A Escola como um entretenimento…

 

Pelos últimos Normativos Legais dados a conhecer pelo Ministério da Educação, a Escola parece estar a transformar-se, a passos largos, num espectáculo de entretenimento e os profissionais que nela trabalham correm o sério risco de se verem obrigados a tornar-se numa espécie de “entertainers”, que é como quem diz numa espécie de “artistas” ou de “animadores”, cuja principal função é promover a distracção e o divertimento…

 Espera-se deles que consigam entreter crianças e jovens, recorrendo às mais flexíveis, diversificadas, transversais e holísticas estratégias, que podem ir desde actuações mais ao estilo de um “Cirque du Soleil” até a actuações menos sofisticadas e despretensiosas, mais ao estilo de “Saltimbancos de Estrada”…

 Todas as anteriores concepções de Escola serão para esquecer, sobretudo as que contradigam aquilo que parece ser o paradigma actual – a Escola Centrada no Poder da Diversão e do Passatempo – pois quem não o fizer arrisca-se, previsivelmente, a ser considerado como “persona non grata”, “desmancha prazeres” ou ainda como “Velho do Restelo”…

 Adivinha-se, até, a proliferação futura de Acções de Formação com temáticas tão valorosas quanto estas: “Como motivar os alunos de qualquer nível de ensino recorrendo ao Canto e ao Sapateado” ou “A importância das Artes Performativas no ensino de qualquer Disciplina” ou ainda “A influência da Música Tradicional Portuguesa na gestão de sala de aula”…  

 Futuramente, a Formação apostará, certamente, na capacitação dos profissionais de Educação como prestadores de um serviço de entretenimento, sem nunca esquecer que “o cliente tem sempre razão” (H.G. Selfridge) e que a satisfação dos “consumidores”/”público” é o principal objectivo…

Cada um poderá, no entanto, escolher entre um género de representação mais dramático ou mais humorista, mas sempre norteado pela ideia de que um “verdadeiro artista” não desilude o seu público, nem defrauda as suas expectativas…

 O “verdadeiro artista” também não desiste do seu público, mesmo que, em determinados momentos, seja vaiado ou pateado por ele…

O público manda, é aguentar e “cara alegre”…

 Para os que quiserem levar isto mais a sério, estas palavras de Salvador Dali talvez possam servir como uma referência: “Um verdadeiro artista não é aquele que é inspirado, mas aquele que inspira os outros”…

 Os que, descaradamente, preferirem “blasfemar” contra o problema, talvez, possam apreciar mais e procurar alguma inspiração nas ímpares composições musicais de Serafim Saudade – O Verdadeiro Artista…

 Em qualquer caso, convém não esquecer que, aconteça o que acontecer, “the show must go on”

 O Ministério da Educação apreciará e reconhecerá, por certo, a perseverança e a dedicação de cada profissional de Educação a tão nobre causa…

 Desconhecem-se, no entanto, os efeitos resultantes desta nova abordagem, em termos de benefícios/prejuízos, ao nível do desenvolvimento pessoal e social das crianças e dos jovens…

 

 (Matilde)

 

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8 comentários

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  1. é isto mesmo,, um circo.

      • Nuno on 13 de Julho de 2021 at 17:55
      • Responder

      E que mal vê nesse circo?
      A nossa sociedade está em constante evolução.
      Que mal há em investir em politicas educativas modernas?
      Ah!
      Desculpem .
      Se calhar sou eu que estou a ver mal a coisa….

        • Alecrom on 13 de Julho de 2021 at 18:35
        • Responder

        Políticas educativas modernas… lol&lol.

          • Espetaaaculooo on 14 de Julho de 2021 at 10:22

          Isso mesmo… estes deslumbrados modernos do espetáculo (que agora é “evolução” ahahahah) são uns teóricos…

      1. O que há de mal é a palhaçologia.

        • Espetaaaculooo on 14 de Julho de 2021 at 10:22
        • Responder

        Isso mesmo… estes deslumbrados modernos do espetáculo (que agora é “evolução” ahahahah) são uns teóricos…

    • José Manuel Cebola on 13 de Julho de 2021 at 13:07
    • Responder

    É uma visão bem real da escola atual, mas parece que vai ser ainda mais “acentuada” …

    • Sardão para o manês Karamba on 13 de Julho de 2021 at 22:53
    • Responder

    Ó Karamba, porra para ti! Quantas vezrs já repetiste este texto aqui? Fosga-se que já chateia, sempre o mesmo!
    Mas bem sabemos, estás muito habituado à repetição das coisas, não é assim seu maroto? Como é teu exemplo diário Repetir a sardoada porque a ela estás bem habituado e dela nunca prescindes, grande manhoso!

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