Category: Rui Cardoso

Os professores não querem esmolas. – Pedro Chagas Freitas

Os professores não querem esmolas.

Querem um caminho. Querem um futuro, pelo menos uma promessa de futuro. Querem que, mais do que com palavras ocas, lhes mostrem a importância que têm, que têm de ter, para o futuro do país: para o futuro de qualquer país.

Os professores não querem esmolas.

Querem reconhecimento, querem dignidade, querem condições de trabalho. Querem que entendam o que tantos deles têm de passar, o que tantos deles têm de superar, para conseguir, todos os dias, encarar o futuro, o deles e sobretudo o de quem está sentado à frente deles, com um sorriso nos lábios, com esperança nos lábios.

Os professores não querem esmolas.

Querem carinho. Querem ser vistos como pessoas, com família, com saudade, com dificuldades, e não como se fossem culpados, só culpados, do tanto que há para melhorar na educação, do tanto que quem manda não consegue melhorar — e que, cobardemente, tenta atirar para as costas deles, alimentando um ódio inexplicável que muitos têm deles.

Os professores não querem esmolas.

Querem justiça. Querem que aquilo que fazem, aquilo que melhoram, aquilo que têm e tiveram de passar, o mérito que muitos deles têm, o incrível trabalho que muitos deles fazem, seja premiado, não por favor, não por pena. Só por justiça. A mais elementar, a mais básica, justiça.

Os professores não querem esmolas.

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Quais serão as outras matérias que o ME quer negociar?

 

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Reuniões negociais ME/Sindicatos a 18 e 20 de janeiro

 

O Ministério da Educação convocou os sindicatos do setor para uma nova reunião negocial sobre a revisão do regime de recrutamento e mobilidade para os dias 18 e 20 de janeiro.

 

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Um Diretor que fala assim, não é gago…

Para ouvir e ver como se explica a escola de hoje e os seus problemas… clicar na imagem. Vale a pena…

 

 

 

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Chegou a hora de os Professores dizerem: Basta! – Alexandre Parafita

Estou, incondicionalmente, solidário com os Professores e com a greve que iniciaram. Ando há anos a escrever sobre os seus dramas (em especial em artigos no JN).

Desde que uma Ministra de tão nefasta memória, nomeada por Sócrates, poisou na cadeira da Educação, nunca mais os professores tiveram sossego.

A desautorização, o desrespeito, a humilhação, nas escolas e na sociedade, o congelamento de carreiras, as estranhas regras de mobilidade, a terrível burocracia a recair sobre os professores (que os obriga a trabalhar pela noite e madrugada fora…), as turmas e horários sobrecarregados, a violência impune nas escolas, os novos e enigmáticos modelos de recrutamento… vêm tornando o exercício da profissão de professor numa verdadeira tortura.

Se este Ministro não tem capacidade de se sentar à mesa com quem representa os professores e de atender ao seu desencanto e revolta… então que siga o caminho do seu ex-colega Pedro Nuno (esse deu conta a tempo que estava mais…)

 

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A Escola: Um lugar que já não é como era. – André Rodrigues

A Escola: Um lugar que já não é como era. 

Como estudante, e participante diário na escola acho que, a escola portuguesa precisa de Inovar, conteúdos programáticos adaptados à geração, de modo que demonstremos mais interesse sobre a escola.

Falar mais sobre a atualidade no mundo, falar mais sobre educação financeira e como este mundo está a evoluir com as criptomoedas, mais projetos que envolvam alunos, como o Ubuntu: precisamos de mais felicidade.

Na minha opinião precisamos de um verdadeiro ‘upgrade’ na escola portuguesa, como referia Tânia Gaspar: a necessidade de a escola “se atualizar e conseguir acompanhar os jovens no seu modo de contacto com o conhecimento”.

E a necessidade deste ‘upgrade’ não vem de agora, já deveria ter sido feito há muito tempo e deve acompanhar as necessidades de uma geração, e não estamos a fazê-lo, mas um dia vai ter que ser feito — mais cedo ou mais tarde.

A escola é cada vez mais vista como uma espécie de prisão, e temos que mudar esse paradigma, e se o mudarmos, acredito que este estudo terá outros resultados (claramente satisfatórios).

Esta falta de inovação não é culpa dos professores, dos alunos, do pessoal não docente, dos pais ou dos diretores, é culpa de um “sistema predefinido” que não muda à anos, não evoluiu, não se adaptou às novas gerações, aos novos pensamentos.

E é por isto tudo que falta motivação às pessoas que frequentam diariamente aquele espaço, e como disse Pedro Chagas Freitas: “Falta felicidade às escolas.”

Alunos, professores e pessoal não docente, desmotivados daquilo que devia ser a motivação deles, desmotivados do local onde passam a maior parte do dia, crianças e jovens cada vez mais tristes, isto reflete o dia-a-dia do espaço escolar.

E com isto surgem questões: “Será que algum dia vamos conseguir inovar?”; “Será que teremos uma mudança significativa” — tudo incógnitas.

🔗 Ler em artigo: https://www.mais-sobre-educacao.uno/2023/01/a-escola-um-lugar-que-ja-nao-e-como-era.html

 

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ADD, UMA INUTILIDADE CANCERÍGENA – António Paulo Costa

 

A maior parte dos professores argumenta contra o atual sistema de avaliação do desempenho docente (ADD) por este não permitir reconhecer, em termos práticos – isto é, com uma avaliação de Muito Bom ou de Excelente e respetivas consequências -, o seu infindável trabalho com os alunos. Têm duplamente razão: não apenas nem todos veem premiado o seu trabalho quando isso seria justo, como aqueles que obtêm classificações muito altas (por exemplo, >9 na escala até 10) veem depois “martelada” a sua avaliação para apenas Bom por conta das famigeradas quotas. Isto é como mostrar a PlayStation a um miúdo que trabalhou mesmo bem e a seguir retirar-lha da frente com um sorriso de hiena, o que torna este sistema uma coisa desmoralizante para avaliados, massacrante para avaliadores e cancerígena para as relações entre colegas.

Vou elaborar mais um bocadinho. Os teóricos da Pedagogia distinguiram há muito tempo a avaliação referida a critérios da avaliação referida a normas. No primeiro caso, o dispositivo de avaliação tem de permitir verificar se é cumprido um dado critério. Por exemplo, nos centros de inspeção automóvel faz-se avaliação referida a critérios: os pneus estão carecas? o veículo emite gases excessivos? a direção está desalinhada? Não satisfaz o critério. Reprovado a vermelho. Note-se que este veículo não é comparado com o veículo inspecionado antes, nem com o veículo inspecionado a seguir. Chumba por si, sem importar se é melhor ou pior do que os outros. Sai-se de uma avaliação criterial com um carimbo aprovado/não aprovado, ou algo parecido. Ponto final.

Numa avaliação referida a normas, estabelece-se uma comparação entre o desempenho de um dado indivíduo com o desempenho (normal) do grupo a que pertence. O dispositivo de avaliação referida a normas tem de permitir seriar rigorosamente os indivíduos do grupo, estabelecendo quem são os que estão acima da norma do grupo, os que estão dentro da norma do grupo e os que estão abaixo da norma do grupo. Estão a ver os percentis de desenvolvimento dos bebés? É uma avaliação referida à norma. Quando me dizem que o meu Zé está no percentil 95 de altura para a idade dele, significa que apenas 5% dos miúdos da idade dele são mais altos do que ele. Aqui está a comparação entre o indivíduo e o grupo. Estar no %95 não é bom nem é mau. Não pode ser condutor de tanques militares. Pode pintar tectos e mudar lâmpadas.

Mas, o que é a atual ADD? Uma salgalhada conceptual. Por imposição de uma política que impõe competição entre docentes, pretende-se fazer uma avaliação normativa no interior de cada escola/grupo – o tal universo de avaliados. Assim, em teoria o dispositivo permitiria determinar a norma dessa escola/grupo, os que estão acima da média (e que podem ser premiados com menções Muito Bom e Excelente), os que estão na média e os que estão abaixo da média (sujeitando-se às consequências disso, não necessariamente punitivas). Mas isto é a teoria. Na prática, constroem-se dispositivos de avaliação tendencialmente criterial (o docente planifica com rigor? o docente contribui para a ligação à comunidade? o docente fez as horas de formação a que estava obrigado?), como se faz na avaliação do carro na inspeção, para depois fazer-se uma seriação. O resultado é desastroso. Não só porque a avaliação criterial é difícil, mas porque um dispositivo feito para ela não é eficiente para seriar desempenhos. Esta ADD é, pois, um disparate técnico. Gostava que os gurus da avaliação escrevessem uma “folha” acerca disto, eles que são tão profícuos na folhagem pedagógica.

Mas há mais. Andei a vasculhar estatísticas de exoneração de professores por incompetência. Sim, isso mesmo. Um sistema de ADD com qualidade tem de permitir pôr a andar ou reciclar aqueles que manifestamente não se adequam ao conteúdo funcional da docência. E um sistema tão cancerígeno como o atual tem de poder justificar-se pelo menos como instrumento de exclusão dos maus professores das salas de aula. Bom, não só não encontrei nada (e o Governo seria suficientemente safado para brandir isso contra os professores), como não conheci diretamente mais do que 2 situações de exoneração na minha vida de professor, ambas por conduta imprópria e não por desadequação ao perfil requerido para ser docente (exceto na parte da conduta).

Que se conclui daqui? Se o atual sistema de ADD é demolidor da motivação dos melhores professores e se não é eficaz para excluir os piores professores, não serve para nada. Qualquer departamento de recursos humanos empresarial poderia ensinar ao ME o efeito da desmotivação e do sentimento de injustiça na produtividade, na disponibilidade, no envolvimento do trabalhador. Sai seguramente muito mais caro do que atuar de forma a manter o trabalhador empenhado, focado, feliz e produtivo. Mas esta gente não aprende nada. Escreve uma linha dourada no CV e vai embora à sua vida.

Por fim, eis como antevejo três eixos do futuro da avaliação do desempenho docente:
1) Formativa. Baseada em feedback oportuno, sobretudo dos seus pares, não para punir nem “congelar”, mas para melhorar.
2) Iterativa. O desempenho de cada docente num dado momento seria comparado com o desempenho do próprio docente no ciclo anterior, tendo em vista apreciar a sua evolução.
3) Compromissiva. Detetadas fragilidades ou potencialidades, cada docente comprometer-se-ia a elaborar e a cumprir, no ciclo avaliativo seguinte, um plano de ação que o levasse a ultrapassar essas fragilidades ou a capitalizar ainda mais as suas potencialidades. Caso optasse por não o fazer, seria então ponderado o “congelamento” da sua evolução na carreira, temporário ou definitivo, em termos a definir.

Este seria um paradigma totalmente diferente, mais baseado na cooperação do que na competição, mais responsabilizador e respeitador da autonomia do docente, menos “vertical”, mais estimulante do desenvolvimento profissional e pessoal. Temos de o discutir, porque a alternativa ao cancro ADD atual tem de partir de nós próprios e não ser deixado na mão dos mesmos, de onde sairá apenas uma metástase ADD.

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O primeiro Natal depois de ti, Ava-Mae – João André Costa

“Desde o início do 7° Ano, a Ava-Mae tem sido extremamente ofensiva para com os professores e pessoal auxiliar, regularmente recusando-se a cumprir o determinado pelo professor e expressando profanidades em resposta.”
Assim começava por versar a escola da Ava-Mae, aluna ainda no 7° ano e os professores já de cabeça em água e cabelos em pé sem saber o que e como fazer para apaziguar um furacão de metro e meio de altura mas cujo vórtice trazia o fim imediato a todas as aulas por onde passasse.
Mas não só, ou não estivesse a catraia em risco de exclusão em resultado de repetidas agressões sempre que desafiada por um qualquer colega e os dias passados em casa de conta há muito perdida.
Conclusão: em meados de 2020, com a pandemia em modo de pausa e as escolas de novo abertas, recebemos a Ava-Mae por um período de 6 semanas.
O objectivo? Recomeçar do zero e em 45 dias dar à Ava-Mae uma outra escola, uma escola onde as expectativas sobrepõem-se às consequências, uma escola onde a responsabilidade faz as vezes do castigo e a disciplina não é senão o eco da confiança depositada desde o primeiro minuto nos ombros desta pequena grande aluna.
O objectivo? Voltar a acreditar na escola e sorrir ao fim do dia.
Trabalhar diariamente com crianças cujos problemas de comportamento vão literalmente do 0 aos 100 entre dificuldades de aprendizagem, agressividade e desobediência (tudo por esta ordem) significa esta dificuldade imensa para explicar a quem nos rodeia o porquê da insistência em continuar, incansavelmente, a trabalhar com estes pequenos seres mais os seus problemas sem fim.
Simplifiquemos e temos a Ava-Mae de sorriso rasgado no meio do campo de jogos a cada intervalo e hora de almoço a distribuir caneladas por todos os alunos sem destrinça, dó ou piedade pelas canelas dos ditos e futebol para que te quero.
Não obstante, lembrem-se, estávamos em plena pandemia com o distanciamento social como regra de ouro imposta pelas mais altas instâncias.
No entanto, as mais altas instâncias não conheciam a Ava-Mae nem tampouco esta necessidade imensa de contacto.
Talvez assim se explique o porquê de os alunos, todos os alunos, mas não só, professores e pessoal auxiliar por igual, tudo fazerem menos admoestar os golpes sem fim desta pequena reguila que pouco mais pedia para além de um pouco de atenção.
Por não haver outra oportunidade para o contacto físico até Ava-Mae entrar em campo. Por ser permitido, pelo menos em jogo. Por ser possível. Por não ser impossível voltar a ter o toque.
Mesmo se à custa de caneladas. Mesmo se em troca de algumas nódoas negras. E poder voltar a rir.
Sim, à custa de chutos e pontapés. E assim se resumem as necessidades educativas e o significado de trabalhar numa escola de ensino especial.
E acreditem ou não, não fossem estes chutos e pontapés e a alegria contagiante de Ava-Mae e talvez não tivéssemos sobrevivido ao distanciamento social mais a pandemia.
Por já estar mais do que comprovado o estreito abraço da depressão aquando dos confinamentos.

https://www.nature.com/articles/s41562-022-01453-0

https://www.news-medical.net/amp/news/20220530/Increase-in-depression-and-anxiety-rates-in-the-UK-identified-during-COVID-19-lockdowns.aspx

Se findas as 6 semanas a Ava-Mae regressou à escola, a sua marca, literalmente, não foi esquecida, antes trazida na memória, nos braços e nas pernas durante os longos meses seguintes, assim alumiando o caminho enquanto se desenha um sorriso nos lábios.
A Ava-Mae veio visitar-nos há pouco: tem a irmã mais nova, também em risco de exclusão, na nossa escola, por outras 6 semanas. Aquando da sua visita, tive a oportunidade e a felicidade de lhe agradecer. Mas também explicar a importância do seu papel naquele que foi para muitos o período mais difícil das suas vidas.
Para mim, foi.
Se de caminho passaram dois anos e meio, este foi verdadeiramente o primeiro Natal depois de ti, Ava-Mae. O primeiro Natal em que pudemos estar todos juntos outra vez, sorrir outra vez, abraçar outra vez, respirar outra vez, beijar, tocar, abraçar, chorar, recordar, sentir, viver, não temer.
Obrigado por nos fazeres chegar até aqui. Incompreensivelmente à custa de pontapés.
Mas era tudo o que tínhamos e na verdade não doíam nada.
O que doeu foi aprender a gostar de ti e de todas as Ava-Mae deste mundo. E o que dói é ver-vos partir depois de sorrir outra vez ao fim do dia na escola.

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Algumas perguntas estapafúrdias sobre a samarra de António Costa…

  Em 2017, António Costa era 1º Ministro do Governo apoiado pela “Geringonça”.

– Em 2017, Américo Pereira, marido da ex-Secretária de Estado da Agricultura, Carla Alves, era Presidente da Câmara de Vinhais.

Em 11 de Fevereiro de 2017, o 1º Ministro António Costa visitou a Feira do Fumeiro de Vinhais, tendo sido recebido por Américo Pereira, na qualidade de Presidente da Câmara de Vinhais.

Durante essa visita, Américo Pereira ofereceu a António Costa uma samarra, conforme noticiou o Jornal Público nessa altura:

“Antes da intervenção do primeiro-ministro, o autarca local Américo Pereira já tinha vincado que “esta terra não é deprimida” para depois oferecer a António Costa uma samarra, o agasalho usado no campo para combater o rigoroso frio transmontano.” (Jornal Público, em 11 de Fevereiro de 2017).

De resto, existem imagens, captadas por diversos canais televisivos, do momento em que António Costa foi presenteado por Américo Pereira e outras posteriores do 1º Ministro trajando com essa indumentária e, até, aludindo a tal oferta…

No passado dia 5 de Janeiro, a SIC Notícias recuperou essas imagens e passou-as no programa Edição da Noite (cerca das 21h e 8m), a propósito da polémica instalada em torno de Américo Pereira e que culminou com a demissão de Carla Alves, sua esposa, do cargo de Secretária de Estado da Agricultura, apenas 26 horas depois de ter sido empossada…

Decorrente do anterior, há perguntas que se impõem:

– A samarra oferecida por Américo Pereira a António Costa foi comprada com dinheiro público ou com dinheiro privado?

Se foi adquirida com dinheiro privado, a título pessoal, porque motivo se publicitou essa oferta com grande alarido, tornando-a do domínio público?

Se foi adquirida com dinheiro público, que justificação poderá existir para se esbanjar o erário público, de forma tão fútil e leviana?

E, já agora, a questão da samarra faz recordar a dos Cabazes de Natal, oferecidos a funcionários autárquicos, em nome de alguns Presidentes de Câmara, mas presumivelmente adquiridos com verbas do orçamento camarário, provenientes do erário público ou talvez com recurso a algum tipo de contabilidade paralela, vulgarmente designada por “saco azul”…

Ou seja, o mais provável é que a promoção de uma imagem de benemérito seja realizada, afinal, à custa de todos os contribuintes…

Algumas perguntas como as anteriores, até poderão parecer “mesquinhas” e “estapafúrdias”, mas talvez não seja bem assim porque:

– Todos os cidadãos têm o direito de saber como é gasto o dinheiro do erário público angariado à custa da cobrança dos seus impostos e de outras contribuições, independentemente dos montantes que possam estar em causa;

– Os titulares de cargos públicos, onde se incluem os membros dos órgãos executivos do Poder Local e o 1º Ministro, estão sujeitos ao escrutínio do exercício das suas funções, a obrigações declarativas e a códigos de conduta, legalmente estabelecidos…

Por outras palavras, o desempenho de todos os cargos públicos obedece ao dever de transparência e à observação da ética na gestão da “coisa pública”…

A eventual aquisição, com dinheiros públicos, de bens para usufruto privado não cabe na lógica anterior…

E o que aqui está verdadeiramente em causa é a atitude displicente, muitas vezes observada, com um certo cariz provinciano, de desculpabilização e de condescendência perante actos potencialmente oportunistas e sem preocupações éticas, tão típica de mentalidades terceiro-mundistas…

Porque muitos dos injustificáveis milhões de euros malgastos, que dilapidam o erário público, começam quase sempre por ser dezenas, centenas e milhares…

Porque para se chegar às “grandes corrupções e peculatos”, quase sempre, se começa por “favorzinhos”, “cunhazinhas”, “atençõezinhas” e “lembrancinhas”…

Metaforicamente, por este país fora, quantas samarras terão sido oferecidas em prol do servilismo?

O 1º Ministro ter-se-á preocupado com a origem do dinheiro que pagou tal presente? Ter-se-á perguntado quem o comprou e com que dinheiro?

O actual Governo, chefiado por António Costa, parece, cada vez mais decadente e inquinado pelo provincianismo, pelos “clubes de amigos”, pela futilidade e pela falta de ética e moral…

Muita arrogância e excesso de confiança numa maioria absoluta parlamentar podem dar nisso e, no caso presente, parece que deram mesmo nisso…

Na Educação, a obstinação e a cegueira prosseguem, em linha com a actuação geral do 1º Ministro…

Para que não haja qualquer dúvida, não tenho qualquer embirração com samarras, enquanto traje tradicional de algumas regiões do país…

A minha embirração é com políticos que parecem confundir o exercício dos seus cargos públicos com amizades de café…

(Paula Dias)

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Pais e escola armazém que não tem prateleiras

A Lei é para aplicar… e no futuro as crianças só têm a beneficiar.

 

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Pela saúde da escola pública – Miguel Guedes

 

Pela saúde da escola pública

No momento em que a escola pública é alvo dos maiores ataques, pela ganância e cobiça de quem desvaloriza o seu valor fundador como semente de democracia, igualdade e progresso, é impossível não estabelecer paralelismos com os ataques ao SNS e à dificuldade que tem havido em racionalizar e garantir a progressão na carreira dos seus profissionais, em número e qualidade, valores maiores e garante de uma resposta capaz, de confiança e certezas. É a saúde da educação pública que está em causa, numa luta que promete fazer parar o país antes que ele se perca em actividades extracurriculares à História fora de aulas. Nunca a escola pública correu tantos perigos, nunca teve tantos algozes capacitados, ao virar da esquina do Parlamento, para a enfraquecer e destruir.

É ao poder político que compete dar o sinal que entende a algumas das legítimas reivindicações dos professores e comunidade escolar. Numa economia assolada pela espiral inflacionista, com a perda do poder de compra dos salários e pensões abaixo da inflacção, um mercado especulativo e disfuncional na habitação que justifica a criação (e bem) de um ministério, a subida das taxas de juro que prometem entregar casas das famílias aos bancos, com os fenómenos de demagogia e assalto ao sector público que germinam e proliferam, as legítimas greves no sector da educação devem ser proporcionais ao dano que, inevitavelmente, causarão a centenas de milhares de crianças e jovens que, após meses de covid à distância, irão mesmo ficar sem aulas, comprometendo a recuperação do seu percurso escolar e a dinâmica das famílias que, em tempo normal de trabalho, não as conseguirão reter em casa com acompanhamento.

A “municipalização” dos concursos poderá ser uma questão ultrapassável e eivada de preconceito e maus entendimentos. Mas décadas de subinvestimento nas escolas e nos seus profissionais, que culminam nos últimos anos de acrescidas dificuldades e congelamento do tempo de serviço e progressão nas carreiras, são verdades absolutas que resistem, indesmentíveis, à prova de todas as boas intenções. Uma actualização equilibrada e progressiva de vencimentos, uma avaliação de desempenho decente (que não seja autolimitada por “numerus clausus” e “ratios” completamente alheios à avaliação), uma nova equação para a “norma-travão” que, por inadequação à realidade, tem afastado docentes da vinculação e estabilidade, limitações ao excesso de burocracia e maiores garantias de respeito pelo papel dos professores nas escolas, terão de ser imperativos para a manutenção dos laços de estabilidade mínima entre aqueles que elegeram uma maioria absoluta pela ilusão de estabilidade e segurança que estes nove meses de permanente gestação executiva tudo têm feito para ilidir. Uma greve geral prolongada na educação pode ser dinamite no fim de um inverno rigoroso para o Governo. Competirá a António Costa perceber o momento.

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Directores escolares acusam ministério de “novas afrontas” aos professores

Em carta aberta, a Associação Nacional de Dirigentes Escolares apela ao ministério que se centre na solução dos problemas de base da Educação.

Directores escolares acusam ministério de “novas afrontas” aos professores

 

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Reserva de Recrutamento n.º 15

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 15.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 09 de janeiro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 10 de janeiro de 2023 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 15

Listas – Reserva de recrutamento n.º 15

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Mais zonas pedagógicas

Pelos vistos as CIM já não são a base dos futuros QZP.
Segundo o senhor Ministro, o trabalho que tem sido feito pela equipa, já tendo em conta as propostas dos sindicatos, permitiu o aumento do número de QZP muito além dos 23 iniciais.

 

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A está secretária de estado nascia dinheiro na conta… mais uma boa escolha para o desgoverno

Polícia Judiciária descobriu que dinheiro de Carla Alves, casada com ex-presidente da Câmara de Vinhais, multiplicava-se.

Nova secretária de Estado da Agricultura com contas arrestadas

Carla Alves, a nova secretária de Estado da Agricultura, tem diversas contas arrestadas, na sequência de uma investigação que visa o marido, Américo Pereira, ex-presidente da Câmara de Vinhais. A Polícia Judiciária (PJ) fala do milagre da multiplicação, depois de levantar o segredo bancário à atual governante que era funcionária em instituições públicas mas recebia muito mais dinheiro do que efetivamente declarava.

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De 30% de professores no topo da carreira para 16%…

 

João Costa corrigiu hoje a percentagem de professores, que atualmente, se encontram no topo da carreira docente.

Em entrevista ao jornal “Expresso” (edição de 20 de maio), o ministro da Educação, João Costa, respondeu da seguinte forma:

“Pode não ser o mais estimulante, mas quando comparamos com outras carreiras ou com a carreira de professor sem ser na escola pública não é a pior. E vai dando saltos mais rápidos do que um técnico superior com habilitações semelhantes. A carreira esteve parada muitos anos e só descongelou em 2018. Mas, neste momento, quem entra tem uma carreira à sua frente. Em 2018 tínhamos apenas 4% dos professores no topo e hoje temos 30%.”

Hoje, no Parlamento, na Audição que está no post anterior. durante a declaração inicial, João Costa afirmou que 16% dos professores se encontram no topo da carreira docente. Será que é desta que lhe deram a percentagem certa?

Não sei quem faz estas contas, mas não deve ser nenhum Professor de Matemática…

 

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Audição do Ministro da Educação sobre política geral do Ministério

“Nada está fechado enquanto a negociação decorre…”

 

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Ministro deixa cair intenção de escolas recrutarem 30% dos seus professores

A criação de conselhos locais de diretores ainda não está a ser negociada e o objetivo, garantiu esta quarta-feira o ministro da Educação, no Parlamento, não é passar para este órgão a possibilidade de recrutamento de professores. A intenção de as escolas recrutarem 30% dos seus docentes foi abandonada. “Sabemos ouvir”, garantiu João Costa, referindo-se à contestação.

Ministro deixa cair intenção de escolas recrutarem 30% dos seus professores 

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Moção contra a falta de respeito pela Educação em Portugal no Agrupamento de Escolas da Abelheira

A Educação em Portugal, os seus profissionais e, mais ainda, os seus beneficiários (alunos, suas famílias e todo o País) são vítimas de falta de respeito há anos demais.

É falta de respeito não pagar salários dignos a quem trabalha em Educação.

É falta de respeito que o salário recebido não corresponda às exigências do tempo ocupado e do trabalho realizado.

É falta de respeito não prever uma carreira com segurança laboral e perspetivas de evolução, para todos aqueles que constroem a Escola todos os dias.

É falta de respeito ser o primeiro setor onde se corta (e onde mais se corta), quando é preciso pagar devaneios e erros políticos de gestão de outros setores.

É falta de respeito ter professores a trabalhar, precários, até sem os devidos descontos para a segurança social e sem qualquer perspetiva de estabilidade do posto de trabalho, a centenas de quilómetros dos seus locais de origem.

É falta de respeito não lhes pagar qualquer compensação pela deslocação, quer em transportes, quer em alojamento, como acontece noutros setores, por vezes, com grandes montantes.

É falta de respeito avaliar os professores com quotas, que excluem a real valorização da qualidade do trabalho, que geram injustiças miseráveis e que se reforçam com vagas de acesso limitado na progressão futura da carreira.

É falta de respeito criar um sistema de progressão que provoca um congelamento encapotado quando os docentes atingem o 4º e o 6º escalão.

É falta de respeito cortar os efeitos na carreira profissional do tempo de serviço de 6 anos, realmente trabalhados e em condições difíceis (então também com cortes de salários e subsídios acumulados).

É falta de respeito o governo não aceitar negociar isso, quando há milhões de euros em excedentes orçamentais ou disponíveis para pagar o próximo buraco de banco e de qualquer empresa pública, com gestores principescamente remunerados.

É falta de respeito desproteger os professores na doença, não cuidar dos problemas de stress e burnout e tornar cada vez mais tardia a idade de reforma, sem atender às circunstâncias particulares de exercício profissional.

É falta de respeito não entender que a Democracia na gestão escolar é a essência de educar para a Democracia, porque ela não se pode aprender em escolas em que, os que nela trabalham e estudam, não sintam a Democracia acontecer.

É falta de respeito desviar energia dos professores e educadores do trabalho pedagógico, para a condicionar a projetos e ideias irrealistas, saídas da cabeça de burocratas distantes das escolas e que não as conhecem no seu funcionamento real, que perturbam o trabalho autónomo e criativo dos professores, sem respeito pela sua profissionalidade.

É falta de respeito fazerem as escolas viverem inundadas de burocracias redundantes e inúteis, sempre pressionadas para a próxima plataforma e para a próxima grelha.

É falta de respeito dizer que se quer uma escola inclusiva e cortar nas pessoas, recursos materiais e verbas para realmente a construir.

É falta de respeito haver falta de professores, gerando alunos sem aulas, e não se atenderem as queixas dos que o são, para perceber porque os jovens já não o querem ser.

É falta de respeito destruir a autonomia da escola, como instituição de serviço público, em nome do dogma político da municipalização.

É falta de respeito sequer sugerir que possa haver seleção de professores com base em perfis subjetivos, à vontade discricionária de burocratas e nomeados políticos.

É falta de respeito destruir de vez um modelo de concurso que tem princípios justos e transparentes, que serviram bem o país durante décadas (mas que foi destruído pela intervenção de políticos que, na obsessão de não gastar, esqueceram a justiça).

É falta de respeito os membros do Governo não serem solidários, como acontece noutros setores, com os profissionais de educação de todas as categorias (professores, educadores, técnicos e assistentes) que são agredidos e ofendidos no dia-a-dia das escolas.

É falta de respeito não serem sequer apoiados psicológica ou juridicamente, para fazer valer os seus direitos.

É falta de respeito os governos fazerem propaganda a dizer que tudo vai bem na Educação, quando todos os dias vivemos os problemas e vemos que não são resolvidos.

É falta de respeito, para fazer essa propaganda, os governos e forças políticas desvalorizarem, até manipulando a opinião pública, o profissionalismo e qualidade de quem trabalha na Educação e que deu boas provas de si em momentos críticos recentes (em que foi a iniciativa e dedicação ao serviço público dos professores que também manteve o país a funcionar).

É falta de respeito não ouvir as nossas queixas.

É falta de respeito não negociar para encontrar soluções para elas.

E é falta de respeito pelos professores, pelos restantes trabalhadores das escolas, mas, mais ainda, pelos alunos e pelas suas famílias.

As nossas greves e protestos não são um desejo nosso.

São uma necessidade, face às queixas ignoradas e nunca resolvidas (até mesmo desprezadas) mesmo se existem já há largos anos. Se estamos a causar transtorno a tantos nossos concidadãos também é por eles
que lutamos.

A Educação é assunto de todos.

E deve ser respeitada, não só por nossa causa, mas pelos jovens, pelo País e pelo seu futuro.

Moção aprovada por unanimidade em plenário no Agrupamento de Escolas da Abelheira em
4.01.2023 (com a presença de 117 trabalhadores docentes e não docentes)

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Eles estão em guerra #lutarcantando

 

 

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A luta dos professores contra um governo poluto – Santana Castilho

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”.
Bertolt Brecht

Em nove meses de governo, o resultado de uma maioria absoluta poluta e nepotista é uma pazada de demissões pelos mais escabrosos motivos e um ano lectivo que recomeçou num clima de conflitualidade como há muito não se vivia. Com efeito, na educação, o ambiente é de um profundo mal-estar, gerado por ondas de desorientação e deslumbramentos vazios de racionalidade, assentes em sucessivas torrentes de solicitações asfixiantes, sob nomes pomposamente modernos mas substantivamente inúteis, que tornaram num suplício o nobre acto de ensinar.
Na acção deste governo é possível identificar padrões de comportamento político: quando as escolhas se revelam imprudentes, os autores não assumem a responsabilidade; quando as situações configuram escândalos, os responsáveis políticos rasgam as vestes para garantir que as desconheciam; quando os casos se acumulam, o líder da casta vocifera: habituem-se!
Sem subtilezas linguísticas, António Costa é o verdadeiro responsável por um governo poluto, que tem reduzido os professores a simples funcionários, cada vez mais desautorizados e despromovidos socialmente.
António Costa deu campo aberto ao narcisismo político de aventureiros irresponsáveis e fez ouvidos de mercador ao que pensa a maioria dos professores de sala de aula sobre as madraças da flexibilidade e da inclusão, criadas para pastorear incautos e transformar velharias falhadas em tendências pedagógicas novas.
António Costa é o verdadeiro responsável por, de modo cruel e perverso, ter posto a sociedade e a opinião pública contra os professores, para lhes retirar o direito à greve, para lhes retirar força salarial, para lhes roubar o tempo de trabalho cumprido. Com o seu cínico jeito, nomeou mordomos, que odeiam os docentes, em lugar de ministros, sem perceber que morre lentamente uma sociedade que não acarinha os seus professores. Agora, finalmente, tem os docentes na rua a lutar contra diversas fidalguias partidárias (sindicalismo tradicional incluído) e a reclamar o direito de ensinar em paz, antes que acabem, definitivamente, abandonados num país onde o acto pedagógico livre se transforme em prática administrativa ou obediência doutrinária.
O que, na senda dos anteriores, reconheçamos, os governos de António Costa fizeram foi tão miserável e tirânico que os professores se sentiram, finalmente, convocados para dizer não a anos de decisões catastróficas para o ensino público. Agora, das duas, uma: ou os professores ganham ou o país perde. Porque o Costa, João, autor material, com o alheamento do Costa, António, autor moral, têm vindo a promover o lento homicídio do ensino público e a pôr em causa o futuro das crianças e dos jovens alunos portugueses. Porque a pedagogia e as didácticas assentes na ciência são distintas das proclamações de João Costa e prosélitos, assentes em dogmas fanáticos.
Muitas críticas à greve dos professores parecem não lhes reconhecer o direito à luta por melhores condições de trabalho e pela retoma da dignidade profissional e esquecer que a greve é um instituto de manifestação de descontentamento, constitucionalmente consagrado na nossa democracia representativa. Por outro lado, para que a democracia seja mais do que apenas formalmente representativa, qualquer governo deve permanecer aberto e atento à expressividade das greves. Só assim o exercício da apregoada “soberania do povo” ganha sentido durante os quatro anos que separam os ciclos eleitorais.
Por tudo isto, os professores precisam hoje da solidariedade dos pais. Porque não há futuro para os seus filhos sem educação, não há educação sem ensino público e não há ensino público sem professores dignificados. Por tudo isto, os pais não podem deixar os professores a lutar sozinhos. Todavia, temos uma comunidade parental que tem ficado passiva perante o rasto de destruição do ensino público, porque ainda não compreendeu como tem sido gerida a educação, particularmente na esfera pública. Espero bem que sejam agora muitos os pais portugueses que passem a compreender como a luta dos professores é, também, uma luta pelo futuro dos seus filhos.

In “Público” de 4.1.23

 

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CARTA ABERTA DOS PROFESSORES DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE CAMÕES AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, PROFESSOR JOÃO COSTA

Ex.mo Sr. Ministro da Educação,

Os últimos dias têm sido de tempestade, ruas alagadas, lojas destruídas, árvores caídas, vidas em suspenso. Também a Educação tem passado por idênticas tormentas.

Cada Ministro que passa quer deixar a sua marca, mas esquece o que é importante e urgente fazer: tratar das feridas abertas numa classe desrespeitada, ignorada e desconsiderada, embora considerada fulcral em situações de calamidade!

Nos últimos dias, a Presidência do Conselho de Ministros tornou pública a Resolução do Conselho de Ministros n.º 123/2022 com um conjunto de intenções para resolver algumas das preocupações e reivindicações de longa data dos professores. O corpo docente da nossa Escola, tal como o de outras, leu-o, analisou-o. Face à parca informação, muitas dúvidas surgiram.

Os professores da Escola Secundária de Camões apresentam-nas em seguida:

Fazendo a classe docente parte da Função Pública, e tendo a grande maioria dos seus funcionários recuperado o tempo de serviço congelado, porquê um tratamento diferente e desigual para os professores? A contagem integral do tempo de serviço será recuperada pela classe docente? Equidade é um direito!

Havendo falta de professores e estando a classe envelhecida, por que razão não tornar mais atrativa a carreira, recuperando o modelo de estágios remunerados com atribuição de turmas?

Será que é possível resolver o problema da falta de docentes sem ajudas de custo para deslocação, principalmente nos grandes centros urbanos? Como resolver a assimetria entre o norte e o sul sem tais ajudas?

As escolas passarão a pertencer aos municípios e serão geridas financeiramente por estes?
Em que é que se traduzirá, na prática, «Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e funcionamento das escolas e a gestão dos respetivos recursos humanos»?

Haverá lugar a uma revisão do Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente no que diz respeito ao ingresso na carreira, ao modelo de avaliação e à progressão? Vão manter-se as condições de acesso ao 5.º e 7.º escalões? Com estas condições, como é que o Ministério da Educação pretende atrair novos docentes para a carreira?

Os concursos de docentes continuarão a ser da responsabilidade do Ministério da Educação? Haverá uma lista de graduação profissional única ou, além da graduação profissional, existirão outros critérios a aplicar na colocação de professores? Na abertura de vagas, como vão funcionar as prioridades?

Está previsto o reconhecimento da aquisição de habilitações académicas pelos professores (mestrado e doutoramento), independentemente da condição contratual, como acontece nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores?

Atendendo ao atual contexto de falta de professores, fará sentido a alocação de recursos humanos para a realização de um ano probatório na entrada em QZP?

Senhor Ministro da Educação, se aqueles que já são professores não se sentem reconhecidos e valorizados, como espera atrair as novas gerações para a profissão? Revele coragem política e reconheça verdadeiramente o papel determinante dos professores e da Escola Pública!

Acreditamos que, com os professores, ganhamos o futuro do País. Nós, professores da Escola Secundária de Camões, estamos disponíveis para tornar isto real!

Conte connosco. Contamos consigo?

Escola Secundária de Camões, 2 de janeiro de 2023.

Os Signatários,

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Falta felicidade às escolas. Pedro Chagas Freitas

 

Falta felicidade às escolas.
Falta espectáculo, alegria, brincadeira, ilusão, sonho, esperança. Falta brilho nos olhos, invenção, imaginação, loucura da boa: daquela que muda o mundo, os mundos, das pessoas que vivem no mundo.
Falta felicidade às escolas.
E não: a culpa não é dos professores, é de um sistema que castra, imutável, de uma sala de aula que não sabe brincar, que não foi feita para brincar — e que por isso não brinca, não aprende a brincar, não ensina a brincar. A culpa é de uma sala de aula que não evoluiu, que não se adaptou, que não soube mudar: que cristalizou e que tem medo de partir, que tem medo de fazer de novo, de criar de novo, de ser de novo.
Falta felicidade às escolas.
Falta, por isso, felicidade a quem nelas habita. A todos os que nela habitam. Por mais que tentem, e tentam, por mais que queiram, e querem, os habitantes da escola precisavam que ela tentasse também, que quem a governa tentasse também.
Falta felicidade às escolas.
E é por isso que não lhe faltam tristezas, depressões, pessoas de todas as idades apagadas, desmotivadas, desligadas, a contarem o tempo para sair da aula, para sair da prisão, para sair para si.
Falta felicidade à escolas.
E falta espaço. Espaço para a liberdade. Espaço mental, espaço emocional, espaço estrutural. Espaço para errar, para cair, para levantar. Espaço para ser. Na escola que ainda temos, os melhores alunos são os que erram menos, os que por isso arriscam menos. Estamos a aplaudir o medo, a aplaudir o mais do mesmo. Estamos a aplaudir a continuidade, nunca a criatividade.
Falta felicidade às escolas.

 

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A quem se devem estes resultados? A uma classe desvalorizada e desconsiderada

Nove em cada 10 alunos concluíram o 3.º Ciclo do Ensino Básico em três anos

Acaba de ser divulgado pela Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) o estudo «Situação após 3 anos dos alunos que ingressaram no 3.º Ciclo do Ensino Básico», que permite acompanhar o percurso dos alunos que ingressaram no 3.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) geral e/ou cursos artísticos especializados no ano letivo 2018/19, analisando a sua situação três anos depois, no ano letivo 2020/21.
Entre as conclusões deste estudo destacam-se:
– Em 2020/21, 9 em cada 10 alunos concluíram o 3.º CEB nos 3 anos previstos;
 – Dos 7% que não concluíram o 3.º CEB, a maioria continuava matriculada no ensino básico geral e/ou em cursos artísticos especializados;
– Existem diferenças regionais, com as maiores taxas de conclusão a estarem localizadas no Norte e no Centro. Apesar de ainda estarem com valores inferiores a estas duas regiões, é importante destacar a evolução registada pelas regiões do Algarve, Alentejo e Lisboa e Vale do Tejo, tendo-se vindo a verificar a aproximação das mesmas à média nacional;
– Os alunos das escolas privadas concluem mais do que os das escolas públicas (diferença de 10 pp), sendo de destacar o crescimento de 23 pp, entre os alunos das escolas públicas, desde 2014/15;
– São as raparigas que concluem mais o 3.º CEB nos 3 anos previstos (90% face a 84% dos rapazes);
– Quanto mais novos, maior é a probabilidade de concluírem o 3.º CEB em 3 anos (92% dos alunos com 13 ou menos anos concluiu, face a 29% dos alunos com 15 ou mais anos);
– Os alunos que não necessitam de apoio da Ação Social Escolar (ASE) são os que mais concluíram (90% face a 87% do Escalão B e 74% do Escalão A). Apesar das diferenças ainda existentes, é de destacar que, em comparação com 2014/15, os alunos do escalão A que concluíram o 3.º CEB em 3 anos registaram um aumento de 28 pp, enquanto os do escalão B tiveram um crescimento de 27 pp, ficando no último ano letivo praticamente em linha com os valores registados para os alunos que não beneficiaram de ASE.
O estudo está disponível em: https://www.dgeec.mec.pt/np4/1439.html.

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Quem vier, vem ao engano – Uma professora que sai, uma que entra

Todos os meses se batem recordes de professores a deixar a profissão por atingirem a idade de reforma. A situação tende a piorar, sobretudo porque “ninguém quer ser professor”. No dia em que as aulas recomeçam após as férias de Natal, e numa altura em que o setor está em luta e há novas greves anunciadas, uma professora acabada de se reformar e uma que está no início de carreira confessam-se “desgastadas” e “desapontadas”

Uma professora que sai, uma que entra, o mesmo retrato negro da docência em Portugal: “Quem vier, vem ao engano”

Maria Olímpia Especiosa é um caso de vocação que se concretizou de forma tardia. Tem 44 anos, é licenciada há 20, mas só começou a dar aulas há dois anos. Porque gosta. Por verdadeiro amor ao ensino. Desde menina que queria ser professora.

“Era um sonho de criança. Por isso é que me licenciei em 1999. Mas na altura não havia colocação e a vida tomou outro rumo. Tive um negócio próprio. Mas resolvi regressar, porque era mesmo um sonho de criança”, confessa a docente, que está a dar aulas pelo segundo ano consecutivo, em conversa com a CNN Portugal.

Maria Olímpia diz que adora o que faz. Fala da emoção que sente todos os dias, quando abre a porta da sala de aula e vê os rostos dos alunos ávidos de conhecimento. Mas confessa-se desiludida e cansada.

Neste segundo ano a dar aulas, ficou colocada logo a 1 de setembro, com horário completo, até final do ano. Mas, para isso, teve de deixar a família a mais de 500 quilómetros de distância, em Bragança, e ir para Sintra. E aí começa o primeiro revés.

“Só há vagas para professores em Lisboa e no Algarve. Eu, sendo do Norte, vou estar a minha vida toda deslocada. Não sei quando vou ter segurança financeira. Ganho pouco mais de mil euros por mês. Gasto tudo para vir trabalhar”, admite.

E só vai a Bragança, onde se mantém o marido, de três em três semanas. O dinheiro não dá para mais. Sente-se sozinha, deslocada, desacompanhada: “É uma vida adiada. Não sei onde vou estar para o ano.”

Continua

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Quais os motivos que levam os técnicos a aderir à greve?

 – O relato de uma assistente social

 

No meu caso em particular, faço greve porque pretendo o direito à consolidação da  mobilidade geográfica, ou seja, para meaproximar à residência. Vinculei numa escola que fica a centenas de quilómetros de casa, o que acarreta despesas absurdas: nem tão pouco consigo suportar os custos de deslocação, quanto mais pagar casa própria e alojamento! Pretendo ter o direito de viver com a minha família e de conseguir apoiar familiares que necessitam de cuidados.

O Ministro da Educação em entrevista ao jornal “Expresso”, em Maio de 2022, referiu que pretende fixar professores, abrindo vagas e concedendo mais estabilidade. Esta preocupação deve ser alargada aos técnicos, assim como todos os que trabalham longe da sua área de residência.

Sabemos que a mobilidade geográfica e a sua consolidação tem que estar sustentada no interesse público. Porém, a necessidade do trabalhador não pode ser pura e simplesmente descartada, pois a lei também lhes dá proteção (“As condições de prestação de trabalho devem favorecer a compatibilização da vida profissional com a vida familiar do trabalhador”, artigo 82.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. A Lei de Orçamento doEstado também prevê que seja um objetivo de gestão dos serviços públicos a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar e da motivação).

Sendo a mobilidade um instrumento de caráter organizacional que pretende fazer face às necessidades dos serviços no âmbito da gestão de pessoas, contribuindopara um melhor ajustamento da disposição dos recursos humanos da Administração Pública, pergunto-me se a efetivação de trabalhadores em escolas que distam 100, 200 e 300 km da residência será uma gestão eficiente e ajustada dos seus recursos humanos? Qual o fundamento para uma gestão pública que preconiza um interesse público e que colide com direitos essenciais dos trabalhadores, nomeadamente os que pretendem ficar mais próximos da residência para prestar auxílio às suas famílias ou acompanhar filhos menores e por vezes com doenças próprias?

Por outro lado, interrogo-me porque é que o Ministério da Educação não tem dado a conhecer as vagas existentes em todos os agrupamentos para os técnicos, quer em regime de procedimento concursal comum ou em regime de mobilidade e porque não publica as suas necessidades na Bolsa de Emprego Público como muitos outros ministérios.

 

Como assistente social num Agrupamento de Escolas atuo na prevenção e combate ao absentismo e ao abandono escolar. Acompanho alunos com dificuldades económicas e em risco de exclusão socialprovidencio apoio económico e social, realizo visitas domiciliárias, faço encaminhamentos para entidades de apoio e proteção social existentes na comunidade local(como CPCJ, ISS, centros de saúde, hospitais …), apoio na regularização junto do SEF, etc. Entre outras funções, tenho como missão a permanência do aluno no sistema educativo. Uma das preocupações do Ministério da Educação seria também conceder condições para que os técnicos permaneçam no ministério, através da promoção de soluções tendo em conta a legislação vigente, ou caso se imponha, através de alteração legislativa.

 


Somos pessoas, merecemos respeito e sermos tratados com dignidade!

 

Apelo à solidariedade de toda a comunidade para que assine e divulgue a petição dos técnicos que pretendem o direito de aproximação ao local de residência:

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114380

 

 

 Cátia Antunes,

Assistente Social

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Os professores vão ser o GRANDE problema do governo em 2023

 

 

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Segundo período lectivo inicia-se com greves de professores que se prolongam até Fevereiro

 

“A alteração ao diploma dos concursos foi a gota de água”, diz presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores, que convocou uma greve parcial ao primeiro tempo de cada docente.

Segundo período lectivo inicia-se com greves de professores que se prolongam até Fevereiro

Greves, concentrações, marchas, manifestações de docentes e até um acampamento junto ao Ministério da Educação (ME): os protestos de professores e educadores intensificam-se a partir desta terça-feira e prolongam-se até Fevereiro. No dia em que se inicia o 2.º período lectivo, o SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores convocou uma greve parcial ao primeiro tempo de cada docente. Já a Fenprof marcou, para o mesmo dia, uma concentração em frente ao ME, em Lisboa. Do lado da Fede…

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O hino da luta dos professores

 

 

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Regresso às aulas mergulhado em greves que vão dominar janeiro

Paralisações marcam arranque do segundo período e haverá uma concentração junto ao Ministério.

Regresso às aulas mergulhado em greves que vão dominar janeiro

 

 

O protesto dos professores intensifica-se a partir de amanhã, com adesão de várias organizações sindicais e greves a marcar o arranque do segundo período letivo. O Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (STOP) entregou pré-avisos para todo este mês e tem uma marcha em Lisboadia 14. A Fenprof, que promove na terça-feira uma concentração junto ao Ministério, agendou greves e manifestações até fevereiro.

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Professor, colega, sindicaliza-te – João André Costa

 

À chegada perguntaram-me se já fazia parte de um sindicato. A resposta foi a de um surpreso “não”: ainda mal começara a trabalhar e os meus dias no Reino Unido contavam-se pelos dedos de um par de mãos.
Para além do mais, e já se sabe, não deves fazer parte de um sindicato quando fazer parte de um sindicato é não só proibido, é também mal visto, o que irão os outros dizer, e equivalente a ter um alvo nas costas.
E na precariedade de quem trabalha dia a dia a fazer substituições em escolas, porquê incomodar as chefias?
Porque sim, retorquiram, porque lá fora, cá fora, ser sindicalizado é a condição de base numa profissão que apesar de em falta está sujeita às vontades sempre ávidas do liberalismo.
E assim, de repente, fazes parte, mesmo se não te sentes parte, mas já és bem-vindo e elemento integrante de uma classe orgulhosa de o ser.
E sim, em momentos de aflição quando por razões difíceis de compreender vi a minha posição profissional questionada e em causa não hesitei em recorrer ao sindicato para aconselhamento profissional, legal, pessoal.
Num mundo onde apesar da pandemia as crises sucedidas em catadupa não são senão a eterna coincidência de quem vê nas mesmas uma oportunidade para cimentar ainda mais a precariedade inerente não apenas à nossa profissão mas à vida, nunca como antes foi tão premente fazer parte de um sindicato.
Sem ter medo de fazer parte de um sindicato. Sem medo de represálias. Porque se fez greve. Porque nos olham de lado. Porque são sempre os mesmos que nos olham de lado, os que decidem, os que podem, os que mandam, os que obedecem às instâncias superiores que se aborrecem sempre que saímos à rua de punho erguido. Porque não somos bem-vindos. Nós, os despojados, banidos, espoliados, desprivilegiados. Temos de trabalhar para viver e, por conseguinte, somos um incómodo, uma chatice.
Quando em Dezembro um pequeno sindicato de 1300 membros levou à rua mais de 30000 professores, a matemática revela o óbvio de pelo menos 28700 professores não sindicalizados no S.T.O.P.
Farão parte de outros sindicatos? Alguns sim, a maioria duvido e as acções falam por si quando não se sai à rua em nome de outras uniões.
Contra o favorecimento, contra o nepotismo, contra a desigualdade, contra a precariedade, em nome dos nossos alunos e da escola, em nome da estabilidade, do reconhecimento, da carreira, do orgulho, da paixão a arder no peito ao fim do dia sempre à procura de respostas em nome dos olhos de uma criança.
Num Inverno de cada vez maior descontentamento, nunca como antes foram tão prementes a união e a força e por conseguinte, colega, professor, amigo, camarada, companheiro de luta, sindicaliza-te, faz-te representar e representa, defende os teus direitos, a greve é um direito, não trabalhar é um direito e ninguém é obrigado a trabalhar agora que os tempos da outra senhora já lá vão.
A greve é por tempo indeterminado, começa mas não acaba e nenhum trabalhador pode ser substituído quando exerce o seu direito à greve. Caso o façam, urge denunciar a ilegalidade ao sindicato, o mesmo sindicato que é a tua e a nossa voz e por todos fala.
Sim, serás o foco, o centro de todas as atenções e nas televisões a desinformação concomitante dos pais e alunos afectados por igual e nem uma palavra aos professores.
Não esmoreças, não te esqueças de que lado estás, um por todos e todos por um e hoje é mais um primeiro dia do resto da tua vida, o dia em que te juntaste, o dia em que passaste a ser um entre muitos, sindicalizado, aguerrido, de braço erguido na rua por detrás desta muralha de aço.

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Professores: a partir de janeiro e até que nos respeitem

Tudo isto por Portugal e sem indemnizações multimilionárias

Professores: a partir de janeiro e até que nos respeitem

Escrevo este texto na primeira pessoa, porque assim o sinto. Porque sou professora há mais de trinta anos por vocação e embora lecione perto de minha casa, assisto ao flagelo que se vive nesta carreira. Porque dou por mim a ponderar mudar de profissão. Porque estou farta da falta de respeito a todos os níveis e por parte de toda a gente, a começar pelos nossos governantes. Porque mora em mim um sentimento de injustiça tremenda, quase tocando a raiva, um sentimento com o qual não estou habituada a conviver.

E tudo isso se agravou nestes últimos dias, ao saber que nunca há dinheiro para os professores, nunca há dinheiro para a educação. Ao saber que nunca há dinheiro para ensinar valores: a honestidade, o respeito pelo próximo, a dignidade. Nunca há dinheiro para nada que seja importante. Ao saber que há dinheiro, sim, para indemnizações milionárias de que dizem não ter conhecimento. Ao dar conta de que se gastam milhões como se fôssemos muito ricos, de que se pagam salários multimilionários a pessoas que nem aquecem os lugares e, em seguida, são indemnizadas para sair. Ao saber (oh! felizes são os loucos, que nada sabem) que se gasta o dinheiro que não lhes pertence e que esse dinheiro é do povo português.

Se é do povo português, ele que decida onde deve ser gasto.

Se os governantes não sabem governar, talvez precisem de regressar à escola.

Meus compatriotas, meus queridos portugueses, todos vós, bem sabeis que é na escola que tudo se aprende. Que seria de nós se não tivéssemos tido professores? Que será dos nossos filhos, netos quando não os tiverem?

É na escola que a sociedade se engrandece. É a educação que nos torna mais fortes, mais civilizados, mais sensíveis ao mundo e aos outros!

Nós, professores, estamos cansados. Muito cansados. E a nossa corda rebentou.

Em janeiro, Portugal irá assistir a uma revolução: os professores já não têm nada a perder. Aquilo que ganham podem ganhá-lo facilmente a trabalhar numa outra profissão qualquer e, com certeza, não serão tão maltratados.

Em janeiro, os professores estão disponíveis para explicar a todos vós por que razão estão tão revoltados.

A partir de janeiro e até que os compreendam.

A partir de janeiro e até que os respeitem.

A partir de janeiro e até que a carreira de professor seja, novamente, uma profissão que as nossas crianças pretendam dar continuidade.

Tudo isto por Portugal e sem indemnizações multimilionárias.

 

Lúcia Vaz  Pedro

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Desejos de Ano Novo para a Educação…

Poderia aqui elencar um conjunto muito vasto de desejos de Ano Novo para a Educação, mas para não me tornar muito maçadora e palavrosa, vou, afinal, resumi-los a isto:

– Que o Ministro da Educação seja acometido por uma “epifania”, capaz de “iluminar” o seu pensamento e de inspirar a sua acção, permitindo-lhe distinguir entre “realidade imaginária” e “realidade real”…

– Que todos os saberes das Formações Holísticas, Metafísicas e Transcendentais” e dos profusos discursos “lírico-melosos”, uns e outros, pretensamente promotores do bem-estar psicológico, dos afectos positivos e da felicidade, acometam o Ministro e o ajudem a eliminar as causas do mal-estar que afecta os profissionais de Educação…

– Se nenhum dos desejos anteriores se concretizar, que o Ministro seja acometido por algumas patologias, que costumam ser experimentadas por muitos profissionais de Educação, decorrentes das medidas/políticas educativas impostas pelo próprio:

Ansiedade, stress e fadiga mental e física; arritmia cardíaca, com predomínio de taquicardia; coprolalia; dores de cabeça, enxaquecas e náuseas; confusão mental; solilóquio; alterações ao nível do apetite alimentar; alterações do sono, com prevalência de insónia, pesadelos nocturnos e narcolepsia; alterações ao nível do humor, com predomínio da irritabilidade, intolerância e raiva; diplopia; diminuição da líbido; dores musculares, algias lombares e cervicais; retenção de líquidos; obstipação e diarreia; compulsão para o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e café; e odaxelagnia…

Tudo possíveis consequências ao nível da saúde mental e física, temporárias ou irreversíveis que, por certo, fariam o Ministro repensar na política do seu próprio Ministério…

E deseja-se o anterior ao Ministro porque, como se sabe, a empatia e a resiliência são coisas muito “engraçadas” e “fofinhas”, mas só se tem plena consciência delas se forem praticadas…

Lamentavelmente, a probabilidade de se concretizar qualquer um dos desejos anteriores será menor do que a de encontrar um Ornitorrinco num passeio pela Serra das Talhadas ou deparar com um Arqueoptérix pousado na Nau dos Corvos/Pedra da Nau…

Portanto, o melhor talvez seja mesmo aderir ao maior número possível de protestos e de acções reivindicativas agendadas para Janeiro de 2023 porque, pelos desejos anteriores, com certeza, nada mudará…

Este texto não pretende afirmar nada de profundo, nem ser reflexivo, para isso existem 40.000 obras literárias sobre Educação e muitos milhares de intenções para cada Ano Novo…

E também não tem qualquer pretensão a ser uma retrospectiva do ano que finda, nem um conjunto de resoluções para o ano que se aproxima…

Este texto é apenas um pequeno devaneio pessoal, vazio de qualquer significado especial, uma espécie de catarse sob a forma de disparate, com o objectivo de aliviar algumas tensões…

Porque o direito ao disparate é universal…

Bom Ano Novo para todos, incluindo para o Ministro João Costa que, obviamente, estará imune a qualquer disparate, apesar de esse direito também lhe assistir…

 

(Paula Dias)

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Os Diretores também estão na Luta dos Professores?

 

Não querendo ofender ninguém, ainda não li ou ouvi nenhuma das Associações expressar os seus sentimentos sobre o estado de espírito em que se encontra a classe. Mas isso não quer dizer que os Diretores não estejam ao lado da Luta e na Luta.

Quem me conhece sabe qual é a minha opinião sobre ser Diretor. “Quando um Diretor se esquece que é Professor, já não se encaixa, ou serve, no cargo. Um Diretor nunca se deve esquecer que é Professor.”

Todos sabemos que alguns diretores e, até, alguns membros das equipas de direção tudo fazem e farão para não mais voltar a lecionar, mas, esses, não são a maioria. A maioria acabará por ter de voltar à sala de aula. Eu sou um deles. Por isso nunca me vou esquecer que sou um Professor.

Pelo exposto, estou na Luta dos Professores como sempre estive antes de ocupar o cargo, transitório, de Diretor.

Com quase 50 anos aufiro pelo 3.º escalão da Carreira docente. No meu agrupamento só um docente, que entrou na carreira este ano, ainda, aufere por um escalão inferior ao meu. Sim, não sou hipócrita, também recebo o suplemento como Diretor, do qual, depois dos impostos, levo para casa apenas metade. Aliás essa pode, também, ser mais uma razão para que os Diretores Lutem como Professores. Esse suplemento não é atualizado desde 2008, mas as responsabilidades e a carga de trabalhos que lhe tem caído em cima é atualizada de dia para dia, de ano para ano.

Como Professor/Diretor também estou descontente. Não quero ter que participar da decisão sobre quem é colocado e quem não será colocado no “meu” Agrupamento. Há que clarificar, muito bem, o futuro diploma de concursos, não é uma resma de ações de formação ou uma carrada de projetos “em papel” que fazem um bom Professor. Não encontro justiça de mérito nas quotas, a que também estou sujeito. Sou um dos professores que fui ultrapassado na carreira e na colocação em QZP, por colegas menos graduados, devido à transição entre carreiras e concursos extraordinários. aos quais não tive, nem tenho, oportunidade de concorrer. Como docente que esteve em MPD, devido a um estado de saúde que nunca desejei, nem desejo, a ninguém, estou e estarei contra a “solução final” encontrada para a colocação nessa mobilidade que deixou de proteger, a totalidade, de quem, realmente, necessita dela.

Tenho todas estas razões e mais algumas para Lutar por uma verdadeira valorização da carreira docente e contra as vilanias a que fui sujeito durante os últimos 17 anos.

Quantos diretores se esqueceram que são Professores? Quantos Diretores querem, nas suas escolas, Professores motivados e que não se andem a queixar na sala de professores sobre estas ou mais injustiças e apenas, se centrem nos seus alunos?

Quantos Diretores e membros das direções não foram roubados no seu tempo de serviço, ou ultrapassados, ou discordam do sistema de quotas…?

E mais não digo, a não ser que continuo a ser Professor.

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A Luta dos Professores não é dos partidos políticos, é dos Professores.

Notícia da Sábado sobre o movimento de professores (ponho só a 1ª página, para que comprem a revista para ler e não façamos o pecado de ler sem pagar).
COISAS BOAS
Furou-se a barreira comunicacional e isso é ótimo.
Creio que o André Pestana será o primeiro a fugir ao culto de personalidade que os jornalistas, pelo seu gosto novelesco e de contar histórias com picante, estão a tentar criar depois de meses a ignorar o Stop.
Quem esteve em reuniões com ele sabe como isso é irreal.
Não é mau alguma personalização, na dose certa. É até eficaz para passar fora do meio dos professores. E o André tem qualidade como pessoa e na capacidade de falar.
A minha avó diria que gostava de o ouvir, porque fala “chãozinho” (sem arestas).
Ainda há dias ouvi um dirigente sindical nortenho mortiço, a defender o ministro que, por contraponto, fiquei a pensar…. Onde o foram buscar?
No meio de um discurso do André sentimo-nos vivos e não a ser adormecidos.
Do contacto que tive com ele, acho que a última coisa que se lhe poderá atirar à cara é individualismo e falta de espírito coletivo e solidário.
Mas a nossa persona comunicacional não é a nossa personalidade.
O QUE NÃO GOSTEI
Não gostei de ver na peça colegas ligados ao MAS a porem-se em bicos de pés.
Não sou sectário, mas este movimento é apartidário.
Não tenho nada contra estar na mesma luta profissional com pessoas do PSD, CDS, Livre, IL e até MAS, PS e PCP e outros. Até gosto e desejo.
E principalmente de estar ao lado de pessoas sem partido, que sentem confiança para participar, o que é algo que faz imensa falta ao país.
E nem me chateia ouvir, por isso, bocas no meu próprio partido (porque não é pecado ter um).
Mas deve haver moderação na presença comunicacional de pessoas com atividade política ativa.
Porque isto nada tem a ver com os partidos. É política, mas de nível mais elevado.
Renata Camba (cabeça de lista à AR em Lisboa do MAS) é só uma das professoras que está à porta das escolas a fazer protestos. A revista viu mal a coisa na descrição que faz.
É, às tantas, foi falar com quem conhecia doutro âmbito.
Uma das coisas boas dos últimos dias tem sido não falarem só os do costume e falar gente que nunca apareceu (e eu já sou dos “do costume”, para não ser interpretado com malevolência).
Na manifestação isso foi excelente: falaram professores de muitas cores e feitios e isso foi bom.
Podia calar o ponto de vista negativo, em nome da paz geral, mas acho que devemos evitar os riscos dos erros que podemos corrigir.
É há dores de crescimento. Uma delas tem nome. Chama-se entrismo. Mas é fácil de evitar: basta afirmar a natureza real das coisas.
Apartidarismo, que inclui todos os professores, os que têm e não têm partido. É assim que acho que temos de ser como movimento de professores, que se gera nas escolas onde ninguém quer saber da cor de ninguém.
Luís Sottomaior Braga

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Carreira Docente – Tabela de vencimentos 2023 – EduProfs

Carreira Docente – Tabela de vencimentos 2023

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Ministro ambíguo, professores em polvorosa

 

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Equiparação de horários no pré-escolar e 1.º ciclo aos dos outros ciclos

Os sindicatos de professores nos Açores destacaram hoje a equiparação dos horários dos docentes do pré-escolar e 1.º ciclo com os dos restantes, na revisão do Estatuto da Carreira Docente na região, cujas negociações terminaram esta semana.

Sindicatos congratulam-se com equiparação de horários no pré-escolar e 1.º ciclo nos Açores

“É uma reivindicação nossa dos últimos 15 anos, praticamente desde que terminaram os regimes especiais de aposentação para a educação pré-escolar e do 1.º ciclo, que vemos finalmente ser contemplada no estatuto. É o culminar de uma luta longa”, disse hoje, em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA), António Lucas.

Também o presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA), António Fidalgo, reconheceu que houve uma “melhoria de condições de trabalho dos docentes”, salientando que “os professores de 1.º ciclo e educadores de infância ficaram equiparados aos restantes níveis de ensino”.

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Greve de Pessoal Não Docente a partir de 4 de janeiro

 

A partir de dia 4 de janeiro de 2023, todo o pessoal não docente, auxiliares, técnicos, psicólogos, terapeutas, estarão ao abrigo dos pré-avisos de greve já entregues pelo S.TO.P.

Avizinham-se tempos difíceis nas escolas portuguesas com um início do 2.º período de protestos, vigílias e manifestações.

 

 

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Propostas aprovadas no Encontro Nacional de Comissões de Greve

No Encontro Nacional de Comissões de Greve, promovido hoje em Coimbra pelo STOP. foram aprovadas quatro propostas:

1. Manter o plano de luta/greve com concentrações à frente das escolas, com início a 3 de Janeiro e, pelo menos, até final de Janeiro.

2. Dia 7 de Janeiro, às 17h: protestos nas capitais de distrito (à frente das Câmaras Municipais) abertos a todos os profissionais de educação e convidando toda a sociedade a estar presente.

3. Dia 14 de Janeiro, pelas 14h: grande marcha pela Escola Pública em Lisboa, do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço.

4. Participação, no dia 11 de Fevereiro, na manifestação nacional de professores dinamizada por outros sindicatos.

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