… mas nada se faz.
Escolas privadas fazem batota com as notas
A inflação de notas por parte das escolas privadas está a provocar uma “distorção” no acesso ao Ensino Superior, prejudicando sobretudo as escolas e os alunos do ensino público, revela o mais recente relatório do Conselho Nacional de Educação.
Uma “tremenda fonte de injustiça” que leva os autores a concluírem que até um sorteio se revelaria “mais justo” do que o atual sistema de colocação. O Ministério da Educação não escapa às críticas: ao mostrar-se incapaz de corrigir a situação, está a “oferecer publicidade às escolas que inflacionam”, contribuindo para aprofundar as desigualdades.
O problema da inflação de notas internas (as que são atribuídas pelos professores no final do ano) já tinha sido levantado no relatório sobre o “Estado da Educação” do ano passado. E o alarme foi suficiente para o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, anunciar, em julho passado, que tinham sido feitas averiguações em dez estabelecimentos de ensino, e abertos inquéritos em quatro deles. O governante não especificou na altura se eram escolas públicas ou privadas, nem se sabe ainda qual a conclusão desses inquéritos. O JN tentou ontem obter esse esclarecimento junto do Ministério da Educação, que limitou-se a responder que o processo está fase de conclusão.




7 comentários
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Há meses (anos?) que andamos a alertar por aqui o verdadeiro escândalo da inflação das classificações atribuídas aos alunos, em disciplinas sem exame nacional, nos colégios privados e privados-encostados-ao-Estado.
Chegámos a relatar este facto a uma inspectora da IGEC, pedindo-lhe que fosse a um desses colégios ver as pautas de classificação dessas mesmas disciplinas. Não sabemos se chegou a fazê-lo, mas se o fizesse constataria o óbvio: alunos que reprovam a História e alcançam 18 a Sociologia e 20 a Direito; alunos que reprovam a Português e a Matemática e tiram 18 a Inglês e 18 a Física, sem realizarem testes durante o ano.
Há pais que, sabendo destes esquemas, vão a correr matricular os filhos nestes colégios para que a média de entrada na Faculdade suba automaticamente, sem chatices e sem estudo a duas disciplinas de 12.º (as anuais e sem exame nacional).
Há alunos que, tendo frequentado a Escola Pública até ao 11.º ano, “mudam-se” para o colégio à procura da média desejada.
Tudo isto é ilegal e podre, mas mostra, de uma forma mais do que evidente, a estratégia de quem esteve e está à frente destes colégios: lucro e mais lucro.
Com isto, são prejudicados os alunos da Escola Pública. Quantos deles não entram na Faculdade por décimas e vêem amigos seus do colégio entrarem com facilidade e, muitas vezes, mal preparados. Aliás, como é que um aluno que tem 18 a uma disciplina sem realizar testes durante o ano pode ir bem preparado nessas matérias para a Faculdade?
Num país decente, estabelecimento de ensino que tem estas práticas deveria ser encerrado compulsivamente. Se temos consideração pelos professores destes colégios? Sim e não. Terão as competências e as capacidades semelhantes aos seus colegas da Escola Pública, mas são “colaboradores” deste estado de coisas, são cúmplices de ilegalidades e remetem-se ao silêncio (com medo de represálias?).
Portanto, Arlindo, é preciso fazer alguma coisa. Talvez fechar as escolas privadas que apenas querem obter lucro e mais lucro, como diz o moço que falou antes de mim.
Ou então fechar a IGEC que faz vista grossa ao que se passa nos colégios. Melhor, melhor era obrigar todos os alunos a irem para as escolas públicas, que nessas não se inflacionam notas, nem há esquemas, nem péssimos professores.
Ou então, seguir por uma via mais radical: fechar as escolas públicas que, por darem notas por baixo, impedem os alunos de ir para os cursos que querem. Que lhe parece esta proposta?
É que me enoja um bocadinho ver patetas alegres, a começar pelo CNE e a acabar no joão Pereira, a dar tiros nas escolas privadas e a esquecerem que a culpa por este “escândalo” também é do sistema de acesso ao ensino superior, também é das universidades, é do Governo e é também das escolas públicas.
Bolas.
Cumprimentos do Trentino
Reitor
Esqueceu-se de responsabilizar os ascendentes, descendentes, vizinhos, cães, gatos e afins.
O melhor quanto a si é o sistema RELVAS???
O senhor reitor perante os factos, atira uma verborreia sobre outros culpados. Então, devemos todos encolher os ombros… Faz acusações às escolas públicas e ao sistema, mas esquece-se de dizer que esses exemplos não aparecem na comunicação social. Os alemães também podem dizer que a culpa do início da II Guerra Mundial foi dos polacos, esses provocadores do lado de lá da fronteira.
Haja paciência para os “trentinos” anónimos e cobardes deste país (ou será que estamos a falar de um dono de um “colégio”?).
Ninguém faz nada, é verdade, e não é de agora.
Curioso que esta flagrante injustiça não merece qualquer reação da esquerda parlamentar (na qual votei), excluo o PS, tão zelosa do ensino público, no discurso…
A coisa passa-se assim:
Alguns alunos começam na pré-primária nesses colégios;
Levam bases sólidas, escolares e familiares;
Têm professores bons, mas que são altamente explorados, alguns têm 26 horas lectivas, mais as actividades que estes colégios promovem para sacar algum dinheiro aos pais, mais a preparação das aulas, mais… mais… mais…
Alguns destes colégios fazem os testes ao sábado/feriado para não “gastar” tempo de aulas; outros promovem noites e fins-de-semana com os alunos nas mais diversas actividades, acompanhados sempre pelos professores.
Chegam ao secundário, com as ajudas todas descritas atrás, e tiram grandes notas, mas… para alguns pais não chega, porque pagam, porque sempre pagaram, porque o seu filho tem de ser…
Assim, alunos que já foram favorecidos porque têm apoio em casa, porque têm apoio na escola, porque não têm o “manel” na turma a chatear e a boicotar a aula, porque estudam num meio protegido, ainda são beneficiados nas notas.