas pela aula e sala onde a ligação entre aprendizes e pedagogos acontece, mas pela teia burocrática a que estão votados.
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Jun 21 2022
Encontra-se disponível para consulta, a notificação da reclamação.
SIGRHE – Notificação da decisão da reclamação
Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação
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Jun 21 2022
Terminei o ano letivo a tratar de um caso em que um grupo de alunos deixou de falar com um deles, durante semanas. Conheciam-se de sempre e não se dirigiam a palavra, fosse em que meio fosse. O excluído estava desfeito.
Não se pode obrigar a falar, mas pode-se fazer refletir.
A arma social do desprezo e da indiferença é hoje comum e usada com displicência., mas não é nova. O efeito agrava-se com as redes sociais.
Há um quadro de Veronese, que se chama mesmo “Desprezo” e “Le mépris” (desdém ou desprezo), além do livro de Moravia é um filme genial de Godard, com a lindíssima Brigitte Bardot e uma desprezível discussão de 34 minutos. O tema tem larga representação artística.
O desprezo de hoje tem nova escala.
A minha avó, quando me portava mal, “dava-me ao desprezo” uns dias. Não ouvir nada de alguém de quem gostava era um castigo terrível e angustiante para uma criança.
Preferia que me batesse, coisa que não fez. E muito me esforçava por obter uma palavra qualquer que fosse.
Ainda hoje o desprezo, mesmo momentâneo, de quem goste ou só estime me faz reviver esse tempo de angústia infantil.
A minha avó não conhecia a palavra empatia, mas usava um truque pedagógico essencial e que me fez ser mais empático: a indiferença e o desprezo dos outros, de quem gostemos, vêm de algum lado e é preciso dialogar para o resolver. E a um miúdo que foi abandonado pelo pai (me desprezou) a coisa batia forte. E acho que me fez melhor pessoa.
O problema é que isso da empatia dá trabalho, constrange e é difícil ensinar aos miúdos, como vi no caso concreto.
Além de terem dificuldades com a língua, não são treinados para ver o ponto de que o desprezo se deve evitar. E depois de entrar por aí é difícil sair, porque é preciso a empatia dos outros. Isto é, não nos darem ao desprezo.. E de desprezo em desprezo o mundo ficará desprezível.
No caso concreto falaram e fez algum efeito. Por isso Português não pode ser só gramática.
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Jun 21 2022
Em comparação com os restantes Estados-membros, Portugal é dos que paga pior e tem menor produtividade.
O relatório “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal” revela que a pandemia dificultou a entrada dos jovens no mercado de trabalho e o ensino à distância provocou perdas de aprendizagem que podem ser irreversíveis.
A má notícia é que o salário médio, nestes dez anos, só aumentou para quem tinha o ensino básico. Uma subida na ordem dos 5%, puxada pelo aumento do salário mínimo.
Quem tem o ensino superior perdeu 11% do rendimento, quem concluiu o secundário, viu o salário médio cair 3% em dez anos.
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Jun 20 2022
PSP detém duas jovens por falsificação de identidade nos exames nacionais
PSP confirma detenções e em breve divulgará um comunicado sobre a operação.
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Jun 20 2022
A esfera deu a volta completa ao sol e estou de regresso à trágico-cómica última reunião de avaliação. Com tantos assuntos sérios que podem acabar com a guerra, a fome e a seca, como a vida amorosa e artística de Maria Leal, as aparições públicas de José Castelo Branco e as frases de elevado recorte intelectual das personalidades do “Big Brother”, e andamos aqui nós a perder o nosso precioso tempo com estas coisitas de notas. Enfim…
Bem, manhã cedo, rumo a uma escola despojada de alunos, entro na sala onde esperava encontrar almas moribundas, mas, surpreendentemente, encaro com a felicidade celestial de pessoas com aspeto de quem tomou calmantes na mesma ordem de racionamento com que os miúdos devoram M&M’s.
No entanto, noto uma dupla personalidade no secretário, cuja parte do corpo vestida com camisa e blazer, veio para uma reunião presencial, enquanto os membros inferiores, vestidos com boxers, parecem acreditar piamente estarem ainda nas reuniões online. A colega de Educação Musical, ainda com os rolos no cabelo, dividida entre documentos e biberões, acampou ao fundo da sala com um rancho de filhos à volta, porque acabaram as aulas e não tem com quem os deixar. No meio de duas professoras a tentarem ressuscitar com auxílio de café forte, está sorridente um colega com uma peúga de cada cor e outro, ainda com a espuma na parte da barba que deixou por fazer, a enfardar um generoso pequeno-almoço à inglesa.
(que fique bem claro que, por minha conta e risco, me internei voluntariamente na sala onde iria decorrer a derradeira reunião daquele conselho de turma do ensino básico)
Atolada num respeitável arsenal de documentação a forrar a sua mesa e arredores, descubro a diretora de turma escondida atrás de um portátil da escola que, depois de consideráveis peripécias para encontrar carregador e extensão e em conseguir pô-lo a funcionar, agora paralisou sem ligação à internet. O recente anúncio ao mundo pelo 1º ministro da chegada da transição digital foi demais para os poucos bites do microchip emocional da pobre máquina, porque, ao que parece, a coisa morreu, nem liga nem desliga.
Verifico que a colega que mora no outro extremo do país já cá está faz tempo e o que vive do outro lado da rua, por razão desconhecida, chega já no limite do período de tolerância sendo bem recebido pelo grupo de bons cristãos que lhe fazem uma espera com olhares mais do que afetuosos.
Alguém incontactável – que certamente terá desaparecido da superfície terrestre – aumenta a demora até que a presidente resolve, finalmente, dar início à reunião.
A coisa ia bem lançada quando chega o colega desaparecido obrigando a começar tudo de novo. Mal se sentou já pergunta pela folha de presenças para assinar, deixando a DT capaz de bater em alguém… e ainda reunião não começou.
Cantadas as notas, eis senão que chega o instante pelo qual todos esperavam: o confessionário – ocasião propícia para a má-língua, o queixume e a autopunição, demonstrando com evidências os sacrifícios a que se sujeitaram para serem merecedores de elevação ao estatuto de santo (ou, na ausência de melhor, a uma cotazita que lhes permita subirem de escalão).
Durante o relato do mau comportamento de um aluno em particular, lá vem a professora de ciências – muito inconvenientemente – interromper, contradizendo “comigo porta-se muito bem!”, uma bela candidata ao beatífico altar, não fosse segredo para ninguém que, nas aulas a esta turma, os gritos dela se escutavam do outro lado do atlântico. Começam, então, a enovelar-se episódios ocorridos na sua aula e, a certa altura, quando todos querem partilhar experiências libertadoras, depressa a reunião transforma-se numa mistura de muro de lamentações com um consultório de psicanálise, mas sem divã nem psicanalista.
Até aqui as coisas até nem iam mal de todo com a discussão a manter-se ainda ligeiramente acima do nível de novela mexicana; até que chega o tão temido momento em que é preciso «fermento» para que certas notas possam levedar e manda-se chamar o professor de EMRC que está noutra reunião. Sabemos que a nossa liberdade, definida pelo woke-washing do ministério, de podermos dar as notas que quisermos, é mais ou menos como o livre-arbítrio dado por Henry Ford aos seus clientes quando lhes dizia que “O seu Ford Modelo T pode ter qualquer cor, desde que seja preto”.
Bom, assim que surge o professor de «moral», com um terço na mão e ar de quem acabou de assistir a um exorcismo noutra reunião – mas nada de grave que possa comprometer a preservação da espécie humana ou o seu bilhete de entrada no reino dos céus – eis senão quando aparece uma funcionária a tentar arrancar daqui, à força de braços, o professor de TIC para ir urgentemente a outro conselho de turma onde já correm lágrimas e gritos. Está visto que todos nós levamos tudo isto muito a sério, porque, pasme-se, os alunos visados devem estar imensamente preocupados nas piscinas e praias, atrás de um ecrã de telemóvel, tv ou de jogos de computador, ou nas bicicletas em enorme ansiedade relativamente à injusta possibilidade de «chumbarem», quando até fizeram um enorme esforço de irem aparecendo na escola.
Mais tarde, depois de acesa, prolongada e inútil discussão acerca da nota e do mérito de alguns alunos com resmas de negativas, recorre-se ao muito pedagógico «nivelar por baixo» (mesmo rente às unhas dos pés) uma vez que hoje em dia quase todos os alunos são abrangidos pelas milagrosas Medidas de Suporte à Aprendizagem e Inclusão. Finalmente, conclui-se que ninguém irá merecer nível dois, uma vez que uns foram dando sinal de vida aparecendo na maior parte das aulas, outros até trouxeram material escolar (os quais merecem subida para o nível quatro) e, por uma questão de justiça, sobe-se para «cinco» aqueles que mantiveram os olhos abertos, abriam o caderno diário e não emitiam nenhum som perturbador.
Neste momento, no meio de enorme tensão de uma tribo de mulheres na menopausa agitando violentamente os seus leques e uma minoria de homens à janela encurralados entre o frenesim daqueles abanicos e o ar abrasador, o professor de ET, aflito, confessa ter um aluno que conseguia utilizar mais do que o polegar e o indicador quando manipulava ferramentas, a quem não sabe que nota dar, pois a escala termina no «cinco». A colega de Cidadania admitiu que quer dar nível seis a um aluno que, muito contra vontade, numa aula acabou por demonstrar uma atitude altamente altruísta emprestando uma borracha a um colega. Eis senão quando a professora de Inglês explode: “Se esses têm «seis», então que nota vou dar aos dois alunos que sabem mais do que os outros que só sabem dizer “OK”? O colega de Matemática conclui: “Referes-te aos ucranianos?”. Sem que tivesse tempo para responder, todos os outros colegas acenam afirmativamente com a cabeça.
A professora de Cidadania insiste que fique registado em ata o pedido para que, a nível excecional, possa atribuir um «sete» a estes dois alunos, pois são extremamente educados, cumpridores, respeitadores, dão os bons dias, agradecem, cedem passagem aos professores, pedem desculpa, estão prontos a partilhar e a ajudar, não dizem palavões nem perturbam a aula, têm iniciativa e participam de forma responsável… mas é logo interrompida pela colega que tem a ingrata missão de tentar ensinar a língua de Camões: “Eu também lhes quero dar o nível sete, pois ao fim de três meses em Portugal, já falam e escrevem melhor português do que os restantes alunos da turma”. Perante aquela bizantinatentativa de rebentar com a escala oficial por parte de todas aquelas almas pacíficas que estão capazes de fazer um motim, a DT, num colapso nervoso, desata num pranto, desabafando por entre um rio de lágrimas sobre as pressões que tem sido alvo por parte dos pais desde que estes alunos vieram para esta escola. Então, lá ficou registado em ata que estes alunos deverão moderar a sua participação nas aulas e as suas atitudes excessivamente disciplinadas com padrões morais utópicos que provocam bullying psicológico sobre os colegas, uma vez que há pais que se vêm queixando que, desde que estes ingressaram na turma, o nível de exigência dos professores aumentou consideravelmente. É ver a resma de registos de observação, grelhas de avaliação e portfólios de evidências de aprendizagem que se preencheram, a irem agora com os porcos, para se imaginar que não haverá candidatos a se atreverem a redigir outra pilha documental para justificar a retenção de um aluno.
A colega de ciências, inconsolável, vocifera: “Então, para quê que preenchemos tantos documentos para os maus alunos se depois isso são detalhes absolutamente irrelevantes, porque, no fim, mesmo que eles não se esforcem, passam todos? Como de costume, continuamos a castigar os professores e os alunos esforçados e a premiar os preguiçosos!”. Faz-se um silêncio conformado logo abafado pelo murmúrio de satisfação por mais uma candidata às míseras cotas de avaliação de desempenho que foi de vela.
Na realidade, depois daquela balbúrdia, o aproveitamento global ficou ali a uma ou duas décimas de ser considerado «Muito Insatisfatório» (o que nos levaria a todos a sermos dizimados por um batalhão de inspetores adeptos das novas doutrinas pedagógicas), mas oficialmente, com notas em segunda mão, ficou-se pelo «Muito Bom» com a maioria da turma a figurar no honroso quadro de excelência. A medo, a colega de ciências questiona como se irão justificar aquelas notas e como iriam convencer os pais de que os seus filhos eram uns génios. O professor de «moral» tenta fundamentar “E quem somos nós para julgar os outros, santo Deus?”. Em seu auxílio, rendido às evidências de toda aquela matemática quântica avançada que acabáramos de assistir, o colega de Matemática acrescenta “Segundo, o princípio da incerteza de Heisenberg em que as grandezas não podem ser medidas simultaneamente com exatidão, claro que uma percentagem de 21%, bem vistas as coisas, pode muito bem corresponder a 50%. É o projeto MAIA e o programa de capacitação Escolas Ubuntu a funcionar em pleno!”, concluindo embevecido “Somos muito à frente!”. Todos concordaram (mesmo desconfiando que o colega estaria a falar em código – bem poderia estar a mandá-los todos prás urtigas – pois não perceberam peva, nada, zero), o que mereceu uma unânime e extasiante ovação de pé até as mãos ganharem calos, ficando estas palavras citadas em ata.
Embora os alunos saibam cada vez menos, o importante para a felicidade e autoconfiança dos jovens e do crescimento económico do país, neste maravilhoso sistema de educação inclusiva, é que todos passem, que a imagem externa da escola fique abrilhantada e a taxa de sucesso escolar se situe no ponto ideal definido pelo ministério para que possa mostrar o quanto contribui para termos a geração mais bem formada de sempre!
Ultrapassado o clímax orgástico com laivos de tragédia grega, sente-se uma paz e um alívio libertador e, a certa altura, a presidente deste meeting apercebe-se que está a falar para ninguém; uns, considerando que a reunião acabou li, ficaram em pleno transe emocional a fixar o infinito, outros estão no face (provavelmente quem está a ler isto – este é o momento que todos se entreolham e tentam disfarçar), outros a verem a imprensa da manhã e, porque por aqui é tudo gente jovem, a maior parte entretém-se a mostrar as fotos dos netos.
Felizmente, houve quem não tivesse falado durante toda a santa reunião; estivera todo o tempo de boca cheia a avaliar os dotes culinários da DT que não conseguiu disfarçar as olheiras de uma noite a preparar a reunião, suponho que dividida entre papéis, computador e tachos.
A manhã já ia imensa quando finalmente se escutam as benditas palavras “a reunião terminou, podem sair”. Quando já estão todos à porta, eis que a colega que não tugiu nem mugiu de tão ocupada a limpar pratos e travessas com a língua, revelando uma clara falta de vontade de ir para casa aturar o marido, resolve abrir a boca, mas desta vez para falar, reclamando todos de volta às cadeiras de pau (os quais agora exibem uma vontade férrea de irem buscar um caldeirão, lenha e fósforos para cozinhar uma «Muamba de galinha à moda da Tia Manela»… ou, talvez lhes bastasse ir ao bar e trazer algo comestível para a calar outra vez).
«Angústia» é a palavra que eu escolheria para qualificar o sentimento da DT e do secretário quando se aperceberam que, assim que terminou a reunião e todos saíram daquela atmosfera densa, ficou um documento por assinar, outro por preencher e outros, ainda, que não lhe foram entregues. Começa, então, uma autêntica perseguição aos professores que estão noutras reuniões, dos que ainda estão na escola, daquela que está de regresso a casa a meio país de distância e, para desespero da DT, daquele colega que voltou novamente a ficar incontactável, devendo ter remigrado da face da terra e, provavelmente, estará agora no planeta vermelho a beber uma bejeca ao lado de Elon Musk.
Nada que uma dose extra de Xanax não possa resolver!
Carlos Santos
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Jun 20 2022
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Jun 20 2022
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