Despacho n.º 7031-A/2015 – Diário da República n.º 121/2015, 1º Suplemento, Série II de 2015-06-24
Ministério da Educação e Ciência – Gabinete do Ministro
Cria um projeto piloto de oferta do mandarim como língua Estrangeira III no currículo do ensino secundário, no ano letivo de 2015-2016
Deixo também este mail que me chegou e que terá sido enviado também para vários órgãos de comunicação social, com o título “Mandarim nas escolas – 500 alunos à mercê da ideologia do governo chinês“.
Boa tarde,As noticias vindas a público desde da última visita do Ex.mo Sr. Presidente Cavaco Silva à China têm-me levantado algumas preocupações. Junto envio provas documentais do que será referido.São vários os países que têm travado a proliferação dos Institutos Confúcio (IC), EUA, Suécia, França, Canada,…. entre outros. Alegadamente por estes serem um instrumento de softpower do governo chinês. Uma tese de mestrado de um aluno de Universidade do Minho, que estagiou no IC da mesma universidade no ano de 2014, também alerta para questões de instrumentalização política dos ICs (a tese encontra-se anexa a este email). A orientadora da tese (ou relatório), Drª Lin Sun Lam, foi Directora do IC dessa universidade durante 10 anos. Esta acabaria por apresentar a sua demissão do cargo após os problemas diplomáticos surgidos na conferência da EACS de 2014, que teve lugar em Braga e Coimbra. A Dr.a Lin Sun Lam é actualmente a Directora do Departamento de Estudos Asiáticos da Universidade do Minho.Nessa tese é apresentado um relato da pressão do governo chinês, através do Hanban que tutela os ICs, sobre um organismo independente (EACS), que viria a resvalar num problema diplomático entre a Republica Democrata da China e a Republica Popular da China. Este acontecimento, apesar de noticiado no wall street journal bem como outros jornais internacionais, não teve qualquer atenção da comunicação social portuguesa.No meu entender é preocupante que seja uma ex- Directora de um IC a reconhecer, indirectamente, o softpower da china aplicado através dos ICs. Não menos importante é a preocupação manifestada na mesma tese com o ensino do mandarim nas escolas, como instrumento da ideologia chinesa. Não podemos esquecer que teremos nas nossas salas de aula professores escolhidos pelo governo chinês (através do Hanban), pagos pelo governo chinês, a ensinar aos nossos alunos disciplinas curriculares cujos conteúdos programáticos serão elaborados pelos ICs, ou seja, serão da responsabilidade do governo chinês.Não se deverá confundir uma oferta extra curricular, como acontece actualmente, com uma oferta curricular, onde os alunos são avaliados como se de outra qualquer disciplina se tratasse. É evidente que os exames nacionais do secundário serão elaborados e classificados pelos ICs. Poder-se-à comparar esta implementação com a da Suécia, que elaborou um plano de 11 anos para introdução do mandarim nas escolas públicas, onde não existe qualquer intervenção do governo chinês. Qual o país ocidental que remete para outro país a responsabilidade de redigir os seus currículos através de uma entidade questionável como o IC/Hanban.No wikipedia são apresentadas outros casos que ilustram de que forma os IC são instrumentos ideológicos do governo chinês.Existe ainda a questão da relevância da introdução do mandarim. No contexto das relações empresariais entre a china e outros países, o Inglês é e continuará a ser língua em uso. A taxa de empregabilidade dos licenciados/mestres em línguas orientais, formados pelas universidades portuguesas, é reduzida, sendo estes precários. A dificuldade natural da aprendizagem do mandarim também se revela como um obstáculo à introdução dessa oferta curricular. Os bacharéis da universidade do minho (Licenciatura em Línguas e Culturas Orientais), por exemplo, após 3 anos com uma carga horária semanal de 12 horas, atingem, na melhor das hipóteses um nível B1/B2.Gostaria de esclarecer que estudei mandarim durante alguns anos, tendo um nível de proficiência da língua B1/B2. A China e a cultura chinesa não me são estranhas, pelo contrário.Peço a vossa atenção para o exposto, e espero que vos suscite interesse.Cordiais cumprimentos,
Juntamente com este anexo.





2 comentários
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Os chineses já compraram a EDP e mais umas coisas…agora compraram o Crato… vamos ver o que se segue…
As premissas a reter neste caso são:
– O currículo e materiais são definidos por um governo estrangeiro – note-se que ainda não se sabe qual é o currículo da disciplina, objectivos, etc… o que é no mínimo estranho.
– Os professores são seleccionados por um governo estrangeiro – quais os critérios de selecção? Serão todos chineses? Haverá portugueses? como são seriados? Há concurso?
– As avaliações são feitas por um governo estrangeiro – conta para a média do secundário? Se sim teremos um governo estrangeiro a definir “quem entra” para as nossas universidades? Quem realiza os exames? Quem os classifica?
Tudo isto é no mínimo MUITO questionável e uma ofensa à soberania nacional
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