Em menos de uma semana, o discurso do Ministro João Costa parece ter passado da ameaça velada à “sedução postiça”:
– “Ninguém tem o direito de prejudicar mais os Alunos.Sempre que as aulas estão paradas, nós estamos a ter prejuízo para os alunos.” (CNN Portugal, em 2 de Setembro de 2023)…
– Ser professor “é uma profissão de futuro” (Sapo Notícias/Executive Digest, em 6 de Setembro de 2023)…
– “Vamos precisar até 2030 de mais de 30 mil novos professores” (Sapo Notícias/Executive Digest, em 6 de Setembro de 2023)…
– “Todos queremos um ano letivo mais sereno”. (Sapo Notícias/Executive Digest, em 6 de Setembro de 2023)…
– “A contestação é normal, é uma classe que já passou muito.” (Sapo Notícias/Executive Digest, em 6 de Setembro de 2023)…
– “Não queremos profissionais descontentes” (Sapo Notícias/Executive Digest, em 6 de Setembro de 2023)…
Perante tal “bipolaridade” ou, se se preferir, “instabilidade” do discurso, o mínimo que se poderá afirmar é que os “Deuses devem estar loucos”…
Num momento em que se assiste à gritante falta de Professores, consequência directa de tantas e tantas maldades perpetradas, nos últimos anos, contra os Professores pela Tutela, e à iminência de novas Greves, o discurso proferido por João Costa em 6 de Setembro passado parece ilustrar aquilo que vulgarmente se designa por “falinhas mansas”…
“Falinhas mansas”, que terão como plausíveis intuitos, por um lado, a “sedução” e a cooptação de candidatos a Professores e, por outro, o “apaziguamento das hostes”, tentando anular a pertinência das paralisações já agendadas…
Por “falinhas mansas” entende-se:
– “Conversa ardilosa e lisonjeira, feita com o intuito de obter algo” (Dicionário Priberam), o que, no caso presente, não poderá deixar de se considerar como uma tentativa de ludíbrio e de branqueamento da perversidade que tem dominado a acção da Tutela…
Bastará recordar tudo o que, recentemente, se passou em torno do decreto de Serviços Mínimos por parte do Ministério da Educação, para que as presentes afirmações do Ministro se tornem num “hino à falsidade e à hipocrisia”, em particular quando se alega que: “A contestação é normal, é uma classe que já passou muito” e ainda que: “Não queremos profissionais descontentes”…
Não é possível dar crédito a tais palavras, cabalmente desmentidas pela realidade, em particular pela ardilosa actuação do próprio Ministério da Educação…
Por outro lado, fica-se estupefacto perante as mais recentes declarações da Presidente da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) ao garantir que “não vai aceitar greves nas escolas como as que marcaram o ano letivo anterior” (Rádio Renascença, em 5 de Setembro de 2023)…
Será caso para perguntar:
– Que competências, responsabilidades ou atribuições são reconhecidas à CONFAP, no que se refere à convocação de Greves de profissionais de Educação, em particular de Professores?
– Que competências, responsabilidades ou atribuições terá considerado a Presidente da CONFAP na afirmação de que “não vai aceitar greves nas escolas como as que marcaram o ano letivo anterior”?
– Acaso os Sindicatos estarão obrigados a solicitar o parecer ou a autorização da CONFAP para convocarem as Greves que entenderem?
Pelos exemplos anteriores, torna-se cada vez mais difícil olhar para o contexto da governação educativa, ou para os “satélites que gravitam em seu redor”, sem pensar:
– “Os Deuses devem estar loucos”… (Alusão ao Filme The Gods Must Be Crazy, 1980).
Ou em alternativa, vociferar:
– Shame on you!
(Porque há expressões que soam um pouco melhor na Língua Inglesa…)
(Paula Dias)




11 comentários
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Ouvi dizer que, quando eu fizer GREVE, a confap me vai buscar a casa e levar-me amarrado até à minha escola para dar aulas.
Viva a PIDE!
É por essas e por outras, que a CONFAP nem devia de existir.
Processem essa organização…
Não recebe apoios/subsídios do Estado/Governo PS?
Andam os nossos impostos a ser muito mal empregues…
Uma associação que não passa de um braço do ministério, controlado por fascistas socialistas.
” maldades ” perpetradas contra os professores é só um apelido, eu diria que foram cometidos verdadeiros atentados deveras desrespeitosos e humilhantes contra a dignidade de uma classe profissional que completamente desmotivada continua sempre a dar o seu melhor, a cumprir o seu serviço religiosamente e sempre com esperança de ser reconhecida e que as coisas melhorem, mas é o que se vê. É sempre tudo a piorar!
Humilhações?
Tenho 45 anos. Quase 20 de serviço.
Entrei durante o 1.º congelamento.
Quando efetivei não fui posicionado como deveria ter sido, ficando 3 anos a receber por um escalão provisório, graças a uma portaria que o ministério PS não publicou quando deveria. Erro nunca assumido pelo ministério.
Em 2018 fui ultrapassado por vários que entraram depois de mim, graças à Portaria 119/2018, que se esqueceu de mim e de outros quantos milhares da minha “geração de professores”. Fiquei no 1.º escalão e outros passaram diretamemte para o 2.º com menos tempo de serviço.
Agora, com esta legislação, como não estou no 4.º escalão, nunca serei abrangido por isenções ao 5.º e 7.º escalões.
Ou seja, a minha geração de professores foi tratada com LIXO!
E ainda esperam serviço?!
Quem vão à m*****! Nojentos e ladrões!
Peço humildemente que a CONFAP indique que tipo de greves me autoriza a fazer.
Nenhumas. Para estes funcionários não declarados do PS, os professores não deveriam ter direito à greve.
Alguém me explica porque tenho de pagar os meus impostos para eles servirem para pagar a uma associação privada?
Quando não há uma solução à vista, resta disparar em todas as direções. Claro que a direção do disparate também serve.
Ao que isto chegou!
Inaudito!
A CONFAP deve achar- se.
Os sindicatos ainda não lhe responderam? Nem a Missionária, digo missão, digo ponte das missões, da escola pública?
A CONFAP é uma associação que nem devia existir. Não conheço nenhuma outra associação que exista apenas porque um ministério usa fundos públicos para sustentar uma associação particular.
Esta associação é paga por todos, com os nossos impostos. No entanto, é uma associação particular, como, aliás, são todas as associações.
Que sentido faz isto?
E como se arroga dizer o que permite ou não permite? Julgam-se acima da lei?!
Claro que, recebendo dinheiro do ministério para existir, tudo o que sai de lá é sempre a favor dos “donos”, não vão deixar de receber o osso ou o biscoito.
Um nojo a juntar ao nojo que são políticos medíocres que fazem jogo para seduzir novos e enganar velhos, mentindo e aldrabando a todos os portugueses.
Senhor ministro não tem o direito de me prejudicar mais!…
Entrei no ensino em 1996, tenho duas licenciaturas, no ensino, um Mestrado em Sociologia da Educação e Politicas Educativas (terminado em 2012).
Estou prejudicada desde o inicio da minha carreira. Já comuniquei, muitas vezes, dizem que o diretor da minha escola de origem tem de resolver o problema!…
Não resolve o diretor nem o ministério!…
Estou no 4º escalão.
Irei ser (já estou) prejudicada para o resto da minha vida!…
Em que país vivemos?
“Em que país vivemos?”
Portugal, país gerido por governo socialista com maioria absoluta mas com abordagens dissimuladas (para os mais desatentos) de neoliberalismos e com um sistema judicial (seja penal, administrativo ou outro) decrépito.
Mas como dizia um fulano/comentador/”especialista” qualquer num canal de TV:
DEVEMOS PARAR DE NOS QUEIXAR QUE OS NOSSO JOVENS FOGEM DO PAÍS E DEVEMOS ESTAR GRATOS QUE NÃO ESTÃO A SER CHAMADO PARA UMA GUERRA.
Uma lágrima de clarividência rebolou pela minha cara e acenei em concordância.
De imediato liguei para um amigo com SIDA: olha, tenho algo a dizer-te, deves estar grato por ter SIDA e não cancro, e esta uh?!!!! Ele de imediato encolheu os braços, se resignou e conformou e sentiu-se imensamente grato.