22 de Dezembro de 2025 archive

Vencimento Base 2026 (Classe Docente)

Neste quadro ficam os valores do Vencimento Base para 2026 dos 10 escalões da classe docente, com o respectivo aumento salarial mensal na última coluna: valor de €56,58 para salários até €2.631, e 2,15% acima disso.

Lembro que o aumento de subsídio de refeição é de €0,15, tendo subido para os €6,15 em 2026, mas que não estão incluídos nesta tabela.

Logo que as tabelas de IRS fiquem disponíveis apresento os quadros para todas as situações com os respectivos descontos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/vencimento-base-2026-classe-docente/

Concurso Externo Extraordinário 2025-2026 – Reclamação da Candidatura Eletrónica

 

Aplicação eletrónica disponível até às 23:59 do dia 29 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental), para efetuar a Reclamação das candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário 2025-2026.

SIGRHE – CEE 2025/2026 – Reclamação da candidatura eletrónica

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/concurso-externo-extraordinario-2025-2026-reclamacao-da-candidatura-eletronica/

Órfãos de pais vivos

 

Há uma tragédia moderna que não é notícia ns telejornais, não convoca minutos de silêncio e não dá direito a velas acesas nas redes sociais,  a dos alunos órfãos de pais vivos. Estão ali, sentados na sala de aula, com mochila às costas, telemóvel no bolso e um vazio educativo que nem a internet consegue preencher.

Os pais existem. Respiraram de manhã, deixaram a criança à porta da escola, deram um beijo apressado e seguiram para a verdadeira vida,  essa entidade mística chamada agenda. Mas educar? Educar dá trabalho. Educar ocupa tempo. E tempo, como todos sabemos, é coisa demasiado preciosa para ser desperdiçada a ensinar frustração, responsabilidade ou a arte revolucionária de lidar com um “não”.

Hoje, educar os filhos para viverem em sociedade é visto como uma espécie de hobby radical, ao nível do alpinismo sem cordas ou da leitura de instruções antes de montar um móvel do IKEA. Os pais querem filhos felizes,  não preparados. Querem crianças blindadas, não competentes. Superprotegem-nas do mundo real como se este fosse uma doença contagiosa que só ataca depois dos 18 anos.

Não sabem,  ou não querem saber,  ensinar os filhos a resolver problemas. Para isso existe sempre alguém: o professor, a escola, o psicólogo, o sistema, o Ministério, o planeta. Nunca os pais. Esses estão ocupados a trabalhar para ganhar dinheiro ou a gastá-lo com convicção moral: no ginásio, no jogging existencial, no copo ao fim do dia, no jantar com amigos onde se discute, com ar grave, “o futuro das crianças”.

Nada pode contrariar a criança. Nada pode frustrá-la. Nada pode magoar o seu ego ainda em fase de amaciamento. A criança manda. O adulto obedece. E assim se forma o novo cidadão: incapaz de lidar com um contratempo, um erro ou uma palavra que não comece por “parabéns”.

Depois há o momento sublime da hipocrisia: quando os pais exigem que a escola faça aquilo que eles próprios não fizeram. Querem professores mágicos, capazes de ensinar limites sem os impor, responsabilidade sem conflito e respeito sem autoridade. Querem educação sem esforço. Uma espécie de fast-food pedagógico, rápido, confortável e sem efeitos secundários visíveis, pelo menos até à idade adulta.

E um dia, inevitavelmente, o ciclo fecha-se. Os pais envelhecem. Os filhos crescem. E aqueles que nunca aprenderam a cuidar, a esperar, a ceder ou a resolver passam a decidir. Os pais tornam-se órgãos dos filhos, não no sentido médico, mas funcional, servem para sustentar, pagar, resolver e calar.

É o legado perfeito de uma geração que confundiu amor com ausência, liberdade com abandono e educação com um incómodo logístico.

Ser professor, afinal, não é apenas ensinar conteúdos. É tentar, todos os dias, colmatar a falta de pais que nunca saíram de casa,  mas também nunca estiveram realmente lá.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/orfaos-de-pais-vivos/