Até às 18 horas de hoje as escolas TEIP e/ou com Autonomia tem de criar a oferta para todos os grupos de recrutamento, de forma a constituírem uma bolsa anual para as necessidades que possam surgir ao longo do ano.
Em breve, ainda não se sabe quando, os professores contratados terão de candidatar-se às ofertas criadas para todos esses grupos de recrutamento, independentemente de haver alguma necessidade ao longo do ano para essa escola e grupo de recrutamento. Tendo em conta que uma não aceitação de uma colocação tem implicações graves para o docente, impedindo-o de celebrar contrato com o MEC nesse ano lectivo é importante que mostrem interesse na fase de candidatura por horários e escolas apenas para as quais sabem que poderão aceitar a colocação.
Como em simultâneo decorre um outro concurso de contratação, nunca será fácil tomar essas opções de forma prévia.
Independentemente de haver uma fase única de candidatura devia ser permitido que ao longo do ano os professores pudessem de forma dinâmica acrescentar ou retirar opções para que a decisão tomada em Julho não fosse estática.
Se um professor fica colocado na Contratação Inicial num horário anual de 16 horas no Algarve não terá certamente interesse em completar o seu horário de trabalho num horário de 6 horas no norte do país para o qual concorreu em Julho e possivelmente teria interesse em poder ser colocado num horário de 6 horas na zona do Algarve mas que para lá não concorreu nesse intervalo de horas por ser demasiado arriscado pelo reduzido número de horas.
A BCE é um concurso desonesto em muitos aspectos, o principal é porque retira a graduação profissional como principal factor de colocação, mas também porque privilegia uma operacionalização de colocações sem olhar para a realidade e os interesses dos professores. E muitas vezes essa operacionalização torna-se mais demorada porque as opções que são feitas em Julho colidem depois com os interesses dos docentes que muitas vezes atrasam ainda mais uma colocação por sucessivas não aceitações, algo que se fosse feito centralmente não aconteceria com a mesma frequência.
E a pergunta que muitos fazem, é: porque razão existe uma discriminação entre professores contratados e do quadro para uma candidatura a uma escola TEIP e/ou com Autonomia?
Porque é necessário escrutinar um currículo de quem pode ter de trabalhar apenas meia dúzia de horas durante um mês numa dessas escolas e quem fica a trabalhar todo o ano, dois ou o resto da vida basta ter tido a sorte de ser colocado por concurso nacional pela graduação profissional?
Que sentido faz gastar tanto tempo e recursos para necessidades não permanentes?
Vale a pena o desgaste que uma BCE provoca nos professores e nas escolas?




11 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Arlindo,
Parabéns pela argumentação! Principalmente para o parágrafo “porque razão existe uma discriminação entre professores contratados e do quadro para uma candidatura a uma escola TEIP e/ou com Autonomia?”. Da facto, é exigido para uma TEIP/Autonomia que o docente contratado tenha X horas de formação XPTO, que tenha trabalhado Z anos no projeto ZPTO, etc… E tudo, por vezes, para um horário de 6 horas durante um mês, para substituir um docente dos quadros que se calhar nunca trabalhou nesses projetos exigidos ao contratado.
Já agora aproveito para perguntar se esta “palhaçada” se vai extender este ano às escolas municipais… Porque chegou-se a comentar aqui no blog que todos os agrupamento dos municípios que tinham assinado protocolo de autonomia com o Ministério iam passar automaticamente a ter o mesmo estatuto das TEIP/Autonomia. Isso significaria que em concelhos grandes como Matosinhos, Cascais, Oeiras, etc… Estas ofertas passariam para BCE. Ou seja, seria quase 50% BCE / 50% Concurso Nacional.
A BCE pura e simplesmente não deveria existir.
As escolas até podem ter autonomia mas deveriam ir buscar os docentes à contratação inicial. Se querem introduzir critérios, faça-nos na lista de CI. Criam um critério e aplicam-no a todos os professores.
Não me venham com a treta das especificidades das escolas! A pedagogia diferenciada aprende-se nas cadeiras pedagógicas e todos a sabemos aplicar…
Tem toda a razão.
http://oduilio.wordpress.com
Arlindo, quando diz “Tendo em conta que uma não aceitação de uma colocação tem implicações graves para o docente”, esta informação já foi veiculada o ano letivo passado e à custa disso perdi dois contratos anuais… Eu não devo não aceitar pelas devidas implicações, mas posso denunciar se nos dias seguintes aparecer uma vaga melhor, certo?!?!
Sim, mas apenas uma vez.
Obrigada.
Completamente de acordo com o BOM SENSO do Arlindo!
A BCE foi e é um erro!
– Não se aplica o princípio da igualdade de tratamento entre cidadãos! Nos concursos
públicos os critérios tem de ser iguais para todos, independentemente do local para o exercício de funções (escolas ou agrupamentos). Onde está a lógica para que um professor na lista de ordenação nacional seja o n.º “X”, numa escola seja o n.º X-30 e noutra escola seja o n.º X+20?…
– A BCE não trouxe maior rapidez de colocação em relação à lista de ordenação nacional (Reserva de Recrutamento) e em 2015/6, vai ser igual!
– Na BCE, os professores ficam “amarrados” às escolhas que fazem (em Julho?) meses antes da colocação e o que pode ser importante no início do ano letivo, pode não ser relevante no meio do ano… (seja nas preferências por escolas, localidades ou por intervalos de horário). Porque a vida, pessoal e profissional, é “dinâmica”…
– Porque razão quando se concorre a horários em oferta de escola, os candidatos não têm conhecimento do seu horário de trabalho (que muitas vezes é só um part-time), em termos de mancha horária, disciplinas e turmas? O mesmo se passa em relação à BCE e talvez este seja um dos motivos que leve muito dos candidatos a não aceitarem a colocação…
De salientar, pela positiva, o exemplo do Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal
Machado – Santarém http://agrupamento-ginestalmachado.net/ , que na Contratação de Pessoal Docente, publica o respetivo horário.
– Os professores do quadro, quando concorrem para as escolas/agrupamentos com Autonomia/TEIP, não são colocados com base nos critérios da BCE e “só” é tida em conta a Graduação Profissional! Onde está o princípio da igualdade de tratamento entre cidadãos/professores!
– as Minutas de Comprovação de Dados, que A DGAE irá disponibilizar para Comprovação de Dados por parte dos docentes (aos Agrupamentos/Serviços Administrativos – durante o processo de candidatura!), relativamente aos diferentes critérios de avaliação, vai dar confusão. Exemplo: “ACTIVIDADE MAIS RELEVANTE, o docente terá de indicar o seu NÍVEL DE ENVOLVIMENTO e o NÚMERO DE DIAS (!!!???) RELATIVO À ATIVIDADE, no âmbito do plano anual de atividades, que considerar mais relevante.”
Posição da FNE (retirada doutro contexto, que não da BCE, mas que também se lhe aplica…):
> “Ignorando uma posição de base fundada na lista de graduação nacional, o MEC não acautelou as diferentes situações concursais e legítimas expectativas dos candidatos.”
> “No entanto, o MEC, ao optar por realizar este concurso em simultaneidade… criou situações de injustiça com efeitos irreparáveis e inconcebíveis à luz dos mais elementares princípios de justiça e equidade.”
> “Esta situação, que é uma completa e incompreensível perversão da lista de graduação, para além de no imediato se traduzir numa injustiça inconcebível, tem efeitos para o futuro…”
> “Esta situação tem de ser urgentemente reparada.”
> “A FNE considera imprescindível e da mais elementar justiça que o MEC encontre uma solução para esta enorme iniquidade.”
Em suma:
– “Na simplicidade aprendemos que reconhecer um erro não nos diminui, mas nos engrandece” – Roberto Shinyashiki
– COLOCAÇÃO DE TODOS OS PROFESSORES, EM CONCURSOS PÚBLICOS, PELA
GRADUAÇÃO PROFISSIONAL!
A BCE foi um invento de quem? É tão disparatada…
Concordo plenamente! Obrigada Arlindo 🙂