As Greves são uma chatice, pois são, todos o sabemos… E todos já fomos afectados por muitas Greves, nos mais variados sectores…
Uma Greve é uma forma de protesto que geralmente só é accionada quando se esgotam outras acções reivindicativas, porventura mais “benignas”, mas que não obtiveram os efeitos esperados… Ninguém, certamente, fará Greve por mero prazer…
Quando se trata da convocatória para uma Greve Geral, como a do próximo dia 11 de Dezembro, subscrita pelas duas maiores confederações sindicais do país, UGT e CGTP, então é porque a coisa ficou séria…
E qual é o problema grave, impossível de ser ignorado, que levou à união sindical e à convocatória de uma Greve Geral?
A resposta à pergunta anterior é, com certeza, conhecida de todos:
– As alterações ao Código do Trabalho, propostas pelo actual Governo.
Os Sindicatos são muitas vezes acusados de terem a sua acçãoreivindicativa condicionada por determinadas agendas e fretes partidários, ou seja, nem sempre se têm mostrado capazes de evidenciar o exigível distanciamento partidário…
Essa incapacidade tem, de resto, contribuído para uma certa descredibilização das próprias estruturas sindicais, muitas vezes criticadas pela ausência de independência partidária, o que tem vindo a minar a confiança nessas instituições…
Contudo, no caso presente, saúda-se a convergência alcançada entre a UGT e a CGTP, uma vez que a proposta de alterações ao Código do Trabalho, concebida pelo actual Governo, se constitui, de facto, e em toda a linha, como um verdadeiro atropelo àqueles que trabalham por conta de outrem, tanto no sector público como no privado…
Face a tal proposta, justifica-se plenamente a convocação desta Greve Geral.
Se as intenções do Governo não forem contrariadas, teremos um conjunto de medidas que, em nome da flexibilização da legislação laboral, acabarão por: aumentar a precariedade;atentar contra o exercício da parentalidade, conjugado com o trabalho assalariado; e abolir os efeitos de qualquer grevefutura, entre outros…
A propósito desta Greve, há uns dias, o 1º Ministro, Luís Montenegro, veio a público perorar que, a bem da economia do país, esperava dos trabalhadores uma flexibilidade muito maior, o que traduzido de forma sarcástica será mais ou menos isto:
– Espera-se que os trabalhadores não barafustem e que agradeçam por ser despedidos, mostrando, assim, uma imensurável flexibilidade, compreensão e aceitação das medidas propostas pelo Governo…
Por outro lado, afirmar, em simultâneo, que somos muito democratas e que reconhecemos o direito à Greve, mas não aceitar os seus possíveis efeitos, é como considerar, por exemplo, que os Médicos têm direito à Greve, mas que, e ainda assim, se espera que assegurem a realização de todas as consultas, ou outros actos médicos, agendados para o dia em que adiram a determinada paralisação… Ou seja, trata-se de um incontornável absurdo, pleno de contradições e incoerências…
Se a actual proposta do Governo for aprovada na Assembleia da República, a pretendida “regulação do direito à Greve” acabará por significar a imposição de serviços mínimos a torto e a direito, em praticamente todos os sectores…
Na verdade, o que se pretenderá será o esvaziamento dos efeitos de qualquer Greve, o que, na prática, corresponderá a aboli-la…
Estaremos dispostos a aceitar o anterior?
Claro que para muitos, a Greve ideal seria aquela que não causaria qualquer constrangimento ou perturbação no país…
Mas, nem aqui, nem noutro qualquer lugar do mundo, é possível assumir lutas ou protestos concretos e consequentes sem que existam potenciais “prejudicados” ou “lesados”… E é assim em todas as lutas, independentemente da sua natureza: existirão, inevitavelmente, alguns “danos colaterais”… Mas se não existissem consequências visíveis, que sentido faria decretar uma Greve?
Parece que as políticas liberais/neoliberais estão a tomar conta do actual Governo, o que pouco ou nada terá a ver com a ideologia Social-Democrata, historicamente alicerçada no Socialismo Democrático, inequivocamente de Centro-Esquerda…
Este Governo está a tornar-se numa monumental decepção, que levará, certamente, muitas pessoas a aderir à Greve Geral do próximo dia 11 de Dezembro.
Sem qualquer reserva, eu serei uma dessas pessoas.
Acreditar, em certo momento, num Partido Político, pretensamente fundado na Social–Democracia, que acabou por constituir Governo, não é o mesmo que, a posteriori,aceitar a implementação de políticas liberais ou neoliberaispor esse mesmo Partido…
Onde está a coerência entre o teor das propostas agora apresentadas pelo Governo, relativas a alterações (significativas) no Código do Trabalho, a ideologia Social-Democrata e o próprio Programa Eleitoral Aliança Democrática 2025?
Adesão à Greve Geral? Sim, sem qualquer dúvida!
Para aqueles que procuram justificar a sua censura à paralisação agendada para o próximo dia 11 de Dezembro, rotulando-a como “uma Greve de Comunistas” ou de “perigosos Esquerdistas”, direi apenas isto:
– “Quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier.”
(Roubado da Internet, de autor desconhecido).
Depois não se queixem, é aguentar e cara alegre…
Paula Dias




21 comentários
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Qual a razão para no governo do Dr. António Costa, o tal da geringonça, não haver greves?
Conversa.
Se calhar porque não foram tão longe quanto estes doidos liberais.
Mesmo assim, levaram com a minha greve, que a fiz. Aliás, quando se diz que não houve greves com Costa, deve haver aí muita falta de memória.
Não houve greves gerais, mas o que não faltaram foram greves.
Esta gente é tudo menos social-democrata.
Estes “doidos” são os responsáveis pela devolução integral do tempo de serviço aos professores! Gente ingrata e cega ideologicamente…
Estava tudo insatisfeito🤦🏻♀️
Estes são melhores😂
Muito bom.
Apoiado.
Eu, greves, já fiz as que havia de fazer! Foram muitas greves e manifestações a ver 90% dos colegas a ladrar que “faziam e aconteciam” e a meter o rabo entre as pernas na hora “H”, revelando uma grande falta de ética.
Para receber os louros é que se colocaram na linha da frente!
Eu vou fazer.
Este pacote laboral é uma completa loucura.
Não precisamos disto para nada.
O problema da produtividade começa nas chefias, em particular nas de topo. Não em quem está cá para baixo.
Vou fazer greve porque deram aos professores a recuperação total do tempo de serviço e isso não se fazia.
Vai à mer**.
O que aí vem vai ser lindo, vai.
Vão ser todos entregues aos esbirros dos Presidentes das Câmaras e das Juntas de Freguesia.
Comecem a habituar-se a lamber cus, que vai passar a ser essa a vossa profissão.
Deram a alguns… eu continuo roubada em 6A6M e 23D!E os sindicatos quietinhos e caladinhos!
Mas como estes não me dececionaram absolutamente nada( quem votou nas criaturas é que deve estar desiludido), para esse peditório já não vou dar mais😒
Explica lá isso melhor! Como assim? Já se esqueceram que foram os socialistas com a ajuda do resto da esquerda a destruir o país? Querem um país de proletariado pobre, como na antiga URSS ou na Koreia do Norte? Haja pachorra…
Concordo plenamente.
A memória anda muito curta por parte dos professores.
Quem quer faz , quem não quer nao faz!
Eu não faço!
Os textos são sempre dos ou das mesmas!
Oh santo deus te ajude!
Uma Bloquista sem cadeira.
Façam a greve eu vou trabalhar sou estivador.
Quem quiser faz, quem não quiser não faz.
Mas qual é o problema?!
Deves ser tão estivador como limpador de tetos de abrir.
Vai à mer**.
A Maria de Lurdes Rodrigues é que era competente. Pôs os professores na iordem. Na geringonça os profs. recuperaram a totalidade do tempo de serviço que e a FENPROF e UGT convocaram muitas greves. Alguém me pode esclarecer que partido levou o país a duas bancarrotas?
Se as pessoas tiverem um mínimo de consciência deviam todos mas todos aderir a esta greve!! Caso contrário eles fazem das pessoas o que bem entendem. Todos sem excepção se tiverem alguma dignidade ainda…
Oh, Tareco, tu não consegues mesmo interpretar um texto simples, tens que melhorar essa incompetência. A autora defende a Social Democracia e deve ter votado no PSD, pá.
Eu não vou fazer greve.
Adesão à Greve Geral?
NÃO, sem qualquer dúvida!