9 de Dezembro de 2025 archive

Isto é 1 em Cada 5

Mas é 1 em cada 2, na classe mais jovem, que pretende abandonar a carreira.

O futuro não é nada promissor.

 

Cerca de 20% dos professores admitem querer abandonar carreira

 

 

Ao longo da próxima década, será necessário contratar, em média, 3.800 novos docentes por ano para renovar o quadro de professores, segundo o estudo divulgado pelo Diário de Notícias.

Mais de metade dos professores com menos de 30 anos admite a possibilidade de abandonar a carreira. A conclusão faz parte do Estudo da Educação, divulgado, esta terça-feira, pelo Diário de Notícias.

Além dos docentes mais jovens, também entre os professores mais velhos verifica-se uma intenção elevada de deixar as salas de aula.

No total, cerca de 20% dos professores em Portugal afirmam ponderar sair da profissão.

  • Falta de professores obriga crianças do 1.º ano a serem distribuídas por turmas de alunos mais velhos

O estudo indica ainda que, ao longo da próxima década, será necessário contratar, em média, 3.800 novos docentes por ano para renovar o quadro de professores.

O relatório sublinha também que a escassez de docentes já começa a sentir-se no ensino superior.

 

 

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Reserva de Recrutamento 23

Não sabemos se esta é a última Reserva do 1.º período porque não conta qualquer informação no site da DGAE.

Reserva de Recrutamento 23

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 23.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quarta-feira, dia 10 de dezembro, até às 23:59 horas de quinta-feira, dia 11 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 23

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Professores, a nova classe descartável: vinte anos de desautorização política e salarial – Manuel Alho

Os professores portugueses foram transformados em carne para canhão orçamental e em saco de pancada social, ao mesmo tempo que se anuncia uma “falta histórica” de docentes como se fosse um fenómeno natural e não o resultado de opções políticas insistentes. A profissão está hoje menos respeitada, pior paga em termos reais e cercada por um discurso oficial que oscila entre a hipocrisia do elogio e a indiferença perante o êxodo anunciado por milhares de docentes.

Professores, a nova classe descartável: vinte anos de desautorização política e salarial

A erosão do respeito

Nas escolas portuguesas, a autoridade pedagógica foi sendo corroída por múltiplos fatores, desde a burocracia que afoga o tempo de ensinar até à submissão da escola à lógica do “cliente” que, por milagre semântico, passou a chamar pais e alunos de “utentes”. O professor, que deveria ser o referencial de exigência, passou a ser o réu preferencial de todos os descontentamentos, do insucesso escolar às frustrações familiares, enquanto o poder político se escondia atrás de relatórios e “metas de sucesso”.​

Quando um em cada cinco docentes admite abandonar a carreira nos próximos anos, proporção que ultrapassa metade entre os que têm menos de 30 anos, não estamos perante um “estado de alma”. Estamos perante a prova de que a profissão perdeu atratividade social, prestígio institucional e condições mínimas para reter quem ainda acredita no ofício. Mesmo assim, o discurso dominante insiste em que “os professores gostam muito de se queixar”, como se o problema fosse emocional e não estrutural.​

A degradação salarial planeada

Entre 2005 e 2023, os salários reais dos professores em Portugal caíram cerca de 13 por cento, ao contrário da média europeia que registou aumentos, o que significa um empobrecimento continuado de quem trabalha num setor que o Estado gosta de proclamar “pilar da democracia”. Esta perda acumula décadas de congelamentos, roubo de tempo de serviço e aumentos abaixo da inflação que transformaram uma carreira outrora atrativa numa pista inclinada para baixo, em TODOS os escalões e índices da carreira docente.​

Há números que são mais do que estatística: um professor em início de carreira ganhava, em meados dos anos 2000, várias vezes o salário mínimo. Hoje, aproxima‑se perigosamente desse limiar, o que traduz uma desclassificação social que nenhum adorno retórico consegue disfarçar. No mesmo período, a carga de trabalho não letivo, a pressão avaliativa e as exigências burocráticas aumentaram, criando um paradoxo cruel: trabalha‑se mais, ganha‑se relativamente menos e ouve‑se que “não há dinheiro” precisamente no setor que mais se proclama estratégico.​

O pecado original do poder político

Os sucessivos governos foram avisados, por sindicatos, investigadores e pelo próprio Conselho Nacional de Educação, de que a combinação de envelhecimento do corpo docente, salários em queda e precariedade contratual conduziria a uma escassez grave de professores. Em vez de antecipar o problema, preferiram recauchutar medidas avulsas, desde programas temporários de recrutamento até campanhas publicitárias de “valorização” da profissão, que valem pouco quando confrontadas com recibos de vencimento e horários repartidos por três ou quatro escolas.​

Agora, à pressa, anunciam‑se estudos que apontam para a necessidade de dezenas de milhares de novos docentes até meados da próxima década, como se esse alerta caísse do céu e não fosse o resultado previsível de vinte anos de negligência. A mesma mão política que congelou carreiras, prolongou estágios probatórios, tolerou a precariedade como regra e usou os professores como amortecedor das crises orçamentais, aparece hoje em tom compungido a lamentar a “falta de vocações”.​

O risco de colapso anunciado

Quando um sistema precisa de cerca de 38 a 39 mil novos professores até 2034, ao mesmo tempo que um quarto dos atuais admite abandonar a profissão, não está apenas em causa a gestão de recursos humanos, está em causa a própria continuidade da Escola Pública como espaço de qualidade e equidade. Em muitos territórios, sobretudo nas grandes áreas urbanas e em regiões periféricas, turmas inteiras iniciam o ano letivo sem docentes em várias disciplinas, compensando com remendos que vão desde a sobrecarga de colegas até à oferta educativa amputada.​

A ironia suprema reside aqui: o Estado, que tão zelosamente repete que “a Educação é a prioridade das prioridades”, construiu, tijolo a tijolo, uma profissão que grande parte dos jovens olha com desconfiança, que muitos veteranos abandonariam amanhã se pudessem e que um país envelhecido não pode dar‑se ao luxo de perder. Se nada for feito, de forma séria, o sistema não entrará em rutura por surpresa. Entrará em rutura por teimosia, e ninguém poderá dizer que não foi avisado.

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CEE 2025/2026 – Validação do Aperfeiçoamento das candidaturas

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 9 de dezembro e as 23:59 horas do dia 10 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar a Validação do Aperfeiçoamento das candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

SIGRHE – Validação do Aperfeiçoamento das Candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026

 

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Relatórios que brilham e escolas que sobrevivem – Estado da Educação 2024

Há uma certa poesia involuntária nos relatórios oficiais sobre a educação portuguesa. São densos, polidos, cheios de gráficos bem comportados e frases que soam a compromisso nacional, quase como quem lê um catálogo de luxo sobre um país onde tudo funciona. O Estado da Educação 2024 é mais um desses documentos que, à superfície, parecem anunciar um sistema a caminho da excelência. Mas basta sair do PDF e pisar um corredor de qualquer escola pública para perceber que há um abismo entre aquilo que se escreve e aquilo que realmente se vive.

O relatório fala de progressos na escolarização, na inclusão e no acesso ao ensino, e até concede umas páginas inteiras à ideia da inovação, como se a simples palavra tivesse força para resolver problemas. Destacam-se contratações, aumentos de cobertura e investimentos em medidas de apoio. Tudo muito bem organizado, muito certo, muito alinhado com as melhores expectativas europeias. O problema é que o país real não lê relatórios e continua preso a carências que não cabem em gráficos. Falta pessoal docente e não docente em demasiados sítios, faltam recursos humanos especializados e falta a transparência que permita perceber se as políticas aplicadas têm impacto para além da retórica.

A inclusão, tão celebrada, continua a falhar naquilo que mais importa, que é a qualidade. Há registos de apoios atribuídos, mas não há garantias de que esses apoios sejam eficazes. A desigualdade territorial persiste como uma mancha teimosa e os alunos vindos de meios vulneráveis continuam a ser mais vítimas de estatística do que beneficiários de políticas públicas. A integração de alunos estrangeiros é outro exemplo claro. Diz-se que o sistema está atento, mas o ensino de Português Língua Não Materna continua a ser insuficiente, irregular e incapaz de responder ao aumento real das necessidades.

É um cenário curioso. De um lado temos relatórios impecáveis, com tabelas que dariam orgulho a qualquer gabinete político. Do outro, temos escolas que tentam sobreviver com cortes invisíveis, burocracia crescente e uma falta estrutural de recursos que os relatórios mencionam de forma tímida, como quem pede desculpa por estragar o brilho das páginas bem formatadas. Somos um país que aprendeu a conviver com a distância entre a intenção e a execução e que produz documentos com ambição enquanto mantém práticas que não chegam a materializar essa ambição.

O que falta é o que quase nunca aparece em textos oficiais. Falta monitorização real e independente que avalie o impacto das políticas. Faltam medidas eficazes de apoio humano, desde professores a técnicos especializados e assistentes operacionais. Falta uma estratégia forte para as regiões mais desfavorecidas que eternamente multiplicam dificuldades. Falta estabilidade e valorização para quem trabalha na linha da frente. Falta, sobretudo, a humildade de reconhecer que a inclusão não se garante por decreto, mas por investimento concreto e continuado.

O Estado da Educação 2024 é um excelente ponto de partida, mas não é o destino. É mais um capítulo da nossa eterna habilidade para escrever sobre progresso enquanto adiamos a parte difícil que é concretizá-lo. Quem vive a escola sabe que o país não precisa de mais relatórios brilhantes, precisa de coragem política para transformar dados em dignidade humana. Até lá continuaremos a folhear documentos que prometem o futuro enquanto escolas inteiras continuam a lutar pelo presente.

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DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO

E de boas intenções está o inferno cheio, como todos sabem.

O Instituto Camões, em 2011, quando assumiu a tutela do Ensino Português no Estrangeiro, nessa altura com mais de 600 professores e um número de alunos que rondava os 70 mil, também apresentou as melhores intenções, agora é que ia haver um ensino de qualidade, com ótimas condições para professores e alunos, com excelentes manuais e um importantíssimo certificado.

E o que temos hoje? Cerca de 300 professores a nível mundial, mal pagos e explorados, quase 20 mil alunos a menos, cursos à distância para crianças de 1° ciclo, porque dizem que os alunos são poucos, e com o ensino da História e Geografia de Portugal ausente porque o que é importante é aprender o Português como língua estrangeira para obter o tal Certificado.

Das boas intenções nada ficou, e se ainda não chegámos ao inferno, o caos e a exploração estão bem presentes no pouco que resta do sistema.

DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO

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Estado da Educação | 2024

“Estado da Educação | 2024”.

“O documento é constituído por duas partes principais. Uma primeira em que é possível ter acesso a uma Panorâmica do Sistema Educativo com base na apresentação e análise de dados estatísticos e uma segunda que integra quatro textos com Reflexões para o Desenvolvimento das Políticas Educativas do país. No início são apresentados o texto Conhecer Para Inovar, Melhorar, Incluir e Enfrentar as Desigualdades, da autoria do Presidente do CNE, Domingos Fernandes, e um Sumário Executivo.”

Consultar o documento, na íntegra, em:

https://www.cnedu.pt/pt/estado-da-educacao-cne/publicacao/estado-da-educacao-2024

 

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