7 de Dezembro de 2025 archive

Adesão à Greve Geral? Sim, sem qualquer dúvida!

As Greves são uma chatice, pois são, todos o sabemos… E todos já fomos afectados por muitas Greves, nos mais variados sectores…

Uma Greve é uma forma de protesto que geralmente só é accionada quando se esgotam outras acções reivindicativas, porventura mais “benignas”, mas que não obtiveram os efeitos esperados… Ninguém, certamente, fará Greve por mero prazer…

Quando se trata da convocatória para uma Greve Geral, como a do próximo dia 11 de Dezembro, subscrita pelas duas maiores confederações sindicais do país, UGT e CGTP, então é porque a coisa ficou séria…

E qual é o problema grave, impossível de ser ignorado, que levou à união sindical e à convocatória de uma Greve Geral?

A resposta à pergunta anterior é, com certeza, conhecida de todos:

– As alterações ao Código do Trabalho, propostas pelo actual Governo.

Os Sindicatos são muitas vezes acusados de terem a sua acçãoreivindicativa condicionada por determinadas agendas e fretes partidários, ou seja, nem sempre se têm mostrado capazes de evidenciar o exigível distanciamento partidário…

Essa incapacidade tem, de resto, contribuído para uma certa descredibilização das próprias estruturas sindicais, muitas vezes criticadas pela ausência de independência partidária, o que tem vindo a minar a confiança nessas instituições

Contudo, no caso presente, saúda-se a convergência alcançada entre a UGT e a CGTP, uma vez que a proposta de alterações ao Código do Trabalho, concebida pelo actual Governo, se constitui, de facto, e em toda a linha, como um verdadeiro atropelo àqueles que trabalham por conta de outrem, tanto no sector público como no privado

Face a tal proposta, justifica-se plenamente a convocação desta Greve Geral.

Se as intenções do Governo não forem contrariadas, teremos um conjunto de medidas que, em nome da flexibilização da legislação laboral, acabarão por: aumentar a precariedade;atentar contra o exercício da parentalidade, conjugado com o trabalho assalariado; e abolir os efeitos de qualquer grevefutura, entre outros…

A propósito desta Greve, há uns dias, o 1º Ministro, Luís Montenegro, veio a público perorar que, a bem da economia do país, esperava dos trabalhadores uma flexibilidade muito maior, o que traduzido de forma sarcástica será mais ou menos isto:

– Espera-se que os trabalhadores não barafustem e que agradeçam por ser despedidos, mostrando, assim, uma imensurável flexibilidade, compreensão e aceitação das medidas propostas pelo Governo…

Por outro lado, afirmar, em simultâneo, que somos muito democratas e que reconhecemos o direito à Greve, mas não aceitar os seus possíveis efeitos, é como considerar, por exemplo, que os Médicos têm direito à Greve, mas que, e ainda assim, se espera que assegurem a realização de todas as consultas, ou outros actos médicos, agendados para o dia em que adiram a determinada paralisação… Ou seja, trata-se de um incontornável absurdo, pleno de contradições e incoerências…

Se a actual proposta do Governo for aprovada na Assembleia da República, a pretendida “regulação do direito à Greve” acabará por significar a imposição de serviços mínimos a torto e a direito, em praticamente todos os sectores…

Na verdade, o que se pretende será o esvaziamento dos efeitos de qualquer Greve, o que, na prática, corresponderá a aboli-la…

Estaremos dispostos a aceitar o anterior?

Claro que para muitos, a Greve ideal seria aquela que não causaria qualquer constrangimento ou perturbação no país…

Mas, nem aqui, nem noutro qualquer lugar do mundo, é possível assumir lutas ou protestos concretos e consequentes sem que existam potenciais “prejudicados” ou “lesados”… E é assim em todas as lutas, independentemente da sua natureza: existirão, inevitavelmente, alguns “danos colaterais”… Mas se não existissem consequências visíveis, que sentido faria decretar uma Greve?

Parece que as políticas liberais/neoliberais estão a tomar conta do actual Governo, o que pouco ou nada terá a ver com a ideologia Social-Democrata, historicamente alicerçada no Socialismo Democrático, inequivocamente de Centro-Esquerda

Este Governo está a tornar-se numa monumental decepção, que levará, certamente, muitas pessoas a aderir à Greve Geral do próximo dia 11 de Dezembro.

Sem qualquer reserva, eu serei uma dessas pessoas.

Acreditar, em certo momento, num Partido Político, pretensamente fundado na SocialDemocracia, que acabou por constituir Governo, não é o mesmo que, a posteriori,aceitar a implementação de políticas liberais ou neoliberaispor esse mesmo Partido

Onde está a coerência entre o teor das propostas agora apresentadas pelo Governo, relativas a alterações (significativas) no Código do Trabalho, a ideologia Social-Democrata e o próprio Programa Eleitoral Aliança Democrática 2025?

Adesão à Greve Geral? Sim, sem qualquer dúvida!

Para aqueles que procuram justificar a sua censura à paralisação agendada para o próximo dia 11 de Dezembro, rotulando-a comouma Greve de Comunistas” ou de “perigosos Esquerdistas”, direi apenas isto:

Quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier.

(Roubado da Internet, de autor desconhecido).

Depois não se queixem, é aguentar e cara alegre…

Paula Dias 

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E Para o Dia 12 Também Existe Pré-Aviso de Greve

Do SITOPAS.

O que se antevê uma próxima semana muito curtinha.

 

Greve geral é para a semana mas já há escolas a avisar que podem não abrir portas (e durante dois dias)

 

É esperada, segundo os sindicatos, grande adesão, pelo que se espera que vários setores e serviços estejam completamente parados. A situação é agravada na educação por outra greve, decretada para dia 12, pelos Sindicato dos Trabalhadores dos Organismos Públicos e Apoio Social – SITOPAS.

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Em relação à Greve Geral de dia 11

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