Big Problems

Inglês curricular gera confusão em turmas com alunos do 3.º e 4.º ano

 

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Inglês passou a contar para a nota do 3.º ano mas continua a ser atividade no 4.º ano. O problema é quando a turma é mista

 

O Ministério da Educação decidiu, este ano letivo, tornar o Inglês curricular a partir do 3.º ano de escolaridade, passando até a contar para a retenção no final de ciclo, caso a negativa à disciplina acumule com insuficientes a Português e a Matemática. Já os alunos que entraram no 4.º ano, porque aprenderam a disciplina como atividade de enriquecimento curricular (AEC), mantêm uma formação diferente, sem avaliação. O problema é que, em muitos casos, 3.º e 4.º anos estão juntos na mesma turma.

“As escolas têm improvisado uma série de soluções”, conta ao DN Manuel Micaelo, coordenador para o 1.º ciclo da Federação Nacional dos Professores, que está a fazer um levantamento destas “turmas mistas” a nível nacional. “Há casos em que metade dos alunos sai da sala para os outros terem a aula, outros em que as escolas nem têm sítio para os alunos irem, por isso ficam por lá, e outros em que o professor dá a oferta curricular a uns e ensino o Inglês de outra a outros”, ilustra.

Manuel António Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas e diretor do agrupamento de Cinfães, confirma esta realidade: “É uma situação típica das experiências que se costumam fazer na Educação em Portugal”, critica. “Ninguém pensa nessas situações, nem sequer nas diferentes realidades do país”.

No caso do agrupamento que dirige, revela, “das 28 turmas do 1.º ciclo, 14 são mistas”. E assume que quando a sala é partilhada pelo 3.º e 4.º ano, é preciso recorrer a soluções imaginativas: “Como não temos salas para os dividir, tentámos que o Inglês das AEC aconteça ao mesmo tempo que o do terceiro ano. Nem que fiquem os dois professores em conjunto é uma solução”, diz, revelando que “há escolas onde existem turmas com três anos”.

Apesar de os novos centros escolares terem surgido para acabar com as turmas mistas, Manuel Pereira diz que o problema “está a aumentar”. E culpa o Ministério: “As contas para a existência de turmas não têm a ver com o ano de escolaridade mas com o número de alunos. A regra são os 26. Se tivermos 13 alunos de um ano e 13 do outro as turmas são mistas”.

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16 comentários

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    • on 25 de Outubro de 2015 at 17:18
    • Responder

    Na escola do meu filho o 3º e o 4º ano têm o mesmo Inglês, o mesmo horário, o mesmo professor, a mesma “obrigatoriedade” de comprar manual e a mesma “avaliação”…assim o diretor o disse…e o fez!

    • IsabelM on 25 de Outubro de 2015 at 19:57
    • Responder

    ‘Se tivermos 13 alunos de um ano e 13 do outro as turmas são mistas’, gostava de saber se os senhores governantes, com filhos em idade do 1 ciclo, aceitam esta situação nos colégios dos filhos.

      • :-) on 25 de Outubro de 2015 at 22:08
      • Responder

      Foi necessário surgir o inglês curricular para se despertar para uma realidade que já existe há mais de 30 anos. Recordem o DL 35/88 que realiza o cálculo de nº de prof a partir do nº alunos a dividir por 25.

        • Daniel on 26 de Outubro de 2015 at 2:33
        • Responder

        No concurso de 2009 essa regra deixou de ser seguida. As horas de apoio educativo foram consideradas no cálculo dos professores do quadro. De resto nesse ano muitos professores passaram dos QZP para os Quadro dos Agrupamentos.

        Crato recuperou a ideia.

          • Daniel on 26 de Outubro de 2015 at 2:34

          Nos agrupamentos que o quiseram fazer.

    • Do Contra on 25 de Outubro de 2015 at 21:12
    • Responder

    Esta publicação é, a meu ver, um claro ataque ao Inglês no 1º CEB. Aliás, nos últimos tempos, o autor destas publicações tem estado particularmente atento ao grupo 120, publicando relatos despropositados de alguns dos seus profissionais, fáceis alvos de crítica, zombaria e de sei lá mais o quê, assim como notícias que em nada favorecem a nova disciplina. Parece, portanto, que o currículo ideal deste ciclo de ensino é aquele em que o Português, a Matemática e o Estudo do Meio são reis e senhores. Tudo o que ultrapasse esta redoma, como as Expressões, uma segunda língua ou área de ensino mais “alternativa”, é vista com maus olhos. Corporativismo típico do 1º CEB?! Talvez… Isto do grupo 120 veio perturbar o cumprimento dos programas e, sobretudo, os horários do profs. do 110. Que chatice, pá… Vêm agora estes tipos do Inglês!
    Tanto que se trata de um ataque a estes novos colegas que a foto escolhida não é nada inocente: TINHA que ser a do DN que contem uma gralha – a do “lantern”. Enfim…

      • desalinhada on 25 de Outubro de 2015 at 22:27
      • Responder

      Claro !!! disse tudo. Ridículo, afinal não se preocupam com os alunos.! Porque para o português e matemática já não há problemas com as turmas mistas???!!! Isto é anedótico. Pois, na verdade isto já não é o que era há 10/15 atrás. Enfim, ainda bem que vieram exames para que alguns começassem a ensinar a sério! !!

      • :-) on 25 de Outubro de 2015 at 23:02
      • Responder

      Desde 1975 (imagem) que os programas do ensino primário contemplam
      LP, EM (MFS), Mat,EPlas, Mov Música e Drama, EF, Saúde e EMus
      Até fui verificar na minha coleção de programas….
      Posteriormente, 1980 e 1990 as áreas continuam no programa com algumas alterações (Sai Saúde, muda nome de MFS para Est. Meio,…).
      Até iniciação ao meio aquático, fazendo lembrar o tema da “Banda do Casaco”
      “Natação obrigatória” (introdução à instrução primária)

      Quanto aos horários….os prof. já tiveram flexibilizações de AEC. Desta forma até conseguiam permutar o que lhes estava vedado.
      Presentemente também há AE que dão uma tarde livre ao prof. do 1ºCEB, situação anteriormente “impossível”

      O 1ºCEB é um Ciclo estranho:
      Onde se insiste numa monodocência disciplinar

      Onde há prof. do 1CEB de 2 grupos distintos (110 e 120) a trabalhar 1100m e 1500m
      Crianças com 27 horas letivas semanais
      Crianças que 2 vezes semana permanecem em aulas das 9 às 17h30m
      Um programa de 1990 “remendado” com legislação…
      Onde se come (fruta), bebe (leite) e até se podem lavar dentes diariamente EM TEMPO ESCOLAR
      Onde os apoios escolares podem ser suspendidos para que se assegure as aulas de uma turma
      Onde os alunos se distribuem por salas cheias porque as crianças não vão embora ou ficam no recreio quando o prof. falta

      Onde se podem ministrar em casos específicos medicação…
      Onde não há dia livre.
      Onde nunca ninguém se importou com os prof de apoio que se deslocam de escola em escola.

      Só há a agradecer a introdução do inglês porque assim se alerta para um ciclo onde alguns professores o consideram como a “escolinha”

        • Do Contra on 25 de Outubro de 2015 at 23:34
        • Responder

        Em teoria, os programas apresentados parecem-me muito completos, mas na prática… As bases são aquelas que referi e que volto a reiterar. As Expressões/Áreas Curriculares alternativas são para inglês ver, pois são temas que se abordam, mas não são disciplinas autónomas… Quanto à “suposta” flexibilização dos horários… Bem, com as AEC ou o Inglês sempre nas pontas das manhãs/tardes, é fácil flexibilizar. Os profs. do 1º CEB têm tardes livres? Claro que têm… E os professores das AEC têm? O dia livre está a ser abolido, e bem, em muitas escolas.
        As problemáticas restantes são desprepositadas:
        – O 1ºCEB é um Ciclo estranho: Onde se insiste numa monodocência disciplinar [os professores de Inglês, dos Apoios e os das AEC são gente, certo?]
        – Onde há prof. do 1CEB de 2 grupos distintos (110 e 120) a trabalhar 1100m e 1500m [Um com 1 escola e 1 turma, outro com 8, 9, 10 escolas e centenas de alunos…]
        – Crianças que 2 vezes semana permanecem em aulas das 9 às 17h30m [Os alunos passam o dia na escola. Muitas famílias agradecem esta ajuda do Estado… É que não têm dinheiro para colocar os filhos numa instituição no fim das aulas]
        – Um programa de 1990 “remendado” com legislação [o que tem este ciclo de ensino a mais do que os outros? Sofreu este e sofreram os outros todos].
        Blá blá blá…

          • José Afonso on 26 de Outubro de 2015 at 10:49

          Tu és do contra ou a favor? Não se entende muito bem. Uma coisa é certa tens consciência do sofrimento da classe, em todos os ciclos. Só te aponto uma coisa. No país há muitos agrupamentos, e tantas práticas como agrupamentos. não generalizes os procedimentos. O que acontece no teu agrupamento não acontece nos outros, neste e nos outros ciclos. É a tal “autonomia”. O teu sofrimento não é o do colega do lado. Defendes que os professores se deviam unis? E muito bem. Devem-se unir, mas ao mesmo tempo não devem generalizar as suas reivindicações. Devem Apoiar as reivindicações de todos mesmo que diferentes. Ou seja, se o docente do 120 não tem condições de trabalho, todos os outros grupos têm que apoiar a sua luta. Isso não acontece? Não…Porquê? Porque há sempre quem se julgue pior ou que vive muito bem com o mal dos outros. Blá blá blá… blá blá… Será que isto te diz alguma coisa? Ou és daqueles a que o umbigo vai das virilhas aos peitos e só faz registos inúteis?

          • :-) on 27 de Outubro de 2015 at 1:13

          Os prof 1ºCEB têm formação para todas as áreas. Em estágio abordam-nas de forma autónoma.As barreiras disciplinares/autonomia disciplinar não são garantia de aprendizagem. Mas a esta hora não quero entrar nos campos da epistemologia ou da construção do saber com recurso à interdisciplinaridade.

          Quanto ao “inglês ver”, em todos os ciclos se poderia
          questionar se o que está previsto no programa é abordado/desenvolvido pelos professores.

          Flexibilização: referi no passado. Sim, havia
          flexibilização, em geral nas tardes, com acréscimo de horário para 1ºCEB que lecionava AEC de Apoio ao Estudo(AE). Por isso havia horários de AEC com mais de 10h e prof. titulares a sair às 17h30m após “furos”, Anexo horário de 2009 de uma EB1 em que os 4 prof. tinham 2 dias em que trabalhavam até às 17h30m (apenas exceção de 1 dia).

          Tardes livres: alguns têm a partir deste ano… mas os pais
          que não querem que o filho frequente AEC
          têm que os ir buscar “as 12h ou 12h30m. E os alunos têm 2 dias a 6h ou 1 dia a 7h. Dia livre é conseguido com a sobrecarga do tempo letivo diário do aluno.

          As problemáticas restantes vêm a propósito, por isso propositadas relativamente à questão do “post”:

          Big Problemas

          Por isso adicionei outros problemas que afetam os docentes:
          desde a deslocações, ao exercício de funções em tempo letivo (comer, beber e lavar dentes), horários diferenciados, etc.

    • susana on 26 de Outubro de 2015 at 23:14
    • Responder

    No agrupamento onde estou, em 11 escolas, 8 são mistas. Quando o professor do 120 foi colocado o diretor perguntou se havia problema em ficar com os alunos do 4º ano pois estes não tinham onde ficar enquanto os do 3º tinham inglês, pois claro que a professora não ia dizer que se importava, coitada. Não percebo porque é que em vez desta situação não criaram um horário de AECs para os alunos do 4º ano, dava uma horário decente para mais um professor, e a professora do 120 não ficava com turmas mistas que não faz sentido nenhum!

    • Add120 on 27 de Outubro de 2015 at 7:47
    • Responder

    Na RAM já existe o 120 há anos e não há problema nenhum. Quem não quer não se candidate ao 120, nem realize a formação para o grupo.

      • Goreti on 27 de Outubro de 2015 at 10:02
      • Responder

      Add120, já li o seu post…..já voltei ao blog…voltei aos comentários…voltei ao blog… Bom, não resisti!!!!

      Fiz a formação para o 120 e algumas (4) das colegas (do grupo 110) já tinham lecionado no suposto 120, na MADEIRA. Fiquei assustada…..muito assustada!!!!!
      E mais não digo….!

        • Karma on 27 de Outubro de 2015 at 17:25
        • Responder

        Nem todos são profissionais de excelência, ganham o mesmo. Uns devem dormir e acordar mais encantados com a vida do que outros… mas isto já penetra em questões deontológicas.

    • Goreti on 27 de Outubro de 2015 at 10:14
    • Responder

    A minha experiência da entrada do 120 é a seguinte:

    – os professores do 1º ciclo não gostaram nada de ter mais alguém a andar lá pela escola

    – já me cansei de ouvir “tu nem és deste ciclo” (é verdade, sou do 3º e secundário, com muita experiência em AECs e afins e com a profissionalização deste ciclo E AINDA 2 filhos nestas idades, facto que, para mim, é deveria ser extremamente relevante no currículo….)

    – para sossegar as hostes, o agrupamento fez o seguinte: turno livre para todos (Hip Hip Hurray!!!!!) tivessem ou não que ficar 2 dias até ás 17:30, por a sua turma ser do 3º ano. Não percebi ainda muito bem porquê, mas este ponto não foi clarificado logo no início do ano…. Há EE, que só com o decurso das aulas se aperceberam, que em determinado dia, de manhã ou á tarde, afinal os meninos estavam com a professora de apoio e que os meninos, que precisavam de apoio afinal não tinham assim tantas horas para esse mesmo apoio, pois a professora de apoio estava com outra turma, porque o professor tinha esse turno livre…..!!!!!!

    Flexibilização….. Segundo o meu dicionário, significa:

    AEC – atividade a desenvolver das 16:30 ás 17:30 ou, excecionalmente, das 9:00 ás 10:00 da manhã
    Inglês curricular – em todo o agrupamento, sem exceção:
    turmas só do 3º ano: bloco de 120 minutos, das 14:00 ás 16:00
    turmas mistas: 2 x 60 minutos, das 16:30 às 17:30

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