E pronto. Esta é a receita para a confusão.
Um servidor público dizer que os serviços do estado não funcionam bem para pobres é um pouco como dizer que um hospital só funciona bem para malta saudável. Mas é corajoso dizer isto … porque é verdade!
Só quem tem poder consegue reivindicar. E os pobres não têm poder. E se algo que serve pobres se degrada, como os pobres não têm poder, fica degradado.
Como os portugueses são, na essência, uns pés-rapados, se pensarem bem … foi o que aconteceu a Portugal. Os caseiros que tomaram conta disto deixaram a propriedade degradar-se .. afinal de contas isto é para pobres, qualquer coisita serve!
Mas nós, na educação, conhecemos bem este fenómeno de degradação pela suposta insignificância e irrelevância de quem lá está.
Quando ouvi as declarações do Ministro truncadas e a comoção gerada pensei que o Ministro estava a ser esfolado vivo por parafrasear o Bloco de Esquerda que, segundo creio, usa esse argumento para defender a escola pública, única e estatal e o fim de toda e qualquer entidade privada na Educação ou Saúde.
Pensei que o sentido das suas palavras era exatamente o que veio mais tarde a revelar-se: uma profunda afirmação de esquerda!
O que o Ministro disse fica efetivamente perigosamente próximo do “acabe-se com o privado porque se tudo for público todos lutamos para que o público seja melhor”. O que não é forçosamente mentira, mas que a história nos diz categoricamente que não funciona.
Qual não é o meu espanto quando vejo a malta de esquerda a criticar as afirmações (criticaram o Ventura pelos hambúrgueres … aqui não andaram muito longe).
Este era um excelente momento para a esquerda radical dizer: “O Ministro tem razão! Acabe-se com as entidades privadas na educação: colégios privados, universidades privadas esses parasitas do proletariado!”.
De facto, há sectores onde os privados não devem estar, porque simplesmente não há concorrência e é fácil criar monopólios. A Educação e a Saúde … não.
Há que estabelecer bem a diferença entre o fornecedor do serviço e o pagador do serviço. Alguém dúvida da importância das Farmácias privadas no SNS ?
Não conheço a fundo o problema das Residências Estudantis do Ensino Superior para opinar. Mas tenho o bom-senso suficiente para perceber que o Ministro tem razão: serviços públicos para pobres degradam-se porque quem os usa não tem poder reivindicativo.
Mas o que mais me espantou no meio disto tudo foi a quantidade de gente que saiu a crucificar o homem sem ter percebido o que ele tinha dito. Particularmente professores. Particularmente professores de esquerda!
Mas mais irónico é isto ter acontecido depois de quase uma década de apelo ad nauseam à inclusão. O homem apela a uma inclusãozita … e pumba cai-lhe um menir em cima!
Nas palavras de Makkas: As Férias estão aí? SIIIIM
Não, não estão Makkas. TAlvez em 1993. Hoje é só pausa letiva. O trabalhinho está tudo lá para fazer.
Mas é bom revisitar a geração rasca.
Jorge Sottomaior Braga