Category: Rui Cardoso

O discípulo – Carlos Santos

Perplexo, tento compreender a «idade» como critério de seleção, mas é só mais um propício à injustiça, uma vez que ninguém pode garantir que um professor mais velho será forçosamente mais doente que um mais jovem. E se, para uns, percorrer umas dezenas de quilómetros poderá ser menos insuportável, para outros, uma simples dúzia de quilómetros torna-se penoso e impraticável, comprovando que a doença não tem idade.
E sendo as vagas abertas por cotas nas escolas, os grupos disciplinares mais pequenos (com menos professores) quase nunca terão vagas, pelo que esses professores raramente terão direito a serem considerados como professores com doenças incapacitantes. Uma ilegalidade que viola gravemente a igualdade de direitos dos cidadãos perante a Constituição.

Por cortesia, arrisco-me a dizer que, se não há maldade colérica nesta atitude ministerial, então só posso acreditar que padece de um obscurantismo mergulhado na mais pura ignorância.
Se, além do salário miserável, estes são os únicos incentivos que o governo consegue encontrar para motivar os professores, adivinha-se que irremediavelmente esta profissão não terá futuro.

Os muitos que até aqui não podiam deslocar-se para outras escolas, irão continuar a apresentar a mesma incapacidade, pelo que, quando o resultado deste concurso os obrigarem a deslocações diárias demasiado longas e insuportáveis até que a fadiga os vença, compelindo-os a meter baixa médica, o ministério finalmente reconhecerá o seu enorme erro de avaliação. Irá ter menos professores no ativo e gastará mais dinheiro a contratar outros para garantir o serviço que era assegurado por estes docentes.

Estou convencido que, depois de tantos pareceres e reuniões com os sindicatos, só mesmo o ministro não quis compreender que não são quilómetros em linha reta que os professores pedem, mas inspeção e juntas médicas a averiguar alegadas situações fraudulentas.
Com esta atitude persecutória está-se a criar no país um sombrio clima de desconfiança e suspeição sobre a idoneidade dos professores, médicos e juntas médicas, pondo médicos contra médicos, professores contra professores, uns contra os outros e toda a população contra eles numa indecência ética e moral que remonta a tempos passados. Por essa ordem de ideias na qual, pela suspeita sobre uns pagam todos os outros, então no governo anterior (do qual fazia parte o atual ministro da Educação), quando um membro do governo foi demitido por suspeitas criminais, todo o governo também o deveria ter sido.

Aos sindicatos cabe-lhes fazer o que se impõe numa situação em que um Decreto-Lei padece de traços suspeitos de enfermarem de gritante inconstitucionalidade e de violação grosseira do direito à saúde e à assistência na doença consignados na nossa Constituição.
Infelizmente, conhecendo-se a celeridade da nossa justiça que só deverá rivalizar com a de uma tartaruga, provavelmente quando produzir um parecer já grande parte dos professores terá morrido por doença em serviço de trabalho forçado.

Para os professores e alguns diretores que fomentaram este clima de suspeita e agora aplaudem esta medida, só espero que, no dia em que tenham de passar por situações de saúde semelhantes (todos caminhamos para velhos) não se venham a arrepender amargamente por aquilo que propiciaram. O que os professores em MPD, com vidas dolorosamente suspensas, não dariam para não terem de recorrer a esta alternativa. Isso significaria que eram saudáveis. Quem critica gratuitamente, fala do que não sabe. Nada é mais valioso do que a saúde e só se dá o devido valor quando a perdemos.
Realmente, mais triste do que o tratamento que o MEC nos dá, só mesmo esses comentários vindos dos próprios colegas. Uma cidadania bem ativa no desrespeito, falta de empatia e de compreensão daqueles que, mais do que ninguém, deveriam entender como é desgastante a profissão, e mobilizarem-se para apoiar e unir a classe na luta pelos direitos que são e todos. Será que avaliam o que irão pensar dessas injúrias colegas que, por exemplo, lutam contra um cancro ou têm um familiar com doença grave? (perguntas de retórica não carecem de resposta)

O MEC aposta numa estratégia ardilosa que sempre lhe deu excelentes resultados quando aplicada no seio da classe docente: dividir para reinar. E não é que os professores, tão esclarecidos e doutos que deveriam ser, caem sempre na mesma armadilha?!
Esta medida que tem em si subjacente uma certa ideia de castigo e punição dos professores, encerra em si mesma muito mais do que parece. É um teste à união da classe.
Alguém tem dúvidas que os principais responsáveis por esta medida tremendamente injusta foram os próprios professores? Seguindo religiosamente o manual de como arruinar uma classe profissional, insinuaram tantas suspeitas, sem denunciar nenhuma, que acabaram por prejudicar todos.
Como cordeiros para o matadouro, exibidos diante de todos como criminosos, debaixo do olhar indiferente de uns e crítico de outros, lá iremos mansos e cabisbaixos nos submeter a este «não-concurso». Um concurso que representa um ataque sem escrúpulos à dignidade profissional, mas, sobretudo, à dignidade humana de todos aqueles que se veem obrigados a concorrer.
Se depois de um ataque tão baixo aos professores a classe não se unir, irá ficar exposta ao pouco que lhes resta ser retirado.
Infelizmente, este parece ser o epitáfio de uma classe conformada que, na sua miséria moral, na ausência de apresentar um indício de solidariedade e de procurar melhores condições laborais para si, se apraz com a desgraça alheia.
Dirigindo-me diretamente para uns quantos poucos que poderão ter faltado à honestidade, que agora ponham a mão na consciência por serem, a par com o MEC, culpados por prejudicar severamente quem está realmente doente.

Foi-se um ministro inexistente que não fazia nada e veio dos bastidores um que só asneira.
Outro ministro que certamente irá perder os professores, mas que, tal como aconteceu com uma sua antecessora, vai ganhar os pais. E assim vai a nossa Educação… ou a falta dela.

Carlos Santos (continua em T2, E4: “redenção” – último episódio)

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Cotas», aquele termo tão apetecido – Carlos Santos

«Cotas», aquele termo tão apetecido pela tutela que, neste caso, impõem ao acaso às escolas um teto de 10% de vagas, como se para todos os que fiquem de fora, por decreto as suas doenças desaparecessem milagrosamente e, simplesmente, ficassem curados e capazes de fazer o impossível.
Somos implacavelmente tutelados por pessoa pouco credível que mente sem pejo quando afirma que a Mobilidade por Doença (MPD) não é um concurso. Se não é um concurso, então a criação de cotas, a abertura de percentil de vagas, as prioridades e as regras impostas, são o quê?
E tratar de modo diferente doenças iguais é sinónimo de equidade?
Será que as doenças provocam mais sofrimento e incapacidade a uns do que a outros, consoante o vínculo profissional de cada um?
Sabendo-se que a média dos portugueses com deficiências e incapacidades corresponde a 8,2% e que a percentagem dos professores nestas circunstâncias é de apenas 7%, qual a justificação do ministro para empreender este ataque à classe docente?
Terá, porventura, a noção do envelhecimento da classe, que é a mais velha da europa?
Terá consciência do enorme desgaste causado por sucessivas políticas que sobrecarregaram os profissionais da educação?
Terá ideia do descomunal cansaço físico e psicológico que a excessiva instabilidade profissional causou ao corpo docente?
Em boa verdade, num país com esperança média de vida abaixo dos restantes países europeus e perante as péssimas condições de trabalho que os professores têm, só me espanta que esta percentagem não seja ainda maior.
Em vez de se debruçar sobre as razões de 2/3 dos professores estarem em burnout ou à beira do esgotamento, prefere punir aqueles que já estão tão mal, mas que ainda querem continuar a ser úteis e a trabalhar.
Este concurso que desceu estrondosamente sobre os desafortunados, não é mais do que um subterfúgio da tutela que procura desesperadamente apresentar um bode expiatório – os professores doentes em MPD – onde possa depositar a culpa da sua incompetência governativa que deixou o sistema educativo num estado deplorável, com falta de professores e enorme desmotivação de toda a classe.
Se efetivamente existem suspeitas de fraudes, então que se aperte a fiscalização e as juntas médicas que apurem os casos fraudulentos que deverão ser levados à justiça, em vez de o governo indiciar, acusar e sentenciar toda uma classe como impostora com base em suspeitas, indo contra o direito à inocência de qualquer cidadão até prova em contrário.
Mas desmontando a dita legislação, facilmente se depreendem quais os valores demonstrados por este executivo, dizendo muito da sua postura ética e moral.
Com que então, a métrica é igual em toda a parte, desde que contabilizada em linha reta?
O raio de 50 quilómetros em linha reta em autoestrada é equivalente ao de numa estrada regional, de uma estrada serrana sinuosa e íngreme ou de um percurso de elevado trânsito e congestionamento numa grande cidade?
Não entendem que, num território onde a maioria das estradas são sinuosas, além de no terreno a quilometragem corresponder ao dobro da distância em linha reta, pelos limites de segurança de traçados tão tortuosos, tal implicará viagens de longa duração e elevado desgaste?
Se essa linha reta atravessar um rio sem ponte nas proximidades, o professor irá a nado?
E se atravessar uma serra, terá este de se fazer de toupeira e furar montanhas para encurtar distâncias?
Quem tem um acompanhamento médico para lá do raio de 50 quilómetros, muda de médico ou muda de casa? (melhor seria mudar de ministro)
Serem as escolas a decidir os grupos onde abrem vagas dentro da diminuta percentagem disponibilizada, só irá criar ainda mais injustiças e mau ambiente.
Pagarem todos os professores por supostos abusos tão fáceis de comprovar – houvesse vontade – não será apenas para servir os interesses do governo?
Num país pequeno e estreito, quase sem vizinhança, se pegarmos no compasso para fazermos os círculos de 50km no mapa, na extensa zona litoral arriscamo-nos a ter de ir pregar para os peixinhos, enquanto na fronteira corremos o risco de nos encontramos com «nuestros hermanos» (se fosse para sermos pagos pelos espanhóis, certamente não nos importaríamos, uma vez que os professores do lado de lá da fronteira ganham o dobro do vencimento).
A menos que o governo ofereça aeroplanos, helicópteros, tapetes ou vassouras voadoras que possam garantir equidade entre os professores na deslocação em linha reta, a medida será tremendamente injusta.
Carlos Santos (continua em T2, E3: “o discípulo”)

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Mitos de quem manda no sistema – Luís S Braga

Mitos de quem manda no sistema, mas só lhe percebe a superfície e a curta duração….

O mito de “acabar com a casa às costas dos professores” é como o mito de acabar com o crime . Como alguém me dizia, quando trabalhava num serviço ligado a essa área: há crime desde Caim e Abel ou antes….

Em vez de “acabar” era mais honesto dizer “minorar”.

Deixo umas ideias:

1.Incentivos à colocação em sítios menos desejados (bonificação no concurso seguinte, subsidios de apoio à residencia, incentivos à fixação).

2.Diminuição do tamanho dos QZP (tornava os QZP mais atraentes).

3.Dar aos quadros de escola condições para se moverem e desincentivar a permanência nos QZP. O destino final na carreira deve ser ter a “sua” escola.

4.Regulação do tempo de permanência de quem entra em cada etapa (ex: 4 anos maximo para contratado, 6 anos no máximo em QZP e depois obrigação de concorrer a quadro de escola e dar mais salário a quem estiver em quadro de escola).

5.Solução para os contratados de hoje com mais de 4 anos de tempo de serviço (dar-lhes carreira e lugar e não fazer da contratação um estado permanente).

6.Acabar com a norma travão e vincular pelo tempo total e não pelo número de contratos.

A carreira docente foi destruída por 2 vias: não existir com valores salariais justos para quem já está nela e ser desinteressante para os contratados, que conseguem lugares melhores na geografia da contratação, do que na economia da carreira, que não os favorece.

Por isso, no fim, vamos ter ao salário.

Eu iria para Lisboa se me pagassem mais….

Na minha família, a casa às costas docente é uma tradição familiar.
Por isso, eu sei que nunca vai acabar.

Pode é ser mais aceitável ou suportável e nunca aos níveis atuais. E conhecer a História do sistema antes das catástrofes Lurdes/Walter/Crato faz falta.

Nos anos 60, a minha mãe foi do Porto à Guarda ou Chaves em 6/7 horas de carro, com direito a paragens a meio das serras para arrefecer o Fiat 600.

Nos anos 30, antepassados foram de Viana ao Soajo. A etapa final era feita a pé com direito a atravessar um rio numa barquita.

E, no início do século XX, a minha bisavó foi de Moncao a Vila Praia de Âncora: a viagem era de carroça.

Eu nasci no Funchal porque foi o lugar de quadro que a minha mãe arranjou.

Não vai ser João Costa que vai terminar a necessidade de deslocar professores no território, que é um facto lógico e constante.
O problema minora-se, não desaparece.

Acabar com ele é uma intenção bonita mas uma fantasia.

A contratação local era muito pior noutros aspetos e não resolvia o problema da falta de pessoas para lecionar.

 

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Recrutamento por tempo indeterminado(quadro de pessoal da CMTarouca)

Oferta pública de emprego
Câmara Municipal de TAROUCA

Procedimento concursal para recrutamento por tempo indeterminado(quadro de pessoal).

Fazer candidatura no Gabinete de Recursos Humanos da Câmara Municipal de Tarouca.

Prazo de candidatura até dia 21/06/2022

📍4 Postos de Trabalho
Licenciatura em Ensino Básico

Código da Oferta: OE202206/0096
https://www.bep.gov.pt/pages/oferta/Oferta_Detalhes.aspx?CodOferta=97745

📍3 Postos de Trabalho
Licenciatura em Educação de
Infância

Código da Oferta: OE202206/0098
https://www.bep.gov.pt/pages/oferta/Oferta_Detalhes.aspx?CodOferta=97747

📍2 Postos de Trabalho
Licenciatura em Inglês

Código da Oferta: OE202206/0097
https://www.bep.gov.pt/pages/oferta/Oferta_Detalhes.aspx?CodOferta=97746

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Desmontando a lógica? – Aida Santos

 

“Desmontando a lógica??? do ministério para minimizar a falta de professores:

1. Os QA só são elegíveis para mobilidade por doença se a sua escola distar mais de 20km em linha reta da residência ou local de tratamento.
Perguntas: E os que estão a menos de 20km? Reunem condições físicas e psicológicas para se deslocar nesse raio? Podem conduzir? Muitos não terão de meter baixa porque não aguentarão as viagens?

2. Todos os professores em mobilidade por doença têm de ter componente letiva, no mínimo de 6h.
Perguntas: Há assim tantos professores em outras funções que não as letivas? A grande maioria não tem horário completo?

3. Reduzem-se as mobilidades estatutárias.
Perguntas: o número de professores nesta mobilidade é assim tão significativo? Quais vão ser os critérios dessa redução? Quem fica, quem regressa às escolas?

4. A redução dos QZP vai ser negociada no verão.
Perguntas: Porquê só no verão? Já que se negociou agora a mobilidade em quinze dias, não se negoceia o resto numa semana? A pressa é tanta para umas coisas, mas não para outras?

5. Segundo os números apresentados pelo senhor ministro, há escolas com mais de 100 professores em mobilidade por doença.
Perguntas: E qual é o problema? Não foram atestados e deferidos pela equipa responsável para o efeito? Há suspeitas? Há denúncias? Será que o ministério prefere não investigar porque poderá comprar uma briga feia com os médicos? Prefere atacar o elo mais fraco?

6. O ministro quer acabar com a casa às costas dos professores.
Perguntas: Porque não se reflete com inteligência e justiça numa revisão estrutural dos concursos, em vez de se fazerem alterações às pinguinhas que não passam de remendos e atropelos? Será que não se percebe que haverá sempre uma distribuição demográfica desequilibrada, tendo em conta a densidade populacional heterogénea do país? E quais os incentivos e ajudas de custo para os que continuarem com a casa às costas, tendo em conta esta heterogeneidade?”

 

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Mobilidade por Doença novo Decreto Lei

dDecreto-Lei que estabelece o regime de mobilidade de docentes por motivo de doença, aprovado em Conselho de Ministros e que deverá ser publicado brevemente.

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Professoras e funcionária agredidas em escola

 

Duas professoras e uma funcionária da Escola Básica 2+3 de Lamações, em Braga, foram agredidas e ameçadas por duas mulheres, adiantou esta sexta-feira uma fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP) à agência Lusa.

A mesma fonte informou ainda que a ocorrência foi registada pelas 20h00 de quinta-feira, naquele estabelecimento escolar.

Em comunicado, a autoridade revela que, “no local, a PSP constatou que as suspeitas, com 27 e 30 anos de idade, tinham agredido e ameaçado duas docentes e uma funcionária”.

As agressoras foram detidas e notificadas para comparecerem no Tribunal Judicial da Comarca de Braga.

Professoras e funcionária agredidas em escola

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Declarações do Ministro da Educação sobre a MPD

Conferência de Imprensa do SR. Ministro da Educação sobre a aprovação do decreto-lei que estabelece o regime de mobilidade de docentes por motivo de doença, garantindo, assim, a proteção e apoio na doença dos próprios e dos familiares que se encontrem a seu cargo.

 

https://youtu.be/K_XfIs6ikhY

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Abonos por cessação de contrato

Nota informativa 5

 

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Aprovado regime de mobilidade de docentes por motivo de doença

 

Foi aprovado o decreto-lei que estabelece o regime de mobilidade de docentes por motivo de doença, garantindo, assim, a proteção e apoio na doença dos próprios e dos familiares que se encontrem a seu cargo.
O regime visa promover o equilíbrio entre a necessidade de prestação de cuidados médicos aos docentes ou aos seus familiares e uma gestão mais eficiente e racional do pessoal docente, no sentido de garantir à escola pública os professores necessários à prossecução da sua missão.

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AVISO | Abertura de Concursos de Contratação de Escola

Informa-se que estão abertos procedimentos concursais destinados à seleção de docentes com qualificação para lecionação nos horários disponíveis nos grupos de recrutamento 110 (1.º Ciclo), 230 (Matemática e Ciências Naturais), 300 (Português), 420 (Geografia), 430 (Economia), 520 (Biologia e Geologia) e 610 (Educação Musical).

Nota Informativa n.º 1/2022

Aviso de Abertura n.º 1 – Grupo 110 – 1.º Ciclo – H1
Aviso de Abertura n.º 2 – Grupo 230 – Matemática e Ciências Naturais – H1
Aviso de Abertura n.º 3 – Grupo 300 – Português – H1
Aviso de Abertura n.º 4 – Grupo 420 – Geografia – H1
Aviso de Abertura n.º 5 – Grupo 420 – Geografia – H2
Aviso de Abertura n.º 6 – Grupo 420 – Geografia – H3
Aviso de Abertura n.º 7 – Grupo 430 – Economia – H1
Aviso de Abertura n.º 8 – Grupo 520 – Biologia e Geologia – H1
Aviso de Abertura n.º 9 – Grupo 520 – Biologia e Geologia – H2
Aviso de Abertura n.º 10 – Grupo 610 – Educação Musical – H1

 

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Professores: a profissão mais importante, esquecida, fundamental e desvalorizada do mundo?

A excessiva (e desnecessária) sobrecarga de alunos e professores, com um número elevado de horas de aulas, disciplinas, momentos de avaliação (e muitas vezes momentos de reunião), bem acima do recomendado, tem fragilizado o bem-estar e a saúde mental de todos, e tem também exposto novas fragilidades do nosso sistema educativo.

Professores: a profissão mais importante, esquecida, fundamental e desvalorizada do mundo?

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Para que servem as provas de aferição?

As provas de aferição têm também como objetivo dar uma visão de conjunto de como os alunos estão a aprender em cada escola e a nível nacional.

Para que servem as provas de aferição?

As provas de aferição têm como objetivo dar informação aos professores, alunos e encarregados de educação sobre a assimilação das matérias. O que desde logo é curioso, porque sempre pensei que esse fosse precisamente parte do trabalho dos professores e que estes – que acompanham os seus alunos diariamente ao longo dos anos – soubessem, melhor do que ninguém, qual o seu nível de aprendizagem.

Mas as provas de aferição têm também como objetivo dar uma visão de conjunto de como os alunos estão a aprender em cada escola e a nível nacional. Certamente aprenderão de forma muito diferente em escolas com as mais díspares características e de facto seria excelente que essas diferenças fossem estudadas e colmatadas da melhor forma. Tal como que, a nível nacional, o programa curricular fosse revisto e adaptado com base nas necessidades e dificuldades encontradas nos nossos alunos. Resta saber se isso tem sido feito.

Este é um ano particular que levou até à recomendação da suspensão deste tipo de provas pelo Conselho de Escolas porque, devido à pandemia, é para recuperar aprendizagens. Talvez fosse mais frutífero para os professores e alunos usarem este tempo precioso em aulas e atividades do que na realização de provas e em tudo o que elas implicam. É que além dos dias dispensados à avaliação, com todas as regras e preceitos, tem de haver uma reestruturação do plano de aulas para que os alunos estejam preparados para todos os conteúdos que possam surgir, sendo que as provas decorrem semanas antes de o ano acabar e até ao lavar dos cestos é vindima. Não sei até que ponto a sobreposição da avaliação à aprendizagem pode dar bons frutos. Há até professores e alunos que se veem forçados a adiantar matéria de forma rápida para não ficar nada de fora.

As avaliações parecem ter um caráter pedagógico, mas, além de nenhum professor querer que um aluno chegue a uma prova e se confronte com matérias de que nunca ouviu falar, ninguém gosta de ficar mal na fotografia, porque no final os resultados das avaliações e a comparação das competências dos professores e das escolas será inevitável. Há até colégios que alertam os pais para a importância de os filhos não descurarem as provas de aferição e incentivam ao estudo para obterem (todos) um bom resultado.
Diria que neste momento as prioridades deviam ser outras. As de, com calma e arranjando estratégias, conseguir ir colmatando de forma coerente e eficaz as lacunas que ficaram do ensino à distância, ao mesmo tempo que se vai avançando na matéria (que também devia ser revista). Não precisamos de provas de aferição para saber que muitos dos nossos alunos estão um bocadinho coxos e os professores saberão identificar no quê. E também sabemos que não serão elas que lhes vão dar ferramentas para melhorar. Mas talvez a ausência das preocupações, burocracias e tempo despendido que elas implicam para os professores, que já estão demasiado sobrecarregados, e para os alunos, que já foram muito castigados, se pudesse traduzir numa boa ajuda.

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Um Orçamento de Estado bem conseguido

Preço das refeições nas cantinas escolares aumenta. Autarquias pressionam Governo

Valor pago pelo Estado não foi revisto no Orçamento do Estado para 2022 e autarquias confrontam-se com falta de empresas candidatas nos concursos públicos para o próximo ano letivo.

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A redução dos quadros de zona

João Costa  anunciou a redução da dimensão dos Quadros de Zona Pedagógica. As negociações com os sindicatos devem decorrer neste verão.

O ministro da Educação quer reduzir a dimensão dos Quadros de Zona, regiões do país onde os professores podem ser colocados.

“Durante o tempo da troika, estes Quadros de Zona foram alargados para regiões muito, muito grandes, o que faz com que um professor vinculado num Quadro de Zona ainda assim tenha deslocações de 200 quilómetros”, afirmou nesta quarta-feira de manhã.

João Costa assume que quer reduzir a dimensão dos Quadros de Zona, assumindo que é “um primeiro passo na redução da ‘casa às costas’ dos professores”.

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Ano letivo vai acabar com sete mil alunos sem, pelo menos, um professor

Ministro da Educação admite que ano letivo vai acabar com sete mil alunos sem, pelo menos, um professor

O ministro da Educação, João Costa, admite que sete mil alunos vão chegar ao fim do ano letivo sem, pelo menos, um professor.

Numa entrevista ao longo da primeira hora do programa “As Três da Manhã”, naRenascença, João Costa assinala que se trata de “um número dinâmico que é atualizado todas as semanas”.

“Na última atualização que fizemos, tínhamos cerca de sete mil alunos que estavam sem aulas. É uma evolução face ao início do terceiro período, em que tínhamos cerca de 20 mil”, sublinhou o ministro.

 

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Nota informativa– Professores Bibliotecários – Ano Escolar 2022/2023

Professores bibliotecários 2022/23

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Ouçam-se os peritos na realidade escolar

Ouçam-se os peritos na realidade escolar


A ideia mais elogiada no dia da Europa (9 de Maio, em Estrasburgo) foi a que considerou os cidadãos como “os peritos na realidade”. Acima de tudo, porque das 49 propostas que apresentaram só duas se dirigiam a questões institucionais.
E como a democracia reclama que este elogio seja consequente, aplique-se a ideia nos diversos países.

No nosso caso, e tomando como exemplo a falta estrutural de professores, é imperativo ouvir os peritos na realidade escolar e reduzir a enraizada prevalência dos especialistas tradicionais ou instantâneos. Esta auscultação é crucial para o valor democrático da escola pública. Aliás, em 1986 fez-se uma audição alargada a propósito de uma Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) que, apesar de tudo, ainda perdura.

Antes do mais, constate-se a erupção mediática de especialistas instantâneos em Professores. Uma procura pelo género leva-nos aos especialistas instantâneos do Público e da Gradiva (1996). Mas como os seis livrinhos versam Arte Moderna, Ciência, Economia, Música, Filosofia e Sexo, resta-nos o capítulo, “Porque faltam professores?”, da revista Visão (5 de Maio). Segundo o comentador Marques Mendes, é até um “documento oficial que permite finalmente falar da falta de professores” (SIC, 8 de Maio). Digamos que é uma espécie de 7ª dimensão para os especialistas instantâneos. Facilita-lhes a omissão do que se disse durante duas décadas e dispensa-os do jargão da tudologia: “não percebo nada disso, mas”.

O interessante artigo da Visão recorre a especialistas tradicionais e evidencia o seu descolamento da realidade: a presidente do CNE, Maria Brederode Santos, propõe o aumento do número de alunos por turma e o ex-ministro Marçal Grilo sugere o regresso da trágica bolsa de contratação de professores pelas escolas experimentada durante a “troika”.

Já um director escolar, Filinto Lima, com mais de 14 anos consecutivos nessa função (um privilégio que não é sequer concedido à presidência da nação), apela, e bem, à bondade das finanças. Também esteve no programa “É ou não é” da RTP1 (19 de Abril) com outra especialista tradicional, a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Para além da célebre “não sei como chegámos aqui assim, não sei e não quero saber”, a ex-ministra dirigiu-se a esse dirigente – uma “classe” que criou – e sentenciou inspirando-se na secessão como arma da democracia e numa simbiose bélica, messiânica e surreal: “são os braços direitos do poder que resolverão a falta de professores”.

Mas o que o coro mediático especializado repetiu de mais nefasto nas últimas décadas, resume-se em 5 tópicos:

– As divagações à volta dos bons e dos maus professores, criaram um clima generalizado de exclusão. Desprezaram o exemplo das organizações bem sucedidas, que instituem políticas inclusivas duradouras ao nivelarem por cima os procedimentos, ao avaliarem o desempenho “olhos nos olhos” e ao reconverterem profissionais através de mecanismos civilizados;

– A proclamação de que os professores não podem chegar todos ao topo, instituiu um clima de fuga à profissão. Se o topo (10º escalão) já é o 57º dos 115 índices remuneratórios da administração pública, o topo realista (8º escalão), e uma vez que falta recuperar tempo de serviço, é o 45º e as quotas e vagas da avaliação travam milhares nos trigésimos lugares;

– A ideia menor de que os professores são parciais na definição dos destinos das escolas, empurrou o ambiente escolar para uma prevalência do senso comum e sufragou o inferno burocrático que testemunhou o clima de desconfiança e de desautorização dos professores;

– A supressão mediática da perda da capacidade de elevador social da escola pública –só 10% dos filhos de famílias pobres e com poucas qualificações chegam ao ensino superior” (9 de Maio, Banco de Portugal) -, demitiu a sociedade dessa responsabilidade democrática;

– A negação da história da escola pública na democracia, criou um clima de revolta contida. Insistir no absurdo de que os professores foram formados para leccionar apenas a bons alunos, nega a OCDE – “os professores portugueses são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos” -, as lições de quem ensina a turmas numerosas e o facto dessa formação ter uma história de diversidade.

E regressando à ideia da audição dos peritos na realidade escolar para atenuar a falta de professores e as brutais desigualdades educativas, inscrevam-se mais duas questões:

1. Se a ideia de escola se deveu à necessidade de diferenciação em relação à família nos espaços para aprender e para socializar, e se após um século as sociedades não descobriram organizações substitutas, é insensato exigir da escola a totalidade educativa e desprezar que o saber escolar nuclear só progride num permanente ir e voltar entre a sala aula e a sua envolvência;

2. Se o completamente digital exige prudência porque tem sérias implicações na centralidade da sala de aula – os “gigantes da web que querem controlar, investem mais no ensino à distância do que na 5G, na telemedicina, nos drones e no comércio online generalizado” (Naomi Klein) -, cresce o receio com os efeitos da sobreposição do isolamento físico em relação ao gregário associados a uma via métrica e “pavloviana” formadora de capital humano em detrimento da humanização.

Convoque-se, portanto, um reinício consolidado nas ideias de simplificação e de inclusão. Ouçam-se os peritos, num modelo semelhante ao da LBSE, e busque-se o sucesso escolar de qualidade como reforço da classe média, e da consolidação democrática, assente na seguinte aspiração patrimonial e intemporal para os peritos na realidade: desconstrua-se definitivamente o raciocínio de que aprender é uma competição e eleve-se a ideia de que se quer aprender porque se é curioso e se quer saber mais.

 

Paulo Prudêncio

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MPD e Professores Contratados: última reunião com o ME

 

Não tendo o processo negocial sobre MOBILIDADE POR DOENÇA (MPD) e a criação de condições de estabilidade para docentes contratados correspondido às expectativas da Pró-Ordem e da Federação Portuguesa de Professores requeremos a Negociação Suplementar, realizada ontem da parte da tarde.
Registámos como aspeto relativamente positivo o facto de ao longo das negociações o ME ter reduzido a distância em que os professores podem escolher as escolas da sua preferência, de modo a obterem acompanhamento médico para si ou seus familiares: primeiro num raio de 50Kms em linha reta, numa segunda fase, 25Kms, e, finalmente, 20 Kms. Todavia, ainda não o suficiente de modo a salvaguardar toda e qualquer situação indiscutivelmente justificada e atendível.
No texto final apresentado pelo Ministério, prevê-se a possibilidade de o mesmo emitirum novo Despacho sobre quais sejam consideradas doenças incapacitantes. Este facto deixou-nos alguma preocupação, pelo que reivindicámos, no mínimo, o direito de audição das associações sindicais nesta matéria.
Quanto à RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS “a pedido”, ela contende com o quadro legal em que decorreram os concursos nacionais, defrauda as expectativas dos candidatos que fizeram as suas opções em face de um determinado normativo e naquelas precisas circunstâncias.
Em suma, este primeiro processo negocial com a nova equipa governativa decorreu de modo formalmente correto, no respeito pela autonomia e o pluralismo sindical docente, como, aliás, é típico de governos democráticos, mas os avanços e aproximações foram mínimos, pelo que NÃO foi possível chegar-se a um ACORDO entre ambas as partes.

Lisboa, 31 de maio de 2022
Pela Direção Nacional
O Presidente da Direção
Filipe do Paulo

 

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Professores: testemunho de uma vida ao sabor de ventos e tempestades

Eu e a minha esposa, ambos do grupo 240 (EVT), com perto de 30 anos de serviço e com um projeto de vida acompanhado pelo sonho de sermos professores e fazermos o que mais gostamos – ensinar e formar as futuras gerações.
Formados com excelentes médias de curso (modéstia à parte, éramos dos melhores), vinculámos logo como quadros de agrupamento (à época, com outra nomenclatura) e o futuro parecia promissor. O esforço de uma vida a investir na nossa formação parecia ter valido a pena. Constituir família e a perspetiva de, em poucos anos, estarmos destacados na área de residência (termo utilizado na altura) e em cerca de dez anos de serviço entrarmos para os quadros de uma escola perto de casa, era a perspetiva de vida e a exigência dos sacrifícios que nos propusemos submeter quando assinámos o contrato com o Estado. Assim se programou e organizou uma vida a dois… a três (filhos também contam; sim, que, contrariamente ao que muita gente pensa, os professores também são gente, têm filhos e direito a constituir família).

Mas, depressa o sonho se começou a transformar num pesadelo e a tal média de curso revelou de pouco ou nada valer. Independentemente de mais ou menos justiça de alguns acontecimentos e medidas que foram surgindo ao longo do percurso, a verdade é que nos foram afetando.
Ao fim de três anos de serviço, surgiu a regra do meio valor para cada ano de serviço antes da profissionalização. Como não tínhamos, fomos ultrapassados por imensos colegas de profissão. Éramos jovens e o otimismo não se desvanecia assim por coisa pouca. Tínhamos a vida pela frente e uma plêiade de sonhos.

Volvidos outros três anos e, novamente por decreto, mais um revés: reduziu-se a carga horária de EVT, de 5 para 4 tempos semanais, diminuindo o número de horários disponíveis. Fomos mantendo a esperança.

Uma mão cheia de anos decorridos e decide-se unir num mesmo grupo disciplinar, os Trabalhos Manuais Femininos, os Trabalhos Manuais Masculinos e a Educação Visual (da qual fazíamos parte). Como os professores desses grupos eram na sua maioria mais velhos, fomos ultrapassados por muitíssimos colegas e vimos as nossas vidas a andar ainda mais para trás. A resiliência começou a ceder e o otimismo morreu nesse dia.
Nesta época começava o feroz e destrutivo ataque aos professores pela, então, Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, somando mais desgraça em cima da desgraça que assolava sobre nós.
Tudo isto estava a ter graves consequências no nosso quotidiano. Instabilidade, não conseguirmos vincular mais perto ou alcançar mobilidade próximo de casa. No nosso dia-a-dia levantávamos muito cedo, cada um no seu carro íamos para escolas situadas noutras localidades e a filha ficava a cuidar de si própria, indo sozinha para a escola e aguardando o nosso regresso ao fim do dia ou da noite (nas diversas ocasiões em que tínhamos reuniões).
Lembro-me perfeitamente de uma ação de sensibilização para professores na escola ao final da tarde, 19h (queira eu meter-me à estrada para regressar para junto da família e tive de ficar ali a escutar algumas incongruências). Com a melhor das intenções, o guarda da Escola Segura que dinamizava a ação de frequência obrigatória, a certa altura alertava que deixar os filhos sozinhos em casa dava direito a participação à Segurança Social por negligência podendo implicar a retirada dos filhos. Não me contive e, em tom descontraído, respondi: “Então, tirando as muitas ocasiões em que os professores chegam a casa tarde por estarem em reuniões ou em formação, olhando para todos os professores que para poderem estar agora aqui nesta ação tiveram de deixar os seus filhos menores sozinhos em casa, é fazer o favor de telefonar para a SS porque, segundo essa ordem de pensamento, não haverá professor que possa ter filhos sem que se sujeite a que, muitas vezes, os tenha de deixar sós”. É que, tanto a classe política, que se diz tão preocupada com as crianças, como a população em geral, esquecem-se que os filhos de professores não são como os filhos dos outros, pois sofrem tanto ou mais do que os pais pela instabilidade e exigências da profissão. Esse foi o preço alto que a nossa filha teve de pagar, assim como os filhos de tantos outros professores. Isto para não falar daquelas crianças que todos os anos são obrigadas a ir atrás dos pais que ficam colocados em escolas longínquas e têm, também elas, de mudar de escola com o trauma acrescido de estarem constantemente a perder os amigos, criando enorme instabilidade emocional.

Poucos anos decorridos e eis, senão quando, no meio de tanta desgraça, ainda durante o governo Sócrates, por ordem do Ministério da Finanças, propõem acabar com o par pedagógico numa disciplina que é teórico-prática. Os, então, partidos da oposição (PSD e CDS), opõem-se. Entretanto, semanas depois cai o governo, entra a Troika, e os tais partidos da oposição formam governo e, sofrendo de amnésia seletiva, desmembram a disciplina de EVT em duas, Educação Visual e Educação Tecnológica, e acabam com o par pedagógico. Tínhamos 20 anos de carreira, despesas fixas, uma filha universitária e o mundo a desabar sobre as nossas cabeças. Já não se tratava de desânimo nem de instabilidade, tratava-se de desespero. Com a ameaça do desemprego a pairar sobre nós e a equacionar abandonar o país para encontrar emprego lá fora, aguentámo-nos. A insegurança e a incerteza constantes passaram a fazer parte das nossas vidas.

Não bastando tanto azar, nos concursos repletos de prioridades e mais prioridades criadas em gabinete, ficámos a saber que na mobilidade interna os professores QA passam para a última prioridade, pelo que não conseguiremos por este meio mudar de escola.

Volvidos alguns anos, já com cerca de meio século de idade em cima dos ombros, sem perspetivas de alguma vez conseguirmos efetivar na nossa área de residência, nem de ali ficar em mobilidade, tivemos de vender tudo o que tínhamos e mudar de cidade, mudar de vida lançando-nos no escuro num trapézio sem rede. Ambos efetivos em diferentes escolas a hora e meia de distância. Mais tarde vinculei a cerca de 50km de casa, mas a vida continua a ser gerida pela enorme inconstância de constantes concursos. Sabemos que andamos a caminhar na corda bamba, mas só temos este caminho ou, em alternativa, abandonar o ensino.

Lamentavelmente, o infortúnio não se ficou por aqui. O destino, cumprindo sem misericórdia e de forma implacável a estatística que refere uma média de 1 acidente grave por cada meio milhão de quilómetros de condução, nos meus 600 mil quilómetros de condução só para ir para a escola, concedeu-nos um acidente em serviço. A mim, cirurgias, centenas de tratamentos, doença incapacitante e uma vida que nunca mais foi a mesma, foi o prémio por uma existência de enorme dedicação ao sonho de ser professor. Desde há três anos que concorro em mobilidade por doença. A minha esposa, com sequelas, continua na estrada sujeita à sorte do destino, pois não se enquadra nas doenças incapacitantes.

Não sendo suficientes todos os ataques que têm transformado a vida dos professores num caos, agora sou brindado com o último modelo de requinte de malvadez de um ministro que quer atirar com os professores em Mobilidade por Doença novamente para a estrada a percorrer, no meu caso, 100km diários. Irei requerer o Atestado Multiusos, o qual, fiquei agora a saber, demorará no mínimo 29 meses a obter resposta. A nublosa da intenção da renovação de contratos que poderá prejudicar os professores dos quadros, poderá levar a minha esposa a nunca mais conseguir, sequer, almejar lecionar na área de residência, amarrada ao volante o resto dos seus dias de profissão.

Quase três décadas de carreira, sem nunca termos perdido tempo de serviço, com tudo o que isso implicou, caminhamos para velhos e a vida está hoje mais instável e pior do que quando começámos a trabalhar.
O que nos deu, então, de tão bom o ensino?
Roubou-nos a juventude, a saúde e os sonhos e em troca deu-nos uma mão cheia de nada acompanhada de problemas de saúde e enorme desgaste profissional. Somos precários vinculados a uma vida de instabilidade sem nenhuma certeza sobre o dia de amanhã, numa caminhada repleta de desgraças, em dobro por sermos ambos professores com a agravante de sermos de EVT.

Eu sei, foi cansativo ler estas linhas, mas acreditem, não foi nada que se possa comparar com a enorme revolta e desencanto provocados pelo cansaço extremo de uma vida carregada de injustiças, instabilidade, frustração e de sonhos perdidos cometidos por sucessivos Ministros da Educação sem escrúpulos. A vida profissional transformou-se num acervo de sofrimento, medo, angústia constante e ansiedade. Devo dizer que, tal como acontece com outros colegas de profissão, isto não é vida, isto é um crime que tem vindo a ser cometido contra os professores e as suas famílias, incluindo crianças que não têm culpa nenhuma.
Isto é terrorismo psicológico feito pelo estado sobre os cidadãos que tutela. Tudo isto é o resultado de uma sociedade que ajudou a classe política a ser o carrasco das nossas vidas. Com este massacre às condições de trabalho dos professores, com a retirada de direitos, enorme imprevisibilidade em relação ao futuro, baixos salários, excesso de burocracia e de trabalho e aposentação longínqua, será possível ainda continuar a amar a profissão? Acredito que quem disser o contrário para ser politicamente correto, mente para ficar bem nesta montra de aparências em que se transformou a nossa sociedade.

Carlos Santos… mas poderia ser o testemunho de qualquer outro professor nesta terra de sonhos perdidos e sem futuro chamada Portugal.

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As doenças incapacitantes que dão acesso à MPD vão ser alteradas…

Mas não se sabe se já estará em vigor este ano.

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“ Pobreza não é fatalismo”.

Raparigas continuam a ter menos retenções que rapazes, mas diferença tem diminuído nos últimos anos. Taxa de abandono escolar no Algarve preocupa o ministro da Educação. Veja onde é que as escolas estão a levar alunos a superarem expectativas.

Pobreza não é fatalismo”. 62% dos alunos carenciados acabam secundário sem chumbar

O “elevador social” não está avariado. Pelo menos é o que diz o indicador da equidade nas escolas e de conclusão no tempo esperado, que subiu em todos os ciclos e modalidades de ensino e atingiu, pela primeira vez desde que há registo, os dois terços de alunos que completaram o ensino secundário nos três anos previstos.

Segundo dados da Direção-Geral e Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), as melhorias também são notórias entre os alunos com mais dificuldades, abrangidos pelo programa da Ação Social Escolar (ASE), em que a percentagem de conclusão no tempo esperado foi de 62% nos cursos científico-humanísticos e cursos profissionais do ensino secundário.

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Proposta Final para a MPD e Renovação de Contratos

Clicar na imagem para ler a proposta final da Mobilidade por Doença e Renovação de Contratos entregue hoje às organizações sindicais.

 

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O Tiago voltou!!!!!

O português Tiago Brandão Rodrigues, que entre 2017 e 2022 foi Ministro da Educação do governo de António Costa, vai liderar a equipa que elaborará um inquérito aos incidentes ocorridos no último sábado em Paris, aquando da final da Liga dos Campeões. Segundo a UEFA, o inquérito terá como objetivo analisar todos os aspetos daquela noite, desde a capacidade de tomar decisões, as responsabilidades e ainda o comportamento de todos os envolvidos.

 

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MOBILIDADE INTERNA – RAM – INSCRIÇÕES

Informamos que decorre, entre os dias 30 de maio e 1 de junho, o prazo de inscrição para o concurso de mobilidade interna, destinado aos docentes dos quadros de escola aos quais não seja possível atribuir pelo menos 6 horas de componente letiva ou que pretendam exercer transitoriamente funções docentes noutra escola.

Os candidatos que tenham lecionado ou que se encontrem a exercer funções docentes em estabelecimentos de educação, ensino ou instituições de educação especial da rede pública da Região Autónoma da Madeira, estão dispensados da inscrição obrigatória referida nos números anteriores.

Os demais interessados devem efetuar a inscrição através do Formulário D, disponível na página dos concursos de pessoal docente de 2022/2023.

https://www.madeira.gov.pt/draescolar/Estrutura/DRAE/ctl/Read/mid/4471/InformacaoId/149226/UnidadeOrganicaId/26/CatalogoId/0

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Já houve quem dissesse o mesmo

“Vamos trabalhar a revisão das habilitações para a docência, a redução dos quadros de zona pedagógica e, esta semana mesmo, temos uma reunião com todas as instituições de ensino superior que formam professores para começarmos um trabalho de formação de professores”, disse João Costa à margem da primeira conferência Professor Manuel Ferreira Patrício sobre “O Futuro da Educação” realizada no Centro de Ciência do Café, em Campo Maior, Portalegre).

Ministro da Educação quer “acabar” com “casa às costas” dos professores

“As instituições de ensino superior são as únicas instituições do país que podem formar novos professores e, portanto, com isso e com a revisão do regime de recrutamento, para acabarmos com a casa às costas dos professores e fixar os professores o mais cedo possível, com vínculos permanentes nos lugares onde trabalham, penso que serão alguns dos instrumentos que teremos ao nosso dispor nos próximos anos”, acrescentou.

 

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Sobre a diferença da doença em MPD – Carlos Santos

Ao ler detidamente a proposta de trabalho negocial do ME sobre a Mobilidade por Doença eis, colegas, que se encontrou a resposta para todos os nossos problemas.
Pois eu gostaria de saber se dois professores com a mesma doença, passam a poder deixar de ser tratados da mesma maneira só porque um é QA e o outro é QZP?! Será que, por decreto, as doenças passam a doer de maneira diferente consoante o vínculo profissional da pessoa que a tem?
Foi com esta mentalidade enviesada de diferenciação seletiva que se cometeram e ainda se continuam a praticar atos hediondos, como o holocausto nazi.
E será que contar 50km em linha reta até à sede de concelho é justo? E de onde veio esse número mágico? Se for em autoestrada faz-se em 25 minutos, se atravessar p. ex. uma serra ou uma grande metrópole, estaremos a falar de uma viagem penosa de mais de uma hora e meia que, ida e regresso, contabilizaria mais de 3 horas ao volante. Que ato de transbordante generosidade este a que se propõe o ME para com quem está em sofrimento ou com doença incapacitante.
Este princípio é profundamente ilegal e vai contra a igualdade de direitos entre os cidadãos consignados na Constituição portuguesa e atenta contra os próprios direitos humanos. Não se pode considerar que é um cidadão de segunda só porque se é quadro de agrupamento ou um inválido com direito a ser perseguido e descartado pelo seu governo apenas por ter uma doença incapacitante.
Ainda pensei que estas almas se lembrassem que pessoas com doenças degenerativas, crónicas e incuráveis, ficassem dispensadas de todos os anos terem de passar por este angustiante processo concursal. Mas, não, fizeram precisamente o contrário. Olhando para esta proposta do ME, nota-se como torna tão apetecível este imaginário de caça às bruxas. Havemos de as caçar todas e queimá-las vivas na praça pública para gáudio do povo, para que se faça justiça… e para que esqueçam da barriga cheia de misérias em que a maioria vive, sobretudo para o povo que está no ensino! Pega-se em algum caso de suspeição, generaliza-se e admoesta-se severamente todos os outros.
O país está a deparar-se com um corpo docente muitíssimo envelhecido, desgastado, desmotivado e doente e com uma tremenda falta de professores. Após anos a fio a destratar e explorar os profissionais da educação que descambou numa situação de falta de professores, uma vez que muitos abandonaram uma profissão pouco atrativa e quase ninguém quer formar-se para ser professor, a solução encontrada foi continuar a maltratar e perseguir que contribui para que o ensino vá funcionando.
Conheço bem essa proverbial piedade cristã inquisitória, persecutória e de maus costumes que nunca saiu da nossa cultura nem da nossa maneira de estar de tão enraizada que está entre nós, como sucedeu com a inquisição onde foram cometidas tantas atrocidades, como aconteceu numa das mais longas ditaduras do mundo (quase meio século) onde se alimentaram perseguições, torturas, denúncias e censura. Ao que parece, nada disto mudou. As pessoas passaram a usar smartphones e a tecnologia de última geração (quase tudo importado), mas a mentalidade continua na mesma (só é pena não terem também importado alguns valores e atitude social e de cidadania de alguns povos do norte da europa).
O retrato acabado desta mentalidade umbiguista e pouco recomendável foi facilmente revelada pela primeira figura do estado quando anunciava que a desgraça do Covid19 noutros destinos turísticos, era uma oportunidade para o turismo nacional; que a guerra e instabilidade no leste da europa causados pela guerra na Ucrânia, eram uma oportunidade para o país propiciando investimento neste nosso canto onde reina a estabilidade longe do conflito sangrento. A ruína moral não conhece limites.
Perdoem-me eu não me conseguir rever nesta mentalidade tão portuguesa que, na ausência de conseguir fazer melhor, se satisfaz em tirar proveito da desventura dos outros e sentir-me, por vezes, altamente inadaptado ou mesmo um marginal face a esta cultura.
Encontramos esta tremenda capacidade de descobrir vantagens na miséria alheia na típica cínica observação portuguesa “Estamos mal, mas olha que há quem esteja pior!” Que medíocre.
Este projeto de intenções, altamente pernicioso, só irá somar desgraça em cima de quem já está desafortunado, despejando mal sobre quem já está mal. Isto só irá fazer com que os professores, que já de si estão mal, ainda fiquem pior e acabem por não aguentar vendo-se obrigados a meter baixa médica e a ficarmos com menos professores disponíveis. Que bela solução para resolver o problema da falta de professores. Que medidas tão atrativas para chamar mais gente para a profissão.
Isto está longe de ser um processo de escrutínio relativamente à veracidade da situação dos professores doentes; trata-se, isso sim, de um cáustico e penoso processo de humilhação sumária de pessoas que se encontram debilitadas por estarem doentes pressionando para que desistam e metam aposentação antecipada, algumas das quais sem direito praticamente a uma reforma. Dissimuladamente, pretendem que os professores morram para não terem de lhes pagar as reformas.
Os governos continuam a dividir para reinar e os professores, numa ignorância maliciosa e numa cobiça desmedida quase científicas, continuam a aplaudir a desgraça alheia, esquecendo-se que amanhã lhes poderá acontecer o mesmo. Ontem amputavam-se os membros e os ouvidos taparam-se; hoje cortam-se as orelhas e a língua cala-se; amanhã corta-se a língua e os olhos observam; depois extraem-se os olhos e o nariz torce para o lado; então chegará o momento em que nada mais haverá para retirar de um cadáver disforme e sem préstimo… assim está o corpo docente, doente e sem alma.
Não é, certamente, preciso assim tanta perspicácia para se descobrir como esta profissão se tornou tão mal-amada, a classe docente tão dividida quanto humilhada e as suas condições profissionais tão degradadas.

(Carlos Santos)

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E de 25 Km passou para 20 Km (grande alteração)

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7% os professores em mobilidade por doença

 

São cerca de 7% os professores em mobilidade por doença. Ou seja, estimam os líderes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da Federação Nacional da Educação (FNE) com base na informação divulgada nas reuniões no Ministério da Educação, são “cerca de oito mil docentes”. Há agrupamentos com mais de cem docentes com destacamento. A maior concentração encontra-se em escolas dos distritos de Braga, Viseu, Vila Real e Bragança.

“Se o ministério desconfia de casos fraudulentos, reforce as juntas médicas nestes quatro distritos”, insiste Mário Nogueira. Para o líder da Fenprof, se o Governo não ceder em algumas das propostas, as baixas médicas podem aumentar porque os casos mais graves serão os que não podem aceitar as novas regras, garante.

Recorde-se que na proposta entregue às organizações o Governo defende que todos estes docentes, em mobilidade, tenham no mínimo seis horas letivas por semana. E que o requerimento só possa ser feito se os docentes estiverem colocados a mais de 25 quilómetros da sede do agrupamento e sujeito às quotas por agrupamento, cujo sistema também será criado.

 

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E quem avalia o desempenho dos pais?

Naturalmente, sem generalizar, os pais e encarregados de educação são uns seres perfeitos, que sabem tudo e são melhores do que todos os professores (os quais têm imensos defeitos), mas que, por algum motivo, não sabem educar a sua prole (embora a maioria não o reconheça).
A coisa até estava a ir muito bem, seguindo o plano divino com o principezinho, até aparecer a escola e os professores para estragarem tudo.
Mas já que os pais gostam tanto de avaliar a prestação dos professores, vamos lá, então, falar sobre Avaliação de desempenho (não dos professores que passam a vida a serem avaliados, inclusivamente pelos pais). O que urge questionar é quem avalia o desempenho dos pais.
Na meninice dos nossos pais, estudar era inacessível. No nosso tempo estudávamos, ajudávamos os nossos pais e, passar o ano e tirar boas notas, era uma obrigação nossa. Na geração dos pais dos nossos alunos, os seus pais prometiam-lhes uma prenda se passassem o ano ou tirassem boas notas. Atualmente, a coisa deu uma reviravolta e são os meninos a impor as regras aos pais. Então estes dão-lhes adiantado os tabletes, os smartphone ou as consolas de jogos antes da chegada do velhote de barbas brancas, da Páscoa e do final do ano, se os meninos prometerem estudar e tirar notas decentes. E este comportamento invertido passou a fazer parte do relacionamento de pais que já têm dificuldades em relacionarem-se com os filhos de uma outra forma que não seja aceitarem a chantagem mercantilista dos rebentos. Uma inversão de papéis em que o adulto se submete à chantagem da criança que é quem manda e manipula.

Os encarregados de educação (expressão ainda incompreensível por quem tutela a educação dos filhos) não se apercebem de que a obediência e o respeito mútuos, mas sobretudo da criança para com os adultos, conquista-se com diálogo para que estas compreendam a razão das atitudes. A falta de diálogo é a principal fonte da disfuncionalidade familiar que acaba por desembocar na escola com o aparecimento de cada vez mais crianças mal-educadas e indisciplinadas que não sabem respeitar regras, adultos e colegas.
Um estudo recente que revelou que as crianças passam, em média, mais de 3 horas e meia por dia em frente de ecrãs – a maior parte delas sem nenhum acompanhamento o controlo por parte de um adulto por perto – só vem comprovar que grande parte delas estão abandonadas dentro das próprias casas com as famílias perto, mas longe do olhar.

Então, naturalmente, vão surgindo palavras malditas. “NÃO” é a palavra que a maioria das nossas crianças não estão habituadas a ouvir. Mas, embora seja uma palavra que não estejam acostumadas a escutar, as crianças usam-na com frequência numa relação invertida que estabelecem com os pais, na qual vestem a pele do adulto, sendo elas quem manda e encerra qualquer conversa ou pedido dos pais sentenciando com o terminante argumento “não”. Sem se darem conta, demitindo-se das suas obrigações parentais, vários pais estão a criar pequenos tiranos.

Daí o embate que sofrem quando chegam à escola e começam a escutar os primeiros “Nãos”. Sentem uma enorme frustração quando, pela primeira vez sentem que nem tudo é feito segundo a sua vontade pois, muitas delas não têm o hábito de serem contrariadas. Os pais nunca quiseram contrariar os filhos para não criarem neles o sentimento de frustração. “Frustração” essa outra palavra que os pais evitam a todo o custo que chegue até aos filhotes, dando-lhes tudo o que pedem e no imediato, não os habituando ao mundo real onde a frustração fará parte da vida. Resultado: acabará por gerar mais um conflito com os professores na escola. Depois surgem miúdos com problemas comportamentais e um rol de psicólogos que não conseguem descobrir de onde vêm tantas crianças e jovens deprimidos, frustrados e revoltados. Culpa dos pais que não querem que os filhos embirrem com eles preferindo o jogo fácil de os comprar com bens materiais, não lhes dando o essencial, a educação. Crianças que aprendem que o importante é o «ter» acima do «ser» e que tudo na vida lhes irá ter às mãos de maneira fácil. Nada mais errado e nocivo.
Pais que não sabem ensinar as crianças a lidar com a frustração, a saber esperar, a ceder e a respeitar. Então, além de “gastadora”, a criança torna-se teimosa, depressiva e intolerante.
Mas sempre é mais fácil comprar os filhos com bens materiais do que gastar tempo a conversar sobre assuntos relevantes. Não há diálogo, logo não há espaço para haver educação. Os miúdos estão com o tablet ou smartphone no quarto, à mesa e até, logo de manhã, no carro onde não os largam, enquanto os pais lhes colocam a mochila às costas ou lhe apertam os atacadores.

Quantas vezes se escuta da boca de um aluno expressões tão simples como “bom dia”, “posso entrar?”, “obrigado”, com licença”, “se faz favor”, “desculpe”,…? Mas isso seria uma exigência de requinte excêntrico numa sociedade onde, impunemente, os pais vão à escola pressionar, ameaçar e agredir professores e funcionários. Se a lei caísse logo em cima com punições judiciais severas e céleres, não teríamos uma sociedade degradante onde grassa o desrespeito e a violência. Perante o número crescente destas intoleráveis situações de brutalidade, será de estranhar que os seus rebentos, pelo exemplo, também não tentem fazer o mesmo? Por algum motivo é vulgar os professores dizerem “basta vermos os filhos para imaginarmos como são os pais”.
Pais que à porta da escola deseducam pelo mau exemplo cuspindo, deitando beatas e lixo para o chão, usando linguagem imprópria, quando não estão a estacionar em locais proibidos, em segunda fila, em cima dos passeios ou de passadeiras, ou a fumarem dentro das viaturas com as crianças lá dentro, fazendo precisamente o oposto daquilo que nós, professores, ensinamos aos seus filhos na escola.
Todavia, se os pais fossem responsabilizados pelos atos dos seus filhos e obrigados a cumprir serviço comunitário na escola sempre que o filho apresentasse mau comportamento, talvez as coisas não tivessem chegado a este ponto tão degradante.

Pais que se escudam atrás da falta de tempo para educar o filho, mas que acham que os professores são obrigados a ensinar os conteúdos escolares e ainda educar mais de vinte de cada vez. Não têm tempo para educar o filho ou para ir à escola colaborar na sua educação, mas têm tempo para o futebol, reality shows e novelas e para criar grupos no WhatsApp ou Facebook para difamarem a escola e os professores.
Mas, pais que não são um bom exemplo para os filhos, quer pelas atitudes, quer pela linguagem usada, não se apercebendo da importância que têm na vida dos mais novos com carácter ainda em formação, estão a transmitir uma deficiente educação. Muitos erros cometidos a que se somam a falta de acompanhamento, criando crianças malformadas e sem figuras de referência em casa. E era tão simples, bastava educar pelo exemplo.

Contudo, não creio que todos os pais compreendam que a educação vem de casa. Que os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais e não a escola. Que o papel da escola é o de informar, formar, complementar e reforçar a educação que deve vir de casa, mas, principalmente, o de transmitir conhecimentos. Quem cria é a família a quem cabe assumir as responsabilidades educativas.
Lamento que, neste nosso país de fachadas, os pais não vejam a educação dos filhos como uma prioridade. Um bom carro à porta, dinheiro para a “bola”, para umas boas férias e outros devaneios, são sempre mais importantes do que o parente pobre – a educação dos filhos. Noutros países, assim que o bebé vem ao mundo, é hábito os pais abrirem uma conta onde se vai acumulando um pé-de-meia para quando, um dia mais tarde, o filho for para a universidade. Por cá falar disso é motivo de riso.
Certamente que a classe docente está convencida que não é só importante a educação dos filhos, mas também a educação dos pais, muitos deles nunca tendo saído do papel de progenitores para assumirem verdadeiramente a função de pais.

Que se deixe de andar constantemente a avaliar o desempenho dos professores e se comece a avaliar o desempenho e a responsabilidade dos pais e, certamente, não só ficará a ganhar o ensino, mas também a sociedade.

(aos excelentes pais que foram obrigados a ler o texto, as minhas mais sinceras desculpas; àqueles a quem assentou a carapuça, têm bom remédio, há bons fármacos para a azia)

Carlos Santos

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O espírito de missão dos professores não compensa

“Um dia irei acordar a meio da noite
invadid@ de profunda tristeza e,
só então irei dar-me conta do que é
estar deitad@ ao lado da solidão
a um mundo de distância de ti…”

Ainda povoa o meu pensamento aquele dia em que muitos foram torturados por aqueles que convidavam os professores a saírem da sua «zona de conforto» e emigrarem. Hoje, como sempre, prevalece a ideia de que eles têm de ter um espírito de missão e aceitar ir para escolas a dezenas ou centenas de quilómetros dos seus lares durante os anos que forem necessários à causa pública.
A todas essas pessoas da nossa sociedade que invejam uma vida de professor que consideram pouco exigente, bem paga, com muitos benefícios, que tirem o curso e se candidatem à profissão para também poderem usufruir dessas tais facilidades de que falam. Que se sujeitem a esses confortos com “a casa às costas”, com os filhos atrás ou compelidos a abandonar a família. Por algum motivo existe um reduzido número de novos candidatos à profissão, demonstrando o desinteresse das pessoas em “calçar os sapatos dos docentes”.

Muitos daqueles que tanto esquadrinham as suas vidas e os expõem a uma infinita galeria de censura, nunca se deram ao trabalho de tirar um curso e os que tiraram uma formação superior não se submetem aos sacrifícios por que têm de passar os professores. Não o fazem nem querem fazer, pois muitos são os que não aceitam ofertas de emprego longe de sua casa e, muitos outros, nem sequer emprego que não lhe interesse por ser mais rentável e cómodo ficar em casa. Não creio que seja necessário dar muito crédito às palavras de quantos criticam a classe docente, mas que a sua zona de conforto é a sua terra e, de preferência, sem necessidade de percorrer uma grande distância para ir para o trabalho, enquanto não se escandalizam com o facto de a zona de conforto dos professores se estender de norte a sul do país até às ilhas.
Todos lhes apontam o dedo, mas ninguém quer a sua profissão, nem o árduo trabalho, nem fazer sacríficos que os prejudiquem a si e às suas famílias. Nesta terra, toda a gente tem direito a uma zona de conforto que propicie o tão necessário aumento da natalidade, menos os professores.

Quanto à classe política, assim que são eleitos, são imediatamente recompensados com diversificadas ajudas de custo, de alojamento e de deslocação (já para não falar daqueles que mentem sobre o seu local de residência para extorquir numerário ao erário público). Só aos docentes lhes é exigido que tenham viatura própria para se deslocarem diariamente para poderem trabalhar ou a arrendem casa a centenas de quilómetros do seu domicílio não tendo direito a nenhum subsídio nem apoio. Mas para que a classe política possa ter a sua zona de conforto, corta-se nas verbas para a Educação.

Na realidade, o que sabem eles deste e de outros desconfortos dos profissionais da educação?
O que sabem sobre tantos sacrifícios e incómodos pelos quais têm de passar para exercerem a sua profissão?
O que sabem eles dos horários de trabalho que não têm um lugar, um dia ou hora para cumprir, pois invadem constantemente a privacidade do seu lar?
O que sabem eles de todas essas zonas de conforto reservadas aos professores que mais ninguém quer?
O que sabem eles, afinal, do que é ser professor?
Só mesmo a ignorância e o hábito da maledicência os leva a que tanto asneirem; e o insinuam porque não sabem do que falam, uma vez que não o sentem na pele.

“Ao fim do dia, ao regressar à noite àquela cela onde vou cumprindo esta pena, a este quarto, este refúgio, esta alcova, a esta jaula invisível que se transformou num leito de solidões, prova viva de vidas desconjuntadas, encontro-me desprovid@ de tudo o que mais prezo.
Nas ocasiões em que me sinto tão só que me é impossível pôr sentimentos nas palavras, deixo-me levar por esse rio de lágrimas e deixo as palavras escorregarem dos sentimentos.
Então, um dia, talvez um dia…
Um dia irei acordar a meio da noite
e não estarei sozinh@.
Não te enviarei mais mensagens ou telefonemas
nem sentirei a tua falta ou vontade de chorar.
Porque nesse dia irei acordar a meio da noite
e estarás deitad@ a meu lado
e não a um mundo de distância.”

Carlos Santos

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As lágrimas não se fazem ouvir” Hoje em destaque

Por medo ou vergonha, a maior parte das vítimas não denuncia. Por sua vez, muitas escolas escondem o problema debaixo do tapete ou desvalorizam-no, mas o bullying e o cyberbullying deixam marcas que ficam para sempre.

Reportagem Especial: “As lágrimas não se fazem ouvir”

O que leva uma criança ou jovem a agredir outros de forma intencional e repetida, e o que é preciso ser feito para que este flagelo não continue a crescer, é o que mostramos na Reportagem Especial: “As lágrimas não se fazem ouvir”.

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Alunos da Madeira usam mais os Manuais Digitais do que os de Continente

 

Estudantes envolvidos no projecto-piloto do continente apenas recorrem aos recursos online durante o tempo de aulas. Os dados de utilização da plataforma Escola Virtual, que agrega manuais escolares das diferentes editoras, mostram região autónoma “na vanguarda” da transição digital, segundo a Porto Editora.

 

Alunos da Madeira usam manuais digitais de forma mais intensa que os colegas do continente

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“Somos o animal com a infância mais longa, para quê aprender tudo à pressa?”

 

Na última lição na FMH, pediu um novo contrato social para educação. E que as escolas libertem não só as crianças mas professores e investigadores.

“Somos o animal com a infância mais longa, para quê aprender tudo à pressa?”

Atirada para este ano por causa da pandemia, a última lição de Carlos Neto, o professor e investigador que pôs o direito a brincar das crianças na ordem do dia, aconteceu ontem num pavilhão cheio da Faculdade de Motricidade Humana, na Cruz Quebrada. Na hora da despedida, os reptos foram os que acompanham uma carreira de defesa do espaço e tempo para o “corpo em movimento”, mas também de perspetiva sobre a vida na universidade, desde os primórdios da sua entrada nas lides do desporto em 1970, na altura para fazer o curso de instrutor no Instituto Nacional de Educação Física – a escola que viria a ser, depois do 25 de Abril, o Instituto Superior de Educação Física de Lisboa e hoje é a FMH, integrada na Universidade de Lisboa.

Carlos Neto invocou os mestres – alguns que já partiram, e que abriram os caminhos nesta área em Portugal, como os pedagogos João dos Santos, Noronha Feio e António Paula Brito – e defendeu que a escola que construíram sempre inquietos não poderá ficar parada no tempo perante uma sociedade e tempos desconhecidos e imprevisíveis.

“A melhor brincadeira era jogar à pedrada” 

“Vim de um mundo diferente, de imaginação, de fantasia, de bem-estar, de busca de prazer, elevação, iluminação e transcendência que é o estado de espírito de uma criança”, começou Carlos Neto, lembrando o percurso que procurou fazer ao longo da carreira, tanto na observação como no ensino. E que partiu da sua própria vivência, recordou.

“Nasci num país pobre, em 1951, numa cidade que após o fim da Segunda Guerra vivia em pobreza, num regime ditatorial. O que eu tinha à minha mão como criança era o jornal O Século que o meu pai comprava todos os dias, um livro que havia em todas as casas que era a Bíblia e a emissora nacional. Tínhamos uma escola, uma escola que era uma igreja e ditatorial também, onde o ensino era replicativo e expositivo, como ainda hoje é. Tínhamos uma segunda escola, que era uma escola da aprendizagem da vida, a escola da rua, que está em vias da extinção. Hoje não vemos crianças na cidade. Infelizmente essa escola acabou”, disse, lembrando os amigos de rua e as partidas de futebol no Sport Clube Leiria e Marrazes, onde jogou.

“A melhor brincadeira que tinha era jogar à pedrada com os meus amigos e às lutas, porque isso ensinava-nos a ser mais fortalecidos, ter mais capacidade de compreender os outros e fairplay”.

Em 1970, entrou na escola de instrutores de Educação Física de Lisboa, em anos de inquietação, que o acompanhou sempre, lembrou o presidente da FMH, Luísa Sardinha, que o descreveu como um professor comprometido dentro e fora de aula e uma influência decisiva para o estudo científico da aventura de ser criança.

“Esta escola foi talvez aquela que mais influências teve do Maio de 68. Recordo-me de irmos a Paris só para comprar livros”, lembrou Carlos Neto. Os que mais o marcaram e seriam as novas bases de trabalho foram Fenomenologia da Percepção, de Merleau-Ponty, A Imagem do Corpo, de Paul Schilder, A Formação do Símbolo na Criança, de Jean Piaget e do Do Ato ao Pensamento, de Henri Wallon, recordou. “Nesta escola tínhamos ainda um corpo que era visto ainda apenas na perspetiva da ginástica sueca”.

 

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Assistente Técnico vs Telefonista

 

 

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RR37 só para os GR 100 e 110

Reserva de Recrutamento (RR37) – PEDIDOS DE HORÁRIOS APENAS DISPONÍVEIS PARA OS GR 100 E 110

 

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Listas relativas ao 𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 2022/2023

 

Publicadas Listas relativas ao 𝗖𝗼𝗻𝗰𝘂𝗿𝘀𝗼 𝗜𝗻𝘁𝗲𝗿𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗣𝗿𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 2022/2023

– Lista de colocação – https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaColocacaoInterno_20220527.pdf?ver=2021-06-29-145248-487

– Lista ordenada definitiva de candidatos admitidos – https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaOrdenadaDefinitivaInterno_20220527.pdf?ver=2021-06-29-145248-487

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Reserva de recrutamento n.º 36

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados, Listas de Colocação Administrativa e Listas de colocação adicional de carácter excecional – 36.ª Reserva de Recrutamento 2021/2022.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 30 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira dia 31 de maio de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 36

Listas – Reserva de recrutamento n.º 36

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Concurso Externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança 2022/2023 – Listas Provisórias

Estão disponíveis para consulta as listas provisórias de admissão e de exclusão do Concurso Externo do ensino artístico especializado da música e da dança para o ano escolar 2022/2023.

Listas Provisórias

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Tentativa de criação de um Programa extraordinário de vinculação dos docentes na AR

 

Mais uma voltinha no carrossel… é para a menina, é para o menino…

Programa extraordinário de vinculação dos docentes

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